Postado às 13h38 Política Nenhum comentário Enviar por e-mail

Joaquim dos Santos Rodrigues, conhecido como “Seu Lunga”, morreu às 9h30 da manhã deste sábado, 22, na cidade de Barbalha, no interior do Ceará.

Seu Lunga foi internado na última quarta-feira, 19, por complicações no sistema digestivo.O quadro piorou na sexta-feira, levando ao falecimento do poeta.

Seu Lunga tinha 87 anos e estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha, onde tratava de um câncer de esôfago.

A revista CONTEXTO fez reportagem com Seu Lunga em 2012, quando o personagem recebeu os jornalistas Higo Lima e Cézar Alves em seu comércio em Juazeiro do Norte, no Ceará.

Veja:

“Alguma vez você já foi corrigido porque cumprimentou alguém com um simples “Ola!”? Caso sua resposta seja um não, aconselhamos que leia essa reportagem até o final para descobrir que durante toda sua vida você cometeu um dos maiores erros de relacionamento. Isso porque o personagem que nos ensina a forma correta de cumprimentar o próximo é também o interlocutor de vários outros “causos” que se espalharam pelo Brasil devido à sua fama de intolerante às perguntas bestas.

Certamente já deu pra deduzir que estamos nos referindo ao “Seu Lunga”, ou simplesmente o “homem mais bruto do mundo”, como ele popularmente ficou conhecido. Que a reputação de Padre Cícero reina em Juazeiro do Norte, cidade cearense localizada a 520 quilômetros da capital Fortaleza, disso ninguém tem dúvidas. No entanto, exatamente na Rua Santa Luzia, uma das principais vias do comércio daquela cidade, a principal atração dos turistas passa longe da devoção ao “Padim Ciço”.

Eles querem mesmo é encontrar o ponto comercial famoso na cidade por vender ferro velho, roupas usadas e todo tipo de quinquilharia que couber na sucata do comerciante Joaquim Santos Rodrigues, 83. Na grande maioria das vezes, o principal interesse não é fazer uma compra, mas atestar a real brutalidade de Seu Lunga e ainda aproveitar a oportunidade para, propositalmente, fazer uma pergunta idiota. “Ora, eu aqui na minha sucata e o cabra chega e me pergunta: Seu Lunga, essa antena [de televisão] é pra vender? Veja se tem cabimento uma coisa dessas! Se essas coisas fossem pra eu dar, aqui num era um comércio”, disse ele no primeiro exemplo para nos provar que o título de “homem bruto” é um equívoco.

Na verdade, justifica Seu Lunga, as pessoas é que insistem em fazer perguntas idiotas: “dizem que eu sou bruto, mas eu sou é esclarecido: sei escrever, sei as quatro operações de conta, converso com juiz, prefeito e ainda discurso em velório e aniversário”, aponta ele, como se essas fossem grandes competências capazes de explicar sua pouca paciência para a “ignorância” alheia. Então, de onde surgiu a fama de mal-humorado? As pessoas que trabalham nas proximidades do comércio de Lunga confirmam que, de fato, a simpatia dele é curta, porém a raiz de onde sua fama se espalhou tão rapidamente pelo Brasil é outra.

De acordo com Cícera Rodrigues Camilo, a segunda filha mais velha de Seu Lunga, a culpa pela disseminação é dos cordéis que começaram a circular pela cidade nos anos 80 trazendo histórias relacionadas a ele. Logo as publicações se multiplicaram e ganharam versões nos shows de piadas dos humoristas cearenses, parte deles oriundos da região do Cariri, onde está situada Juazeiro. Um dos primeiros cordelistas a transcrever os causos foi Abraão Batista, que por sinal está proibido pela Justiça do Ceará de mencionar Seu Lunga na narrativa dos seus cordéis. “Esse homem é um professor, uma pessoa esclarecida e mesmo assim fez isso com meu pai. Hoje todo mundo debocha dele por causa dessas mentiras que Batista começou a escrever”, desabafa Cícera.

Se os livretos de cordéis imortalizaram as respostas de Seu Lunga, na internet elas se disseminam numa velocidade imensurável. Uma busca no Google apresenta mais de 820 mil links relacionados a ele, além de quatro perfis (falsos, obviamente) no microblog Twitter (em um deles há mais de 23.300 seguidores) reproduzindo perguntas óbvias e respostas nada amigáveis.

Devido à idade avançada e ao abuso dos visitantes, a família composta por 14 filhos, sendo que 12 ainda estão vivos, sempre mantém um parente vistoriando o comércio de Seu Lunga. “A gente fica por aqui porque sempre aparece um engraçado pra curtir com a cara do meu pai. Só pra você ter uma ideia, os guias turísticos trazem comitivas de gente pra vê-lo. Enchem essa calçada e ainda acham engraçado essa pouca vergonha”, diz Cícera.

Temperamental, a filha de Seu Lunga não nega a genética e já denuncia seguir com a irritabilidade herdada do pai. Tanto que para esta reportagem o fotógrafo (Cézar Alves) até conseguiu um diálogo com Seu Lunga (video acima), mas não obteve o mesmo sucesso com a filha, quando ela avistou os fleches da câmera. “O que você quer fazendo fotos do meu pai? Olhe, se isso for pra sair em revista de imoralidade, a história não vai dar certo”, ameaça ela, fazendo referência à reportagem publicada na edição de julho da Revista Playboy.

Cotidiano

Como um legítimo homem do sertão, Seu Lunga começa o dia antes do sol aparecer, mas só abre o ferro-velho por volta das 8h e permanece até o final do dia, às 17h. Isso de segunda a sexta-feira, porque aos sábados o expediente é reduzido pela metade (até meio-dia), já que no restante do final de semana a família se refugia num sítio na zona rural de Juazeiro.

Ele, a filha Cícera e a esposa Carmelita Rodrigues Camilo, 84 anos, com quem é casado há seis décadas, moram na principal rua da cidade (em frente à Praça do Memorial Padre Cícero), em uma casa com muro alto que os filhos mandaram construir para diminuir o assédio. No ferro-velho, Seu Lunga passa boa parte do tempo mexendo e mudando as quinquilharias de lugar, quando não está atendendo as tietagens.

Visitar Seu Lunga é apostar na sorte de encontrá-lo em dias de “bons amigos”, situação na qual ele ainda conversa, declama poesia, pousa para foto e até opina sobre tudo: política, economia, comportamento etc. Em contrapartida, quando o homem se irrita, não tem quem consiga um segundo de sua atenção. Quando questionado pela sua condição de celebridade, ele solta o verbo na resposta: “Olhe, isso é uma pouca vergonha! O cabra parece num ter o que fazer e vem pra cá com conversa de foto… Um dia desse a moça me perguntou se eu achava que era tão importante quanto meu ‘Padim Ciço’. Dá vontade do caba num responder um absurdo desse, a pessoa vem me comparar com Padre Cícero”.

Às vezes, brando

O vulcão de grosserias de Seu Lunga sempre cessa quando lhe é pedido que declame uma poesia. Mulher e natureza são as temáticas mais comuns aos seus versos, que confessa não saber quantas obras já compôs. “Seu Lunga, o senhor já escreveu quantos poemas?”, perguntou um dos visitantes e ele respondeu: “você acha mesmo que eu vou contar?”, sem nem olhar para quem o questionou, ele começou:

 

“A mulher pra ser bonita

Precisa ser alta e bela

Tendo o corpo desenhado,

morena cor de canela,

Mas os rapazes da ribeira

Tão tudo louco por ela”

 

 A autoria das poesias até pode ser questionada. Não a sua arte, porque a prosa também é um trunfo para tirá-lo do mau humor. Detentor de uma oratória recheada de metáforas, Seu Lunga também, vez por outra, profere discursos em velórios e aniversários. “Há trinta anos fui ao enterro de Antônio Fininho (um de seus amigos), e lá comecei uns dizeres (o seu discurso), quando terminei de falar eu contei 15 pessoas chorando”, relembra ele com vaidade. Ele não aceita convite, só vai a essas solenidades por vontade própria. Antes do ferro-velho ele já atuou na agricultura, era proprietário de uma banca de cereais no mercado da cidade e até candidato a vereador. “Foi um louco que tem aqui que resolveu usar o nome do meu pai pra ver se conseguia votos”, diz a filha, sem deixar que Seu Lunga escute a conversa porque “ele chega a passar mal de tanta raiva quando falam nisso”, adverte.

Os vizinhos da rua desmentem o mito de brutalidade, mas não tergiversam de que a paciência de Seu Lunga realmente é frágil. “Ele é um grande conversador de causos, tem uma memória muito boa, mas a conversa não vai adiante se fizer uma pergunta ou um comentário besta”, diz um senhor que garante dividir o banco da praça nos dias em que Seu Lunga resolve sair de casa.

Antes de nos despedirmos da personalidade viva mais famosa de Juazeiro do Norte, apostamos numa última pergunta para fazer agrado a Seu Lunga: “O senhor conhece Mossoró, terra de Santa Luzia, Seu Lunga?” e a resposta veio depois de um intervalo silencioso (enquanto olhava fixo para uma prateleira cheia de ferro-velho) quando ele soltou: “meu filho, você não tinha nada mais importante pra fazer lá não? Pergunta besta essa sua!”. Cada intransigência de Seu Lunga é o suficiente para arrancar gargalhadas da pequena plateia que se aglomera na calçada do ferro-velho.

Como se ainda não estivesse sido o suficiente, um turista (e curioso) se despede de Seu Lunga com um simpático “Até mais, Seu Lunga”. Não teve jeito! Foi a deixa perfeita para ele soltar mais uma das suas explicações: “quem disse que eu vou ver esse sujeito de novo? Ora, a pessoa num sabe mais nem se direcionar ao outro porque num existe essa história de ‘Ola!’, ‘Até mais’ e agora ainda inventaram o ‘valeu’… O certo é “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”… e pronto!”

* Texto: Higo Lima

* Fotos: Cézar Alves

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Postado às 13h14 Política Nenhum comentário Enviar por e-mail

Por Herval Sampaio Junior, juiz eleitoral

O problema do financiamento das campanhas eleitorais não é tão fácil de resolver, como defendem alguns com a perspectiva de que basta tão somente transformar o financiamento das campanhas em estritamente público, alterando a normatização do atual sistema que é misto, em que se permitem doações/investimentos do setor privado e cotas do fundo partidário.

Nessa linha, tais defensores acreditam que todos os problemas relativos ao chamado, por exemplo, caixa dois estaria totalmente resolvido, pois empresas grandes como as empreiteiras não poderiam mais doar/investir nas campanhas eleitorais. Ledo engano, com todo respeito a quem pensa em contrário, pois o problema é bem maior do que se imagina e primeiro temos que ter a preocupação com o chamado, vamos chamar assim para facilitar a compreensão Caixa um, ou seja, as doações que de doação não tem nada, e sim investimento e que são autorizadas pela legislação, independentemente hoje, de ser pessoa física ou pessoa jurídica e mais sem qualquer limite máximo de gastos, logo, olha que problema interessante, já temos hoje com o atual sistema e que ninguém está conversando com relação à reforma do sistema político que se avizinha, quando a legislação eleitoral, não prevê limite máximo de gastos entre os candidatos e nem sequer mínimo.

Já temos aqui, com todo respeito, nesse sistema uma aberração, pois aqueles que já entram numa campanha eleitoral, mal intencionados e não são poucos, ou seja, com a ideia clara de fingir, que estão verdadeiramente prestando conta real, substancial dos gastos e principalmente receitas obtidas para o desenvolvimento da campanha, optam por óbvio em colocar os seus limites de gastos bem acima, justamente para não terem quando, com todo respeito, do faz de conta da análise das contas que serão submetidas à Justiça Eleitoral suas contas reprovadas. Porque será?

Justamente porque colocando um valor maior, poderá dentro do que permite a própria legislação arrecadar e ao mesmo tempo gastar no chamado, caixa um, valores que seriam bem maiores do efetivamente existente. E esta essa saída formal em se colocar um limite máximo do valor que entenda pertinente, o candidato e o partido politico conseguem, por exemplo, se safar de uma eventual punição, acaso não tenha feito uma previsão correta e real dos gastos.

Se porventura houvesse obrigação de se estipular tetos sobre a previsão de gastos, o próprio candidato e o partido político teriam mais cuidado na hora de designar o intervalo pelo qual estaria obrigado a gastar, mesmo que formalmente. E agora vejam como sempre colocam valores à maior do que efetivamente gastarão, mesmo com outro problema que vamos em seguida abordar, que é o problema do Caixa dois, sempre acabam fraudando o sistema pelo que estamos chamando de Caixa um.

E aqueles que resolvem muitas vezes por inocência e às vezes por total desconhecimento da lei, colocam valores menores, basta ter uma receita, que no decorrer da campanha um pouco maior e que não era previsível, que já serão devidamente punidos, por força, justamente da não adequação formal as regras previstas em lei e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral, mas o problema das contas de campanha não reside tão somente na análise formal e técnica das contas prestadas, inclusive com a submissão a diversas regras, que ao longo dos últimos anos até houve uma evolução no sentido de se apertar, ou seja, de se querer fazer com que os partidos e candidatos se submetam a um rigor bem maior em termos de controle, inclusive tentando chegar na medida do possível, ao efetivo gasto e receita feita pelos mesmos.

Entretanto o problema maior reside no fingimento, com todo respeito, das próprias prestações feitas na maioria das vezes pelos candidatos e partidos políticos desse país, afora o problema já relatado; é indiscutível, portanto, que as campanhas eleitorais custam bem mais, consoante se pode claramente vê nas ruas, do que o devidamente informado pelos candidatos e partidos políticos, e essa constatação infelizmente acontece em todas as eleições e pode ser facilmente detectada com análise das campanhas eleitorais passadas, incluindo especialmente a campanha eleitoral de 2014, que foi a mais custosa de todas e a mais cara de todo o mundo, chegando a quase 05 bilhões em termos de caixa um, segundo informado à Justiça Eleitoral.

Ora como sempre venho dizendo a regra geral nesse tema é que os candidatos fingem que prestam conta e infelizmente, por falta de estrutura da Justiça Eleitoral, ela também finge que homologa e aprova formalmente as contas. Ora é até mesmo contraditório se interpretar sistematicamente todos os textos normativos que tratam não somente das campanhas eleitorais, mas principalmente das eleições de um modo geral, e veremos que o espírito é conter as diversas formas de abuso de poder.

Então se indaga se existem diversos textos normativos que procuram coibir, inclusive punindo de forma severa, retirando, em algumas situações, o mandato conquistado por abuso do poder econômico, como que a Justiça Eleitoral pode analisar substancialmente e materialmente se são verdadeiras as informações trazidas pelos candidatos e os partidos políticos na prestação de contas analisadas sob o crivo meramente formal?

Tal constatação, com todo respeito a quem pensa ao contrario, já é, por si só, difícil de compreensão, se por um lado a legislação eleitoral é rigorosa do combate ao abuso do poder econômico, do outro justamente na prestação de contas de campanha há uma interpretação hoje que a analise é feita tão somente no viés formal, sem que a justiça eleitoral possa na prática analisar materialmente se todas aquelas receitas se operaram da forma descrita e o mais importante se aquelas despesas ocorreram da forma devidamente alinhada na prestação de contas, pois infelizmente, por nossa experiência de quase 16 anos como juiz e tendo presidido diversas eleições, percebemos claramente que na grande maioria os candidatos e políticos criam uma receita e despesa totalmente diferente da real, havendo de fato dois caixas.

Portanto, parece-nos ser notório hoje que os candidatos e partidos políticos colocam valores totalmente diferentes dos valores reais na prestação de contas, ou seja, a maioria dos candidatos, no chamado caixa um, na regularidade formal das contas que buscam colocam os valores de despesas informados bem menores do que os valores de mercado.

Tivemos uma experiência recente em que infelizmente, por fazer esse trabalho além do viés formal, nos deparamos com situações muitas vezes visíveis a olho nu como se diz, em que constatamos que algumas prestações de contas chegaram realmente a valores absurdos, inclusive valores que sinceramente poder-se-ia pensar que os candidatos e partidos estariam “tirando onda” da Justiça Eleitoral, pois informaram valores totalmente irreais.

Portanto, somente uma efetiva fiscalização, transformando ou criando agentes públicos, dentro da estrutura eleitoral que pudessem, a partir inclusive do dever indiscutível de fiscalização por parte dos juízes eleitorais, chamado de poder de polícia, teríamos resultado concreto de se coibir na prática o chamado caixa dois. Tais servidores, na fase de propaganda, poderiam inclusive passo a passo analisar materialmente todos os atos e informações prestadas pelos candidatos, em especial os atos de propaganda, a partir da realidade do valor de mercado e o que se via na rua pelos juízes e servidores referidos.

Nessa última eleição, nós vimos claramente por diversos candidatos uma estrutura gigantesca, uma estrutura inclusive para a cognição do que estamos a explicar totalmente surreal quando vamos analisar as contas informadas, os valores são totalmente irreais e o que fazer, segundo a Justiça Eleitoral, com todo respeito, nada, pois a análise é feita somente no aspecto formal, se foram observados os procedimentos, se foram observados os prazos com relações às informações, assinaturas nos recibos competentes e outras diretrizes técnicas contábeis.

Ora essa análise também é importante, inclusive vem sendo feita com rigor maior nos últimos anos, porém nós temos que avançar para fiscalizar, substancialmente, se todos aqueles valores condizem com os valores de mercado, analisar justamente se dentro do chamado caixa um tudo foi devidamente observado e principalmente junto com essa fiscalização e junto evidentemente com o dever de cumprimento e de fiscalização das demais normas, se houve abuso de poder econômico já na prestação de contas, mesmo que indiciária, a partir do que o juiz e sua equipe de fiscalização viram nas ruas.

Desta feita, o que propomos é uma ação mais contundente da Justiça Eleitoral para conter o abuso de poder e tentar justamente aferir os outros gastos que com certeza acontecem, além do que fora devidamente informado e que é conhecido hoje, pelo chamado caixa dois.

Ora por fim, resta-nos uma seguinte indagação e observação ao mesmo tempo, se porventura trocarmos o sistema misto de análise das campanhas eleitorais pelo financiamento de campanhas totalmente público, como alguns defendem claramente e este signatário também até entende que o atual sistema tem que ser modificado, estará resolvido todos os problemas aqui apontados?

Para nós a resposta é não, pois em se adotando de forma mais intensa o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais, resta-nos uma preocupação, será que não se resolvendo o problema, a partir de uma maior estrutura e fiscalização efetiva que se defende por parte da Justiça Eleitoral e os demais órgãos e entidades envolvidos em tal fiscalização, vedando-se qualquer tipo de financiamento privado das campanhas eleitorais, a situação pode é piorar, já que a nossa cultura de jeitinho brasileiro para burlar a lei, as doações/investimentos serão mais constantes e até maiores, por acreditarem justamente na ausência de fiscalização.

Hodiernamente, sabemos que o que se chama de doação, na realidade é investimento, pois as empresas investem, por incrível que pareça em partidos e candidatos com ideologias distintas, logo dá para acreditar que resolveremos ou minimizaremos esses problemas existentes. Repito, não tenho duvida em afirmar que não, pois o chamado caixa dois continuara ocorrendo se não houver justamente essa mudança cultural e uma maior estruturação, estruturação essa humana, estruturação essa material, estruturação tecnológica com maior preocupação em criar um corpo eleitoral fiscalizatório e principalmente permitindo claramente ao juiz eleitoral, que a partir dessa estruturação, possa analisar materialmente todas as contas das campanhas eleitorais.

Para nós, com todo respeito, retirar o financiamento hoje misto, deixando totalmente puro com recursos públicos, proibindo as empresas de doarem para as campanhas eleitorais, por si só, sem essa outra preocupação nossa que ao longo dos anos e nossa experiência a gente vem se preocupando, com todo respeito a quem pensa em contrário, não resolverá.

Simplesmente mudaremos o foco do problema, realmente, mais uma vez, avançaremos formalmente e continuaremos, por óbvio, com as chamadas doações ilegais, investimentos na realidade ilegais e que mais uma vez fugirão ao crivo de análise do Judiciário. Sem tal estruturação da Justiça Eleitoral, continuaremos com as campanhas com alto custo e principalmente o famoso investimento, em que as empresas investirão ilegalmente e procurarão no decorrer no exercício do mandato daquele que fora ajudado de forma ilegal a recuperação daquele dinheiro, com todo respeito àquele que pensa o contrario, as empresas em nossos pais, e a prática vem demonstrando não estão sendo caridosas, pelo contrário estão fazendo negócios, inclusive altamente lucrativos para seus balancetes, para seus executivos e infelizmente a realidade hoje demonstra isso como enunciado em nota de rodapé.

Por isso, a solução para o problema do financiamento de campanha não é tão simples quanto se pensa, temos que discutir e estudar nessa reforma do sistema político que se avizinha, a partir de uma maior estruturação da Justiça Eleitoral, que possa passar a analisar substancialmente as contas das campanhas eleitorais informadas, por força justamente das obrigações, hoje já formais com relação ao dever de regularidade nas prestações de contas, evitando desde essa fase do processo eleitoral o famigerado abuso de poder econômico, que na prática é a origem de todas as outras formas de abuso de poder e da captação ilícita de sufrágio, a qual infelizmente em nosso país vem em algumas situações se constituindo como uma política institucional de alguns governos ainda mal acostumados com a politicagem assistencialista.

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Por Herval Sampaio Junior

A desnecessidade de quaisquer atributos e formulação de propostas concretas para aquisição e exercício de mandato no sistema político brasileiro: uma situação intolerável e que precisa ser urgentemente mudada

Nesse meu período de convalescença assisti a um filme interessante intitulado “As aparências enganam” que retrata justamente o fato de que dentro do sistema político norte americano, uma mulher muito conceituada sobre o aspecto técnico, com plano de governo devidamente estabelecido, fazendo campanhas com propostas concretas nunca conseguiu se eleger para o Congresso Nacional.

Então diante de tal situação, resolveu apostar na possibilidade de eleger uma pessoa simples que almejava ser representante de vendas e que não tinha nenhuma experiência política, somente apostando nos atributos físicos e que poderia moldá-lo junto ao eleitorado com o objetivo de alcançar sua eleição, desafiando o próprio sistema de representação política propriamente dita e principalmente das qualidades de uma pessoa que pudesse vir a ser congressista.

O referido filme retrata ao longo de sua passagem, como o próprio título intitula “As aparências enganam”, pois aquele jovem conseguiu justamente levar a sua mensagem ao público, mostrando uma habilidade até então não percebida, mesmo não obtendo êxito junto à eleição por uma pequena diferença, destacou-se durante o filme justamente porque as aparências realmente enganam, mas o que tem haver este filme e o título com o objetivo de nosso texto no presente momento abordando sobre o sistema político brasileiro?

Se pudesse também ocorrer gratas surpresas, mesmo que pequenas com relação a pessoas que não tem pelo menos a primeira vista condições adequadas de exercer um cargo junto ao congresso, ou seja, ser um político, mas não um político profissional, mas um político que tenha justamente o que mais o político precisa ter que é a arte de fazer o bem, a arte de ajudar a coletividade, sem satisfação de interesses pessoais.

Para nós o interessante é destacar como o sistema político brasileiro, ou melhor, o próprio esquema de politicagem brasileira, como a gente ousa dizer que atualmente se encontra o nosso sistema político, ressaltando a possibilidade de qualquer pessoa se eleger a qualquer cargo, mesmo tendo consciência de que estamos a exagerar um pouco, pois talvez com relação aos cargos mais altos tenhamos algumas dificuldades, como por exemplo: os casos de Governador e Presidente da república, mas não temos a menor dúvida de que os cargos que envolvem o legislativo, até mesmo o de Senador, pode ser ocupado, dependendo de quem esteja por trás de uma dada campanha e foi isso que em um primeiro momento a sinopse do filme nos chamou a atenção, eleger um total desconhecido, sem nenhuma história política, sem nenhuma história de ajuda a coletividade, sem nenhuma história de participação política propriamente dita ou seja, participação não com exercício de mandato, mas participação ao nível de ajudar a  sociedade, participar de lutas sociais, participação de movimentos sociais, enfim envolvimento na arte de fazer bem a comunidade na qual está inserido.

Será que é possível eleger no atual sistema político brasileiro uma pessoa que não tenha qualquer desses adjetivos, ou seja, sem nenhuma qualidade propriamente dita, sem nenhuma experiência de servir ao bem comum, ora, eu queria responder não a esta afirmativa, mas não tenho a menor dúvida de que no cenário atual é mais do que possível, na realidade provável que dependendo de quem esteja por trás daquela postulação, qualquer pessoa possa ser eleita, e a ultima eleição demonstrou isso claramente, onde a força do poder econômico, a força dos grandes doadores, na realidade investidores, mudou totalmente a dinâmica do nosso Congresso Nacional, a troco de quê?

Não tivemos a mesma representação de outrora, por exemplo: nenhum índio obteve qualquer tipo de mandato, na realidade há muito tempo não acontece isso, poucas mulheres conseguiram obter, várias camadas da população não obtiveram a sua devida representação, a maioria das pessoas que vão ocupar a partir do próximo ano o Congresso Nacional, são pessoas que foram financiadas justamente por várias empresas, sabe-se lá com que interesse.

É muito triste de ver que nosso sistema – sob o lado formal como a Constituição assegura uma efetiva democracia com o poder que deveria ser realmente do povo = fica vulnerável a interferência do abuso de poder de forma geral e possibilita com que as pessoas se elejam, não pelas suas qualidades, não pelas suas propostas, não pela sua experiência, não pela sua possibilidade de se estabelecer um plano de governo, de se estabelecer um plano de metas, de se ter durante o período de mandato uma feição de fiscalização da coisa pública, ora, se elege pessoas que vão defender interesses espúrios e que buscarão no exercício do mandato instrumentos de  manutenção do poder pelo poder.

Portanto, infelizmente não temos a menor dúvida em afirmar que o atual sistema político precisa ser drasticamente alterado e possamos realmente eleger pessoas que tenham as qualidades e predicados necessários para o exercício dos domínios públicos, e que essa interferência do poder econômico, político, midiático deixe de ser o móvel central para conduzir as pessoas para o exercício do cargo público e a gente possa obter uma efetiva representação de todos os segmentos de nossa sociedade, e aí sim poderemos ter a esperança de que esse país avance em todos os níveis, principalmente o avanço econômico, o avanço social, o avanço de bem estar da população brasileira, nunca dependendo justamente do Estado, dependendo dessa política assistencialista, dessa busca de satisfação pessoal e individual que não mais contenta um país que procura ser, no âmbito do cenário internacional, um país de primeiro mundo.

Nunca seremos um país de primeiro mundo, enquanto nossos eleitores não tiverem a consciência que as pessoas que devem ser eleitas por suas qualidades, suas propostas, pelos seus objetivos de lutar para a satisfação social, e é com esses objetivos que escrevemos esse texto com a perspectiva, e a esperança de que, quem sabe no ano de 2015, possamos ter uma verdadeira e efetiva  reforma do sistema político.

É a nossa esperança, como brasileiro, como patriota que somos apaixonados pelo nosso país, podemos sim nos juntar e mudarmos essa triste realidade do Brasil, que de uma vez por todas precisa pelo menos transformar a corrupção eleitoral em exceção, pois hodiernamente não tenho o menor receio de afirmar que é a regra geral e o pior é tido pelo povo como algo normal e já ínsito em nossa cultura e isso sinceramente não vou aceitar nunca, por isso serei, enquanto não houver mudança substancial, um cidadão indignado com todo esse cenário de desvio de dinheiro público para satisfação de interesses pessoais e manutenção do poder pelo poder. Vamos acreditar pessoal na nossa força enquanto povo e cobrarmos urgentemente dos políticos a reforma de nosso sistema político!

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Postado às 16h32 Geralsegurança Nenhum comentário Enviar por e-mail

O Estado (Município, Estado e União) gastaram R$ 258 bilhões por ano em segurança publica e o quadro de violência só piora nos principais estados brasileiros. A média anual de homicidios no Brasil está em 56 mil.

Este valor de R$ 258 bilhões corresponde a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) destinado para combater a violência. Deste valor R$  65 bilhões são destinados para politicas publicas contra a violência e o sistema prisional.

Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O nível violência no Brasil é cada vez mais absurdo e inaceitável. Para se ter uma idéia, pelo menos 350 policiais são assassinados por ano no Brasil. E deste confronto com suspeitos e/ou não pelo menos 2.212 civis foram mortos em confronto com policiais no Brasil em 2013.

No geral, o Brasil registra 56 mil assassinatos por ano, ou seja, 11% dos homicidios que acontecem em todo o mundo, são no Brasil.

O anuário faz um comparativo deste confronto entre bandidos e policiais no Brasil: em 5 anos resultou na morte de 11.197 suspeitos em confronto com a Policia, o que equivale ao mesmo número num período de 30 anos nos Estados Unidos.

A Secretaria Nacional de Segurança Publica, Regina Miki, diz que estes dados assustadores são vão reduzir quando houver integração dos poderes no trabalho continuado para reduzir a violência. “A solução está em aproximarmos o judiciário da política de segurança pública e termos o respaldo da ressocialização dentro do sistema prisional”, afirma Miki ao G1.

Outra linha de pensamento de pesquisadores defende a tese de que a violência vai reduzir não só com integração de poderes e sim, quando houver, paralelo a este investimento, for ampliado a estrutura de educação no País.

outro dado preocupante é o 57% da população brasileira acredita ser possível desobecer as leis e 81% acreditam num “jeitinho”. Este é o quadro de uma sociedade que só elucida e pune o culpado em menos de 10% dos casos de homicídios.

Diante do quadro, a solução para reduzir a violência está diretamente ligado não ao valor destinado para Segurança Pública, mas na forma como estes recursos são aplicados.O Estado tem que se fazer presente ou o crime começa a dá as ordens.

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Postado às 14h20 Justiçasegurança Nenhum comentário Enviar por e-mail

O Tribunal do Júri Popular, nesta segunda-feira, 10, no Fórum Municipal de Mossoró, condenou o lavador de carros Wendel Djaime Sena Freire Costa, o ‘Dandinho’ de 23 anos, a 10 anos e 8 meses de prisão, e o servente de pedreiro Daniel Soares Firmino Moreira, de 25 anos, a 9 anos e 4 meses de prisão, por tentativa de homicídio em sua forma qualificada.

O crime aconteceu às 17h30 do dia 7 de setembro de 2013 no bairro Abolição IV. A vítima foi o servente de pedreiro Márcio Ferreira da Silva, de 30 anos. Mário tem condenação de 4 anos e 8 meses por tráfico de drogas, mas isto não tem relação com o crime que sofreu.

O julgamento começou às 8h com o sorteio do Conselho de Sentença e terminou ás 11h30. Os dois réus aguardaram julgamento presos na Cadeia Pública de Mossoró. Ambos já têm processos na Justiça. Daniel já tem 4 condenações, inclusive por homicídio.

Os trabalhos são presididos pelo juiz Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros. O Ministério Público Estadual será representado pelo promotor de justiça Armando Lúcio Ribeiro e a defesa dos réus pelo advogado José Galdino da Costa e Defensora Pública Fernando Greice.

Veja trecho da denúncia do MP.

“No dia 07 de setembro de 2013, por volta de 17h40min, na Rua Ramiro Vasconcelos dos Santos, próximo a pousada Thermas Abolição IV, Mossoró/RN, a vítima Márcio Ferreira da Silva caminhava com sua companheira Maria da Conceição Cavalcante da Silva, quando sofreu uma tentativa de homicídio por parte dos denunciados WENDEL DJAIME SENA FREIRE e DANIEL SOARES FIRMINO MOREIRA, os quais estavam em uma motocicleta, tendo este último descido do veiculo e passado a atirar contra a vítima, intencionando matá-la, utilizando para tanto arma de fogo. ” (sic!).

Daniel contou na Policia e na Justiça que tentou matar Márcio porque este havia tentado matar o seu irmão de nome Francisco. Narra que no dia ia passando, viu Márcio se ‘caqueando’ para pegar arma e sacou primeiro e atirou. Esta versão não foi levado a sério.

Após desferir vários tiros em Márcio, a dupla saiu em disparada, sendo perseguido por uma equipe de guardas municipais que estava próxima. Os dois caíram da moto, tendo Daniel sido preso e Wendell corrido para o mato e capturado logo em seguida.

Os dois foram autuados em flagrante a na conclusão da investigação, o delegado José Claiton Pinho de Sousa pediu a transformação da prisão em flagrante em prisão preventiva, diante dos antecedentes dos dois presos. A Justiça decretou as preventivas.

No julgamento

O promotor de Justiça Armando Lúcio Ribeiro pediu a condenação dos réus por tentativa de homicídio em sua forma qualificada. Lamentou a ausência de perícias do Instituto Técnico-científico de Policia (ITEP) apontando a gravidade dos ferimentos. Exibiu como provas os documentos emitidos pelo Hospital Regional Tarcísio Maia.

O advogado José Galdino disse que no processo não havia provas para condenar o seu cliente, no caso Wendel Djaime, e, portanto, pediu a absolvição. A defensora pública Fernanda Greice, com base nas provas no processo, defendeu tese de que Daniel Soares deveria ser condenado, no máximo, por tentativa de homicídio. Segundo ela, o motivo não foi torpe.

Concluído os debates, o Conselho de Sentença foi convocado à Sala Secreta pelo juiz Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros, assim como o Ministério Público Estadual, defensora pública e o advogado José Galdino, para se proceder a votação pela condenação ou absolvição dos réus. Por maioria, os jurados decidiram pela condenação de prisão.

Wendell Djaime pegou 10 anos e 8 meses de prisão e Daniel Firmino pegou 9 anos e 4 meses de prisão. Os dois tiveram as prisões preventivas mantidas. Como aguardavam julgamento presos, poderão recorrer das sentenças, mas na cadeia.

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Postado às 07h24 segurança Nenhum comentário Enviar por e-mail

Por Ivenio Hermes

“Até tu, meu filho Brutus!”. Caio Julius Cezar, segundo relatos de Suetónio e Plutarco.

A obra em óleo sobre tela: Morte de Cesar[1], de Vincenzo Camuccini, retrata o seu assassinato do Imperador Júlio Cezar por um grupo de senadores, numa traição que que provocou uma instabilidade política que alicerçaria o fim da República Romana. Segundo Suetónio e Plutarco, a quem foram atribuídos esse relato, quando estava sendo esfaqueado pelos seus patrícios, Cezar sentiu a dor daquela traição ser agudizada pela presença de Brutus, que lhe era como um filho, tanto que exclamou: “Até tu, meu filho Brutus!”.

Estamos hoje sofrendo a dor resultante de uma traição sofrida por falsos gestores que se dizendo representar a vontade do povo, traem que os elegeu e além de não cumprirem suas promessas ainda tentam impedir que outros ajam para o bem do povo. E a pior dor é ainda sentida quando essa atitude vem de alguém nascido e criado no Estado do Rio Grande do Norte age dessa forma.

Vincenzo Camuccini, "Morte di Cesare", 1798,

O esforço integrado das polícias federais, estaduais e guardas municipais, com forte evidência para a atuação da guarda municipal de Mossoró, tem sido fator preponderante para a desaceleração da violência letal intencional, ou seja, dos homicídios.

Esse esforço não está conseguindo agir de igual modo em outras ações criminosas porque infelizmente, a segurança pública precisa do suporte do Governo do Estado em outras áreas essenciais e que refletem na segurança, suporte que a Administração parece não querer fornecer, pelo menos não voluntariamente.

O reflexo da falta de investimento em outras áreas recai sobre a segurança pública. Veja por exemplo, deixar de trabalhar o convívio entre as pessoas através de áreas de convivência, espaços urbanos com programação cultural e esportiva, deixa de oportunizar a capacidade de resolução de conflitos entre as pessoas, e isso mais tarde poderá resultar em cidadãos propensos a resolver até pequenos entraves por meio da contenda e da Violência. Uma das maiores provas disso está em Mossoró onde existe a maior incidência de vítimas de tentativa de homicídios no Estado do Rio Grande do Norte, reflexo direto de rixas entre gangues, torcidas organizadas, disputas entre pessoas de comunidades e bairros diferentes e a vingança pessoal e familiar. E a violência faz vítimas diárias e em intervalos regulares…

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Outra grande causa da desaceleração muito inexpressiva da violência homicida e da criminalidade em geral é a falta de investimento nas Polícias Estaduais. A esperança que se construía até poucos dias atrás que seria a do ingresso de novos policiais militares e civis, se esvai pelas ações silenciosas e desrespeitosas da Administração Estadual contra a sociedade, contra os gestores e contra os operadores da segurança pública. Estou me referindo a tentativa de impedir o cumprimento da justiça de formar novos policiais civis.

Enquanto as matrículas estão ocorrendo e dezenas de pessoas, inclusive que estão morando em outros estados, já se matricularam no curso de formação, gastando somas de dinheiro que nem vou mencionar, a Administração Ciarlini continua agindo com as mesmas atitudes que garantiram o insucesso de sua gestão, conforme pode ser lido a seguir (grifos nossos):

Requer a imediata suspensão da sentença proferida pelo juízo “a quo”, que impôs ao Estado a obrigação de publicar, em trinta dias, edital de convocação dos candidatos aptos a realizar o Curso de Formação Profissional de Policial Civil, 5ª e última etapa obrigatória do concurso, o qual deverá ser iniciado no prazo máximo de 90 dias. Outrossim, requer a suspensão da parte da decisão que obriga o Estado, logo após o encerramento do curso, homologar o resultado final do certame e no trimestre seguinte providenciar os respectivos atos de nomeação e posse dos candidatos aprovados, obedecida à ordem de classificação, sob pena de multa diária de R$2.000,00.

O texto acima, extraído de consulta online à tramitação do processo do concurso é uma forma disfarçada de impedir a entrada de novos policiais. Essa aversão à polícia, especialmente à polícia civil, é algo patológico nessa administração, que se se fez valer da Lei de Responsabilidade Fiscal para não contratar policiais, e quando entidades como OAB e COEDHUCI se juntaram à outras para conseguir sanar esse problema junto ao Tribunal de Contas, não apresentou menor impulso em solucionar o problema.

Num outro trecho do pedido, a Administração Ciarlini declara que não é conveniente nem oportuno realizar o curso, quando esse curso foi pactuado dentro do Programa Brasil Mais Seguro. Afirma também que os candidatos não foram aprovados porque estavam abaixo do número estabelecido por no edital, sendo que os Promotores Wendel Betoven e Leonardo Cartaxo, em ocasiões separadas, já comprovaram que foi a Administração Ciarlini que agiu de má fé contratando policiais para as vagas criadas por aposentadorias e falecimentos desobedecendo o estabelecido pelo edital que visava reforçar a Polícia Civil do RN nas vagas estabelecidas em LEI. Pois essa LEI sim vem sendo desobedecida ao estremo pela atual administração, assim como pactos e até seus programas de governo dos quais destaco aqui a INTERIORIZAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL e a CRIAÇÃO DA DIVISÃO DE HOMICÍDIOS.

Não é conveniente, nem oportuno, à administração, a realização de tal curso, com seus já citados custos, e que não foram aprovados devido às suas classificações abaixo do número estabelecido no edital, e que se preparam para o certame há longínquos 05 (cinco) anos.

O trecho acima (grifos nossos), bem como o anterior, que pode ser visto clicando AQUI, ofende aos concursados, ofende aos policiais civis, ofende a sociedade, à população e a memória de pelos menos 5.329 vítimas de assassinato que se confirmaram nos ainda não encerrados 4 anos da atual administração pública.

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Essas atitudes fazem qualquer analista de segurança pública tamborilar os dedos e espremer os olhos durante se perguntando se a Administração de Rosalba Ciarlini considera conveniente e oportuna as 5.329 vítimas que sua falta de políticas de segurança pública e sua securitas phobia (aversão à polícia) facilitou acontecerem…

Será que a Comissão de Transição foi informada disso?

Será que o governador eleito Robinson Faria está sabendo?

Será que Robinson Faria, cuja preocupação com a segurança pública tem sido evidenciada em sua pauta de trabalho já sabe desse revés “presente de grego” que sua gestão receberá?

A população do Rio Grande do Norte não sofre de securitas phobia, mas infelizmente, essa doença tem causado uma endemia de violência nos habitantes da Terra de Poti, e a endemização da violência não tem sido um processo natural, ela tem acontecido porque não existe profilaxia e o remédio que poderia amenizar sua proliferação é impedido de ser usado pela ação de quem deveria estar evidenciando esforços para que ele fosse produzido.

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SOBRE O AUTOR:

Ivenio Hermes é urbanista, arquiteto, pós graduado em Gestão e Políticas Públicas de Segurança, Gestão de Operações Especiais, possui 9 livros publicados, ganhador do prêmio literário Tancredo Neves, pesquisador da Violência Homicida para o Conselho Estadual de Direitos Humanos e da Cidadania, colaborador e associado pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, consultor de segurança pública da OAB/RN Mossoró, e publica artigos com ênfase na área de criminologia, direitos humanos, direito e ensino policial.

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DIREITOS AUTORAIS E REGRAS PARA REFERÊNCIAS:

É autorizada a reprodução do texto e das informações em todo ou em parte desde que respeitado o devido crédito ao(s) autor(es).

HERMES, Ivenio. A Aversão à Polícia (Securitas phobia). 2014. Disponível em: < http://bit.ly/1sdtOnm >. Publicado originalmente no Portal Luis Nassif em: 06 nov. 2014

 


[1] The Death of Julius Caesar, Óleo sobre tela de Vincenzo Camuccini (1771–1844) datada de 1804-1805, acervo da A Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea localizado em Roma.

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Postado às 09h09 Justiçasaude [ 1 ] comentário Enviar por e-mail

Cézar Alves/editor

O juiz federal Orlan Donato da Rocha, da 8ª Vara Federal de Mossoró, decretou, nesta quinta-feira, 25, nova intervenção na Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró (APAMIM), gestora da Casa de Saúde Dix Sept Rosado (CSDR).

Esta decisão foi a pedido do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (CRM-RN), com parecer positivo dos promotores de Aécio Tarouco e Emanuel Ferreira, do Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte após inspeção in’loco terça-feira,23, à tarde.

As outras duas intervenções nos dias 9 e 17 foram decretadas pelo juiz Magnos Kleiber, da Justiça do Trabalho, a pedido Ministério Público do Trabalho e do Estado do Rio Grande do Norte para garantir salários dos servidores e recursos para reestruturar e reabrir a CSDR.

”"Estas duas decisões da Justiça do Trabalho, no entanto, foram derrubadas pelo desembargador José Barbosa Filho (foto d.) da 2ª Turma de Julgamentos do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região, com sede em Natal, respectivamente nos dias 16 e 22 deste mês.

A Ação dos promotores e a urgência adotada pelo juiz Magno Kleiber foi pelo fato da CSDR ter parado de fazer partos no dia 4 de agosto, ocasionando uma sobre carga de trabalho no Hospital da Mulher, inclusive vindo a ocasionar morte de 3 bebês por não ter onde nascer.

E a CSDR parou de funcionar por falta de estrutura, material, salários atrasados três meses dos servidores e principalmente pelo fato da Prefeitura de Mossoró não ter renovado os contratos (não é obrigado a isto) com os médicos obstetras, pediatras e anestesiologistas.

Neste caso, a secretaria de saúde Leodise Cruz, disse que os contratos já foram reformulados e renovados, porém por falta de obstetras em Mossoró, a CSDR já não foi aberta. Conseguiu contratar fora de Mossoró e deve reabrir com 30 leitos a partir do dia 1º de outubro.

Durante o período de intervenção da Justiça do Trabalho, a junta interventora formada por profissionais concursados do município de Mossoró, a CSDR recebeu reforma numa ala do prédio e os equipamentos foram adaptados para funcionar 40% do total: 30 leitos.

Os salários dos servidores da CSDR já foram pagos dois meses que estavam atrasados com os recursos bloqueados.  Como a APAMIM não tem certidões para receber recursos de convênio e da Prefeitura de Mossoró, não existe outro meio do Poder Público fazer repasses.

Diante da gravidade da situação e da necessidade extrema do serviço, o CRM, moveu Ação Civil Pública contra a Prefeitura de Mossoró na Justiça Federal, solicitando providências urgentes para reabrir a CSDR, considerando que não existe outra em Mossoró.

Na nova intervenção, juiz federal Orlan Donato Rocha ouviu no processo a Prefeitura de Mossoró, que informou que realmente não existe outro local para contratar os partos do baixo e médio risco e sugere que a se decrete intervenção na CSDR.

Citado para opinar no processo, A APAMIM informou que a CSDR está sob intervenção da Justiça do Trabalho, reconhecendo inclusive que parte da estrutura estava sendo recuperada e os servidores haviam recebido um mês em atraso e estava recebendo o segundo.

Diante do quadro, o juiz federal Orlan Donato da Rocha decretou uma nova intervenção judicial, nomeando inclusive os mesmos interventores já escolhidos pela Justiça do Trabalho. O objetivo é também garantir o retorno dos serviços da CSDR no dia 1º de outubro.

Os interventores são:

Larizza Sousa Queiroz Lopes – Diretora Geral

José Edson da Silva Júnior – Diretor Técnico (pediu para ser substituído)

Maria Invanise Feitosa de Vasconcelos – Diretora Administrativa

Benedito Viana de Lira – Coordenador do Corpo de Enfermagem

 

Secretário de saúde do estado convence diretores a ficarem nos cargos por mais 30 dias”"

O secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Fonseca, conseguiu convencer na tarde desta quinta-feira, 25, os diretores Inavan Lopes (diretor geral), Manoel Nobre (diretor médico) e Josa Soares (adminidstrativa), que haviam pedido demissão dos cargos segunda-feira passada.

Para convencê-los, Luiz Roberto disse que o Governo do Estado assumiu compromisso de pagar nesta sexta-feira R$ 375 mil aos fornecedores e aguarda a liberação de cerca de R$ 300 mil que estão bloqueados na Justiça deste a intervenção do Hospital da Mulher.

Quando estes recursos estiverem disponíveis, segundo Inavan Lopes, o Hospital da Mulher poder repor o estoque de material que foi usado durante estes dois meses quando a unidade fez mais que o dobro dos atendimentos que foi projetado para fazer.

A reunião foi na sala da diretoria do Hospital da Mulher. Após a reunião, o secretário Luiz Roberto disse que aguarda a reabertura da CSDR para normalizar os serviços no Hospital da Mulher, que antes desta celeuma toda era considerado de excelência.

 

Direitos Humanos reúne autoridades na sede a OAB para debater crise na obstetrícia”"

A crise na obstetrícia em Mossoró vem sendo acompanhada de perto pela Comissão de Direitos Humanos da OAB de Mossoró, que nesta sexta-feira, a partir das 9h, realiza reunião com todas as partes envolvidas e a sociedade, buscando por soluções.

A reunião começa às 9h, na sede da OAB. A presidente da CDH/OAB, advogada Catarina Vitorino, disse que o quadro é muito grave e o que está apresentando são paliativos. “O correto, o humano é que seja providenciado soluções definitivas”, destaca.

A palestra principal da reunião é do médico Inavan Lopes, diretor geral do Hospital da Mulher. Ele vai fazer um diagnóstico do quadro, apresentando o que seria a melhor saída. Após a reunião, Catarina Vitorino espera poder fazer uma série de encaminhamentos.

Veja mais sobre o assunto.

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Postado às 11h46 Políticasaude Nenhum comentário Enviar por e-mail

Uma nova liminar derrubou tornou sem efeito a decisão do juiz federal Magnos Kleiber Maia, da 2a Vara do Trabalho de Mossoró, nomeando uma junta de intervenção na Casa de Saúde Dix Sept Rosado quinta-feira da semana passada.

A decisão foi assinada pelo desembargador José Barbosa Filho da 2ª Turma de Julgamentos do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN), com sede no bairro Lagoa Nova, em Natal.

Antes, o mesmo juiz da justiça do Trabalho de Mossoró já havia decretado intervenção na CSDR e esta foi derrubada por uma liminar emitida pelo Tribunal Regional do Trabalho, em Natal. A segunda liminar também foi emitida por este tribunal.

A intervenção judicial da CSDR se deu para garantir o pagamento dos salários dos 304 servidores, que estavam sendo receber seus vencimentos desde junho passado, além de existir inúmeras ações trabalhistas já em fase de execução.

O funcionamento da CSDR é fundamental para a região de Mossoró. É responsável por uma média de 500 partos/mês. Porém, no dia 4 de agosto passado, os médicos pararam por duas razões: falta de estrutura e condições de trabalho na CSDR e o fim do contrato dos médicos com a Prefeitura de Mossoró.

Com o fechamento da CSDR, que é administrada pela Associação de  Assistêcia e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró (APAMIM), todos os partos passaram a ser realizados no Hospital da Mulher, que só tem estrutura para atender no máximo 30% da demanda.

O Hospital da Mulher ficou fazendo mais partos do que podia fazer, ocasionando inclusive mortes de 3 bebês por não ter onde nascer em Mossoró, conforme informou o então diretor médico do Hospital da Mulher Manoel Nobre. A falta de estrutura era tamanha, que a direção pediu demissão.

A junta nomeada pelo juiz Magnos Kleiber deve transferir a gestão da CSDR para os indicados pela APAMIN nesta quarta-feira, 24, quando forem citados pela Justiça do Trabalho. Daí, caberá a APAMIM reabrir a casa ou novamente desmontar a estrutura de 30 leitos.

Além destas ações pedindo a intervenção da CSDR, existe várias outras, inclusive na Justiça Federal, com o Ministério Público Federal solicitando a intervenção da CSDR, para garantir o funcionameto da estrutura e salvar vidas na região.

Direitos Humanos

Os médicos obstetras do Hospital da Mulher chamaram hoje a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil para pedir socorro. Disseram que o quadro no Hospital da Mulher é insustentável e pode acontecer novas mortes.

Em vídeo, obstetras pedem socorro

A obstetra Cibelle Danielle da Silva relata que o nível de stresse é muito alto tanto dos servidores, ocasionado pela carga excessiva de trabalho, como das pacientes e seus acompanhantes pelo atendimento dificultado pela grande demanda.

A estrutura de refrigeração no Hospital da Mulher parou de funcionar nas enfermarias. Os quartos estão sendo ventilados por ventiladores dos pacientes. Algumas mães tem os bebês, ficam nas camas dos quartos e os bebês ficam no corredor, para suportar a temperatura alta.

Servidores do Hospital da Mulher, chamaram membros da CDH/OAB/Mossoró e relataram que vários insumos já estão faltando. Isto porque o estoque que estava sendo preparado para o início de 2015, já havia sido consumido com a grande demanda de partos.

Médica Cibelle Danielle relata a CDH da OAB/Mossoró que pode acontecer novas mortes

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Postado às 16h19 Justiçasegurança Nenhum comentário Enviar por e-mail

A Polícia Federal realizou na manhã desta terça-feira, 23/9, com a devida autorização da justiça, em uma empresa de tratamento de resíduos situada no Distrito Industrial de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, a incineração de 2,89 toneladas de drogas que haviam sido apreendidas nos últimos anos no RN.

Desse total, a maior quantidade (2,75 toneladas) era de maconha, enquanto foram destruídos ainda 118,2 quilos de crack, 29,7 quilos de cocaína e petrechos diversos utilizados para camuflar a droga.

O quantitativo hoje incinerado representa um recorde na história da PF e foi resultante de apreensões realizadas nas cidades de Natal, Parnamirim, São José de Mipibú, São Gonçalo do Amarante, Canguaretama, Ceará-Mirim, Luís Gomes e Patu.

”"

Além dos policiais encarregados da perícia, condução e segurança, estiveram presentes ao ato de incineração desta manhã, o Superintendente Regional da PF no RN, Kandy Takahashi; o chefe da Delegacia de Repressão a Drogas (DRE), Delegado Christian Gomes; o chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (DRCOR), Rubens França; o Procurador da República, Paulo Sérgio Duarte da Rocha Júnior; a Promotora de Justiça da Comarca de São Gonçalo do Amarante, Rosane Cristina Pessoa Moreno e a Técnica de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde Pública-SESAP/RN, Marlene Ferreira de Paiva.

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Postado às 08h37 Meio Ambientesaude Nenhum comentário Enviar por e-mail

Bula tipânica de um dos golfinhos que encalhou em 2013 em Areia Branca cheia de parasitas

Cezar Alves/editor

Os biólogos do Projeto Cetáceos da Costa Branca divulgaram na tarde desta segunda-feira, 22, as razões científicas para o encalhe de mais de 30 golfinhos (falsas orcas) na Praia de Upanema, na costa do município Areia Branca, há exatamente um ano.

O anúncio do estudo inédita no mundo foi feito em entrevista coletiva na tarde desta segunda, 22, no Hotel Costa do Atlântico, em Areia Branca, com a presença do reitor Pedro Fernandes, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, e da prefeita Luana Bruno.

O projeto Cetáceos da Costa Branca envolve pelo menos 40 pessoas entre especialistas, estudantes e comunidade. o trabalho nos golfinhos foi feito pelos professores/doutores Ana Paula, Simone Brito e Flávio Lima, do Departamento de Ciências Biológicas da UERN.

Segundo o coordenador do projeto, professor/doutor Flávio Lima, da UERN, as análises de laboratórios em Mossoró no Rio de Janeiro apontaram que os golfinhos estavam com 20 vezes mais mercúrio no sangue do que os padrões internacionais estabelecidos.

Conforme o professor, Flávio Lima, o diagnóstico foi feito em análises no sangue dos animais nos laboratórios da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. O mercúrio, que teria se acumulado ao longo da vida dos animais, teria feito a imunidade deles baixarem.