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Outras representações de uma história já contada

Por Ivenio Hermes

Jez Feet

Subida Sentenciada

Ele caminha trôpego pelas ruas de uma cidade assombrada

Quem o via dizia da dor vã que ele sentia, porque de nada aquilo sentido tinha

E mesmo assim ele caminhava decidido

Fraco sim, afinal os açoites que recebera naquela tarde eram demais

Acima dos crimes comuns ele pagava pelos mais cruéis

 

Mas não desistia, o peso de sua humilhação nem o permitia levantar o rosto

Se é que ele queria contemplar a subida que ainda precisava vencer

 

Bem acima uma dor maior ainda o aguardava

Sob seus pés o terreno ia sendo consumido aos poucos

Resolvido a enfrentar a recompensa pelo crime dos outros

Humilhado, espancado, eleito para morrer trocado pela liberdade de um criminoso

Sujo, seminu, sangrando, falsamente coroado

 

Era incrível ver tamanha decisão, num ser tão ultrajado

Subindo em direção à sentença

Morte anunciada de um ser Deus

Subida sentenciada de quem nada fez por merecer

 

O Peso da Força

Muitos que aquilo presenciavam não entendiam o que acontecia

Um homem simples de ideias arrojadas que por elas era condenado

 

E tinha sede, não precisava dizer, quem naquelas condições não teria?

Mas não lhe ofereceram água, não lhe ofereceram nada

Até que tarde demais já fosse e ele mesmo, na insuportável sede pediu

Para em que em vez do líquido que a ninguém se nega, uma bebida ruim recebesse

 

Era tarde então, agora estava pregado no seu vetor de morte

Da crueldade insana humana que o obrigou a carregar o peso

Para depois ter seu peso nele fixado, no equilíbrio dolorido de um pé sobre o outro

E estes cravado na madeira

Sem poder usar as mãos, também pregadas, distantes do pedido de socorro

O sol começava a se por, e as forças físicas se esgotavam

Último olhar para cima, balbuciando algo para alguém que ali não estava em matéria

Sangue e suor nos olhos, uma cabeça pendeu, e sucumbiu

 

O Frio da Ida

Mortuus est… exaltaram alguns e lamentaram outros

Aquele que passou 33 anos fazendo o bem e ensinado o bom caminho

Estava morto sob o tratamento mais cruel que alguém poderia ter sofrido

Restava apenas um corpo sujo e ferido para sepultar

Até seus poucos pertences foram sorteados entre os algozes

 

Dizem até hoje da piedade de um homem que reclamou pra si o corpo sem vida

Das pessoas que o limpara e o ataviaram para o sepulcro

Seria isso o reconhecimento do sacrifício do mestre?

Apenas um corpo ou a representação material de um Deus?

 

Estava escuro quando foi colocado na tumba?

Não mais importava para quem estava no domínio desconhecido da morte

Havia lágrimas nos participantes do funeral

Seria elas pela dor da perda? Ou seriam pela esperança do reencontro?

Ou ainda, ambos os sentimentos dentro da angústia…

 

Dentro da tumba vazia, frio estava o corpo que morreu por mim

Recebeu a sentença que me era devida

Dores de um sacrifício que não fiz…

 

_______________

SOBRE O AUTOR:

Ivenio Hermes é Escritor Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública e Ganhador de prêmio literário Tancredo Neves. Colaborador e Associado Pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Consultor de Segurança Pública da OAB/RN Mossoró. Pesquisador nas áreas de Criminologia, Direitos Humanos, Direito e Ensino Policial.

_______________

DIREITOS AUTORAIS E REGRAS PARA REFERÊNCIAS:

É autorizada a reprodução do texto e das informações em todo ou em parte desde que respeitado o devido crédito ao(s) autor(es).

HERMES, Ivenio. Dores de um sacrifício que não fiz. Disponível em: < http://j.mp/1i2ZXsv >. Publicado em: 18abr. 2014.

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Postado às 15h23 JustiçaPolíticasegurança Nenhum comentário Enviar por e-mail

O secretário de Segurança do Rio Grande do Norte, general de Exército Eliéser Girão Monteiro Filho, disse que a Delegacia de Homicídios de Mossoró não será fechada por falta de homens e estrutura.

Receberá novos policiais e será equipada com recursos do Programa Brasil Mais Seguro.

A declaração do secretário foi após a leitura do texto do amigo Ivênio Hermes citando a possibilidade de fechar Delegacia de Homicidios de Mossoró por falta de policiais e estrutura.

Ainda conforme o general secretário, os homens que saíram da Delegacia de Homicídios de Mossoró em função de transferência para outras cidades e em função dos três agentes que foram afastados esta semana, serão substituídos por outros.

A crise de pessoal e estrutura na Delegacia de Homicídios de Mossoró levou preocupação a Ordem dos Advogados do Brasil em Mossoró, através das Comissão de Segurança e Transporte e de Direitos Humanos.

Em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, 15, o delegado Cleiton Pinho fez uma exposição dos casos de homicídios que abalaram a cidade nas últimas semanas e mostrou como estavam as investigações.

Destacou o caso do jovem estudante Alexsandro Mendonça, morto com um tiro na cabeça semana passada. Este disparo teria sido supostamente disparado por um agente civil, que estava em operação junto com outros dois.

O disparo havia acontecido na rua Pedro Velho, quando um veículo Astra com suspeitos dentro se aproximaram atirando e os policiais teriam revidado. Neste caso, o jovem Alexsandro Mendonça estava na linha de tiro e terminou morto. Os suspeitos fugiram.

No caso em questão, o delegado Cleiton Pinho disse que o agente civil já se apresentou e entregou a arma para perícia. O caso foi levado ao conhecimento do delegado, que designou três delegados para apurar o caso.

Entretanto, para que o caso seja investigado, os três agentes civis tiveram que ser afastados, reduzindo a equipe de trabalho na Delegacia de Homicídios de Mossoró à apenas 4 homens, já contando com o único delegado da unidade.

O presidente da OAB, Aldo Fernandes, destacou que além desta falta de estrutura e pessoal, a DP de Homicídios depende da estrutura do Instituto Técnico-científico de Policia (ITEP) para produzir bons inquéritos.

Ocorre que o ITEP enfrenta sérias dificuldades devido a falta de pessoal e principalmente estrutura. Diante do quadro, dos dois órgãos, a OAB/Mossoró informa que nasceu a preocupação para com a delegacia de homicídio.

No início da tarde desta quarta-feira, 16, o secretário de segurança Girão Monteiro, antes de embarcar para Brasília, disse que a delegacia receberá reforços e mostrou como vai repor os policiais convocando os aprovados no último concurso.

Neste caso, serão convocados 7 delegados, 13 escrivãs e 27 agentes civis, que serão destinados para trabalhar em várias delegacias do Estado e para a DP de Homicídios de Mossoró. Quanto aos demais, as nomeações vão acontecer gradativamente.

Equipamentos

Sobre a falta de equipamentos, o general Girão Monteiro disse que a Delegacia de Homicídios de Mossoró está incluída no Programa Brasil Mais Seguro para exatamente resolver esta questão. Será equipada com recursos federais.

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Postado às 09h11 segurança Nenhum comentário Enviar por e-mail
Por Ivenio Hermes

Nessa segunda e última parte das lições extraídas da Audiência Pública de propositura do Vereador Marcos Antonio, realizada na Câmara Municipal de Natal na manhã e boa parte da tarde do dia 15 de abril de 2014 e que foi denominada “A Crise na Segurança Pública”, recordaremos a pauta debatida e evidenciaremos pontos relevantes que foram tratados.

Outras Evidências Numéricas

Com a Delegacia de Homicídios de Mossoró prestes a fechar, um problema residual da falta de nomeação de novos policiais, porém acentuado pela morte de um estudante provocado por um disparo de um dos agentes daquela delegacia. Essa situação desencadeia o fechamento das portas de uma importante unidade, pois toda uma equipe foi afastada e não restarão policiais em número suficiente, resultado da falta planejamento e de pessoal, além de estrutura, aumentando o problema da violência homicida que se acentuará mais ainda naquela região.

Voltando à Natal, notemos que dos crimes violentos letais intencionais ocorridos em Natal, ainda aparecem 4 cujo local do crime não foi definido adequadamente, por isso não estão incluídos em nenhuma das zonas abaixo.

NATAL CVLI 15MAR2014 ZONAS E MENORESReferente às zonas da cidade do Natal, temos que a Norte detém 41% dos crimes violentos letais intencionais, sendo que 35% são de menores de 21 anos de idade e seu índice de homicídios por cem mil habitantes é de 21,71. A Sul e a Leste detém 12% cada uma, mas se diferenciam porque a Sul tem 15% de assassinatos de menores enquanto a Leste possui 30% de homicídios dessa faixa etária, e ainda, os índices por cem mil habitantes são 11,91 e 17,36 respectivamente.

Finalmente, a Zona Oeste, embora apresentando o mais elevado índice por cem mil habitantes das zonas da capital potiguar, que é 25,31, possui 21,42% de assassinatos de jovens menores de 21 anos de idade e 33% da concentração de ocorrências.

Diante do esforço direcionado pelas entidades de segurança no combate ao crime, vários pontos que receberam notório destaque, como a desmilitarização das polícias, o ciclo completo da atividade policial como atribuição de todos os órgãos policiais (resguardando as devidas competências), a retomada da aceleração da investigação criminal retirando os fatores que limitam a persecução penal, sempre lembrando que nenhum modelo é completamente adequado se ele não possuir o respaldo necessário para sua implementação.

Nesse pensamento de reavaliação do paradigma hodierno, é digno de nota colocarmos na balança das sustentações que a cidade do Natal tem apresentado índices de violência homicida pouco atraente àqueles que desejam investir ou passear, pois ninguém se sente seguro numa cidade que está sendo vitrine nacional pelo seus número de crimes violentos letais intencionais.

Realidade em Evolução

A falta de valorização pela qual os policiais civis e militares vêm sofrendo ao longo dos anos dificultou o diálogo com a Governadora Rosalba Ciarlini, cuja credibilidade junto aos representantes de classe está afetada principalmente após ela não ter cumprido o acordo firmado no fim da greve dos 65 dias da PCRN em 2013. A desconfiança entre os servidores policiais foi reiteradamente citada na audiência pública e percebe-se que o recrudescimento dos movimentos pró greve se acentua mais ainda diante de qualquer promessa da gestora executiva máxima do RN.

Destacamos que a valorização dos policiais passa pelo reconhecimento da sua importância pela sociedade e pelo Governo, pela remuneração justa pelo trabalho desempenhado, pela recompensa através da efetivação de planos de carreira com períodos e meios definidos para a ascensão funcional e pelo respaldo gestor, que é o fornecimento dos meios adequados para o desempenho das atividades de policiamento.

Não adianta tratar de redução da maioridade penal, pois isso só levará ao caos mais profundo no sistema penal que por sua vez também sofre com a ausência de políticas públicas, tanto que em 1º de maio termina o prazo de validade do último concurso para o provimento de cargos nesse setor e, sem crer que a Governadora Rosalba Ciarlini cumprirá o Termo de Ajustamento de Conduta sobre essa pauta, os concursados que concluíram o curso de formação ajuizaram mandado de segurança com antecipação de tutela em busca de garantir suas nomeações, conforme podemos ver na imagem abaixo.

AgPen Con Limi

Outra preocupação dos debatedores paira sobre a demora em nomear também os policiais civis, haja vista que já faz 21 dias que o Tribunal de Contas do Estado flexibilizou seu entendimento da Lei de Responsabilidade Fiscal no intuito de aumentar o efetivo policial com vistas a melhorar as condições de segurança da população.

Antes de qualquer diálogo, é preciso entender que o pretérito das ações da gestão de Rosalba Ciarlini continua a provocar desconfianças por parte da sociedade e dos operadores de segurança pública, algo que o atual Secretário de Segurança Eliéser Monteiro e sua equipe precisam analisar com critérios pacificadores. Retirar obstáculos reais que impeçam quaisquer chances de diálogo amistoso deve ser prioridade tanto de gestores quanto de operadores, pois o bem maior em questão é a vida, que deve ser preservada e protegida.

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SOBRE O AUTOR:

Ivenio Hermes é Escritor Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública e Ganhador de prêmio literário Tancredo Neves. Colaborador e Associado Pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Consultor de Segurança Pública da OAB/RN Mossoró. Integrante do Conselho Editorial e Colunista da Carta Potiguar. Pesquisador nas áreas de Criminologia, Direitos Humanos, Direito e Ensino Policial.

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DIREITOS AUTORAIS E REGRAS PARA REFERÊNCIAS:

É autorizada a reprodução do texto e das informações em todo ou em parte desde que respeitado o devido crédito ao(s) autor(es).

HERMES, Ivenio. Lições da Audiência Pública “A Crise na Segurança Pública” (Parte 2 de 2). Disponível em: < http://j.mp/1l1d4Tb >. Publicado em: 16 abr. 2014.

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Postado às 08h31 Sem categoria Nenhum comentário Enviar por e-mail
Por Ivenio Hermes

A insegurança que se concretizou no Rio Grande do Norte nos últimos anos tem motivado diversas audiências abertas à manifestação popular, e na que foi realizada na manhã e boa parte da tarde do dia 15 de abril de 2014, de propositura do Vereador Marcos Antonio, denominada “A Crise na Segurança Pública”, muitos temas atuais e efervescentes foram debatidos.

Evidências Numéricas

Transcorridos 105 dias desde o início de 2014, o Rio Grande do Norte atingiu a marca dos 486 assassinatos, isto é, 4,62 mortes por dia, sendo que foram 168 apenas na capital, conforme destacamos abaixo.

NATAL CVLI 15MAR2014 NORTE E SUL

Zona Norte: 68 assassinatos (sendo 24 menores de 21 anos de idade)

Nossa Senhora da Apresentação aparece com 21 homicídios, já chegando a 25,08 homicídios por cem mil habitantes, sendo que a média nacional é 25,3 e a aceitável pelo padrão internacional 10. Além disso, o número de jovens menores de 21 anos de idade é bastante elevada conforme podemos observar na tabela abaixo:

Pajuçara com 31 (sendo 5 menores de 21 anos), Lagoa Azul, 12 (sendo 4 menores), Igapó, 8 (sendo 1 menor), Potengi com 8 vítimas (3 menores) e Redinha, 5 vítimas (sendo 2 menores de 21 anos de idade).

Zona Sul: 20 assassinatos (sendo 3 menores de 21 anos de idade)

Em Lagoa Nova foram 6 (sendo 2 menores), seguido por Pitimbu com 2, Neópolis com 4, Ponta Negra com 3 (sendo 1 menor de 21 anos de idade) e Nova Descoberta com 2.

NATAL CVLI 15MAR2014 LESTE E OESTE

Zona Leste: 20 assassinatos (sendo 6 menores de 21 anos de idade)

O bairro de Mãe Luíza aparece com 6 homicídios (sendo 2 de menores de 21 anos de idade), seguido pelo Alecrim com 5 (sendo 1 menor), depois Cidade Alta com 2 (ambos, menores de 21 anos de idade), Areia Preta com 2 (sendo 1 menor), Rocas e Petrópolis com 2 homicídios em cada e Tirol com 1 homicídio, sem ocorrências de crimes violentos letais intencionais contra menores nesses 3 últimos bairros.

Zona Oeste: 56 assassinatos (sendo 12 menores de 21 anos de idade)

Felipe Camarão lidera com 17 homicídios (sendo 4 menores de 21 anos de idade). Depois aparecem Quintas e Planalto com 7 homicídios em cada (sendo que 1 menor de 21 anos em cada também), e Bom Pastor com 7 homicídios (sem mortes de jovens menores de 21 anos).

Com 6 assassinatos seguem os bairros de Dix-Sept Rosado e Cidade da esperança (sendo respectivamente 3 e 2 homicídios de jovens menores de 21 anos de idade).

Por fim, aparecem Nazaré com 3, Guarapes com 2 (sendo um menor de 21 anos) e Cidade Nova com 1 homicídio (sem mortes de jovens menores de 21 anos).

Realidade em Suspeição

O curso da violência homicida encontra facilidades geradas pela falta de efetivo nas polícias estaduais, isso que amplia a impunidade que é um fator que foi ponto pacífico entre os participantes da mesa de debates como sendo o principal causador dos crimes, tanto aqueles contra a vida, quanto aqueles contra o patrimônio privado. Ainda se considerou a legitimação de alguns assassinatos cuja notícia do crime confere à vítima uma espécie de “merecimento”, pois vem com o texto “a vítima possuía passagem na polícia pelo crime de…” dando força à proliferação dos crimes de execução sumária, a maioria com o modus operandi típico de grupos de extermínio.

A Divisão de Homicídios pode não ser a solução definitiva para a problemática geral da Segurança Pública do Rio Grande do Norte, entretanto ela representa um passo bem direcionado na consolidação de ações que atinjam os perpetradores de crimes contra a vida. Para que ela venha a existir, não se pode continuar a cometer erros já confirmados, voltando à adoção do cobertor curto, que se cobrirem os pés descobre a cabeça, ou num linguajar mais popular, descobrir um santo para cobrir outro. Fechar delegacias para redirecionar seus policiais para outras, retirar policiais dos Grupos Especiais da Polícia Militar que estão lotados no interior para reforçar ações durante a Copa de Futebol consiste nessa repetição de erros.

Que não se confunda essa situação anterior com a recuperação de policiais cedidos para outros órgãos, que não visam à atividade fim e precípua dos órgãos de polícia, para reutilizá-los na função da qual nunca deveriam ter sido afastados anteriormente.

Nos aproximamos de um grande feriado, serão cinco dias em que muitas pessoas descansarão e se afastarão dos problemas do cotidiano, mas também serão cinco dias em que os policiais de todas as esferas estarão empenhados em preservar a vida das pessoas, muitas vezes arriscando as suas para que isso aconteça, e se queremos ter soluções reais e duradouras, precisamos urgentemente de um fórum permanente, despido de vaidades institucionais e carreiristas, onde a sociedade civil e os policiais tenham seus pleitos assimilados em busca da paz e da ordem no Estado do Rio Grande do Norte e do Brasil.

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SOBRE O AUTOR:

Ivenio Hermes é Escritor Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública e Ganhador de prêmio literário Tancredo Neves. Colaborador e Associado Pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Consultor de Segurança Pública da OAB/RN Mossoró. Integrante do Conselho Editorial e Colunista da Carta Potiguar. Pesquisador nas áreas de Criminologia, Direitos Humanos, Direito e Ensino Policial.

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DIREITOS AUTORAIS E REGRAS PARA REFERÊNCIAS:

É autorizada a reprodução do texto e das informações em todo ou em parte desde que respeitado o devido crédito ao(s) autor(es).

HERMES, Ivenio. Lições da Audiência Pública “A Crise na Segurança Pública” (Parte 1 de 2). Disponível em: < http://j.mp/1l1688y >. Publicado em: 15 abr. 2014.

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Postado às 23h55 segurança Nenhum comentário Enviar por e-mail
Por Ivenio Hermes

A insegurança que se concretizou no Rio Grande do Norte nos últimos anos tem motivado diversas audiências abertas à manifestação popular, e na que foi realizada na manhã e boa parte da tarde do dia 15 de abril de 2014, de propositura do Vereador Marcos Antonio, denominada “A Crise na Segurança Pública”, muitos temas atuais e efervescentes foram debatidos.

Evidências Numéricas

Transcorridos 105 dias desde o início de 2014, o Rio Grande do Norte atingiu a marca dos 486 assassinatos, isto é, 4,62 mortes por dia, sendo que foram 168 apenas na capital, conforme destacamos abaixo.

NATAL CVLI 15MAR2014 NORTE E SUL

Zona Norte: 68 assassinatos (sendo 24 menores de 21 anos de idade)

Nossa Senhora da Apresentação aparece com 21 homicídios, já chegando a 25,08 homicídios por cem mil habitantes, sendo que a média nacional é 25,3 e a aceitável pelo padrão internacional 10. Além disso, o número de jovens menores de 21 anos de idade é bastante elevada conforme podemos observar na tabela abaixo:

Pajuçara com 31 (sendo 5 menores de 21 anos), Lagoa Azul, 12 (sendo 4 menores), Igapó, 8 (sendo 1 menor), Potengi com 8 vítimas (3 menores) e Redinha, 5 vítimas (sendo 2 menores de 21 anos de idade).

Zona Sul: 20 assassinatos (sendo 3 menores de 21 anos de idade)

Em Lagoa Nova foram 6 (sendo 2 menores), seguido por Pitimbu com 2, Neópolis com 4, Ponta Negra com 3 (sendo 1 menor de 21 anos de idade) e Nova Descoberta com 2.

NATAL CVLI 15MAR2014 LESTE E OESTE

Zona Leste: 20 assassinatos (sendo 6 menores de 21 anos de idade)

O bairro de Mãe Luíza aparece com 6 homicídios (sendo 2 de menores de 21 anos de idade), seguido pelo Alecrim com 5 (sendo 1 menor), depois Cidade Alta com 2 (ambos, menores de 21 anos de idade), Areia Preta com 2 (sendo 1 menor), Rocas e Petrópolis com 2 homicídios em cada e Tirol com 1 homicídio, sem ocorrências de crimes violentos letais intencionais contra menores nesses 3 últimos bairros.

Zona Oeste: 56 assassinatos (sendo 12 menores de 21 anos de idade)

Felipe Camarão lidera com 17 homicídios (sendo 4 menores de 21 anos de idade). Depois aparecem Quintas e Planalto com 7 homicídios em cada (sendo que 1 menor de 21 anos em cada também), e Bom Pastor com 7 homicídios (sem mortes de jovens menores de 21 anos).

Com 6 assassinatos seguem os bairros de Dix-Sept Rosado e Cidade da esperança (sendo respectivamente 3 e 2 homicídios de jovens menores de 21 anos de idade).

Por fim, aparecem Nazaré com 3, Guarapes com 2 (sendo um menor de 21 anos) e Cidade Nova com 1 homicídio (sem mortes de jovens menores de 21 anos).

Realidade em Suspeição

O curso da violência homicida encontra facilidades geradas pela falta de efetivo nas polícias estaduais, isso que amplia a impunidade que é um fator que foi ponto pacífico entre os participantes da mesa de debates como sendo o principal causador dos crimes, tanto aqueles contra a vida, quanto aqueles contra o patrimônio privado. Ainda se considerou a legitimação de alguns assassinatos cuja notícia do crime confere à vítima uma espécie de “merecimento”, pois vem com o texto “a vítima possuía passagem na polícia pelo crime de…” dando força à proliferação dos crimes de execução sumária, a maioria com o modus operandi típico de grupos de extermínio.

A Divisão de Homicídios pode não ser a solução definitiva para a problemática geral da Segurança Pública do Rio Grande do Norte, entretanto ela representa um passo bem direcionado na consolidação de ações que atinjam os perpetradores de crimes contra a vida. Para que ela venha a existir, não se pode continuar a cometer erros já confirmados, voltando à adoção do cobertor curto, que se cobrirem os pés descobre a cabeça, ou num linguajar mais popular, descobrir um santo para cobrir outro. Fechar delegacias para redirecionar seus policiais para outras, retirar policiais dos Grupos Especiais da Polícia Militar que estão lotados no interior para reforçar ações durante a Copa de Futebol consiste nessa repetição de erros.

Que não se confunda essa situação anterior com a recuperação de policiais cedidos para outros órgãos, que não visam à atividade fim e precípua dos órgãos de polícia, para reutilizá-los na função da qual nunca deveriam ter sido afastados anteriormente.

Nos aproximamos de um grande feriado, serão cinco dias em que muitas pessoas descansarão e se afastarão dos problemas do cotidiano, mas também serão cinco dias em que os policiais de todas as esferas estarão empenhados em preservar a vida das pessoas, muitas vezes arriscando as suas para que isso aconteça, e se queremos ter soluções reais e duradouras, precisamos urgentemente de um fórum permanente, despido de vaidades institucionais e carreiristas, onde a sociedade civil e os policiais tenham seus pleitos assimilados em busca da paz e da ordem no Estado do Rio Grande do Norte e do Brasil.

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SOBRE O AUTOR:

Ivenio Hermes é Escritor Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública e Ganhador de prêmio literário Tancredo Neves. Colaborador e Associado Pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Consultor de Segurança Pública da OAB/RN Mossoró. Integrante do Conselho Editorial e Colunista da Carta Potiguar. Pesquisador nas áreas de Criminologia, Direitos Humanos, Direito e Ensino Policial.

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É autorizada a reprodução do texto e das informações em todo ou em parte desde que respeitado o devido crédito ao(s) autor(es).

HERMES, Ivenio. Lições da Audiência Pública “A Crise na Segurança Pública” (Parte 1 de 2). Disponível em: < http://j.mp/1l1688y >. Publicado em: 15 abr. 2014.

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Postado às 14h45 JustiçaPolíticasegurança Nenhum comentário Enviar por e-mail
Por Ivenio Hermes

Apesar do distorcido senso comum criar no imaginário popular que os policiais brasileiros são violentos, ainda existem aqueles da sociedade que conseguem enxergar esses homens e mulheres como seres humanos.

Hope Camp Especial     Acampamento pela Lei de Promoção de Praças da Polícia Militar e Bombeiros

Acampamento pela Lei de Promoção de Praças da Polícia Militar e Bombeiros

O sucesso de uma empreitada depende do esforço em estender os braços e segurar firme nas mãos daqueles que desejam conjugar forças para a conquista do bem comum.

Infelizmente, o discurso pró violência disfarçado nos clichês dos apresentadores dos noticiários policiais também promove a imagem do policial truculento, o que é perceptível nas falas que em nada defendem o policial, seus direitos e suas necessidades e sim defendem um comportamento preconceituoso contra as minorias. E esse comportamento, que alguns policiais ainda insistem em assumir, o distanciam do civilismo e do trabalho de guardião para o qual sua função é necessária.

Ao assimilar esse culto “sherazadiano”, alguns seguem em defesa de pessoas que jamais se importaram realmente com sua vida e sua família, e apenas escondem sua preocupação com o aumento e cativação da audiência ou com futuras ambições políticas.

Temos no histórico da mídia televisionada diversos apresentadores que migraram para a política, eleitos pelos policiais e por aqueles que entronizaram seus clichês, e que nunca fizeram nada de concreto nem pela segurança pública, nem pelos policiais e nem por seus outros espectadores que acreditaram em suas falas fleumáticas.

Por causa desses falsos defensores e de algumas experiências que são inseridas no folclore da atividade policial, as pessoas deixaram de identificar nos agentes da lei os seus protetores e agora os temem como seus perseguidores. Estudantes recriam uma realidade originada nos meandros da ditadura e creem que os policiais são seres ignorantes e insensíveis, outros somente veem neles a personificação da força do estado impondo uma ordem desassociada da justiça, onde esses homens e mulheres são títeres de governantes corrompidos e corruptores que mais merecem os rigores da lei do que o direito de governar.

No Rio Grande do Norte os policiais militares de um modo geral vem sofrendo uma ação humilhante que se origina na falta de respeito ao reconhecimento de seus planos de carreira. Aliás, cada vez que a sociedade potiguar vê seus agentes da lei indo às ruas em greves e manifestações ou acampados diante da Sede da Governadoria do RN no Centro Administrativo do Estado, ela devia repensar sobre a atitude do governo e de grande parte dos vereadores, deputados, enfim, de seus representantes eleitos, porque são eles que deveriam dar o primeiro passo em reconhecer a realidade degradante em que vivem nossos policiais e suas famílias. Ao invés disso, vivem demandando que os próprios policiais façam seus projetos de lei, levando-os a gastar dinheiro de seus associados com advogados, com manifestações e com uma série de gastos diretamente decorrentes da falta de respeito que sofrem.

Nas últimas semanas, os policiais militares deram provas de que não são seres limitados emocionalmente e que estão vencendo o impulso dado pelos discursos pró violência e pró justiçamento. Diante das mortes de Jailson Augusto do Nascimento, em 25 de março, e de Frederico Ferreira da Silva, em 04 de abril de 2014, o comportamento de reação violenta e justiceira, que vem sendo incrustado na sociedade, não foi o norteador das atitudes dos desses homens e mulheres.

Após vencerem a dor e o impacto inicial com a morte dos colegas, os policiais militares potiguares e outros de outras corporações, com a ajuda de pessoas do bem, desencadearam uma ação que levou à prisão dos autores e coautores dos crimes que ceifaram a vida dos policiais. Eles foram detidos com sua incolumidade preservadas e levados à Polícia Civil para dar continuidade ao processo legítimo de justiça.

Esses homens e mulheres de uniforme de cor cinza, mesmo com suas almas vestidas com o negro do luto, não se desviam do cumprimento legítimo de seu dever de ofício e nem se deixam tingir pelo vermelho do sangue de outros seres humanos.

Mas ainda existe a aqueles que legitimam o assassinato baseado na presunção de culpa da própria vítima, como nos casos onde existe a informação de que a vítima tinha envolvimento com drogas ou tinha um passado desviante, numa tentativa de justificar a falta de esforço do Estado em solucionar certos homicídios.

No Brasil, contudo, nem o Estado não tem a autorização para matar, pois não temos a pena de morte, o que novamente contraria muitos discursos que pululam certas mídias e certas mentes que se dizem orientadoras da paz.

Quem incita a violência e o crime, quem legitimiza uma atitude desviante para combater outra, também é criminoso e não merece respeito de uma sociedade que busca a paz e o convívio pacífico.

Temos certeza que na sociedade potiguar, mulheres e homens da lei estão reagindo contra o discurso incitador da violência e deixando de figurar como meros símbolos do poder coercitivo do Estado… Aquela mão de ferro que atinge aqueles que se desviam do caminho virtuoso do cumprimento das leis e agem contra seu semelhante, possui mente e emoções empregadas na busca da evolução social.

Essa conscientização não surgiu ao acaso e mostra que a base da pirâmide policial, soldados, cabos e sargentos, demonstra estar ligada ao processo civilizatório e no esforço pela busca ordeira de soluções para seus problemas.

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Texto dedicado à todos os policiais potiguares e outras pessoas que direta e indiretamente estiveram envolvidos nas prisões dos autores e partícipes das mortes dos policiais Jailson Augusto do Nascimento e Frederico Ferreira da Silva.

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SOBRE O AUTOR:

Ivenio Hermes é Escritor Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública e Ganhador de prêmio literário Tancredo Neves. Colaborador e Associado Pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Consultor de Segurança Pública da OAB/RN Mossoró. Integrante do Conselho Editorial e Colunista da Carta Potiguar. Pesquisador nas áreas de Criminologia, Direitos Humanos, Direito e Ensino Policial.

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DIREITOS AUTORAIS E REGRAS PARA REFERÊNCIAS:

É autorizada a reprodução do texto e das informações em todo ou em parte desde que respeitado o devido crédito ao(s) autor(es).

HERMES, Ivenio. Aos homens do cinza, que mesmo de negro, não se deixam tingir pelo vermelho. Disponível em: < http://j.mp/1hOdX9e >. Publicado em: 14 abr. 2014.

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Postado às 10h10 JustiçaPolíticasegurança [ 1 ] comentário Enviar por e-mail

Casos de Outra Metrópole Dispersa

Por Ivenio Hermes

Mossoró há muito tempo já não pode ser um problema isolado, sua capacidade de influência como grande centro urbano e cultural, é ampliada pela formação plural de seus habitantes, e como em todas as grandes regiões metropolitanas, mantêm os municípios próximos circulando em sua órbita.

Uma Nova Região Metropolitana

Para efeitos deste estudo, consideraremos como “região metropolitana” apenas os municípios que fazem limite direto com Mossoró, ou seja, Tibau, Grossos, Areia Branca, Serra do Mel, Assu, Upanema, Governador Dix-Sept Rosado e Baraúna.

1TRIMESTRE MOSOPOL 2014

Apresentando um índice acima da média nacional, que é de 25,4 homicídios por cem mil habitantes, a assim chamada Região Metropolitana de Mossoró apresenta índices preocupantes. Em primeiro lugar, aparece Serra do Mel com 37,75 homicídios por 100mil-hab, não muito atrás temos Baraúna, também com um alto índice, apresentando 34,16 cvli/100mil-hab. Essas duas cidades juntas acumulam 17% dos cvli da região, somando-se com Mossoró, que tem 59% (15,70 cvli/100mil-hab), alcançamos a marca de 76% do total de cvli cometidos na região.

Os dados das demais cidades: Areia Branca, Assu e Governador Dix-sept Rosado, como podem ser observados no gráfico, completam as informações com os 24% restantes. Vale ressaltar que Tibau, Grossos e Upanema ainda não inauguraram o mapa do crime.

Desses Crimes Violentos Letais, depuramos um outro dado alarmante: a idade das vítimas. Em Mossoró temos o maior índice de assassinato de jovens, do total dos crimes, 16 foram cometidos contra menores, ou seja, 70%. Os outros 30% se dividem entre Assu, com 1, Areia Branca com 2 e Baraúna com 4 assassinatos de jovens.

Numa rápida projeção de dados, posicionando as atuais políticas públicas para a Região, o crime continuará ganhando força, pois as ações previstas na Gestão de Rosalba Ciarlini, tão somente visam o corredor turístico da Copa do Mundo de 2014, que não beneficiará essa região que possui aspectos peculiares. Um deles é o relevo e a formação de Serra do Mel, cujo emaranhado do desenho urbano/rural de suas regiões administrativas, propiciam refúgio e abrigo para pessoas com condutas desviantes.

Além disso, Mossoró, Baraúna e Tibau tem em seu mapa político uma divisa com o Estado do Ceará, precisamente o município de Aracati, que também pode ser usado com meio de acesso e de fuga, haja vista a grande extensão de área divisional além das estradas e rodovias policiadas.

Nessa plêiade de fragilidades, a Região Metropolitana de Mossoró, merece bem mais que a mera divisão de um batalhão em dois e sem acréscimo de policiais.

Crimes nos Bairros

O ano de 2014 inaugurou a violência em grandes números nos bairros de Mossoró, e mesmo em alguns dias quando a paz parece reinar, é apenas o efeito estufa de uma violência prestes a eclodir.

1TRIMESTRE MOSOPOL BAIRROS 2014

Foram 14 homicídios praticados na Zona Sul e um índice de 18,86 cvli/100mil-hab, sendo Belo Horizonte o bairro mais violento, com 43% dos crimes e 70,63 cvli/100mil-hab. Na Zona Norte ocorreu 10 homicídios, gerando um índice de 13,06 cvli/100mil-hab, e aqui destacamos o bairro Santo Antonio, onde concentra 80% dos crimes, com taxa de 41,87 cvli/100mil-hab.

A Zona Oeste também apresenta 10 homicídios, divididos entre Santa Delmira com 4 (40% dos crimes da região) e Abolição e Vila Maísa com 3 crimes e 30% cada um, apresentando uma taxa de 12,13 e 77,52 cvli/100mil-hab respectivamente. A Zona Leste apresenta o menor número de crimes: 6 homicídios, com taxa de 8,16 cvli/100-hab.

Entretanto, a surpresa fica para a Zona Rural, atingida com 4 homicídios, apresentando a elevada taxa de 190,48 cvli/100mil-hab. Mossoró, diferentemente de Natal, conta com uma Zona Central e esta não escapou da violência, pois já conta 3 crimes, com destaque para o bairro Paredões que acumula 2 deles, gerando uma taxa de 23,96 cvli/100mil-hab, ou seja, 67% dos crimes da região.

1TRIMESTRE MOSOPOL REGIOES 2014

O padrão interno da cidade concentra maior número de homicídios de jovens na Zona Sul, que retém 30% dos crimes (13 cvli), seguida de perto pelas outras zonas em escala de redução de incidência quanto mais se aproxime da Zona Central. Isso se deve à soma de forças com a Guarda Civil Municipal, que vive uma situação de enfrentamento heroico da criminalidade, pois esses homens não possuem o direito ao porte de arma completo.

A contribuição da Guarda Municipal de Mossoró para o controle de ações criminosas, para paz e a ordem social é muito relevante. Mulheres e homens são profissionais qualificados e devidamente preparados para ampliar a segurança do cidadão mossoroense. Em suas rotinas de trabalho, além de fazerem a segurança patrimonial de prédios e obras de arte da prefeitura, como praças e monumentos, os GM fazem detenções de drogados, conduzem criminosos, impedem brigas, recuperam e redistribuem documentos perdidos, entre outras ações, constituindo-se em força essencial para a segurança e legitimam-se no contato cordato com a população em geral.

Valorizar essa Guarda Municipal dando aos seus homens condições de trabalho com equipamento e segurança, pode ser uma solução extra a ser adotada em Mossoró.

No próximo trimestre…

Atualmente, a população da Região Metropolitana de Mossoró é expectadora de cenas de violência e barbárie, contando e somando casos de uma outra metrópole dispersa e esquecida, sendo em alguns deles até protagonista e coadjuvante, sendo vitimizada por criminosos que não poupam munição nos crimes mais assustosos contra a vida.

Foram três meses em que essa região viu grandes ações da Guarda Civil Municipal, das polícias Civil e Militar, ações da Polícia Rodoviária Federal, do Ministério Público e da Polícia Federal, sem que com isso houvesse sensível resultado, mesmo com ações corajosas dos operadores de segurança pública, o que volta à máxima afirmativa de que há falta da presença do policiamento de primeiro impacto, a atividade ostensiva, e do policiamento de continuidade, a atividade de investigação e de produção de provas pelo setor técnico-científico.

O primeiro trimestre deixou para trás um saldo de 73 mortes na região, sendo 44 somente em Mossoró, e o novo trimestre se inicia com 8 crimes violentos letais intencionais, sendo 3 em Mossoró.

Novas e urgentes políticas de segurança pública devem ser adotadas além do corredor de segurança da Copa, pois o crime tende a migrar para as regiões mais frágeis. Essa análise empírico-estatística da violência homicida tem o objetivo de dar um novo alerta para o quadro de insegurança em todo o Rio Grande do Norte, que precisa esvaziar essa represa de violência caudalosa que descaracteriza e desfigura o pacífico povo potiguar, fazendo uma falsa propaganda de nosso povo, nossos costumes e nossa terra. E como diz Marcos Dionisio Medeiros Caldas, Presidente do Conselho Estadual de Direito Humanos e Cidadania do RN, “é imprescindível desautorizar o Rio Grande de Morte”.

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AGRADECIMENTOS:

Ao advogado Marcos Dionisio Medeiros Caldas que me oportunizou a parceria para trabalhar nessa pesquisa e todas as outras relacionadas à violência homicida através do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania/RN.

Ao jornalista Cezar Alves que não poupa esforços e consubstanciar informações para as pesquisas da violência homicida.

À cientista política Sáskia Sandrinelli pela dedicação a esse trabalho como revisora e editora.

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SOBRE O AUTOR:

Ivenio Hermes é Escritor Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública e Ganhador de prêmio literário Tancredo Neves. Colaborador e Associado Pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Consultor de Segurança Pública da OAB/RN Mossoró. Pesquisador nas áreas de Criminologia, Direitos Humanos, Direito e Ensino Policial.

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DIREITOS AUTORAIS E REGRAS PARA REFERÊNCIAS:

É autorizada a reprodução do texto e das informações em todo ou em parte desde que respeitado o devido crédito ao(s) autor(es).

HERMES, Ivenio. Violência Homicida no RN: Uma análise empírico-estatística (Parte 2). Casos de Outra Metrópole Dispersa. Disponível em: < http://j.mp/OlDpfe >. Publicado em: 08 abr. 2014.

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Postado às 16h32 JustiçaPolíticasegurança Nenhum comentário Enviar por e-mail
Por Ivenio Hermes

Diante do quadro de incertezas na segurança potiguar, a necessidade de novos profissionais em todos os órgãos componentes do sistema de segurança não é uma delas.

Uma Noção Real

PESQUISA 2ND CURSO DE FORMACAOB

Em todas as entidades o clamor é semelhante: um pedido por mais policiais. Desde 2011 que publicamos estudos em forma de artigos, descrevendo os problemas nas contratações de agentes de segurança em face da promoção de concursos, que geram a expectativa de melhorias para a população e a expectativa de direito para os concursados.

De acordo com a legislação estadual para as corporações, existem cargos vagos na Polícia Civil (agentes, escrivães e delegados), no Corpo de Bombeiros e na Polícia Militar (soldados e oficiais) e no Sistema Prisional (agentes penitenciários) que não são preenchidos mesmo com candidatos prontos para fazerem cursos de formação e, no caso da PCRN e para o Sistema Prisional, existem homens e mulheres já formados apenas aguardando a nomeação, além de outros para serem chamados para outro curso de formação.

Para os concursados sobrevive uma esperança arcabouçada dentro de uma angústia que se arrasta por anos, o temor de verem seus sonhos e tanta dedicação nas desgastantes etapas que compõe o processo “descer pelo ralo” é uma constante inquietante.

No caso da Polícia Civil, após três anos de formados esses candidatos ainda estão preparados? Esse hiato entre a formação e a nomeação pode ser recuperado no ato nominativo? Seria o suficiente nomear os já formados sem dar a eles um novo treinamento e depois enviá-los para a ação sem material e equipamento? Para as três perguntas a resposta é clara: Não!

A segurança pública potiguar precisa de ações para evitar o contínuo desgaste da Polícia Civil e na promoção de outro curso de formação, que garanta a retomada no processo de fortificação da segurança.

Para o Secretário Estadual de Segurança Pública Eliéser Girão Monteiro Filho há um desafio enorme, que se giganteia pelo curto período que dispõe para tanta obra a ser consolidada. Em menos de um mês após ser nomeado, o Secretário se mostrou disposto a dialogar e resolver demandas dentro do espectro de problemas intrínsecos ao sistema estadual de segurança ao qual já teve acesso, inclusive numa demonstração inicial, participou da Audiência Pública solicitada pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania para debater sobre o número assustador de homicídios no Estado do RN, que ocorreu no dia 28 março na Assembleia Legislativa, algo nunca feito pelo seu antecessor.

A Matriz do Brasil Mais Seguro para o Rio Grande do Norte, o RN Mais Seguro, prevê ações valorativas da Polícia Civil, dentre elas, a reconstituição do plantel de policiais, resgatando um antigo anseio da sociedade, com a chance de efetivar a Divisão de Homicídios e ainda aumentar a capacidade investigativa em outros âmbitos da polícia judiciária.

Para viabilizar esse 2º Curso de Formação para a Polícia Civil, seria adequado realizar um levantamento para tentar construir um quadro aproximado do número de suplentes que ainda tem interesse em ser policial civil, haja vista que existe o fator desmotivador que já promove muitas desistências entre os que já fizeram o curso de formação anterior.

O objetivo desse levantamento seria evitar o gasto desnecessário, enxugando o processo de formação para um número o mais aproximado do real, e para tal, conversamos com uma representação significativa dos concursados, enviando e-mails, fazendo ligações e contatos solicitando que todos enviassem por escrito uma manifestação sobre o interesse em participar ou não de um curso de formação e ser efetivado como policial civil.

PESQUISA 2ND CURSO DE FORMACAO

Numa análise rápida da enquete sistematizada acima, temos o seguinte:

Delegados

  • 35 candidatos confirmaram;
  • 1 desistiu e não justificou;
  • 4 sub judicies confirmaram a participação, porém 1 deles, ainda aguarda sentença para retornar ao concurso;
  • Total de candidatos que confirmaram a participação: 39 candidatos (43% dos candidatos).

Total de candidatos na listagem: 90 aprovados + 4 sub judices = 94 candidatos.

Escrivães:

  • 34 escrivães confirmaram;
  • 3 desistiram, pois passaram noutro concurso (Detran, Ufersa e outro);
  • 3 sub judicies confirmaram e já tem a decisão judicial que estão de volta ao concurso;
  • Total de candidatos que confirmaram a participação: 37 candidatos (70% dos candidatos).

Total de candidatos na listagem: 53 aprovados + 3 sub judicies = 56 candidatos.

Agentes:

  • 89 Agentes confirmaram;
  • 1 desistiu, pois está na PRF;
  • 1 sub judice, que não informou o andamento do processo;
  • Total de candidatos que confirmaram a participação: 90 candidatos (60% dos candidatos).

Total de candidatos na listagem: 149 + 1 sub judice = 150 candidatos.

Em resumo, desse quadro reserva que existe desde 2010, disposto para fazer o curso de formação ainda existem 39 candidatados para delegados, incluindo 4 sub judicies, de um universo de 90. Dentre os candidatos a escrivão, somente 37 escrivães, inclusos 3 sub judicies, de 53. E por fim, apenas 90 agentes, sendo um sub judice, de um total de 149.

Problemas a enfrentar

Dentre os muitos problemas que a atual Gestão Administrativa do Estado causou está o ceticismo da grande maioria dos concursados quanto ao respeito ao seu direito de ser nomeado, e por isso, veem com desconfiança qualquer ação oriunda do Governo do RN, por isso indagam: Realmente está certa a realização desse curso? Quais as chances de sermos nomeados? A Bolsa Formação será paga ou seremos caloteados como foram os alunos do primeiro curso de formação?

O fato é que de acordo com a pesquisa, até o momento o número de componentes do quadro de reserva que pretende dar continuidade ao processo do concurso é preocupante, pois a desmotivação gerada no processo de nomeação dos candidatos que já realizaram o curso de formação serviu como um espelho real das intenções que o Governo do RN manteve até hoje.

Que essa dúvida encontre um novo compromisso no Governo do RN ou isso poderá ser mais um obstáculo para as intenções manifestadas pelo Secretário de Estado Eliéser Monteiro.

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SOBRE O AUTOR:

Ivenio Hermes é Escritor Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública e Ganhador de prêmio literário Tancredo Neves. Colaborador e Associado Pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Consultor de Segurança Pública da OAB/RN Mossoró. Pesquisador nas áreas de Criminologia, Direitos Humanos, Direito e Ensino Policial.

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DIREITOS AUTORAIS E REGRAS PARA REFERÊNCIAS:

É autorizada a reprodução do texto e das informações em todo ou em parte desde que respeitado o devido crédito ao(s) autor(es).

HERMES, Ivenio. Novo Curso de Formação Para a PCRN: Realidade ou Mera Esperança. Disponível em: < http://j.mp/1hiZwjc >. Publicado em: 06 abr. 2014.

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Postado às 12h17 ColunaJustiça [ 3 ] Comentários Enviar por e-mail

Foto: Camyla Brito

Luana Baldo e as filhas comemoram, em Porto Alegre

No dia 7 de julho de 1988 o feirante Ribamar Freire Gonzaga, hoje com 49 anos, foi embora de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Norte, deixando a então mulher Márcia Eliza dos Santos Oliveira com uma filha Luana Oliveira Gonzaga Baldo, a época com apenas 6 meses.  Ribamar, para seus familiares e da mulher, sumiu do mapa. Não deu mais notícias.

Passados duas décadas e meia, precisamente na tarde deste sábado, 5 de abril de 2014, com ajuda deste repórter e através do Blog FOCOELHO, Luana Baldo, que hoje está casada, tem duas filhas (3 e 8 anos) e trabalha como manicure, falou pela primeira vez com seu pai. Foi por telefone. “Foi muito emocionante. Ainda não parei de chorar”, diz Luana Baldo.

Ao De Fato.com, Luana Baldo contou que após o pai Ribamar sumir (veio morar no bairro Lagoa do Ferreira, em Assu, onde trabalha como feirante e é conhecido como ‘Poeta’), sua mãe Márcia Eliza se casou novamente e teve 8 filhos. “Cresci com meus irmãos e irmãs, mas sempre tive este sonho de um dia encontrar meu pai biológico”, conta.

Queria, mas não tinha e nem sabia como procurar o pai biológico. Há cerca de cinco anos, Luana Baldo fez busca via Orkut, com apoio do marido, o eletricista Jonei Baldo. “Ele sempre esteve do meu lado quando tinha a idéia de procurar meu pai. Queria saber como ele está, onde vive, se estava bem, se estava passando necessidade”? Não conseguiu.

Esta semana, Luana Baldo postou o nome do pai (Foto de Ribamar, o Poeta, no dia que o carro pegou fogo em Assu) no Google e apareceu uma matéria do Focoelho datada do dia 31 de março de 2011, em Assu, onde o carro de Ribamar Freire havia pego fogo. Havia foto e vídeo com o ocorrido. Luana fez print da página e mostrou a mãe Márcia Eliza, que reconheceu de imediato o rosto do seu ex.

“O interessante é que 31 de março é exatamente o dia do aniversário de minha filha, que também ficou muito feliz em saber que encontrei o avô dela. Meu pai também ficou muito feliz com o nosso contato. Disse que ainda não tinha netos e que queria muito conhecê-los”, relata ainda muito emocionada Luana Baldo na noite deste sábado, 5.

Sobre o contato, Luana Baldo fez contato via Facebook com este repórter, que por sua vez fez contato com FOCOELHO, que por se encarregou, através do jovem Maxsuel Basílio, de localizar o ‘Poeta’ e entregar a mulher dele o recado da filha Luana Baldo. Quem recebeu o recado foi a mulher de Ribamar, Iudenes Freire. “Ela me adicionou como amigo no Facebook”, diz.

Na conversa Inbox no final da tarde deste sábado, Iudenes repassou o número do telefone de Ribamar Freire. “Eu estava trabalhando (manicure) e meu patrão me emprestou o telefone dele para ligar e falar pela primeira vez com meu pai”, conta e novamente tenho que dá uma pausa na entrevista para respirar. Luana estava soluçando. Felicidade.

Agora vem a terceira da história. O encontro de pai e filha. Só que nem ele, um feirante poeta, e nem ela, uma manicure aplicada, tem condições financeiras para bancar as passagens de um lado para o outro do país. “Não sabemos como e nem quando. Só sabemos que vamos nos encontrar e nos conhecer”, diz Luana Baldo pedindo opinião deste repórter de como fazê-lo.

O que diz Ribamar

Havia tentado contato com Ribamar Freire, o Poeta, hoje cedo, mas não foi possível. Ele estava na feira, trabalhando. Meio dia, ele fez contato para contar a história dele. Disse que é do interior do Ceará e que em 1884, diante de uma grande chuva, a casa da família foi destruída por uma cheia e ele terminou indo trabalhar de servente de pedreiro em São Paulo, onde conheceu a gaúcha Márcia Eliza dos Santos Oliveira.

Ele conta que começaram a namorar até que um dia as coisas começaram a ficar ruins. Ela decidiu voltar para o Rio Grande do Sul e ele terminou por aceitar o convite e acompanhá-la. Teria ficado por lá por um período de 11 meses, quando aconteceu de Luana Baldo nascer. Ele disse que retornou para trabalhar em São Paulo, de onde decidiu por voltar para o Nordeste, escolhendo a terra dos poetas para Mossoró.

Em Assu, assumir em definitivo a ideia de seguir carreira recitando meus versos pelo Brasil. “Retornei ao Rio Grande do Sul e procurei Márcia Eliza na casa da mãe dela. Porém me foi dito lá que havia acontecido um desentendimento e ela havia ido morar em outro local e que já estava casada. Passei 30 dias procurando, mas não encontrei. Deixei meus contatos com a mãe de Márcia, mas não teve retorno”, narra.

Ribamar retornou para o Rio Grande do Norte e voltou a morar em Assu, onde hoje é casado e trabalha como feirante. Contou que realmente ficou muito feliz por ter falado com a filha, mesmo que isto tenha sido graças a algo ruim que aconteceu em 2011 (seu carro pegou fogo). “Agradeço a ajuda de vocês todos em nos colocar em contato. Agora eu tenho netas, duas netas”, diz Ribamar Freire, o Poeta.

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Postado às 22h48 Justiçasegurança Nenhum comentário Enviar por e-mail

Metrópole da Morte, Bairros do Medo e o Público Alvo

Por Ivenio Hermes

A insegurança em que vive o povo brasileiro e especificamente o potiguar, tem um custo financeiro indireto elevado, e por sair do bolso do cidadão, parece não ser levado em consideração pela Administração Pública.

Além de seus impostos, comerciantes, empreendedores e moradores precisam arcar com segurança privada, circuitos internos de câmeras de TV, sensores de movimento, alarmes, muros com cercas elétricas e outros tipos de ofendículos que garantam a proteção, antes considerada extra, pois havia aquela fornecida pelo Estado e hoje considerada essencial, porque supre a ausência da segurança promovida pela ineficácia e incompetência do Estado.

O crime assume todas as formas possíveis, e o alerta dado ao Governo do RN sobre avanço da força letal da violência foi desconsiderado e as forças policiais, minimizadas em efetivo, em equipamento e em condições de trabalho, se tornam vítimas tanto quanto àqueles a quem deveriam proteger. Nos primeiros 5 dias de abril de 2014 já aconteceram pelo menos 20 crimes violentos letais intencionais, dentre eles, outro policial militar.

Nova Metrópole da Morte

1TRIMESTRE EVOLVE 2014A

Com um índice de 10 homicídios por cem mil habitantes sendo a aceitável para compor uma boa taxa de desenvolvimento humano, a Região Metropolitana de Natal se firma como uma nova metrópole da morte e se aproxima perigosamente da média nacional de 25,4 assassinatos por cem mil habitantes. São José de Mipibu e Macaíba se revezam na quarta posição entre as mais violentas da região, sendo que com uma população menor, São José de Mipibu já está com o índice de 37,78 cvli/100mil-hab enquanto Macaíba está com 22,5.

Com a inclusão no mapa da região, do novo aeroporto para a chegada dos turistas do futebol, uma atenção deverá ser direcionada para as principais vias que conduzirão esses turistas para o centro hoteleiro, privilegiando o turismo durante o evento. Contudo, não se deve deixar de perceber que São Gonçalo do Amarante encontra-se com 18,9 cvli/100mil-hab, Parnamirim com 14,38 e Natal com 17,45. Assim a região metropolitana, tendo em vista sua população, já acumula um índice de 17,81 cvli/100mil-hab.

Com essa tendência indicando ascensão, relembramos que Natal registra 59% das ocorrência letais, e com a previsão do emprego da força maciça do Governo Federal implementando uma segurança visual temporária em virtude da COPA de 2014, os indícios de que essa tendência continuará nos municípios limítrofes são grandes, porque ao escapar do círculo de contenção e proteção estabelecido pelas Forças Armadas e pela Força Nacional, que nem coadjuvantes na Segurança Pública deveriam ser (pois o correto seria reforçar e valorizar as polícias estaduais), os criminosos não encontrarão policiamento para detê-los.

Sem dar importância a mancha criminal que ora se delineia, será difícil tirar a Grande Natal do ranking dos homicídios, e quando Natal e São Gonçalo do Amarante receberem o reforço de policiais, o crime violento letal e intencional migrará para outros municípios, num jogo de gato e rato que não deixará de manter Natal como uma outra metrópole da morte.

Bairros do Medo

Nos anos de 2013 e 2014, o primeiro trimestre mostrou mais uma vez a falta de previsão da Secretaria Estadual de Segurança Pública, ainda administrada por Aldair da Rocha.

1TRIMESTRE METROPOL 2013-BAIRROS

Sempre buscando se desculpar pela Governadora, Aldair da Rocha não conseguiu alavancar nenhum projeto efetivo nem mesmo para a capital, daí se pode imaginar o desastre no interior. A insegurança acirrou um sentimento de medo, impediu o ir e vir e tornou os bairros de Natal mais perigosos.

Foram 48 homicídios praticados na Zona Norte e um índice de 18,59 cvli/100mil-hab, sendo Nossa Senhora da Apresentação o bairro mais violento, com 38% dos crimes e 22,27 cvli/100mil-hab. Sendo a áreas mais carente da cidade, a falta de investimentos e o progressivo sucateamento de viaturas reduziu o policiamento ostensivo, mantendo essa zona da capital como o índice semelhante, pois saiu de 48 mortes matadas em 2013 para 49, elevando para 18,84 crimes violentos letais intencionais por 100mil-hab em 2014.

As Zonas Leste e Oeste apresentaram uma ligeira diminuição, na Leste caiu de 23 para 18 mortes e na Oeste de 65 para 49. Entretanto, a surpresa deste primeiro trimestre de 2014 é a Zona Sul, que saiu de 9 em 2013 para 19 em 2014, numa elevação percentual de mais de 100%, ou seja, são 11,31 cvli/100mil-hab.

A vitimização na zona sul não escolhe local para ocorrer e objetivamente se conclui que mesmo tendo recursos das entidades de bairros e outros representantes da sociedade organizada na segurança pública, gastando com reforma e construção de bases integradas comunitárias, colocando mais combustível nas viaturas que sofreram com contingenciamento, e tentando outras soluções, inclusive promovendo uma audiência pública para tratar do assunto, nada disso foi capaz de deter a onda de crimes.

1TRIMESTRE METROPOL 2014-BAIRROS

Sem viaturas para realizar o policiamento nas ruas, mesmo usando combustível da comunidade, sem munição adequada e suficiente, carentes de toda sorte de equipamento, inclusive coletes balísticos, e sem efetivo consoante ao mínimo necessário, a Polícia Militar enxugou gelo e não conseguiu reduzir o crime na zona sul, mais uma vez comprovando que nem só de boa vontade e coragem se soluciona problemas de segurança.

O esforço do Comandante do 5º BPM e de seus comandados praticamente tirou leite de pedra, contudo, o Major Francisco Heriberto Rodrigues Barreto não conseguiu obter sucesso, pois à falta de material e equipamento se soma o maior problema do Estado do RN: a falta de efetivo policial. Com poucos homens, o batalhão responsável pelas zonas administrativas de Lagoa Nova, Nova Descoberta, Candelária, Capim Macio, Pitimbu, Neópolis e Ponta Negra, com seus conjuntos habitacionais, áreas de comunidade e sub zonas, transformando a zona sul no típico exemplo de que o esforço comunitário e policial, sem condições de trabalho e sem material humano é ineficaz diante do avanço da criminalidade.

Em apenas 3 meses a zona sul se tornou um novo nicho de medo e insegurança.

Público Alvo: Jovens

1TRIMESTRE POP JOV 2014C

Como se não bastasse todos os problemas sociais e de segurança pública, cada vez mais jovens ingressam nos caminhos desviantes, e sem condições de retornarem a um padrão de comportamento aceitável, perdem suas vidas em guerras de gangues, confrontos com a polícia e em desavenças diversas.

A morte de jovens nos bairros de Natal compreendem 28,18% do total de cvli, ou seja, de um total de 149 assassinatos, 42 são de jovens.

A distribuição por zonas ficou portanto:

  • Na Zona Norte 22 jovens assassinados de um total de 59 cvli, ou seja, 37,28% dos assassinatos foram cometidos contra jovens, sendo 9 deles cometidos em Nossa Senhora da Apresentação;
  • Dos 19 assassinatos cometidos na Zona Sul, 3 eram menores, ou seja, 15,78%, sendo 2 em Lagoa Nova e 1 em Ponta Negra;
  • A Zona Leste apresentou 27,77% de assassinatos de jovens, foram 5 de um total de 18 homicídios. Mãe Luiza e Cidade Alta com 2 mortes em cada e uma morte em Areia Preta;
  • Na Zona Leste 22,44% dos cvli foram cometidos contra jovens. De um total de 49, 11 foram jovens e os crimes ocorreram com maior frequência em Felipe Camarão.
  • Além dessas mortes, 4 não tiveram local determinado, sendo um jovem vítima dessas mortes.

Se essa média persistir, em 2014 teremos a maior incidência de cvli contra a população jovem.

Nesse totem de criminalidade, percebemos a forte influência das drogas como um dos principais fatores, sendo o combate ao narcotráfico uma das modalidades de combate ao crime bastante carente de atividade preventiva, tanto no combate quanto na busca pela reabilitação.

A seguir…

A morte de jovens anteriormente vitimizados direta ou indiretamente pelas drogas e lares desestruturados prolifera em todo Rio Grande do Norte, sendo eles muitas vezes chancelados, como muitos adultos, pela ligação com o crime para justificar a falta de esforço investigativo para descobrir quem foram seus algozes.

Enquanto meditam sobre a situação de insegurança e o morticínio de jovens na capital, convido-os a lerem algo semelhante sobre a situação de Mossoró enquanto polo atrativo de pessoas e portanto, de criminalidade, na última parte dessa análise empírico-estatística da violência homicida no Rio Grande do Norte.

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SOBRE O AUTOR:

Ivenio Hermes é Escritor Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública e Ganhador de prêmio literário Tancredo Neves. Colaborador e Associado Pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Consultor de Segurança Pública da OAB/RN Mossoró. Pesquisador nas áreas de Criminologia, Direitos Humanos, Direito e Ensino Policial.

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DIREITOS AUTORAIS E REGRAS PARA REFERÊNCIAS:

É autorizada a reprodução do texto e das informações em todo ou em parte desde que respeitado o devido crédito ao(s) autor(es).

HERMES, Ivenio. Violência Homicida no RN: Uma análise empírico-estatística (Parte 2). Metrópole da Morte, Bairros do Medo e o Público Alvo. Disponível em: < http://j.mp/OlDpfe >. Publicado em: 05 abr. 2014.

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