Sábado, 18 de agosto de 2018

Postado às 09h00 | 19 Dez 2017 | Ney Robson Presença de dentista em UTI reduz 30% casos de infecções

 

  1. em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ver uma dentista fazendo o atendimento odontológico de um paciente, ainda é uma cena que pode ser considerada inédita em muitos hospitais brasileiros. Mas, em alguns Hospitais já saíram na frente  , a integração do profissional à equipe multidisciplinar é uma realidade que tem refletido diretamente na eficácia do tratamento e reduzido os casos de infecções e consequentemente os  óbitos hospitalares.

Os relatórios de todas as UTIs do Brasil apontam que  é muito comum que os pacientes são acometidos por pneumonia associada à ventilação mecânica, que geralmente se desenvolve 48h a partir do início do processo de entubação. “É uma das infecções hospitalares mais incidentes na UTI e está associada a um aumento no período de internação, elevando os índices de mortalidade e nos custos hospitalares”.

Levantamento recente realizado pelo Ministério da Saúde revela uma média de 15,5% de infecções hospitalares por ano no Brasil, enquanto no resto do mundo os índices giram em torno de 5%. Ao mesmo tempo, estudos comprovam que a melhora da higiene oral e o acompanhamento por profissional qualificado reduzem significativamente a incidência de doenças respiratórias entre pacientes adultos de alto risco e internados em UTI.

  • o caso de uma pesquisa desenvolvida por acadêmicos e docentes da Universidade de São Paulo (USP) com pacientes internados na UTI do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Segundo o levantamento, a atuação de um dentista reduz em até 56% as chances de infecções respiratórias nesses pacientes.

Para uma das coordenadoras do projeto Ana Karina, outro ponto que merece ser destacado é que a odontologia colabora, oferece e agrega mais força ao que caracteriza a nova identidade do hospital. A condição da saúde bucal influencia na evolução e na resposta do paciente no tratamento médico. “A boca é a porta de entrada para muitas doenças. Por isso, é extremamente importante cuidar da saúde bucal”, pontuou.

A Lei 2.776/08 – Garante a presença de um cirurgião dentista em todas as Unidades de Terapia Intensiva de clínicas, hospitais públicos ou privados em que existam pacientes internados, se tornou obrigatória no Brasil em 2015.

Os procedimentos realizados são desde remoção de raízes dos dentes  danificados , raspagens  periodontais , ferimentos na gengiva , mucosa e o trabalho de profilaxia para remover as placas bacterianas e tártaros existentes numa condição clínica limitada e de altíssimos riscos de infecção .

Aqui em nosso estado, já existem 02 hospitais públicos que possuem em suas escalas de UTI a  presença do profissional Cirurgião Dentista : Hospital Geral Wafredo Gurgel, em Natal e  o Hospital Regional Cleodon Almeida  , em Pau dos Ferros .Ambos confirmam a redução significativa de infecções (30%) e de mortalidade (15%) .

Agora, mais do que nunca  é hora da classe odontológica buscar este  importante e novo mercado , qualificar-se e sobretudo contribuir para a melhoria na qualidade de vida das  pessoas .

Tags:

Saúde. Dentista. UTI

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Conexão Saúde

Ney Robson Vieira Alencar é especialista em Implantodontia com Pós-graduação em Prótese Dental/USP. Atende na Oral Clínica, localizada à Rua Pedro Velho, 99. Foi secretário de saúde do município de Alexandria (RN) e diretor-geral do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) em Mossoró (RN). Assina a coluna Conexão Saúde no Jornal de Fato e no Defato.com.