Domingo, 18 de novembro de 2018

Postado às 13h45 | 01 Nov 2018 | Da Redação Urologista orienta sobre prevenção e tratamento do câncer de próstata

Crédito da foto:

O urologista Neal Shore tem uma das mais difíceis missões de um médico – comunicar ao paciente que ele sofre de câncer de próstata e direcioná-lo ao melhor tratamento possível no momento do diagnóstico. Com mais de trinta anos de experiência como uro-oncologista, ele assegura que "não há diferença cultural quando se fala da reação do paciente ao anúncio da doença. "É como se a pessoa ganhasse um passaporte onde está escrito ´tenho câncer´ e a reação imediata é invariavelmente de tristeza", ressalta o especialista e um dos autores do PROSPER1 – estudo de fase 3, que mostrou que o medicamento enzalutamida reduziu significativamente, em 71%, o risco de metástase ou óbito em homens com câncer de próstata não metastático resistente à castração (CPRCnm).

Shore esteve em São Paulo no início de outubro para participar do Astellas Oncology Forum 2018, evento promovido pela farmacêutica japonesa Astellas Farma Brasil com o objetivo de discutir casos clínicos com médicos e representantes de planos de saúde. O evento antecipou um dos temas que serão abordados na campanha de conscientização sobre câncer de próstata Novembro Azul deste ano: o medo de ser diagnosticado com a doença.

Para o diretor-executivo, líder de Patient Experience, da Astellas nos Estados Unidos, Doug Noland, o evento foi mais uma oportunidade de médicos e pesquisadores trocarem experiências enriquecedoras para melhorar o tratamento aos pacientes. "O bem-estar do paciente é sempre o foco do que fazemos, e esses exemplos permitem aprimorar nosso trabalho em busca de melhores tratamentos", reforçou o executivo.

O Astellas Oncology Forum 2018 reuniu diversos especialistas da área de todo o mundo, entre eles o Daniel Herchenhorn, coordenador científico da Oncologia da Rede D´Or; André Sasse, oncologista do Grupo Sasse Oncologia e Hematologia; Igor Morbeck, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês de Brasília; Ubirajara Ferreira, professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Walter Costa, titular do Núcleo de Urologia do A.C. Camargo Cancer Center; e Glyn Elwyn, professor do Dartmouth Institutte, que pertence ao Instituto Dartmouth para Política de Saúde e Prática Clínica, nos Estados Unidos.

Para o médico Ubirajara Ferreira, da Unicamp, e um dos principais pesquisadores do estudo PROSPER no Brasil, foi um momento raro para o encontro de especialistas na área em torno de um estudo que aponta caminhos para a melhora na qualidade de vida do paciente. "É sempre importante essa troca de experiências para avançarmos no tratamento do câncer de próstata", ressaltou.

Por meio de entrevista, o uro-oconlogista, Neal Shore, com passagens também pelo Cornell Medical Center/The New York Hospital e integrante da Sociedade Norte-americana de Oncologia Clínica e da Associação Norte-americana de Urologia, destacou a importância da relação entre médico e paciente.

O Sr. já esteve várias vezes no Brasil. Há alguma diferença na forma como o paciente de câncer reage à notícia de que está com câncer de próstata aqui no Brasil, em relação aos seus pacientes nos Estados Unidos?

Dr. Neal Shore (NS): Não, é sempre perturbador, independentemente do histórico e cultura do paciente. O importante é que o médico explique com máxima clareza, ao paciente, a agressividade biológica do seu câncer de próstata; quais tratamentos estão disponíveis para ele e como eles pode afetar sua sobrevivência, qualidade de vida, e o perfil de risco terapêutico.

O Sr. está dizendo então que é muito importante dialogar com o paciente para encaminhá-lo ao tratamento?

NS: É fundamental explicar claramente todas as opções para o paciente e a sua família. No caso de câncer de próstata, por exemplo, pode ter um grande componente genético, então é preciso ter um histórico familiar detalhado de câncer. Alguns pacientes nem sempre se sentem confortáveis em revelar seus sintomas ou medos do tratamento, daí, a importância da família comparecer as consultas.

Há diferença na aceitação do diagnóstico em função da idade do paciente?

NS: Sim, as gerações mais jovens as vezes se sentem mais confortáveis para fazer perguntas mais detalhadas. Além disso, os parâmetros globais, étnicos, socioeconômicos e de idade influenciam a interação médico-paciente.

O estilo de vida moderno, sobretudo nas grandes cidades, é um convite ao sedentarismo. O Sr. vê alguma relação entre esse modo de vida e o aumento de casos de câncer de próstata?

NS: De maneira geral, não diria que há uma relação direta entre esse cenário e o aumento dos casos. O que temos comprovado no dia a dia é que pacientes com câncer de próstata que tiveram uma vida saudável até ficarem doentes, respondem melhor aos tratamentos. Eles podem melhorar a imunidade e de maneira geral são mais tolerantes à terapias quando seu estado geral de saúde é mantido por exercícios regulares, alimentação saudável, uma boa qualidade de sono e prevenção de stress. De fato, ter um estilo de vida saudável é bom para as pessoas que não estão doentes bem como para aqueles que podem enfrentar algum tipo de tratamento contra o câncer.

Por que o Sr. escolheu ser médico e atuar em uma área tão sensível com a pesquisa em Oncologia?

NS: Meus pais foram meus verdadeiros mentores. Minha mãe era professora primária e depois se tornou diretora de uma escola infantil. Dela, herdei a paixão por educação e pela pesquisa. Meu pai, que era médico de família, cuja consultório fazia parte da minha casa, foi minha referência de profissional. Quando eu fui para a faculdade de Medicina e para a residência, eu trabalhei com muitos cientistas, e isso fez muita diferença pra mim.

O estudo PROSPER

O estudo fase 3 PROSPER envolveu 1.401 pacientes com câncer de próstata resistente à castração (CPRC) não metastático. Os pacientes foram randomizados 2:1 e receberam enzalutamida associada à terapia de privação androgênica (do inglês, ADT) ou placebo associado à ADT (somente ADT). O uso de enzalutamida associada à ADT reduziu significativamente o risco de desenvolvimento de metástases ou morte em comparação com somente ADT. A mediana para o desfecho primário, sobrevida livre de metástase, foi de 36,6 meses para os homens que receberam enzalutamida em comparação com 14,7 meses para os tratados com somente ADT (HR = 0,29 [95% CI: 0,24-0,35]; p <0,001).

O desfecho primário de eficácia foi apoiado por um atraso estatisticamente significativo no tempo para o primeiro uso de nova terapia antineoplásica para pacientes que receberam enzalutamida associada à ADT em comparação com aqueles que receberam somente ADT (mediana: 39,6 meses vs 17,7 meses; HR = 0,21 [ IC 95%: 0,17-0,26], p < 0,001)

O perfil de segurança e tolerabilidade de enzalutamida no estudo PROSPER foi compatível com o perfil encontrado nos estudos anteriores com a população de pacientes com CPRC metastático.

Sobre câncer de próstata

O câncer de próstata é o segundo câncer mais comum em homens em todo o mundo2. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que em 2018 o número de novos casos de câncer de próstata no Brasil é de 68.220, com uma taxa de incidência ajustada de 66,82 por 100.000 homens.

O CPRC refere-se ao subgrupo de homens no qual a doença progride apesar dos níveis de testosterona de castração (isto é, menos de 50 ng/dL)3. O CPRC não metastático refere-se à ausência de evidência clinicamente detectável de disseminação do câncer para outras partes do corpo (metástases), quando há um nível crescente do antígeno prostático específico (PSA)4. Muitos homens com CPRC não metastático e um nível de PSA rapidamente crescente desenvolvem CPRC metastático.

Material encaminhado pela Assessoria.

Tags:

Câncer
Próstata
Urologista

voltar