Sexta-Feira, 20 de abril de 2018

Postado às 03h30 | 15 Abr 2018 | 2018 desenhará a de 2020

Crédito da foto: Reprodução Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos

(*) João Paulo Jales dos Santos

Nesse 1 ano e 2 meses de presidência de Donald Trump, fica até complicado enumerar todas as barbaridades cometidas pelo líder da nação imperialista do capitalismo mundial. É de corar qualquer cidadão americano minimamente sensato as atitudes tomadas e ideias proferidas por Trump. Se com Ronald Reagan e George W Bush as atrocidades sociais eram decididas a base da suavidade conservadora para despistar os americanos do que de fato pretendiam, com Trump a suavidade conservadora deu lugar a truculência reacionária tão presente desde a fundação dos Estados Unidos.

O atual inquilino da Casa Branca é um sujeito tão vil e baixo, que faz questionar toda a noção de racionalidade e civilidade que os Estados Unidos ao longo de décadas propagandeou para o mundo como sendo seu espírito de ideário de nação dos valores do liberalismo político. Se Reagan e Bush forçavam o estilo conservador moderado, Trump eleva para o cenário mundial o jeito truculento e bruto do americano que habita o que se convencionou chamar de ‘middle america’, aquele Estados Unidos rural e suburbano pulsante de um conservadorismo de natureza medieval.

Moderação e tolerância, valores tão caros a uma democracia liberal, não se fazem presentes na agenda do presidente americano. Dividir, incendiar, polarizar, sempre na busca pelo ódio vicejante da América puritana, esse é o objetivo de Trump. No entanto se uma postura como essa já seria complicada socialmente na era Reagan, o que dirá então nessa segunda década do século XXI.

Nesse 2018, como ocorre em todo meio de período de mandato presidencial, haverá eleições gerais nos Estados Unidos. Eleições federal e estaduais, para escolha de senadores, deputados, governadores, e uma variedade de cargos estaduais e municipais. A atenção da mídia em eleição de meio período presidencial tem como foco maior as disputas para o Congresso Federal, o Senado e a Câmara dos Representantes.

Historicamente este tipo de eleição causa prejuízos eleitorais na coalização que o presidente detém nas duas casas legislativas. E no caso de Donald Trump há um elemento a mais para preocupar os líderes republicanos. A correlação entre nível de aprovação do presidente e resultados eleitorais é uma mensuração de suma importância para se prever o resultado eleitoral. Se mesmo presidentes que detinham níveis de aprovação positivos tiveram substanciais perdas em suas maiorias no Senado e Câmara, o que dirá de Trump, que ostenta um déficit de dois dígitos em sua classificação de aprovação.

Os números que o presidente exibe são um dos mais baixos nesse estágio de mandato presidencial na história política americana. Tomando como base a média do site Real Clear Politics, Trump tem um déficit de cerca de 12% de desaprovação perante a opinião pública do modo como esta avalia seu trabalho na presidência.

Analistas e acadêmicos de política apontam em prol dos democratas o que no jargão político americano se chama de ‘onda’, termo que significa uma vitória avassaladora em ganhos de assentos em prol de um partido para este obter maioria em uma ou nas duas casas do Congresso do país. A favor dos democratas está o histórico que eleições como essas causam contra o presidente, além do baixo índice de aprovação de Trump, a isso soma-se a liderança democrata no voto genérico para o Congresso, ou seja, medição de pesquisas que mensuram em que partido a população tem preferência em votar.

O indicador do voto genérico assinala uma forte correlação do desempenho eleitoral de um partido, a média do Real Clear Politics dá uma liderança de 7,5% dos democratas sobre os republicanos. Número aproximado em voto nacional que pode assegurar o ganho de 24 cadeiras que os democratas tem que obter para conseguir a maioria na Câmara dos Representantes, comparando-se com a quantidade de assentos que o partido tem hoje na casa legislativa

. Estará em jogo na disputa todas as 435 vagas da Câmara dos Representantes. Ainda há outro importante indicador que conta a favor dos democratas, os ganhos líquidos que os candidatos do partido obtiveram nas eleições especiais para preencher vagas de deputados que precisaram se ausentar de seus mandatos. Muitas destas eleições foram disputadas em distritos fortemente republicanos, onde os democratas em quase todas as corridas viram seus votos crescerem substancialmente no comparativo entre a eleição em voga e a última disputada.

E a vitória nesses bastiões conservadores que os democratas tanto ansiavam veio na competição da última eleição, ocorrida no 18º distrito do estado da Pensilvânia, uma área fortemente republicana, e onde o candidato democrata, Conor Lamb, venceu o republicano, Rick Saccone. Foi uma vitória apertada, de apenas 0,3%, mas que é um importante indicador de como os democratas podem conseguir vitórias em zonas rurais de fortaleza republicana.

 No Senado, dos 100 assentos, 35 até o momento estarão em disputa, onde destes 26 são ocupados por democratas, e 9 por republicanos. Aqui há visivelmente uma situação mais complicada para os democratas, além de estar em jogo cerca de 3/4 dos assentos que são ocupados por senadores do partido, em 10 destes 26 estados, Trump venceu Hillary Clinton em 2016. No entanto, um alento para os democratas reside nas tendências já apontadas anteriormente que indicam favorecimento ao partido, e um olhar atento para a corrida do Senado no Alabama em dezembro de 2017 é um bom sintoma para os candidatos democratas.

Em um estado solidamente republicano, de viés conservador-reacionário, o candidato democrata, Doug Jones, derrotou seu oponente republicano, fazendo com que após 25 anos o partido retomasse uma cadeira senatorial neste estado localizado no sul profundo do país.

As eleições de 2018 requer atenção, é a partir deste ciclo político-eleitoral que começará a se desenhar a eleição de 2020 para à Presidência. A depender do triunfo democrata, e de que força ideológica do partido sairá vencedora das urnas, se a progressista, de esquerda, ou a moderada, de centro, haverá melhor nitidez para que campo político tenderá a caminhar a base do partido para a escolha do candidato presidencial em 2020. Já para os republicanos, os diagnósticos apontam para um cenário nada favorável.

Mesmo que a sigla consiga uma performance mediana ou boa nas urnas, os solavancos internos não cessarão. Se concretizando uma vitória democrata, o caos ganhará contornos ainda mais angustiantes para a escolha do candidato do partido à Casa Branca em 2020. Com ganho ou perda neste período eleitoral de 2018, os republicanos continuarão em autofagia. Desde já, a disputa da candidatura presidencial do partido para a eleição de novembro de 2020 começa a ganhar contornos para uma luta ainda mais sangrenta do que a presenciada em 2016.

(*) João Paulo Jales dos Santos - Estudante do curso de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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