Sexta-Feira, 14 de dezembro de 2018

Postado às 09h15 | 10 Out 2018 | Coluna César Santos - 10 de outubro

Crédito da foto: Reprodução Tião recebeu menos de 9 mil votos em Mossoró

LEITURA DAS URNAS II

Para analisar o fracasso dos empresários Tião-Jorge do Rosário (PR) nas eleições deste ano, a coluna faz viagem ao túnel do tempo para resgatar o comentário feito neste espaço em 6 de outubro de 2016, três dias após as eleições daquele ano, quando a dupla experimentou ascensão política e projeção. Leia:

"O que esperar de Tião daqui para frente? Será político ou voltará exclusivamente para o universo empresarial? Não é possível, agora, fazer previsão. Ninguém sabe o que pode sair de sua cabeça. Imprevisível. Tião pode tomar qualquer decisão, de acordo com o desejo de momento.

Ele pensa assim, por entender que o dinheiro pode tudo. A sua candidatura a prefeito surgiu de uma brincadeira em mesa de bar com os amigos da construção civil. Ele disse que seria candidato; os amigos duvidaram; ele apostou que cumpriria a palavra.

Tião foi candidato dele mesmo. Não recebeu convocação de ninguém, de nenhum segmento da cidade. Decisão mais ou menos assim: “Eu tenho dinheiro e vou ser candidato.” Ponto final.

Depois daí, ganhou motivação. Visto como milionário e disposto a gastar, logo atraiu interessados de tudo quanto era canto. Todos de olho na sua conta bancária. E muitos faturaram bem; alguns garantiram a receita do ano. Uma fartura.

De origem humilde, desconhecido do “high society” e da massa gente, a campanha eleitoral ofereceu a oportunidade do abraço, do aperto de mão, do sorriso desconhecido e dos gritinhos histéricos dos fãs de ocasião. Tudo que ele nunca teve. Não era sincero; era pelo dinheiro, mas fez bem ao ego.

A sua campanha, apesar da ostentação, tinha dificuldade de sair do canto, por deficiências profundas de conteúdo. Ele não conseguiu transmitir confiança ao cidadão, por suas próprias limitações. Discurso desconexo, não juntava coisa com nada, sofrível.

Isso não diminui em nada a sua competência comprovada de empresário. É um ganhador de dinheiro, que nasceu pobre e ficou milionário. Palmas. Daí para a gestão pública, porém, tem uma distância. Aliás, distância que ele não conseguiu estreitar junto ao eleitor.

A campanha de Tião entrou setembro sem saber o que era dois dígitos. O sopro só veio com a desistência do prefeito Silveira, negociado no “pacto político e jurídico” denunciado em áudios pela primeira-dama Amélia.

Daí, confronto estabelecido: Tião x Rosalba Ciarlini (PP). Com uma observação: não tinha mais tempo para alterar a opção da maioria, nem mesmo com o forte poderio econômico e a máquina pública. Todos sabiam que Rosalba seria eleita, como de fato foi, menos ele, Tião, porque os que estavam do seu lado, para manter a torneira aberta, o iludiram, dizendo que era possível. Não era. Se tivesse tido um amigo de verdade, teria ouvido o conselho: "Ê Tião, gaste mais o seu dinheiro não."

De positivo, os mais de 51 mil votos. Senha para se tornar o nome da oposição. Resta saber se ele terá essa capacidade e se terá respaldo dos liderados quando fechar o duto."

Pois bem.

Dois anos depois, o fiasco. Ele não teve a capacidade para se estabelecer. Tião tomou decisões equivocadas, como ser vice do desgastado governador Robinson Faria (PSD), e virou "meme" ao mudar de projeto como se troca de camisa. Primeiro, seria candidato a governador, depois a senador, em seguida a deputado federal, e acabou se tornando o pires da xícara de Robinson.

A sua votação em Mossoró, acanhados 8.996 votos, foi pior do que a de Breno Queiroga, que teve 11.810 votos. De quebra, Tião puxou para baixo o amigo Jorge Rosário, que ficou em terceiro em Mossoró, com 12.017 votos, e apenas o 29º no estado.

O duto fechou. Tião vai precisar de outras formas para sobreviver até 2020. Se possível.

 

FRASE

"Não vou desistir de Mossoró. Conto com vocês na próxima, e Tião será novamente político."

TIÃO DA PREST – Em vídeo, depois do fiasco nas urnas.

 

FALHOU

 O deputado federal Beto Rosado (PP) teve o apoio de 14 dos 21 vereadores de Mossoró. Teve apenas 16.241 votos na cidade, o que colaborou para a sua não reeleição. E a deputada estadual Larissa Rosado (PSDB), que também não se reelegeu, teve apoio de oito vereadores. Sua votação em Mossoró caiu de 24.585 em 2014 para 17.753. Ambos apoiados pela prefeita Rosalba (PP).

 

CONTA NOS DEDOS

 Cinco municípios desejaram a reeleição do governador Robinson Faria (PSD). Ele foi o mais votado em Monte Alegre, Taboleiro Grande, Espírito Santo, Cruzeta e Ruy Barbosa. O resto do Rio Grande do Norte disse "não". Ele terminou em terceiro com menos de 12% dos votos válidos. Robinson ainda não decidiu o seu apoio no segundo turno, nem foi procurado para isso.

 

TABU

 Há 24 anos um vereador de Mossoró não era eleito à Assembleia Legislativa. O último havia sido Francisco José, nas eleições de 1994. O tabu foi quebrado no domingo, 7, com a eleição da vereadora de primeiro mandato Isolda Dantas (PT), que obteve 32.963 votos.

 

2020 ESTÁ BEM AÍ

 O Solidariedade vai direcionar um olhar especial para a Prefeitura de Mossoró, empolgado com a eleição de Alysson Bezerra à Assembleia Legislativa. É o nome que será trabalhado à sucessão municipal. Alysson foi o segundo mais votado na cidade, com 13.095 votos

 

SEGUE

 De quebra, o Solidariedade viu Lawrence Amorim receber 10.153 votos dos mossoroenses para a Câmara dos Deputados. Ele ficou na primeira suplência, atrás apenas do General Girão (PSL). Lawrence, que foi prefeito de Almino Afonso, passa a ser nome de Mossoró.

 

VERDE-OLIVA

 Os militares saíram vitoriosos das urnas no RN com a eleição de um senador, o capitão Styvenson (745.827 votos); um deputado federal, general Girão (81.640); e um deputado estadual, coronel Azevedo (27.606 votos).

 

 É NOTÍCIA

1 - O capitão Styvenson (Rede) decidiu que não apoiará nenhum candidato no segundo turno das eleições. Recado dado aos 745.827 potiguares que o elegeram senador da República.

2 - O governador Robinson Faria (PSD) recebeu uma boa notícia depois do fiasco nas urnas. O filho deputado Fábio Faria (PSD) lhe dará mais um neto. O terceiro filho com Patrícia Abravanel foi anunciado pelo casal nesta terça-feira, 9.

3 - Será inaugurado hoje no Hospital Maternidade Almeida Castro o Centro de Referência e Atendimento para Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Sexual. Solenidade às 10h.

4 - Fátima Bezerra (PT) venceu em 149 municípios no primeiro turno, enquanto o seu adversário, Carlos Eduardo (PDT), venceu em 13. Números e pesos colocados na balança do segundo turno.

5 - Um olhar atento à sucessão presidencial, é possível vê o risco de ditadura, seja de esquerda ou de direita. E qualquer retrocesso é um tiro de morte no país verde e amarelo.

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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