Quinta-Feira, 13 de dezembro de 2018

Postado às 08h30 | 04 Dez 2018 | Coluna César Santos - 4 de dezembro

Crédito da foto: Reprodução Petrobras não tem mais interesse nos campos de petróleo da região de Mossoró

MOSSORÓ DEVE VIRAR A PÁGINA

O economista Elviro Rebouças está certo quando afirma que a Petrobras é uma página virada da história de Mossoró. Os números, por ele apresentados na entrevista ao “Cafezinho com César Santos”, confirmam o fim de um ciclo virtuoso para a economia local e regional e que refletem diretamente na vida das pessoas.

“Nós tivemos aqui, no passado, um contingente de três mil pessoas trabalhando indiretamente para a Petrobras; hoje, devemos ter 300 pessoas. Tivemos 800 empregados da própria Petrobras, como geólogos, engenheiros, superintendentes, advogados, pessoas de alto nível de renda até o chamado peão, que trabalham diretamente na perscrutação do petróleo. Isso diminuiu consideravelmente. Talvez, hoje a Petrobras tenha 200 funcionários trabalhando em Mossoró”, afirmou.

“A perda desses salários causou um buraco muito grande na economia local. Perdemos três mil pessoas empregadas, 150 empresas de grande, médio e pequeno porte que se desinteressaram, abdicaram de seus contratos e foram embora. Esses salários eram investidos na habitação, na alimentação, no lazer, enfim, ganhavam todos os setores da economia. A cidade teve um debacle considerável. Veja, por exemplo, por onde você passa na cidade tem uma casa ou apartamento com placa de vende-se ou aluga-se, sinal que houve uma exclusão de um quadro econômico representativo para a nossa economia”, apontou.

O desinteresse da Petrobras está refletido nas 34 concessões à iniciativa privada, no polo de Riacho da Forquilha, onde no passado recente a estatal extraía riqueza do solo e revertia, em parte, na forma de emprego e renda, cumprindo um papel importante no desenvolvimento socioeconômico da região de Mossoró. A Petrobras se volta agora para a chamada região do pré-sal, do Espírito a São Paulo, para onde vão os seus investimentos. Isso é irreversível.

Isso não significa, porém, que a saída da Petrobras condenará Mossoró à miséria. Nada disso. Elviro lembra que a cidade já passou pelos ciclos econômicos do algodão (devastado pela praga do bicudo), da cera de carnaúba, da oiticica e até das peles de animais. Agora, surge a educação em terceiro grau.

São seis universidades atraindo estudantes da Bahia ao Maranhão. São três cursos de Medicina a partir de 2019, com autorização dada agora pelo Ministério da Educação à Facene. Tem a UnP, a Diocesana, a Unirb (ex-Mater Christi) e duas universidades públicas (Uern e Ufersa) que recebem estudantes de todo o país.

“É um polo educacional de terceiro grau que me parece ser o mais importante do Nordeste e do Brasil para cidades do porte de Mossoró. Isso está trazendo para cá técnicos, professores e alunos de diversos estados, o que fortalece o setor econômico e que, certamente, preencherá a lacuna aberta pela saída da Petrobras", avaliou Elviro Rebouças.

 

FRASE

"A Petrobras faz parte do passado da história de Mossoró."

ELVIRO REBOUÇAS – Economista a presidente da Previ Mossoró.

 

SORRISO

 A nova edição da Operação Sorriso acontecerá em Mossoró no primeiro mês de 2019, entre os dias 14 e 19 de janeiro. O mutirão de profissionais de várias partes do mundo vai atender pessoas que têm o lábio leporino ou fenda palatina e que não podem arcar com as despesas. As pessoas interessadas já podem fazer o cadastro ou procurar informações no PAM do Bom Jardim.

 

CAIXA

 O Programa de Desligamento de Empregado (PDE) da Caixa Econômica Federal superou 1,6 mil adesões. A estimativa de economia gerada com o programa é de R$ 314 milhões ao ano. O desligamento ocorrerá por meio de rescisão do contrato de trabalho a pedido, dispensando-se o cumprimento de aviso prévio. O PDE visa promover ajuste na Caixa diante do cenário econômico atual.

 

O ALVO

 O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) está na mira de um "fantasma". Explica-se: o general Sérgio Etchegoyen, atual chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que o capitão sofreu novas ameaças, mas não revela nome, nem detalhes. Quem quer matar o presidente?

 

NEM AÍ

 É uma ilusão achar que o governo Robinson Faria (PSD) vai destinar R$ 243 milhões para o custeio da Secretaria de Saúde em menos de um mês para o seu fim. Ele não cumprirá os 12% do orçamento da saúde pública, como previsto em lei. Nem tem medo de punição.

 

NOME CERTO

 O deputado não reeleito Rogério Marinho (PSDB) vai ocupar o cargo de secretário adjunto na Secretaria de Trabalho e Previdência, que ficará subordinada ao superministério da Economia. Marinho é nome de preferência de Paulo Guedes, em reconhecimento à relatoria da reforma trabalhista.

 

DEFINIDO

 O governo Bolsonaro terá 22 ministérios incluindo Banco Central (BC) e Advocacia-Geral da União (AGU). Número definitivo. Atualmente a Esplanada dos Ministérios tem 39 pastas.

 

 É NOTÍCIA

1 - O mercado financeiro reduziu de 3,94% para 3,89% a previsão de inflação para 2018. Para 2019, a projeção da inflação passou de 4,12% para 4,11%. A meta de inflação para o ano é de 4,5%.

2 - A primeira noite de novena de Santa Luzia, hoje, vai debater o tema "A paz não se acha, há que construí-la. O cristão é um artesão da paz". Após a novena, tem a primeira apresentação do Oratório de Santa Luzia, às 20h, no adro da Catedral.

3 - A promotora aposentada Armeli Branand será a futura secretária de Mulheres, Cidadania e Direitos Humanos. Nome confirmado nesta segunda-feira, 3, pela governadora eleita Fátima Bezerra.

4 - A Avenida Dix-sept Rosado recebe parte da promoção social da Festa de Luzia. Vários barzinhos e o palco principal com shows de cantores, cantoras e bandas convidadas. Confira!

5 - O segundo volume da biografia de Jô Soares promete mexer com o universo da política e seus personagens. A publicação faz revelações sobre Maluf, Figueiredo, FHC e João Dória.

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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