Sábado, 23 de março de 2019

Postado às 11h45 | 12 Jan 2019 | Coluna César Santos - 12 de janeiro

Crédito da foto: Reprodução Gleisi Hoffmann com o ditador Nicolás Maduro, na Venezuela

PT, GLEISI E MADURO

O PT boicotou a posse do presidente do Brasil Jair Bolsonaro (PSL) por não reconhecer a legitimidade de sua eleição. Alegou, entre outras coisas, que houve “manipulação criminosa” das redes sociais para difusão de notícias falsas contra o seu candidato Fernando Haddad e a proibição da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está cumprindo pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Não compactuamos com discursos e ações que estimulam o ódio, a intolerância e a discriminação. E não aceitamos que tais práticas sejam naturalizadas como instrumento da disputa política. Por tudo isso, as bancadas do PT não estarão presentes à cerimônia de posse do novo presidente no Congresso Nacional”, disse a nota, emitida três dias antes do capitão verde oliva receber a faixa presidencial.

O PT, porém, não teve vergonha, nem um mínimo de pudor político, quando decidiu aceitar o convite para participar da cerimônia de posse de Nicolás Maduro, na Venezuela, que foi reeleito no ano passado, em eleição turbulenta, suspeita de fraude e marcada pela maior abstenção da história do país.

Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, por imposição de Lula, estava lá para abraçar Maduro. Ignorou tudo de ruim que o venezuelano tem feito a seu povo, imprimindo um regime ditatorial que, inclusive, atropelou toda e qualquer ordem legal do pleito que o manteve no poder por mais seis anos.

Se o PT diz que a eleição de Bolsonaro no Brasil foi ilegítima, por outro lado, entende como correta, justa e democrática a reeleição de Maduro. Na disputa venezuelana, líderes da oposição foram impedidos de se candidatar e a Mesa da Unidade Democrática (MUD) decidiu boicotar o processo eleitoral.

O Brasil é um dos países que não reconhece a legitimidade do segundo mandato do presidente venezuelano. A Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual o Brasil faz parte, aprovou uma resolução que não reconhece o mandato de Maduro. Dos países membros da organização, 19 foram a favor da declaração, 6 foram contra, 8 se abstiveram e houve uma ausência.

A presença de Gleisi na posse de Maduro foi questionada até por setores da esquerda brasileira, inclusive pelo correligionário, o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT). Ele disse que a ida de Gleisi para a Venezuela “não ajuda na reconstrução da imagem do partido.”

A crítica mais incisiva na esquerda partiu de Luciana Genro (Psol), filha de Tarso. No Twitter, a deputada estadual eleita pelo Rio Grande do Sul afirmou que Gleisi ajuda “aqueles que querem liquidar a esquerda”, ressaltando, porém, que apenas uma “esquerda mofada” apoia Maduro no cenário atual.

Gleisi Hoffmann, que responde a processos na Operação Lava Jato, considera que fez o certo ao ir à posse do companheiro venezuelano. Em seu endereço nas redes sociais, ela justificou:

"Nenhuma surpresa as críticas dos que ignoram as razões por eu ter aceitado o convite para a posse na Venezuela. Deixar de ir seria covardia, concessão à direita. A esquerda pode ter críticas ao governo Maduro, mas o destino da Venezuela está nas mãos do seu povo e de mais ninguém."

Nesse caso, quando diz que o destino da Venezuela está nas mãos do seu povo, a petista ignora completamente o regime de exceção imposto aos venezuelanos; um povo que passa fome e que foge para outros países em busca de melhores dias.

A postura de Gleisi representa a postura do PT ou do seu dono. Ela foi porque Lula mandou ir. Pouco interessa o que os brasileiros vão achar. Por isso, o partido foi eliminado nas urnas em 2018.

O mais grave é que a turma do Lula ainda não se deu conta de que o ambiente é outro.

 

FRASE

"Apenas uma “esquerda mofada” apoia Maduro no cenário atual."

LUCIANA GENRO – Deputada estadual do RS filiada ao Psol, criticando a ida do PT para a posse do ditador Maduro.

 

DÍVIDA

 A secretária municipal de Saúde, Saudade Azevedo, apresenta a conta de público: o Estado deve R$ 16 milhões de repasses para serviços de saúde. Contrapartidas obrigatórias que não são feitas desde 2010. Esses recursos seriam aplicados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Samu e Farmácia Básica. O Município vai bater à porte do Estado para cobrar a dívida.

 

MÓVEIS LISBOA

 Vai cair uma grana de R$ 2,5 milhões nos cofres do Estado nos próximos dias, referentes a venda de um terreno na Avenida Hermes da Fonseca, em Natal. O imóvel foi arrematado em 2018 em nome de Patrícia Soares de Lima, com CNPJ da Móveis Lisboa. O dinheiro chegou em boa hora. A governadora Fátima Bezerra (PT) cata moedas para pagar salários dos servidores públicos.

 

VÁ ENTENDER

 A inflação de 2018 foi de 3,75%, dentro da meta estabelecida pelo Banco Central (entre 3% e 6%). Em 2017, a inflação foi ainda menor, 2,95%. A soma dos dois anos do governo Temer foi de 6,70%. Bem abaixo dos cerca de 13% do último ano da gestão Dilma. Mesmo assim, Temer saiu do poder satanizado pelos brasileiros.

 

CAFEZINHO

 O deputado estadual Alysson Bezerra (SDD) é o entrevistado deste domingo do "Cafezinho com César Santos". Ele responde se será candidato à Prefeitura de Mossoró em 2020. Confira na edição deste domingo, 13.

 

FAZ SENTIDO

 A presidente Izabel Montenegro (MDB) diz que a exoneração de cargos indicados por vereadores, que agora são seus inimigos, está dentro do processo natural da política. "Governa-se com aliados. Nenhum governo mantém adversários em cargos políticos", justifica. Ela não é diferente dos outros.

 

E MAIS

 Izabel afirma que os cargos na Câmara de Mossoró, objetos de exoneração nos últimos dias, são de livre nomeação da presidência. A canetada atingiu indicados de Sandra Rosado, Zé Peixeiro, Didi de Arnor, Arlene Couto e João Gentil.

 

 É NOTÍCIA

1 - O residencial Monsenhor Américo Simonetti completa sete anos hoje. O primeiro conjunto do "Minha Casa, Minha Vida" construído em Mossoró, com mais de 800 casas.

2 - Há 17 anos, um incêndio destruía boa parte do casarão onde residia dona Odete de Góis Rosado, viúva de Dix-neuf Rosado. Casarão histórico que ficou conhecido como "Catetinho", por ter hospedado o presidente Vargas em setembro de 1933.

3 - Mais 15 bandidos que colocaram fogo no Ceará foram transferidos para o presídio federal de Mossoró. Já são 35 deles "guardados" em solo mossoroense. Daqui a pouco vem mais.

4 - Tibau Folia segue hoje com Márcia Felipe e Tuca Fernandes nas ruas de Tibau na Arena Verão. E neste domingo, 13, a arena kids receberá o MC Bruninho. O município praia está lotadinho.

5 - A médica cearense Maria Clara se apresenta à Secretaria de Saúde de Mossoró para ocupar vaga do Mais Médico. Já está trabalhando. E assim a cidade preenche as 14 vagas do programa.

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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