Sexta-Feira, 26 de abril de 2019

Postado às 09h15 | 21 Mar 2019 | Requerimento é aprovado para sindicato prestar conta de recursos

Crédito da foto: Reprodução Título de persona non grata para Marleide Cunha foi assinado por vereadores situacionistas

A iniciativa do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM) de espalhar outdoors na cidade chamando a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e 13 vereadores de “traidores” e partir para o confronto com os edis em sessão em que foi aprovado o reajuste salarial dos servidores públicos teve reação dentro da Câmara Municipal. Os vereadores decidiram contra-atacar em duas frentes: cobraram da entidade transparência na aplicação do dinheiro público, que recebe em forma de contribuição sindical; e aprovaram título de persona non grata à sindicalista Marleide Cunha, presidente do sindicato.

Na sessão desta quarta-feira, 20, os vereadores aprovaram requerimento para que a direção do Sindiserpum apresente a prestação de contas. O mesmo pedido será feito através do Ministério Público Estadual. Os vereadores vão provocar o MPRN, caso o sindicato não acate a convocação feita pela Câmara.

A princípio, os vereadores defendem que a movimentação financeira do Sindiserpum seja aberta à população, por se tratar de dinheiro público. Os vereadores desconfiam que a entidade tem uma receita de mais de R$ 1 milhão/ano só com a contribuição sindical. Há um grupo de vereadores que defende a abertura de uma comissão especial de inquérito (CEI) para investir a aplicação dos recursos, caso o sindicato não esclareça pontos que eles julgarem suspeitos.

A queda-de-braço entre a Câmara Municipal e o Sindiserpum é consequência da iniciativa da direção do sindicato de espalhar outdoors pela cidade chamando de “traidores” os 13 vereadores que aprovaram o projeto de reajuste salarial dos servidores. Houve reação desde o primeiro momento. “Isso é um absurdo. Usar dinheiro público para denegrir imagem de pessoas”, reagiu o vereador Flávio Tácito (PPL).

Para Flávio Tácito, a Câmara Municipal, ao aprovar o reajuste salarial, teve a responsabilidade de entender as condições financeiras da Prefeitura, sugerindo que o reajuste concedido está dentro das possibilidades do Município. “Mossoró é uma das poucas cidades do estado que aprovou reajuste de salário dos servidores, diante da grave crise financeira que passa o país; e vem o sindicato com fins políticos e eleitorais tentar denegrir a nossa imagem”, desabafou.

A Prefeitura concedeu reajuste (linear) de 3,47%. Segundo a prefeita Rosalba Ciarlini (PP), o impacto dos novos valores salarial será de R$ 12 milhões ao ano. Um dos pontos destacados pela gestão municipal é o novo piso do magistério municipal que fica acima do piso nacional e estadual. Para jornada de 40 horas semanais, o piso do professor será de R$ 3.411,61 (valor inicial), quase R$ 1 mil acima do piso nacional, que é de R$ 2.557,00. Isso significa uma diferença de mais de 38%.

Mesmo diante desses números, o Sindiserpum está comandando uma greve dos professores, deflagrada antes mesmo da aprovação do reajuste salarial. Além disso, a entidade decidiu bancar uma campanha contra os vereadores, que provocou a reação da Câmara Municipal.

Câmara aprova título de persona non grata à presidente do Sindiserpum

A bancada de situação na Câmara Municipal de Mossoró apresentou requerimento intitulando a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SINDISERPUM), Marleide Cunha Matias, de persona non grata (alguém não bem-vindo, ou a quem se fazem restrições). O documento foi subscrito pelos vereadores que se sentiram agredidos por dirigentes e militantes sindicais, representados por Marleide.

Antes do título de persona non grata, a bancada se posicionou contra a aprovação de honraria em favor da sindicalista, proposta pelo vereador Gilberto Diógenes (PT), companheiro de Marleide no Sindiserpum.

Segundo os vereadores, o título de persona non grata não é por causa da greve dos professores, comandada pelo Sindiserpum, nem por outdoors que o sindicato espalhou pela cidade. O título é uma reação, segundo eles, à agressão sofrida na sessão da Câmara que aprovou o reajuste salarial dos servidores municipais. A bancada acusa os manifestantes do sindicato de injúria, difamação e ofensiva.

Segundo a bancada, a vereadora Aline Couto (sem partido) foi chamada de “negra” de forma pejorativa; o vereador Didi de Arnor (PRB) chamado de “analfabeto”, além de gritos de “canalhas”, “ladrões”, “traidores”.

O depoimento mais forte é do vereador Tony Cabelos (PSD). Segundo relatos, a sua filha autista sofreu agressão porque o pai votou o reajuste salarial. Tony Cabelos chegou a chorar no plenário da Câmara Municipal.

Como Marleide Cunha responde pelo sindicato, na condição de presidente, o título de persona non grata se justifica, na opinião da maioria da Câmara Municipal de Mossoró.

A bancada situacionista deixa claro que não vai mais tolerar qualquer tipo de agressão e está disposta a enfrentar o que os vereadores rotulam de “ofensiva do Sindiserpum”.

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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