Domingo, 26 de maio de 2019

Postado às 08h30 | 10 Mai 2019 | Coluna César Santos - 10 de maio

Crédito da foto: Ilustração Tributo à humanidade

CENSURA À LEITURA CRÍTICA

O jornalista e professor titular da USP, Gaudêncio Torquato criva que a história se repete, ao traçar um paralelo entre a intenção do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de cortar investimentos em cursos de filosofia e sociologia e a reforma do ensino médio que o ex-presidente Médici quis fazer em 1970.

Torquato lembrou que depois de 60 dias, um grupo criado pelo general Médici apresentou um projeto para acabar com o “ensino verbalístico, propedêutico e academizante”, substituindo-o por uma formação técnico-profissional capaz de preparar o jovem para ingressar no mercado de trabalho.

Ele segue: “O Brasil vivia o ‘milagre econômico’. O que o regime militar pretendia era reduzir a demanda por vagas no ensino superior, formar profissionais para atender supostas necessidades do mercado e eliminar o debate ideológico nas academias. Hoje, essa intenção volta à tona com a reiterada intenção do governo Bolsonaro de limpar a Universidade pública do ‘marxismo cultural’, conforme prega o grupo que deseja contrapor sua visão ideológica à ‘doutrinação de esquerda’ no ambiente acadêmico.

O espaço que o governo escolhe para fazer sua “revolução” é o de Ciências Humanas, mais especificamente os cursos de filosofia e sociologia, aos quais procura atribuir insignificância. Para Bolsonaro, o que o Brasil precisa é de engenheiros, médicos, dentistas, agrônomos, enfim, profissionais de ciências exatas e biomédicas. Pensadores, que se transformam em debatedores, contestadores, pessoas de intenção crítica, essas, nem pensar. Fogo neles.

O fato é que ontem como hoje, governos com algum traço militarista se mostram profundamente contrariados com o questionamento que sofrem, principalmente de vertentes fincadas na Universidade pública. (A propósito, não são os militares da estrutura governamental quem defende a “limpeza” no espaço acadêmico. Os integrantes das Forças Armadas, reformados, que estão na administração, sinalizam interesses centrados no desenvolvimento nacional).

A pregação de Bolsonaro mais se assemelha a uma toada de refrãos. Até porque os cursos de filosofia e sociologia representam menos de 2% do total de alunos de graduação das federais, ou seja, 25.904 de um total de 1.283.431 alunos. E na pós-graduação, essa percentagem é de 2,5% do total de programas de mestrado e doutorado. Somente 1,4% dos gastos do CNPq, agência federal de fomento à pesquisa, são direcionados às ciências sociais.

Dito isto, cheguemos ao cerne da intenção do presidente e seu entorno conservador. Trata-se de querer jogar fora do baralho educacional as cartas que propiciam leitura crítica da realidade brasileira. Não se quer dizer que esta leitura não possa ser feita por outras áreas do conhecimento. Mas é na filosofia e na sociologia, dois eixos das ciências humanas, que os cidadãos encontram os fundamentos para explicar a própria história da Humanidade.

Atirar contra a filosofia e a sociologia é querer excluir da aprendizagem clássicos do pensamento, dentre eles Sócrates, Platão, Aristóteles, Tales de Mileto, Pitágoras, Xenófanes, Heráclito, Diógenes, Demócrito, Arquimedes, Ptolomeu, Sêneca, Cícero, Tomás de Aquino, para citar alguns entre os mais antigos; ou ainda Erasmo, Maquiavel, Bacon, Newton, Galileu Galilei, Thomas Hobbes, Pascal, Spinoza, John Locke, Montesquieu, Voltaire, Rousseau, Kant, Schopenhauer, Comte, Stuart Mill, Marx, Bertrand Russel, Marcuse, Heideger, Sartre, Bobbio, Camus, Foucault, Harbermas, Baudillard, Castoriadis, entre tantos outros. Sem deixar de lado esses três: Marx, Durkheim e Max Weber. (Quem se habilita a inserir na lista Olavo de Carvalho?)

Queimar o pensamento de figuras dessa estatura é apequenar a História do Homem em seu habitat. Inseri-los ao estudo é prestar um tributo à Humanidade."

 

FRASE

"Foi uma surpresa desagradável, mas eu me apresento voluntariamente."

MICHEL TEMER – Ex-presidente, que se apresentou à Polícia Federal para cumprir prisão preventiva.

 

TARCÍSIO MAIA

 Foi nesta data, em 1986, na gestão do então governador José Agripino Maia (DEM), que Mossoró ganhou o Hospital Regional Tancredo Neves, depois rebatizado de Tarcísio Maia. Trata-se do maior pronto-socorro do interior do RN, que salva vidas todos os dias, apesar de suas imensas dificuldades. O HRTM foi, sem dúvida, a maior obra do governo Agripino no interior do RN.

 

É GRAVE

 A Clínica de Hemodiálise João Câmara ameaça suspender serviços prestados ao Estado, alegando cinco meses de atraso de pagamento. A dívida supera a casa de R$ 1 milhão. O governo jogou a conta no baú do "restos a pagar" deixado pela gestão passada. Pior para a população que precisa do atendimento. A clínica atende Pau dos Ferros, no Alto Oeste, e Caicó, na região Seridó.

 

SINAL VERMELHO

 Nove assassinatos em nove dias de maio. Uma morte a cada 24 horas. Números de Mossoró, que desafiam a propaganda do combate à criminalidade. Os mossoroenses também estão assustados com a onda de assaltos. Em 12 horas, os bandidos levaram três carros e três motos.

 

ASSOPRA E MORDE

 Em Brasília, no café com o presidente Bolsonaro, a governadora Fátima Bezerra (PT) disse que aceita a reforma da Previdência, mas ''desde que não afete os pobres". Como a reforma alcança os ricos, a governadora admitirá a reforma. De volta ao RN, Fátima desceu a lenha na reforma. O assopra e morde faz parte do show.

 

SAUDADE

 A secretária de Saúde de Mossoró, Saudade Azevedo, confirma que recebeu convites para assumir a pasta de outros Municípios, mas garante que não pretende mudar de endereço. Vai continuar onde está. A competência de Saudade já havia sido atestada na Saúde de Natal.

 

DANADINHOS

 Por que é que a turma do Congresso quer tirar o Coaf do Ministério da Justiça? Resposta simples: se ficar nas mãos do ministro Sérgio Moro, o Coaf funcionará no combate à corrupção.

 

 É NOTÍCIA

1 - Nesta data, em 1992, a revista Veja publicava entrevista bombástica de Pedro Collor, denunciando o esquema PC Farias. Começava, aí, a queda do presidente Fernando Collor de Mello.

2 - Hoje, faz 15 anos da morte de Dona Conchecita Ciarlini, esposa de Clóvis Ciarlini, mãe da prefeita Rosalba Ciarlini, da ex-deputada Ruth Ciarlini, de Rosângela, Rejane, Rosina, Conceição (in memoriam), George e do engenheiro Pedro Ciarlini (in memoriam).

3 - 4 de outubro será o Dia Estadual dos Protetores de Animais. Projeto de autoria do deputado Sandro Pimentel (Psol) foi aprovado na Assembleia Legislativa e segue para sanção do Executivo.

4 - A Assembleia Legislativa também aprovou o “Setembro Dourado” - Campanha Estadual de Conscientização sobre o Câncer Infantojuvenil. De autoria da deputada Cristiane Dantas (SDD).

5 - Um mês após o início da campanha de vacinação contra a gripe, apenas 43,93% dos brasileiros compareceram para tomar a vacina. A campanha vai até o dia 31. Procure uma UBS em Mossoró.

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César Santos
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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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