Quinta-Feira, 20 de junho de 2019

Postado às 11h45 | 02 Jun 2019 | Redação Companhia Lume da Fogueira promete retorno triunfal após pausa nas apresentações

Crédito da foto: Cecília Castro Luma da Fogueira está voltando com toda força

Por Amina Costa/JORNAL DE FATO

Distante dos festivais de são-joão desde o ano de 2017, o grupo genuinamente mossoroense Lume da Fogueira retorna às arenas de quadrilhas neste ano de 2019. Agora, o grupo é a Associação Cultural Lume e promete um retorno triunfal aos festivais de todo o estado, depois de passar um ano sem se apresentar.

De acordo com o coreógrafo da Lume, Abraão Morais, a decisão de retomar com a quadrilha junina se deu após a motivação dos próprios integrantes do grupo, que pediram o retorno das atividades para este são-joão. Após esse incentivo, foram feitas várias reuniões para ver a viabilidade do retorno do projeto.

“A procura da população e pelos próprios componentes nos motivou a um possível retorno, que foi amadurecido após muitas reuniões. Partindo daí, criamos uma comissão e decidimos registrar a quadrilha. Hoje, somos a Associação Cultural Lume”, disse Abraão Morais, que já coreografava a Lume da Fogueira antes da pausa que o grupo deu no ano de 2017.

A Associação Cultural Lume volta aos festivais de quadrilha neste ano de 2019 com 60 casais dançando, 10 músicos e mais 6 personagens que entram em cena em momentos estratégicos da apresentação. Abraão Morais informa que, ao todo, são cerca de 180 pessoas envolvidas nesse projeto, uma vez que existe toda uma equipe de apoio por trás da cena.

Neste ano, a Lume vem com uma proposta de enredo desafiador, que já foi usado em apresentações anteriores, mas que sempre foi da vontade da direção usá-lo novamente. O coreógrafo não deu detalhes sobre o tema que a quadrilha junina vai abordar neste ano, mas adiantou que as toadas farão parte do enredo do grupo.

“Nós estamos nos desafiando e trazendo de volta uma temática que já usamos, mas que tínhamos muita vontade de fazer de novo, já que hoje estamos com a cabeça mais madura. Em 2019 será um são-joão de muitas toadas e uma mistura de gente feliz”, comentou o coreógrafo, sem dar detalhes sobre o tema.

Abraão Morais disse ainda que o tema que está sendo trabalhado para as apresentações deste ano só será informado na estreia da Lume, que acontece no dia 13 de junho. O coreógrafo não informou em qual cidade a quadrilha junina vai ter a primeira apresentação, porque existem dois festivais em cidades distintas, que estão sendo analisados pela direção da quadrilha. “Ainda não sabemos a cidade, porque temos dois festivais para ir. A certeza é que vai acontecer no dia 13 de junho”, disse.

Abraão Morais fala ainda sobre as dificuldades que todas as quadrilhas juninas passam para se manter e afirma que com a Lume a situação não é diferente. Uma quadrilha junina do porte da Lume, que participa dos eventos na categoria estilizada, tem centenas de pessoas envolvidas no projeto, precisa arcar com os custos com músicos, figurinos de dançarinos, transporte para deslocamento até os festivais, entre outros.

“Hoje em dia, quadrilha já é algo muito difícil de por na rua, devido os gastos, e se tratando de uma estilizada, os custos são bem maiores. Para isso, estamos trabalhando dobrado, fazendo rifas, bingos, buscando parceiros, para tentarmos sai para os festivais com tudo que se foi planejado”, disse o coreógrafo da Associação Cultural Lume.

Mesmo diante das dificuldades, o retorno da Lume aos festivais do Rio Grande do Norte e de outros estados, é algo satisfatório para Abraão Morais e para todos os que compõem este grupo junino que é formado por integrantes de Mossoró. Voltar a coreografar um grupo junino da sua cidade faz que Abraão se sinta ainda mais feliz com todo o trabalho que vem sendo realizado.

“Para mim, está sendo um prazer retornar ao são-joão e a minha casa. Como todos sabem, em 2018 eu fui abraçado por outra família junina, que foi a Coração Nordestino, de São Gonçalo do Amarante, inclusive atual campeã do estado, e ao mesmo tempo é um desafio. Mas está sendo incrível estar de volta a minha terra”, finaliza o coreógrafo do grupo junino.

 

 

Pausa da Lume da Fogueira ocorreu por falta de incentivos

A quadrilha junina Lume da Fogueira resolveu parar as suas atividades no final do são-joão de 2017, devido à falta de incentivos públicos e privados. A decisão pegou muitos mossoroenses de surpresa, diante da tradição do grupo, uma vez que em 2017, a Lume da Fogueira completava 19 anos de existência.

Na ocasião, a reportagem do JORNAL DE FATO conversou com a diretora do grupo, Liana Duarte, que informou os motivos para a pausa que o grupo iria dar nas apresentações. Segundo ela, a decisão de parar com a quadrilha aconteceu devido os desafios que são enfrentados todos os anos e, também, pelo desejo pessoal dos que compunham a direção do grupo.

 

A Lume da Fogueira foi campeã do Festival de Quadrilhas 2017 do Mossoró Cidade Junina

Liana Duarte disse ainda que a pausa nas atividades da quadrilha aconteceu num momento em que o grupo estava se destacando no cenário de festivais do estado. Ela disse, ainda, que a suspensão das atividades não aconteceu por problemas financeiros e que o grupo sempre esteve unido, apesar de se tratar do último ano de apresentações.

A falta de incentivo é um dos principais motivos para que quadrilhas juninas, como a Lume da Fogueira, deixem de realizar um trabalho tão importante para a cultura do Nordeste. A diretora da Lume comentou sobre os gastos que a quadrilha tinha antes da pausa dada em 2017 e que nem todos têm conhecimento dessa realidade que afeta muitos grupos juninos.

“Assim como a Lume da Fogueira, muitas quadrilhas que existiam, não existem mais. Poucos sabem o valor que é gasto, a crise tem afetado muita gente, inclusive as quadrilhas juninas e, principalmente, as estilizadas. Não é todo mundo que tem R$ 100 mil para gastar todo ano”, disse.

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