Sexta-Feira, 20 de outubro de 2017

Postado às 09h45 | 17 Jul 2017 | Redação Apenas 1% dos idosos tem plano de saúde no RN, segundo Agência Nacional de Saúde

Crédito da foto: Ilustração

Mesmo com o número de beneficiários aumentando, apenas 1% dos idosos com mais de 60 anos tem plano de saúde no Rio Grande do Norte. Os dados são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e analisados pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

De acordo com os números, 64.248 idosos potiguares possuíam plano de saúde em março deste ano. E mesmo com crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior (eram 61.400 beneficiários), a proporção é de somente 1% em relação ao total de idosos do estado.

O número de idosos beneficiários de planos de saúde médico-hospitalares registrou aumento de 1,7% entre março de 2016 e março de 2017, demonstrando que essa faixa etária segue um caminho inverso do total de beneficiários, que registrou queda de 2% no mesmo período.

Dentre os idosos, a faixa etária que mais cresceu foi a de 80 anos ou mais (3,3%), seguida pela de 70 a 74 anos (3,1%) e a de 65 a 69 anos (2,4%). Nesse mesmo período (entre março/16 e março/17), ambos os sexos apresentaram crescimento no número de idosos, sendo no sexo masculino um aumento de 1,7% e no feminino de 1,8%. Proporcionalmente, em março de 2017, 59,8% dos idosos eram do sexo feminino e 40,2% do sexo masculino. Nesse mesmo mês, em março de 2017, os idosos representavam 13% do total de beneficiários, enquanto que em março de 2007 (dez anos atrás), os idosos representavam 11,2%. Isso significa que, considerando a atual crise econômica do país e que as demais faixas etárias tiveram redução, os idosos aumentaram sua representatividade no total de beneficiários.

Para 2030, por exemplo, projetou-se que os idosos representarão 20,5% dos beneficiários. A velocidade desse avanço do envelhecimento varia conforme a modalidade e o tipo da operadora de saúde.

A modalidade de operadora que mais recebe novos beneficiários idosos são as medicinas de grupo. Entre março/16 e março/17, essa modalidade cresceu 4,2%, seguido das seguradoras (2,0%), das cooperativas médicas (0,7%) e das autogestões (0,3%). Em contraposição, as filantropias tiveram queda de 3,7% no número de idosos.

O avanço dos idosos também varia conforme o tipo de contratação do plano de saúde médico-hospitalar. Entre março/16 e março/17, os planos individuais cresceram 1,7% e os planos coletivos cresceram em um ritmo semelhante, de 1,9%. Porém, ao segregar os planos coletivos, no mesmo período, os do tipo empresarial cresceram 2,3% e os por adesão cresceram em 1,2%.

Os planos anteriores à lei 9.656/98 tiveram queda de 0,4%, entre março/16 e março/17, no número de beneficiários acima de 60 anos de idade. Porém, essa queda foi influenciada pelos planos do tipo Individual ou Familiar anteriores à lei (redução de 2,4%). Em contrapartida, os planos do tipo coletivo empresarial e coletivo por adesão anteriores à lei cresceram, respectivamente, 1,2% e 1,9% nesse mesmo período. Na mesma comparação, os planos posteriores à lei 9.656/98 cresceram 2,5%, sendo 3,4% do tipo Individual ou Familiar, 2,5% do tipo Coletivo Empresarial e 0,9% do tipo Coletivo por adesão.

 

Vínculo de idosos a planos de saúde apresenta maior crescimento no interior

Os idosos vinculados aos planos médico-hospitalares cresceram, entre março/16 e março/17,  1,5% nas capitais, 1,9% no interior e 1,6% nas regiões metropolitanas. Proporcionalmente, em março de 2017, 46,5% desses vínculos estavam nas capitais, 53,5% no interior e 68,9% nas regiões metropolitanas. O maior crescimento de beneficiários idosos, entre março/16 e março/17, foi na Região Norte (4,4%), puxado principalmente pelos estados do Amazonas (14%), Tocantins (6,9%) e Roraima (6,6%). Em contraposição, no mesmo período, o Centro-Oeste apresentou redução de 0,1% no seu número de idosos vinculados a planos médicos. Os estados do Mato Grosso e do Distrito Federal apresentaram reduções de 8,5% e 1,1%, respectivamente. Além desses dois estados, o Amapá foi o terceiro estado a apresentar redução (-1,1%). Os outros estados apresentaram variação positiva em 12 meses.

 

RN tem a maior taxa de cobertura de planos de saúde do Nordeste

O Rio Grande do Norte é o estado da região Nordeste com a maior taxa de cobertura dos planos de saúde. De acordo com dados do IESS, em março deste ano, o RN contava 515.458 beneficiários de planos de saúde, com uma taxa de cobertura de 16% da população local, a maior da região, seguida das registradas em Pernambuco (15,3%), Sergipe (15%), Ceará (14,8%), Alagoas (12,7%) e Paraíba e Bahia (ambos com 11,2%). Lá em baixo aparecem os estados do Maranhão (7%) e Piauí (9,3%).

Apesar de ter a maior taxa de cobertura do Nordeste, o RN é apenas o 12.º no ranking nacional, abaixo de todos os estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

 

Médico Eider Medeiros é presidente da Unimed Federação do Rio Grande do Norte

Em entrevista rápida ao JORNAL DE FATO, o presidente da Unimed Federação do Rio Grande do Norte, Eider Medeiros, explica por que cada vez mais idosos estão aderindo a plano de saúde, enquanto que o setor, de uma forma geral, apresenta queda. O médico fala, também, sobre as vantagens de ter um plano de saúde e diz, ainda, o que a Unimed tem feito para ampliar o percentual de idosos com plano de saúde no estado.

 

DE FATO – Por que a venda de planos para idosos apresenta crescimento, enquanto o setor está em queda?

EIDER MEDEIROS – A população brasileira vem passando por um envelhecimento e um alongamento de sua idade média. Ou seja, estamos em uma outra fase de nossa história onde nossa pirâmide etária passou a ser mais caracterizada pelo encolhimento da base, do quantitativo de jovens devido as famílias priorizarem o processo educacional e o desenvolvimento de carreiras profissionais, o que leva a terem filhos em menor número e cada vez mais tarde. Esse fenômeno, aliado ao aumento da expectativa de vida do brasileiro nas últimas décadas, tem colaborado de forma incisiva para o aumento do número de idosos e, consequentemente, para o número de contratação de planos de saúde para essa faixa etária. Devido à recessão dos últimos dois anos, muitas empresas fecharam (principalmente no eixo Centro-Sul do país, onde a contratação de plano de saúde por empresas é parte inerente da política de benefícios e, na maioria das vezes, faz parte das convenções coletivas de categorias) levando a um grande número de desempregados e também a uma grande queda nos beneficiários de planos de saúde coletivos, os quais representam mais de 80% da contratação do setor. Esse fenômeno explica, de forma mais concentrada, onde foi a queda do quantitativo de usuários dos planos de saúde. Contudo, devido ao envelhecimento citado anteriormente e à grande escalada de custos da saúde, aliado à falência do sistema público de saúde, as famílias têm feito sacrifícios para que as pessoas que já se encontrem na terceira idade tenham acesso à saúde suplementar.

 

QUAIS as vantagens de os idosos terem plano de saúde?

AS VANTAGENS de os idosos terem plano de saúde são ter acesso a uma maior e mais diversificada rede de atendimento com regulação própria e garantias de atendimento protocoladas. A medicina privada conta com maiores recursos e maior capilaridade de atendimento para pessoas idosas, onde nessa faixa etária é grande o quantitativo de doenças que aparecem e que, geralmente, são de maior complexidade, necessitando de tratamentos de valores mais expansivos e também em um menor prazo, fatores esses que implicam em maior segurança.

 

APENAS um por cento dos idosos do RN tem plano de saúde. O que a Unimed tem feito para ampliar essa proporção?

DEVIDO ao grande aumento dos custos assistenciais (todos os gastos com médicos, recursos hospitalares, medicações, materiais especiais etc.) estarem com um crescimento sempre acima da inflação (para se ter uma ideia, tivemos deflação neste mês e o IPCA retornando ao centro da meta inflacionária do governo, contudo a inflação médica em 2016 foi de 19,56%, segundo o IESS - Instituto de Estudos em Saúde Suplementar da Fenasaúde), o atendimento dos planos de saúde é sempre um grande desafio, uma vez que as receitas não acompanham as despesas no mesmo ritmo. Dessa forma, a Unimed RN tem investido, primeiramente, em prevenção para que os nossos usuários que já estão nessa idade e também os que estão chegando lá possam se prevenir ao longo da vida e para aqueles que já têm algum tipo de patologia que possam realizar o tratamento adequado da forma mais confortável possível. Também, temos investido fortemente em parcerias e reestruturação organizacional visando o foco no controle de nossos custos assistenciais e administrativos, diluindo, desta forma, nossa expectativa de risco geral e, consequentemente, trazendo serviços de qualidade com o preço mais adequado possível.

 

Emprego na cadeia da saúde suplementar está em crescimento

Em maio de 2017, a cadeia de saúde suplementar manteve o patamar de aproximadamente 3,4 milhões de pessoas empregadas, entre empregos diretos e indiretos, o que representa 7,9% do total da força de trabalho empregada no país. O total de pessoas empregadas no setor é resultado de um aumento de 0,7% em relação a fevereiro/2017 (3 meses), o que representa um acréscimo de 23.796 novos postos de trabalho. Na comparação de 12 meses, entre maio/2016 e maio/2017, o crescimento foi de 1,4%. Esse crescimento em 12 meses da cadeia da saúde suplementar destoa do comportamento do mercado de trabalho como um todo, pois nessa mesma comparação, o total de empregos na economia brasileira teve retração de 2,5%. Destaca-se que o total de pessoas empregadas na economia é de 42,7 milhões.

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