Quarta-Feira, 17 de outubro de 2018

Postado às 08h30 | 11 Jan 2018 | Redação Greve da Uern completa dois meses e é esquecida pelo Governo

Crédito da foto: Divulgação/Aduern A greve dos docentes da UERN teve início em 10 de novembro de 2017

Amina Costa/Da Redação

Nesta quarta-feira, 10, a greve dos professores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) completou dois meses. Até o momento, diferente do que ocorreu com outras categorias, como a da segurança, não houve discussão entre Governadoria e grevistas, para tentar procurar acordos.

A presidente da Associação dos Docentes da Uern (ADUERN), Rivânia Moura, informou que a atual situação de atraso salarial, que foi o principal motivo que provocou a greve, está bem pior em relação ao início do movimento. Por esse motivo, existe a necessidade de permanecer em greve, mantendo-se unidos com outras categorias que também paralisaram as atividades.

“Não existe calendário de pagamento, não sabemos como vai ser a situação do estado neste ano, já temos dois salários atrasados (o mês de dezembro e o 13° salário). Nós realizamos uma assembleia na semana passada para avaliar a greve, e ficou definido que agora, mais do que nunca, temos que manter o movimento”, disse Rivânia Moura.

A presidente da Aduern falou ainda que o Governo do Estado vem tentando fragmentar o movimento grevista, dando prioridade a outras categorias e “esquecendo” outras, como é o caso da Uern. Ela falou ainda sobre a greve dos técnicos administrativos da universidade, que decidiram entrar em greve nesta quarta-feira.

“Essa atitude do Governo de atender algumas categorias e deixar outras de lado demonstra a pouca importância que a universidade tem para o Governo do Estado. A universidade está totalmente parada, porque até os técnicos entraram em greve. Se a situação hoje é mais complicada, temos que manter o movimento e nos unir a outras categorias”, comentou Rivânia.

Nesta quarta-feira, os professores estiveram reunidos em assembleia para discutir sobre pacote de medidas que o Governo do Estado anunciou para reduzir gastos e tentar equilibrar as contas. Entre as medidas está o aumento da taxa de arrecadação da previdência dos servidores, além da possibilidade de demissões dos servidores públicos.

“Essas medidas significam um desmonte do Estado, uma derrota no sentido administrativo do Estado para essa crise que foi instaurada. Representa, também, um corte de direitos dos servidores, desmonte do patrimônio do Estado, e é uma forma de penalizar os trabalhadores por uma crise que não foi gerada pelos servidores”, disse a presidenta da Aduern.

Rivânia Moura disse ainda que os professores estarão reunidos nesta quinta-feira, 11, em Natal, para tentar impedir a votação desse pacote de medidas. Ela informou ainda que foi elaborado um documento com alternativas de cortes de gastos, que podem substituir as medidas apontadas pelo Governo.

“Nós vamos apresentar esse documento, que contém alternativas mais eficazes e que não geram tantos prejuízos aos trabalhadores para o Estado sair dessa crise. Esse pacote de medidas proposto pelo Estado causará prejuízos à população e vai interferir na economia e em vários setores”, complementou.

Medidas apontadas pelo Governo do Estado

Medidas para reduzir gastos com os servidores

•       Demissão de servidores com acúmulo de cargos

•       Redução de cargos comissionados

•       Demissão dos celetistas aposentados

•       Demissão de servidores não concursados

•       Suspensão do pagamento de licença Premium

•       Aumento para 14% da alíquota da previdência

 

Medidas para reduzir despesas com custeio

•       Extinção dos celulares funcionais

•       Redução no uso de carros oficiais

•       Extinção de secretarias ou órgãos da administração direta

Venda de imóveis para fazer caixa

•       Centro de convenções

•       Centro de turismo

•       Ceasa

•       Prédio do DER

 

Técnicos da Uern aprovam greve

Pelo mesmo motivo dos professores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), os técnicos da instituição decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 10, após assembleia realizada com os integrantes da categoria.

O presidente do Sindicato dos Técnicos Administrativos da Uern (SINTAUERN), Elineudo Melo, explicou que o sindicato vinha realizando assembleias, em que era discutida a possibilidade de entrar em greve, mas, devido às negociações que estavam sendo feitas com o Governo, com promessas de pagamento, a greve ainda não havia sido autorizada.

“Estávamos negociando com o Governo, mas a situação ficou insustentável. Os técnicos aposentados ainda não receberam o mês de novembro e os servidores ativos não receberam os salários de dezembro nem o 13°. Para piorar, essas medidas que o Governo anunciou para os cortes de despesas são algo que não podemos aceitar”, disse o presente do sindicato.

Elineudo Melo se mostrou triste com a falta de interesse do Governo do resolver a situação dos servidores da Uern. “Uma instituição que forma professores das redes pública e privada é destaque na área da saúde e de vários outros setores e não está sendo respeitada como merece. Tivemos dificuldades com outros governadores, mas eles sempre nos receberam e atenderam nossas reivindicações. Mas, com Robinson, nós sequer conseguimos negociar”, lamentou o sindicalista.

“A universidade não é um peso para o Estado. A universidade é uma instituição que forma profissionais que vão contribuir com seus impostos. São médicos, contadores, professores, enfim, vários profissionais que geram renda para o Estado”, finalizou Elineudo Melo.

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