Quarta-Feira, 21 de novembro de 2018

Postado às 12h30 | 14 Set 2018 | Redação Anita Prestes diz que pessoas estão desiludidas com a política e critica discursos

Crédito da foto: Marcos Garcia Anita Prestes concedeu entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira

Edinaldo Moreno/Da Redação

A historiadora e doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense, Anita Leocádia Prestes, está em Mossoró e ministrará palestra na abertura do 10º Congresso dos Professores e Professoras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Aduern) na noite desta sexta-feira, 14.

A filha dos revolucionários Luís Carlos Prestes e Olga Benário concedeu entrevista coletiva nesta manhã. Ela respondeu diversas questões sobre o tema de sua palestra logo mais, além de assuntos relacionados ao momento político atual do país.

“Estamos vivendo um momento político muito difícil. Dois anos atrás tivemos um golpe de estado, podemos dizer assim como ‘moderno’ diante do que aconteceu com vários países da América Latina. Tem havido uma estratégia nova de substituir governos, já não pelo golpe militar, mas através do golpe jurídico-parlamentar. O resultado disso é que estamos num retrocesso extremamente acentuado”.

Foto: Marcos Garcia

Segundo Anita, as pessoas hoje estão desiludidas com os políticos e por isso tem acreditado em alguns discursos. Ela credita esse fato a desinformação. “São pessoas que estão enganadas. Quando acordar poderá ser tarde demais. As pessoas estão muito desiludidas com os políticos. E com razão.", enfatizou. Ela completa.

A palestra “Luiz Carlos Prestes, a Constituinte e a Constituição de 1988” vai rememorar o aniversário de trinta anos do documento cidadão, em meio a uma conjuntura de retirada de direitos e ataques à classe trabalhadora.

Para a historiadora, mesmo após 30 anos da promulgação da Constituição de 1988, os brasileiros ainda vivem reféns da tutela militar, com artigos que ora ou outra voltam a serem utilizados para frear manifestações populares, criminalizar os movimentos e atacar a organização dos trabalhadores e trabalhadoras. “Na prática temos um quarto poder. Vivemos sob a égide da segurança nacional. Ela não foi abolida como as pessoas pensam e pode ser usada a qualquer momento”.

Anita Prestes também falou que a luta popular precisa ser espontânea e organizada. Disse que, historicamente, há uma desorganização popular. “O grande problema é a desorganização popular que temos. A luta precisa ser organizada e que pessoas devem se dispor a luta. A elite conseguiu reprimir as manifestações. Só se avança com organização popular. A luta deve começar por aquilo que sensibilize as pessoas”.

Foto: Marcos Garcia

Anita é professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada do Instituto de História da UFRJ, autora de A Coluna Prestes (Paz e Terra, 1997), Tenentismo pós-30: continuidade ou ruptura? (Consequência, 2014), Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro (Boitempo, 2015), Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo (Boitempo, 2017).

O décimo congresso da ADUERN tem como tema “Sindicato em Luta: contrarreformas e os impactos para o movimento sindical”.  Além da palestra de abertura com Anita Prestes, o congresso segue no sábado, dia 15, com as rodas de discussão e votações. As atividades serão realizadas no auditório da FAEF, no Campus central da UERN. Confira a programação completa do sábado:

7h30 às 8h – Mesa de abertura – auditório da FAEF

8h às 9h – Mesa de instalação do congresso

9:00 as 10:15 – Discussão nos grupos sobre conjuntura e condições e trabalho

10:15 as 10:30 – Lanche

10:30 as 12:00 – socialização das discussões dos grupos

12:00 as 14:00 – intervalo para Almoço

14:00 as 18:00 – Plenária Final: Mudanças no Regimento Interno da ADUERN e plano de lutas

Às 19h30 será realizada a festa de aniversário dos 39 anos da ADUERN, que marcará o encerramento do congresso.

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