Domingo, 16 de dezembro de 2018

Postado às 12h30 | 02 Dez 2018 | Redação Dezembro Vermelho alerta: cresce o número de mortes por aids na cidade de Mossoró

Crédito da foto: PMM Campanha Dezembro Vermelho nas ruas de Mossoró

Por Maricélio Almeida/JORNAL DE FATO

A mais nova edição do Boletim Epidemiológico HIV/Aids divulgado pelo Ministério da Saúde na última terça-feira, 27, aponta que a taxa de mortalidade em decorrência do vírus da imunodeficiência adquirida cresceu em Mossoró no período de 2013 a 2017.

Conforme os números, a taxa média de mortalidade por Aids na população mossoroense nos últimos três anos é de 5 mortes para cada 100 mil habitantes, maior do que a registrada em nível de Brasil, que ficou em 4,8/100 mil habitantes. Levando em consideração a média do período de 2013 a 2017, o crescimento foi de 0,6 morte para 100 mil habitantes.

Apesar de baixa, a elevação preocupa, uma vez que no Brasil há um decréscimo na taxa de mortalidade por Aids de 15,8% entre 2014 e 2017. De acordo com o Ministério da Saúde, essa redução, considerando os dados nacionais, deve-se possivelmente à ampliação do diagnóstico precoce da infecção pelo HIV, entre outros motivos.

E o que explicaria o aumento no número de mortes em Mossoró? O infectologista Alfredo Passalacqua apresenta algumas possíveis causas. “Esse aumento infelizmente se deve à banalização da doença, ao não uso do preservativo. Muitas vezes, os pacientes sabem que estão doentes e não procuram atendimento por preconceito, por medo, outros não fazem a testagem sorológica e não sabem que têm a doença, que é lenta, às vezes demora 12 anos para se manifestar. Em algumas situações, você não consegue tratar o paciente a tempo e ele acaba vindo a óbito”, pontuou ao JORNAL DE FATO.

Segundo Passalacqua, com uma quantidade maior de pacientes graves, o próprio sistema de saúde não consegue oferecer o suporte necessário. “Se você tem mais pacientes chegando com Aids, infecções oportunistas, como pneumonias, meningites, doenças mais graves, não tem nem como dar uma atenção mais importante, como numa UTI, ou até um suporte mais adequado, e aí os pacientes acabam indo a óbito”, enfatiza o infectologista.

 

Taxa de detecção da doença também cresce

De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids, a taxa de detecção de Aids em Mossoró nos últimos três anos foi de 25 casos para o grupo de 100 mil habitantes. A variação média anual da taxa no período foi de 3,8. O boletim mostra que a taxa de detecção de Aids entre menores de cinco anos é 1,4 caso a cada 100 mil habitantes. A variação ficou em 1,1%.

Ainda de acordo com o estudo, Mossoró ocupa a 69% posição de municípios com mais de 100 mil habitantes na lista de cidades com maior índice composto, que é formado pelas taxas de detecção e mortalidade e pela primeira contagem de CD4 (células de defesa) nos últimos cinco anos. O índice registrado é de 5,341.

 

Mossoró no Boletim Epidemiológico HIV/Aids

Índice: 5,341

Taxa de detecção: 25,0

Variação da taxa de detecção: 3,8

Taxa de mortalidade: 5,0

Variação taxa de mortalidade: 0,6

Taxa de detecção em menores de cinco anos: 1,4

Variação de taxa de detecção de menores de cinco anos: 1,1

Média do primeiro CD4 (cédulas de defesa): 297

 

Jovens infectados

O número de mossoroenses infectados pelo vírus da Aids na faixa etária de 15 a 19 anos aumentou 100% entre os anos de 2016 e 2017, saltando de dois para quatro os registros na cidade. O quantitativo de pacientes pode parecer pequeno, mas revela uma tendência que tem assustado especialistas: os casos de Aids voltaram a crescer, principalmente entre os jovens.

Para o infectologista Alfredo Passalacqua, o aumento no número de casos, constatado também em seu consultório, está relacionado a vários fatores, entre eles a falta de orientação quanto à prática do sexo seguro, o uso de drogas, lícitas e ilícitas e ainda os avanços no tratamento da doença, que proporcionam uma falsa impressão de que a cura pode estar próxima.

“Estamos vendo um aumento do número de informações de que o tratamento está mais simples, e que em breve a cura vai estar acontecendo, então você junta tudo isso na cabeça de uma população que ainda está em formação, você vai acabar vendo o que estamos percebendo, pessoas jovens se infectando devido a essa soma de fatores, e infelizmente descobre-se que o HIV não é tão simples assim”, alerta o especialista.

O fato de os hospitais de referência no tratamento de HIV/Aids oferecer serviços como a Profilaxia Pós-Exposição, que se trata, basicamente, da ingestão diária de um medicamento contra o vírus por pacientes não infectados após terem se exposto a uma situação considerada de risco, também pode favorecer, segundo Passalacqua, a prática de relações desprotegidas, principalmente entre os jovens.

Campanha Dezembro Vermelho busca conscientizar população sobre prevenção ao vírus da Aids

A Prefeitura de Mossoró, através da Secretaria Municipal de Saúde, lançou na última quinta-feira, 29, a campanha “Dezembro Vermelho”, que tem como objetivo conscientizar, prevenir e combater as infecções sexualmente transmissíveis – IST/Aids. A ação foi iniciada com programação no Centro de Educação Integrada Professor Eliseu Viana (CEIPEV).

A Secretaria ofertou testes rápidos de HIV, sífilis, hepatites B e C, distribuiu preservativos e materiais educativos, além de vacinas contra HPV e hepatite B, para quase 1.500 estudantes da escola. No total, foram realizados 300 testes rápidos de HIV e sífilis, sendo 90 pelo turno da manhã e 210 na tarde. Nenhum caso deu resultado positivo. “Houve uma adesão muito grande dos estudantes, e nós vamos continuar durante todo o mês com essas ações”, comentou a secretária municipal de Saúde, Maria da Saudade Azevedo, em conversa com o JORNAL DE FATO.

 “O ‘Dezembro Vermelho’ é um mês de conscientização, para que os jovens, adolescentes usem preservativo, se cuidem, porque não é só a questão da Aids; tem a sífilis, com números elevados de casos registrados, entre outras doenças”, acrescentou a secretária.

Maria da Saudade reforça ainda preocupação com o público jovem. “Os casos de Aids têm crescido entre jovens e adolescentes. Quando começou o tratamento, o coquetel, as pessoas começaram a relaxar. É preciso conscientizar a população para o uso consciente do preservativo. Aids ainda mata, e precisamos nos cuidar”, conclui a secretária.

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