Segunda-Feira, 21 de janeiro de 2019

Postado às 15h30 | 11 Jan 2019 | Redação Governo do Estado deve R$ 16 milhões a Mossoró por serviços de Saúde, revela secretária

Desde 2010 o Governo do Estado não repassa a sua participação em contrapartidas obrigatórias para o funcionamento de serviços de saúde diversos. Segundo a secretária Saudade Azevedo, a dívida causa uma série de problemas na rede pública de saúde

Crédito da foto: Arquivo Unidade de Pronto Atendimento (UPA) precisa de investimentos

 JORNAL DE FATO

O Estado do Rio Grande do Norte deve cerca de R$ 16 milhões ao Município de Mossoró por conta da falta de repasses para serviços de saúde.

Essa informação foi repassada pela secretária municipal de Saúde, Maria da Saudade Azevedo. Segundo ela, desde 2010 o Governo não repassa a sua participação em contrapartidas obrigatórias para o funcionamento de serviços de saúde diversos. “Fizemos um estudo em Natal, que apontou que uma UPA custa entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,7 milhão por mês.

Desse total, o Governo Federal financia no máximo R$ 350 mil. É um financiamento tripartite (Município, Estado e União), mas desde 2010 que os Municípios não recebem R$ 1,00 do Governo do Estado. A dívida com Mossoró é de cerca de R$ 16 milhões, entre contrapartidas obrigatórias de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) e Farmácia Básica. Com esses recursos, poderíamos renovar a frota do Samu, reequipar as UPAs. É preciso realmente um olhar maior e melhor sobre isso”, revelou a secretária.

São recursos que fazem falta, por exemplo, para que a Prefeitura de Mossoró possa implantar projeto de integração dos médicos da rede municipal às escalas das UPAs.

Essa uma ação que já está em estudo e que vai iniciar com projeto piloto a ser implantado na UPA do Alto de São Manoel.

Em entrevista ao programa Cenário Político, da TCM, Saudade Azevedo disse que a intenção é ampliar o número de médicos que prestam atendimento nas UPAs, a partir de uma escala mista, com profissionais da rede e da cooperativa Sama, que hoje é a responsável pelos plantões médicos nas três UPAs de Mossoró. “Vamos abrir um edital para contratação de médicos do Município, suprir essa necessidade, essa deficiência, eu acho que vai ser um grande avanço”, pontuou.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, o projeto será executado em longo prazo. Hoje, a quantidade de médicos de plantões nas UPAs varia. Na manhã desta quinta-feira (10), por exemplo, havia dois médicos realizando atendimento na Unidade do Alto de São Manoel, três na UPA do Belo Horizonte e outros três na UPA do Santo Antônio.

80% dos atendimentos das UPAs poderiam ser feitos nas UBSs, diz secretária

Para defender a integração dos médicos da rede municipal com as UPAs, Saudade Azevedo afirma que a maior parte dos atendimentos realizados nas UPAs, cerca de 80%, poderia ser realizada na rede de atenção básica, o que desafogaria as UPAs. “A UPA precisa fazer o seu papel precípuo, que é a urgência e emergência. Mas, às vezes, a população vai para a UPA porque a Unidade Básica de Saúde (UBS) não está estruturada; está com equipe desconsistida. Nós temos 47 UBSs, 70 equipes da Estratégia Saúde da Família, mas temos hoje oito equipes desconsistidas”, relatou.

A secretária afirmou ainda que a Prefeitura já solicitou ao Ministério da Saúde o envio de novos médicos do programa “Mais Médicos”. “A solicitação foi feita para a gente suprir essa deficiência e ampliar os serviços. O processo seletivo que vamos realizar não será só para as UPAs; será também para as Unidades Básicas de Saúde, principalmente as novas que vamos abrir”, adiantou Saudade Azevedo.

Ainda sobre as UPAs, a secretária pontuou que as Unidades também precisam ser reequipadas, e que esse processo de requalificação poderia ser executado de forma mais ágil caso o Governo do Estado enviasse os repasses que são de sua responsabilidade.

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