Domingo, 16 de junho de 2019

Postado às 16h45 | 01 Fev 2019 | Redação Dia Mundial do Câncer levanta bandeira por diagnóstico ágil da doença

Crédito da foto: Cedida Associação de Apoio aos Portadores de Câncer de Mossoró (AAPCMR)

Este ano, o Dia Mundial do Câncer, lembrado na próxima segunda, 4, traz como tema ‘Eu sou e Eu vou’. Nesta edição, as ações objetivam fortalecer a luta pelo avanço do Projeto de Lei Complementar 143/2018 – PLC dos 30 Dias, que pode contribuir com o aumento de diagnósticos nos estágios mais iniciais da doença.

A Associação de Apoio aos Portadores de Câncer de Mossoró (AAPCMR) se engaja na campanha iniciada pela União Internacional para Controle do Câncer (UICC) e coordenada nacionalmente pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA).

Para alcançar sucesso em relação ao avanço do PLC dos 30 Dias, a FEMAMA propõe às instituições associadas que encaminhem ofícios aos senadores dos estados onde estão sediadas, solicitando apoio ao PLC 143/2018 aprovado pela Câmara em dezembro de 2018.

“O projeto determina que, em casos nos quais há a hipótese de um diagnóstico de câncer, os exames necessários à elucidação da doença, bem como sua confirmação em biópsia, devem ser realizados em um prazo máximo de 30 dias no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje não há um prazo definido para a confirmação do câncer e a espera indeterminada pelo início do tratamento pode fazer com que a doença evolua sem que qualquer medida efetiva contra ela possa ser tomada”, explica a Federação, através de sua assessoria de comunicação.

A arquivista Luzineide Batista de Melo, integrante do Toque de Mama, projeto da AAPCMR formado por mulheres que enfrentaram ou estão na batalha contra o câncer, sabe a importância desse projeto.

Alguns anos atrás, após perceber um nódulo na axila e iniciar a busca por consultas e exames para diagnosticar e tratar o problema, ela procurou um mastologista através do SUS. Luzineide já apresentava a conclusão de uma punção da axila, realizada anteriormente. Ao ver o resultado e realizar o exame clínico, o médico suspeitou de câncer e solicitou outra punção, dessa vez da mama. O resultado do exame realizado pelo SUS demorou mais de um mês. “Mais de 45 dias para chegar o resultado”, conta.

O tratamento foi iniciado com quimioterapia e seguido de cirurgia. Hoje, felizmente, todos os procedimentos foram concluídos, incluindo a reconstrução mamária. Mas, como conhece os desafios vivenciados por quem tem câncer, Luzineide torce pela aprovação do PLC. “Essa ansiedade na espera de início de tratamento é mais desgastante do que quando você começa o tratamento em si”, afirma. “A conquista de ter a chance de estar viva é maravilhoso. Sem limites, não tenho palavras”, diz a arquivista que conhece a importância do diagnóstico precoce.

Para tentar agilizar a confirmação do diagnóstico, Lenice Carvalho da Fonsêca Rebouças, que também faz parte do Toque de Mama, buscou realizar as consultas e exames pela rede particular. Ela conta que em 5 dezembro de 2017, ao retornar ao ginecologista com os exames de mamografia e ultrassonografia mamária, soube que estava com um nódulo classificado como BIRADS 4. Surpreso pela evolução do nódulo, o médico a encaminhou para um mastologista. Com pressa para cuidar da saúde, resolveu marcar todas as consultas e exames pela rede privada. Mas diz que, mesmo assim, a demanda era grande.

A cirurgia de Lenice para retirada do nódulo na mama, mesmo instante em que o material foi coletado para ser encaminhado à biópsia, aconteceu no dia 28 de março de 2018. Segundo ela, desde a cirurgia, todos os procedimentos foram realizados por meio do SUS. “No dia 28 de março consegui fazer a cirurgia. Depois da cirurgia tive o retorno com 30 dias para o mastologista, foi quando ele examinou e disse que ia dar continuidade ao tratamento e já encaminhou para o oncologista”, recorda. “O oncologista passou uma série de exames, o primeiro deles foi a biópsia imuno-histoquímica, feita a partir do material da cirurgia. São de dez a quinze dias para liberar o resultado. Foi quando eu iniciei o tratamento com quimioterapia”, complementa.

Foram oito sessões da quimio, encerradas há quatro meses. Agora ela está fazendo uso de uma medicação oral, que vai continuar utilizando por cinco anos.

Mesmo estando em outra etapa da luta, ela também reconhece a importância do Projeto de Lei. “Eu acho maravilhoso. É o que realmente a população precisa”, afirma, já pensando no aumento nas estatísticas de câncer e na necessidade da comprovação da doença.

Para reforçar a luta pelo diagnóstico ágil e, seguindo a orientação da FEMAMA, a AAPCMR encaminhou ofícios aos três senadores do Rio Grande do Norte – Jean-Paul Prates (PT), Capitão Styvenson Valentim (REDE) e Zenaide Maia (PHS), solicitando apoio à aprovação do Projeto. Os documentos foram encaminhados através dos e-mails indicados pelas respectivas assessorias dos senadores.

Consulta pública

A população também é convidada a mobilizar-se em torno da causa. Para contribuir, as pessoas podem acessar o portal do Senado E-cidadania, através do link http://bit.ly/ApoioPLC30Dias, e responder 'Sim' ao questionamento apresentado: “Você apoia essa proposição”, referente ao Projeto de Lei. É interessante que os participantes compartilhem o link e as informações entre seus contatos para que mais pessoas possam reafirmar a importância do PLC 143/2018.

 

Direitos garantidos

Embora o PLC 143/2018 ainda precise ser aprovado, outros direitos já são garantidos na luta contra o câncer e a efetivação dos mesmos depende também do acesso à informação.

Entre essas conquistas estão a aprovação da Lei 12.732/2012, que estipula o prazo de 60 dias para o início do tratamento pelo SUS, contados a partir da data do diagnóstico, além de questões como acesso ao Auxílio-doença, aposentadoria, Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e Direitos Trabalhistas previstos para os pacientes oncológicos, entre outros.

Para orientar sobre os instrumentos jurídicos disponíveis às pessoas em tratamento contra o câncer, a AAPCMR disponibiliza aos pacientes cadastrados na Associação assessoria jurídica gratuita, através da advogada Nívia Xaxá.

Projetos da AAPCMR auxiliam pacientes durante tratamento oncológico

Além da assessoria jurídica gratuita, para proporcionar aos que lutam contra o câncer condições de enfrentar a doença com mais estabilidade, a Associação de Apoio aos Portadores de Câncer de Mossoró e Região oferece diversos serviços a pacientes e acompanhantes.

Em Mossoró, duas Unidades – Adulto e Infantojuvenil – disponibilizam hospedagem e alimentação gratuitas a pacientes e acompanhantes durante o período de tratamento, além da assistência de uma enfermeira ou técnica de enfermagem. Pacientes cadastrados na AAPCMR também são contemplados com o projeto de complementação alimentar que oferece cestas básicas mensais.

A instituição também desenvolve projetos como a Pedagogia Hospitalar, em funcionamento na Pediatria da Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer de Mossoró e Região (LMECC), para dar suporte pedagógico às crianças e adolescentes em tratamento, por meio de duas pedagogas cedidas pelo Estado do RN.

Para as mulheres mastectomizadas, a AAPCMR oferece próteses mamárias artesanais, importantes para minimizar os riscos de desenvolverem problemas na coluna. Já o grupo Toque de Mama, tem como proposta partilhar as vivências de luta contra o câncer entre suas integrantes.

A instituição também desenvolve o projeto Ateliê Amor em Fios, através do qual um grupo de voluntárias produz perucas de fios naturais, com mechas doadas pela população, para serem emprestadas às pacientes que, em virtude do tratamento, perderam o cabelo e desejam fazer uso da peruca.

Para reafirmar a importância do diagnóstico precoce na luta contra o câncer, a Associação desenvolve ao longo do ano um trabalho de Educação em Saúde, realizado por meio de palestras e rodas de conversas voltadas a diferentes públicos.

Para dar suporte aos pacientes do Alto Oeste, a instituição conta ainda com um Núcleo em Pau dos Ferros. O objetivo é acompanhar pacientes com neoplasias malignas, através de atividades motivacionais, visitas, palestras e atendimentos. Através de parcerias com profissionais de saúde que atendem voluntariamente, o Núcleo consegue ofertar atendimento médico e fonoaudiológico para os pacientes e atendimento psicológico para pacientes e familiares. Além disso, a entidade também realiza a doação de cestas básicas.

 

Captação de recursos

Como é uma instituição filantrópica, a AAPCMR possui também algumas iniciativas para captação de recursos.

O La Belle Salão de Beleza, por exemplo, oferece serviços como hidratação, escova, manicure e pedicuro para o público em geral, com o diferencial de ter a renda revertida para a instituição.

Outra forma de captação é o espaço Amor que acolhe, loja cedida pelo Partage Shopping Mossoró, destinada a artigos cuja renda obtida com a venda é destinada à Associação.

Com apoio do Instituto Duda e Adelina, a AAPCMR põe em prática ainda o Retalhos de Amor. Mulheres que integram o projeto confeccionam produtos diversos com base na técnica de patchwork, para venda na própria instituição ou no espaço Amor que acolhe.

 

Como ajudar a AAPCMR

Para colaborar, a população também pode realizar doações de gêneros alimentícios, material de limpeza, itens de cama, mesa e banho ou dedicar o próprio tempo, através do trabalho voluntário.

Os interessados podem contribuir ainda com doações financeiras, por meio do telemarketing da instituição, cujo número é o (84) 98899-5064, ou por meio de depósito bancário em nome da AAPCMR, no Banco do Brasil, Agência: 4687-6, Conta: 14.230-1.

Tags:

Câncer
AAPCMR
Rio Grande do Norte
oncológico
pacientes

voltar