Sexta-Feira, 22 de março de 2019

Postado às 09h15 | 15 Mar 2019 | Redação Mossoró celebra 167 anos de resistência, liberdade e progresso

Crédito da foto: Carlos Costa Teatro Dix-huit Rosado e um dos cartões postais de Mossoró

JORNAL DE FATO

Mossoró carrega uma história de resistência e bravura ao longo dos seus 167 anos de existência. Durante esses anos, foram várias situações de coragem do povo mossoroense, tendo a resistência ao bando de Lampião como um dos momentos mais marcantes da história da cidade, que tem como padroeira Santa Luzia.

A história de Mossoró começou em 15 de março de 1852, quando o povoado de Santa Luzia de Mossoró passou à categoria de vila, através do decreto provincial 246, sancionado por José Joaquim da Cunha, presidente da província do Rio Grande do Norte. Essa medida estabeleceu a criação da Câmara, desvinculando a vila do município de Assú, a quem pertencia antes desta data.

A ideia da criação do Município de Mossoró partiu dos habitantes da ribeira do rio Mossoró. Entre os principais incentivadores, destacavam-se o vigário Antônio Joaquim e o padre Antônio Freire de Carvalho, que organizaram em Mossoró o núcleo Saquarema, que era o Partido Conservador.

Eles foram os responsáveis pela organização de um abaixo-assinado que seria dirigido à Assembleia Provincial, que pedia a criação da vila e município de Mossoró e do Tribunal de Jurados. Esse abaixo-assinado chegou à Assembleia Municipal na sessão do dia 13 de janeiro de 1852, com 350 assinaturas.

O vigário Antônio Joaquim e o padre Antônio Freire de Carvalho justificaram para a criação do município de Mossoró a existência de mais de duas mil casas, população estimada em mais de seis mil pessoas, ruas bem organizadas, comércio abastado, terras apropriadas para criação, proximidade com praias e com salinas, proporcionando uma possibilidade de negócio.

O projeto foi ao plenário na sessão de 8 de março de 1852, para a primeira discussão, e foi aprovado sem emendas. Na segunda sessão, também obteve aprovação. E na terceira, realizada no dia 11 de março, foi aprovado, seguindo para a Comissão de Redação Final. O presidente da província fez a sanção a 15 de março de 1852, da lei 246, de onde nascia o município de Mossoró.

 

Há 167 anos, Mossoró realizava sua primeira eleição

Após a emancipação política de Mossoró, em 1852, ela foi a nona cidade do estado do Rio Grande do Norte a se tornar emancipada politicamente. Antes de Mossoró, outras oito cidades já tinham sido emancipadas. Foram elas: Acari, Arês, Assú, Martins, Touros, São José de Mipibu, Nísia Floresta e Apodi.

Após criado o município, ocorreu a primeira eleição para vereadores de juiz de paz de Mossoró. Nelas, figuravam o vigário Antônio Joaquim como representante do Partido Conservador e o capitão João Batista de Souza como representante do Partido Liberal.

Anúncio do resultado da primeira eleição ocorrida em Mossoró ( Foto Blog do Gemaia)

A eleição foi vencida pelos conservadores, que era comandada pelo vigário Antônio Joaquim e encabeçada pelo padre Antônio Freire de Carvalho. Este, como presidente eleito, juramentou-se perante à Câmara do Assú, tomando posse no dia 24 de janeiro de 1853, na vila de Mossoró, tomando juramento aos demais vereadores e declarando em seguida instalada a nova Câmara.

A primeira eleição de Mossoró foi marcada por disparos de tiros, deferidos por representantes do Partido Liberal. Na ocasião, os conservadores procederam a votação no interior da igreja de Santa Luzia, enquanto os liberais permaneceram numa casa da Rua Domingos da Costa.

Os disparos ocorreram durante a tentativa por parte dos liberais de tomar o livro de atas. Apesar da ocorrência dos disparos durante a eleição, os conservadores assumiram o poder e, num período de tranquilidade, fizeram um governo de paz, sem ódio e sem vingança.

Mossoró como símbolo de resistência ao bando de Lampião

Um dos importantes atos de coragem da população de Mossoró ocorreu no ano de 1927, quando o bando de Lampião invadiu a cidade. Até hoje, esse momento é lembrado pelos mossoroenses, através do espetáculo Chuva de Balas no País de Mossoró, encenado durante as festividades do Mossoró Cidade Junina (MCJ).

No ano de 1927, o município experimentava um crescimento no comércio e na indústria. O bando entrou no Rio Grande do Norte pelo município de Luís Gomes, entre os dias 9 de 10 de junho, percorrendo várias cidades do Oeste do Rio Grande do Norte, chegando até Mossoró poucos dias depois. Já em 13 de junho, Lampião e seu bando chegaram ao sítio Saco. Lá, ele enviou um bilhete, que pedia uma quantidade total de 400 réis em dinheiro, para poupar a cidade de Mossoró.

O então prefeito de Mossoró, Rodolfo Fernandes, negou e depois recebeu um segundo bilhete ameaçador. O ataque a Mossoró só começou de fato às 16 horas, quando o líder do bando dividiu seus cangaceiros em três grupos diferentes, cada um com a função de atacar um local diferente: o primeiro grupo atacou a casa do prefeito, que hoje abriga a sede da Prefeitura; o segundo grupo atacou a estação ferroviária de Mossoró, enquanto o terceiro teve a função de atacar o cemitério. Uma hora depois, o bando recuou, deixando Colchete (morto no momento do confronto) e Jararaca para trás.

Preso e morto três dias depois do ataque, o corpo de Jararaca encontra-se enterrado no mesmo cemitério que havia sido invadido pelo bando de Lampião. Hoje, o túmulo do integrante do bando é um dos mais visitados por mossoroenses e turistas, principalmente no feriado do Dia de Finados.

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