conversa com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para, a partir daí, obter confissões dele sobre supostas irregularidades relacionadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles acreditavam que, se tivessem munição contra ministros da mais alta Corte do país, também teriam mais chances de obter um acordo de delação mais vantajoso.

A ideia demonstrar interesse na contratação do ex-ministro e, em seguida, gravar a conversa. Mas a estratégia não deu resultados. Cardozo teria rejeitado o jogo de sedução.

OUÇA NA ÍNTEGRA OS DIÁLOGOS OBTIDOS PELO GLOBO.

TRECHOS TRANSCRITOS

Primeira parte

Joesley Batista: Você já imaginou se nós chama o Marcelo, assim Marcelo.... vc vai passar pelo... nós damo um papel pro Marcelo (compra um papel pra nós dar pro Marcelo) (parte inaudível) a eu, ricardo, (parte inaudível) hã?

Joesley Batista: não, não é (parte inaudível) ... não, nós tinha que dar o .... o Marcelo... o o de advogado... ó você vai ser o advogado que vai arrumar as notas... arrumar o esquema das notas tal... (parte inaudível) tem nota... ó nós vamo trazer aqui ó... o Marcelo que trabalha conosco... trabalha há muitos anos... meu amigo de infância... é da...

Ricardo Saud: (parte inaudível) Goiás

Joesley Batista: é... (parte inaudível) infância lá de Goiás... seguinte ó

Ricardo Saud: vamos fazer homenagem pro coiso, como é que ele chama... (parte inaudível) amigo nosso lá

Joesley Batista: é isso, Romaninho

Ricardo Saud: ele é o Romaninho

Joesley Batista: isso ... é o Romano ... amigo de infância de(parte inaudível) ... estudou comigo em Brasília e tal... ele é advogado... seguinte, queria dizer negócio de... ele infartava

Ricardo Saud: (parte inaudível) ué ele voa no cara.. (parte inaudível) .. ele sai ali (parte inaudível)

(parte inaudível)

Joesley Batista: agora cê

Ricardo Saud: vamo conversar com ele.. (parte inaudível) não é isso não... (parte inaudível) ô Marcelo

Joesley Batista: (parte inaudível) sabia o pai dele

Ricardo Saud: (parte inaudível) cê sabe né... (parte inaudível) ué.... (parte inaudível) vai já, deixa pra semana que vem (parte inaudível) vamos pegar os três (parte inaudível) ... tem que ser garçom pra convencer ele aqui

Joesley Batista: não, não... (parte inaudível) não pode... tem que ficar aqui, advogado... tem que ser

Ricardo Saud: tem que ser garçom pra convencer xxx ... pra mostrar que não tem nada aqu...i xxx garçom o tempo inteiro (parte sentir confortável, topa na hora)

Ricardo Saud: (parte inaudível) o governador, ele e o cara do Pimentel... (parte inaudível) motorista... tomaram um carro da mãe do Eduardo (parte inaudível) ele desceu abriu a porta do carro... (parte inaudível) Ministério Público... escolhe xxx um cara que parecia com o Eduardo... ele entrou

Joesley Batista: um bando de delinquente né..

Ricardo Saud: teste... garçom ou não xxxxxx aposto dez contra um c'ocê que ele aceita na hora... xxxx ganha xx nunca (parte inaudível)

Joesley Batista: não, não vamo fazer assim não, (parte inaudível) combinar com ele assim... Quando nós terminar nosso serviço, o último nós vamo te chamar ... ai se der merda ai....

Ricardo Saud: ai é covardia... oooo

Joesley Batista: O Renan, Ze Eduardo ... ele ficou enlouquecido com Ze Eduardo

Ricardo Saud: ele acha que o Ze Eduardo é o melhor caminho pra chegar no Supremo

Joesley Batista: ele te falou isso? que que ele te falou?

Ricardo Saud: não... nós con... eu contando lá do Ciro, das coisas e tal

Joesley Batista: que que cê falou pra ele?

Ricardo Saud: ai nós ouvimo a fita e tal

Joesley Batista: não, que que cê falou pra ele?

Ricardo Saud: não, eu falei pra ele ó... conversa lá foi assim, assim

Joesley Batista: assim o que, me fala

Ricardo Saud: não... como... nós chegamos lá, começamos conversar... o Joesley foi falando com ele... perguntamo as coisas, que que tinha feito... ele falou da lei e tal... (parte inaudível) você não tinha me falado da lei (parte inaudível) entendeu na hora da lei, falou que outubro foi aprovado uma lei assim assim negócio de narcotráfico ai... eu não sabia, mudaram a lei lá passou pra outra coisa.... ele (parte inaudível) lembrei que (parte inaudível) que em abril começou a Lava Jato... "ah ele falou dessa lei", mas essa lei (parte inaudível) filho da puta do Godoy... mas essa lei é narcotráfico, não é nada com Joesley não... falei ah eu não sei, ai Joesley tentou me explicar lá, eu não sei, eu vou ler depois, ah ai.. ai nós falamos... eu falei ó, inclusive lá nós conversamos, porra veio.... cara falou que tem cinco... cinco... Ministros do Supremo na mão dele... Inclusive muitos conversado e outros, não é só palavreado não, escrito tal... ele falou "cinco ele não tem não... ele tem... ah só se eles, só se eles contam Lewandowski até hoje"... ele falou, falei ah dai eu não sei, não deu nome não... Mas se contar Lewandowski pode ser sim... (parte inaudível) falou assim lá pra mim "mas ele tinha essa intimidade com a Dilma?"... "intimidade? eu vou te contar, eu achei que os três tavam fazendo suruba" ... porque ele falou da Carmen Lúcia, (parte inaudível) da Carmen Lúcia que vai lá falar do (parte inaudível) com a Dilma e tal, os três juntos, tal tal tal.... "ah então ele tem mesmo essa intimidade?"... (parte inaudível) os cara... falei não é mentira não.. foi tô falando (parte inaudível) contei pra ele, falamos do escritório, falamos da conta...

Joesley Batista: Que escritório? Que escritório?

Ricardo Saud: do Marco Aurélio.. (parte inaudível) falou do dinheiro?... não.. "não né Ricardo"... (parte inaudível) ... "mas e ai, que que a Dilma falou?" ... (parte inaudível) não, não (parte inaudível) nada disso.. ai se viu a Carmen Lúcia lá e tal... a última indicação e tal... ai eu contei pra ele, falei (parte inaudível)... ai mudou o assunto ... "falando sério? tá se falando disso?" ... suruba dos três e tal... "não, isso eu quero ouvir"... ai (parte inaudível) o trem ... nós falando de putaria ... "esse cara é louco..."

Joesley Batista: ai cê mostrou a fita?

Ricardo Saud: não... (parte inaudível) fomo mostrando (parte inaudível)...

Joesley Batista: isso

Ricardo Saud: ai ele falou "isso dá cadeia... eles prendem Ze Eduardo amanhã... eles prendem amanhã... melhor não... melhor não...".... (parte inaudível) eles prendem amanhã...

Joesley Batista: eles o Supremo...

Ricardo Saud: é (parte inaudível) ... ai ... deixa eu ver de novo... "ai ocê também... (parte inaudível) suruba ai... se não fala isso mais não... vou te orientar ocê não fala isso mais nunca... cê falar que a Presidente da República, Presidente do Supremo ele tá fazendo suuu... vc tem noção do que vc falou?" ... ele me deu uma dura tão grande... "vc tem noção do que vc falou? Presidente do Brasil, Presidente do Supremo e Ministro da Justiça fazendo suruba... (parte inaudível) bota lá, (parte inaudível) esse ai nós temos que tirar... temo que usar (parte inaudível) Ze Eduardo, (parte inaudível) pressionar o Ze Eduardo pra ele contar quem é o cara do Supremo..." ah meu Deus, depois disso tal... ficamo conversando... (parte inaudível) Joesley faz o que quiser aquele trem (parte inaudível) "então vamos esquecer aquele trem da briga do do Gilmar... e vamo nesses três Ministro do Supremo"...

Joesley Batista: como... esquecer a briga?

Ricardo Saud: o trem do Gilmar que virou briga lá entre ele e a... (parte inaudível) vamo esquecer isso e vamo pegar os três... eu falei (parte inaudível) Marcelo ocê é inteligente demais, vc tá largando um amigo quer três... "não, mas não é isso"... agora, ele (parte inaudível), ele tá ficando meu amigo e tal achando (parte inaudível) ... quando ele mandou eu digitar tudo lá pra ele (parte inaudível) trem e tal pá pá pá... (parte inaudível) pode escrever o que você quiser ai, que eu conserto depois ... eu tô metendo o cacete... escrevendo o que eu to pensando (parte inaudível)... eles são esperto... uma (parte inaudível)

Joesley Batista: isso... é .. ele faz assim.. (parte inaudível risada) ... (parte inaudível) Ze

Ricardo Saud: (parte inaudível) vc vai ver, ele vai pra cima docê na hora... vamos escutar terça feira (parte inaudível) ... ele vai pra cima docê na hora... na hora (parte inaudível)

Joesley Batista: (parte inaudível) ainda... tem da restituição... tem da restituição

Ricardo Saud: entregar esse do Ze Eduardo (parte inaudível) esse trem da putaria no Jornal Nacional

Joesley Batista: A Carmem Lúcia...

Ricardo Saud: tem que ouvir procê ver... o Ze não nega xxxxx

(parte inaudível)

Ricardo Saud: corrupção não veio... não é só corrupção não..

Joesley Batista: a sociedade... a sociedade...

(parte inaudível)

Ricardo Saud: (parte inaudível) Marco Aurélio (parte inaudível) ouvi a fita.... (parte inaudível) eu não lembrava o nome... (parte inaudível) bonita gostosa, não sei se era do Rio, de Brasília tal ... será que o Ze não comia essa mulher não... era uma advogada famosa... (parte inaudível) um ciúme desgraçado...começa a falar lá quem é essa, quem é

Joesley Batista: Cê tá falando... a Fernanda... isso... certeza o o Francisco... o Francisco já falava o seguinte... A Fernanda dá pro Ze...

Ricardo Saud: (parte inaudível) surtou (parte inaudível) demais

Joesley Batista: nããooo... surtou por causa do Ze, surtou por causa do Ze... não... surtou por causa do Ze e porque sabe que se nós entregar o Ze, nós entrega o Supremo... eu falei pro, eu falei pro Marcelo, falei Marcelo, cê quer pegar o Supremo? qué, pega o Ze... seguinte.. guarda o Ze, o Ze entrega o Supremo...

Ricardo Saud: O Ze não aguenta (parte inaudível)

Joesley Batista: não, que isso... não aguenta meia hora

Outros trechos da primeira parte

(01:30:00)

Ricardo: "J vc me deve um bônus do caralho...eu tava fechando um (inaudível) com Marcelo meu chefe".

JB corrige e fala que é "nosso chefe, não me deixe fora não".

Ricardo: "Ele (?) tava fazendo a soma sabendo que vc deu dinheiro para o PT" "Ele (?) escreveu lá 15mm para o PRB". Ricardo comenta que disseram que ele "ficava puto" de dar dinheiro para políticos "pq não sabia de nada" "nós fizemos uma conta lá de deu 170mm".

JB: "Se de repente der pra colocar vc como leniente, melhor ainda"

(01:34:00)

JB:"...igual esse negócio do SIF, ninguém queria falar, mas ainda bem que falamos". Ricardo: "Eu quis falar com o Marcelo por telefone, mas não falei não..." "Marquinhos amanhã quando (inaudível) chegar vc cuida dele...massagem, sauna (Marquinhos para ser o garçom, voz ao fundo).

(01:41:00)

JB: "Não tenho raiva do Cleto, o que ele disse é verdade"

(01:42:00)

JB: "Esse menino que tava aqui...eu vou tentar proteger ele o máximo que puder, se não dar ok" (pode ser Ciro, mas não tenho certeza).

(01:44:00)

Ricardo: "Marcelo tá me doutrinando tanto.. (trechos inaudíveis) q com a consciência mais tranquila".

(01:48:00)

JB: "Eles (MPF?) vão dissolver o Supremo...eu vou entregar o Executivo e você vai entregar o Zé, o Zé vai entregar um....(não fala)...vou ligar e chamar ele e falar...o Zé seguinte vc precisa trabalhar com a gente, nós precisamos organizar o Supremo, a única chance que a gente tem de sobreviver...vc tem quem? como é cada um? qual a influência que vc nesse? Como é que a gente grampeia? o Zé vai entregar tudo...a gente vai falar de 2 só, nós só vai entregar o Judiciário e o executivo, a ODB moeu o legislativo, nós vamos moer...

(01:50:00)

Ricardo: "Vai deixar pra cumprir depois" (parece falar sobre as condições impostas pelo acordo de colaboração)

JB: "Não, tem que se um tchau e não voltar aqui mais nunca...n tem negócio de vir depois...nós vamos fazer um serviço tão bem feito que não vai precisar chamar nóis...tá tdo gravado ai"

Ricardo: "Essa parte o Marcelo tá....(inaudível)...

JB: "Vamos ver, vamos devagar".

Ricardo: "A não ser que o Zé entregue o Supremo inteiro".

JB: "O Zé vai entregar... B é isso, o C é isso...por onde a gente chega, bota tudo na conta do Zé...nós só vamos precisar falar de duas coisas"

Ricardo:" entrega o Zé (inaudível)....Marco Aurélio..." JB: "e oh tchau..."

(01:52:40)

JB: "Por isso que eu quero nós dois 100% alinhado com o Marcelo...nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot...eu acho...é oq falei com a Fernanda...nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão...Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos o último...vai ser que vai bater o prego da tampa".

Ricardo: Ela tá entendo?

JB: "tá entendo"

JB: "Nós fomos intensos pra fazer, temos que intensos pra terminar".

Ricardo: "Falei com Francisco...essa briga da Fernanda com o Marcelo".

JB: "Não tem a briga.."

Ricardo: "Não tem?"

JB: "Não é que não tem...nós vamos...eu já falei para o Francisco. Francisco, tem que resolver isso...eu já dei o caminho das pedras para o Francisco..."

Ricardo: "...fazer tdo direitinho..entrar em divida"

JB: "De ordem objetiva, eu já falei: Francisco se tem até domingo que vem pra comer a Fernanda, se não eu vou comer..."

Ricardo: (inaudível)

JB: "Eu já falei...oh Francisco é trabalho..missão, vou te dar até domingo que vem, ou vc me libera que eu vou fazer o serviço e vou mesmo..."

Ricardo: Domingo agora?

JB: Não o outro, eu dei pra ele o outro. Francisco, eu te dou até o outro, porque é o seguinte...Ricardinho, tem que fazer...Francisco não é fetiche, é o seguinte...um de nós tem q botar ela na cama...eu já arrumei um viado pra dar pra quem vai precisar...sério..tem msm...eu já tenho contratado

Ricardo: Então eu vou falar pro Marcelo...quem vc tá querendo comer? Eu? ou dar pra um viado?

JB:(inaudível)...é o seguinte..ou vai no amor ou vai ná...é serviço rapaz

Ricardo: (inaudível)...eu acho que o Marcelo...(inaudível)...tem que ver o que nós tamos querendo"

JB: "Eu falei para o Francisco isso...Francisco vc não comeu ainda? não. Vc tem mais uma semana, ou eu resolvo isso.

Ricardo: (...inaudível)...Marcelo não nada...é diferente da Fernanda.

JB: "Ele só quer fazer o certo"...

Ricardo: "Ele quer (inaudível)...que ele tá saindo, talvez ele nem saia

JB: "E a Fernandinha nós vamos ajeitar e nós vamos ajeitar o Marcelo que vc tá ajeitando

Ricardo: "Marcelo tá ajeitando"

JB: "E é o seguinte...nós vamos conhecer o Janot e quem é que precisa do que

Ricardo: Os nossos valores da empresa num bate...(inaudível) eu falei com o Marcelo....(inaudível)

JB: Tá faltando o Francisco...eu falei o Francisco se vai comer ou não vai?

Ricardo: (inaudível)...mandei uma mensagem de propósito, só pra ver...(inaudível)...vamos marcar terça-feira, por causa disso..disso. Eu fiz 11 páginas...eu sozinho (inaudível). Agora a Fernanda, ela tem interesse....(inaudível). Sabe qual é o problema? O Marcelo é a primeira causa dele...é a única da vida dele. A Fernanda tem umas 3/4

JB: Alguém tem que ajeitar ela. Que é o que eu falei com o Francisco

Ricardo: (inaudível) por causa do Zé....

JB: Ela não tá falando que é o Zé, ela tá falando que é o Gilmar...q não sei quem...é porra nenhuma...eu já falei...Francisco, Ricardinho

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Ricardo: (inaudível)...ele até acha que o Francisco tá dando em cima da Fernanda, que ele gosta muito da Fernanda, mas o episódio da briga dele com a Fernanda...houve a briga dele com a Fernanda, vc não falou nada com ele aquele dia...(inaudível) ele ficou constrangido...

Segunda parte

(2:11:43)

JB - Eu acho que eu sei o que o Ministério Público tá fazendo, eu acho que eu sei o que o Anselmo tá fazendo. Ai o Anselmo faz as peripécias dele tudo, eu olho para ele e falo assim. Chefe, é o seguinte, eu to entendendo. Engraçado... Eu não to conseguindo me fazer entender.

RS - Então, tá.

JB - É o seguinte: nós não vamos ser presos. Ponto.

RS - Tá...(ininteligível)

JB - Nós não tamo sofrendo de nada. É o seguinte, eu to entendendo tudo.

RS - Não. Você entende pelo lado positivo que nós vamos chegar numa delação. Lógico que é. Isso tudo... (ininteligível) Vocês não deram conta de resolver o problema de vocês. Três anos... Eu tive que resolver meu problema e salvar minha empresa

JB - Eu acho que nada disso me supreende. Porque eu acho que eu estou entendo exatamente o que eles estão fazendo. E para mim está tudo normal.

RS - O que nós conversamos lá é exatamente o que nós conversamos... Eles não estão aproveitando lá...

JB - Aproveitou. Eu acho que aproveitou. Para mim, eu não acho. Eu tenho certeza. Eu, para mim, estou entendendo o jogo. Do dia que nós ligamos para o Anselmo, toda semana teve um BUM BUM BUM BUM...

RS - Quase...

JB - Que nós tamos, mas não tamos.

RS - Mais ou menos

JB - Mas não teve nada contra nós.

RS - Indireto, teve.

JB - Mas direto, não.

RS - Até a matéria eu fiquei feliz, porque a matéria...

JB - Mas não teve. Conosco não teve nada.

RS - Aí eu não concordo. Não concordo de jeito nenhum (ininteligível) Marcelo...

JB - Mas é necessário isso. Isso é bom. Isso faz parte... Construir a história... Mas não vai ser... É o subliminar... Eu posso estar totalmente enganado. E eu acho que eles podem nao estar fazendo isso orquestradamente. Agora, eu acho que eles tao fazendo isso achando que nós não estamos entendendo, mas eu to entendendo. Quem não está entendendo, tem pânico. Eu to entendendo. Nao tem pânico não. O Wesley nao entende isso. Ninguém entende isso. Eu, Joesley, posso estar completamente num lalaland, eu não.. Eu to vendo tudo e to em paz. Eu to achando que ta tudo certinho. Que é a reação...

RS - (ininteligível)

JB - Mas não é isso que eu to falando. Eu não to falando disso. Eu nao consigo me fazer entender. Seria a reação natural... Pensa você no lugar do Janot. Senta na cadeira do Janot.

RS - (ininteligível)

JB - O Janot sabe tudo. A turma já falou pro Janot.

RS - Você acha que o Marcelo já falou pro Janot?

JB - Não. Não é o Marcelo. O...

RS - Anselmo.

JB - Anselmo e o Anselmo falou pro Pellela, falou pro nao sei o que lá, que falou pro Janot. O Janot tá sabendo... Aí o Janot, espertão, que que o Janot falou? Bota pra fuder, bota pra fuder. Poe pressão neles, para eles entregarem tudo, mas não mexe com eles. Não vamo fude, bota pânico neles, mas nao mexe com eles.

RS - Se está combinado, por que não está combinado com a gente?

JB - Porque não pode ser combinado... Não pode ser combinado... Você não pode entender isso... Eu entendo. Eu não devia estar entendendo. Ninguém tá entendendo... Por isso que eu to dizendo... Eu tenho a pretensão, que eu posso estar completamente errado. Eu tenho a pretensao de achar que eu to entendendo. Eu acho que eu entendo o que as pessoas acham. Em condição normal de pressão e temperatura, eles estão fazendo o que é previsível deles fazerem. Pensa você no lugar deles. Eles são espertão. O que você faria? Toca pressão nesse povo! Mas não mexe com eles... Eu to falando assim...

RS - Não são eles... (ininteligível) Isso não serve para nada, mas eu te entendo (ininteligível). Você sabe onde você quer chegar... Os caras ajudaram a gente hoje. Por que eu vou passar pro Marcelo o que eu tenho...

JB - Não pode passar nada...

RS - Foi isso que eu fiz. Não passei porra nenhuma.

JB - Eu nao consegui me fazer entender ainda.

RS - Você passaria então pro Marcelo os números que eu levantei mais o Demilton hoje.

JB - De jeito nenhum. Só o oficial.

RS - Só o oficial. (ininteligível) mais o Demilton, mas passei o oficial para ele...

JB - Isso.

RS - Ele falou assim para mim: Ricardo, esses números eu tenho. Não precisava... Muito obrigado, eu entendi, tchau. É o que eu te falei hoje... Fiquei preocupado. Não deu nenhum ok, assim... Não sei se ele está me testando ou não... Eu quebrei (ininteligível) depois com ele.

JB - Eu tenho a pretensão de achar que eu sei o que as pessoas estão falando, e o que as pessoas estão pensando. Eu reajo muito mais pelo que eu acho que você está pensando do que o que você ta falando.

RS - Ta certo. Deixa eu falar uma coisa... O Marcelo deu uma (ininteligível) para nós... É isso? Ele falou pro Janot que nós temos muito mais para entregar?(ininteligível)

JB - Vamo lá. Vamo dar um passo atrás. Na minha cabeça. O Marcelo é do MPF. Ponto. O Marcelo tem linha direta com o Janot. Quando eu falo o Janot, é Janot, Pellela... Tudo a mesma coisa.

RS - Eu não te falei? Olha a mensagem?

JB - Janot, Pellela, qual o nome daquele outro? Que a...

RS - Eu sei... Janot, Pellela...

JB - E o outro lá. Ricardo, nós somos jóia da coroa deles. O Marcelo já descobriu e já falou com o Janot: Ô Janot, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos e ele ja entendeu isso. A Fernanda surtou por que? Porque a Fernanda entendeu que nós somos muito mais e nós podemos muito mais... Aí até a Fernanda perdeu o controle. Aí até a Fernanda falou, calma. Supremo, não. Calma. Vai fuder meus amigos, vai... Só para, Ricardinho, eu não vou conseguir te explicar... Ricardinho, confia nimim. É o seguinte, vamo conversando tudo. Nós vamos tocar esse negócio. Nós vamos sair lá na frente. Nós vamos sair amigos de todo mundo. E nós não vamos ser presos. Pronto. E nós vamos salvar a empresa.

RS - (ininteligível)

JB - Eu sei, mas... Eu não consegui te fazer entender...

RS - Eu nao consigo entender o seguinte: então por que, se nós somos a jóia da coroa, por que a Fernanda não acha isso?

JB - Calma. É porque...

RS - Não, sério. Profissionalmente... Só para fechar meu... Por que o Marcelo tá tão vidrado na gente? O cara me mandou escrever tudo hoje lá para ele. Quarta-feira vou entregar tudo, 100 %. Eu pergunto para si, por que a Fernanda não fecha com a gente?

JB - Ela fecha. Ela fecha. Ricardinho, a maior agonia de todo mundo é porque o seguinte, nós vamos chegar lá.

RS - Tem quatro semanas...(ininteligível)

JB - Ó, é legal...(ininteligível)

(2:42)

JB fala de Janot. Diz que "operação de hoje foi ridícula", que ele vai querer delação deles.

Marcelo Miller. Diz que encontrou com Marcelo há duas semanas. Diz que ligou para ele "jogando a toalha" (ou seja, querendo fazer delação). Miller ajudou RS a escrever anexos e prestou assessoria jurídica durante negociação do acordo de colaboração premiada.

Tranquiliza RS sobre operação deflagrada na data. Afirma que "faz 30 dias" que estão tentando fazer delação. "Não da para nós um dia chegar e contar trinta... vinte traquinagens nossas sem tomar um bombardeio". Diz que tinham dúvidas sobre se entregavam "o esquema de hoje" e diz que agora não tem mais dúvidas.

Dá a entender que já decidiram fazer acordo há algum tempo. Que estão segurando, apesar de ter decidido. Decisão de segurar foi tomada junto com Marcelo Miller.

(03:15)

RS - E a nossa ja (ininteligível) faz quatro semanas. Segunda feira faz um mês. E tá segurando. (ininteligível) Comer o cú do preso... não interessa se a cela vai estar cheia ou vai estar vazia... Vai comer de todo jeito. Não consigo entender essa tese sua. É melhor nóis foder logo os caras e arrebentar com tudo do que ficar com artifício para nóis delatar o caras. Eu não concordo com você...

JB - Como?

RS - Deixa eu te falar uma coisa: Nós estamos com tudo pronto para fuder os caras.

JB - Isso.

RS - (ininteligível) a empresa e nós vamos fuder os caras e pronto.

JB - Concordo.

RS - (ininteligível) eles estão dando para nós artifícios...

JB - Concordo. Não...

RS - Tem quatro semanas... Vai tomar no cu. É tudo bandido (ininteligível) (...) Se nós tivéssemos delatado a semana passada, com todo repeito... Em vez de dez ter caído hoje, tinha aumentado vinte. (ininteligível)

JB - Eu concordo 100% com você.

RS - Nós já não estamos decididos a fazer isso? (...) A estratégia é sua. Faz o que você quiser.

(3:18)

RS - Se nós tivéssemos feito delação lá atrás... Nós tínhamos delatado os fiscais (ininteligível) o Eduardo Cunha, aceito delação do Eduardo Cunha... O Marcelo falou que ele ta forçando que ele quer fazer.

JB - Ele não. O Lúcio.

RS - Eduardo Cunha. O Marcelo me contou que eles estão pressionando (ininteligível) vai fazer. Sai o Lucio, sai do Eduardo...(ininteligível) não sei o que a gente ganha, porque o desgaste se nós vamos fazer de todo jeito...

JB - É que não depende só da gente.

RS - Ô Joesley, depende de quem? Depende o caralho.Você consegue a hora que você quiser falar com o Janot. Tá certo que o Marcelo não consegue amanhã falar com o Janot (ininteligível) Que hora que ce falou isso pro Marcelo? Que horas que você falou pro Marcelo que você quer falar com o Janot?

JB - (ininteligível)

RS - (ininteligível) Você não falou para ele. (ininteligível) Você ta mentindo. Falou para a Fernanda. Você nunca falou para ele... (ininteligível) Você já falou isso para ele? Ô Marcelo, vem cá, vamos levar nós dois lá para falar com o Janot. Fala isso para ele terça feira para você ver.

(...)

RS - Sem mostrar essa nova que você fez com o Rodrigo, ele já tinha te levado você para o Janot. Só o Zé Eduardo... Porque a primeira que você tinha do (ininteligível) com o Rodrigo... (ininteligível) Não quer saber se Francisco, de ninguém. Eles não conversaram nada comigo. (ininteligível) Sabe? Ele se enquadrou. (ininteligível) Disse que faz parte. Eu acho que o caminho para chegar até o Janot não é ele.

JB - É ele.

RS - Mas você passa tudo pro Janot?

JB - Como é?

RS - Eu falei: você passa tudo pro Janot, né? Do que está acontecendo aqui.. Ele disse: Não, não. Não vou te mentir não. Não passou não. É um amigo meu comum. É um amigo meu comum.

JB - Um amigo?

RS - Meu comum. Comum do Janot. Eu falei, você passa tudo pro Janot? Ele falou, não. É um amigo meu comum.

JB - Ah, que ele passa?

RS - Ele passa pro Janot. O amigo comum...

JB - Ai passa.

RS - O amigo comum que está nos ajudando. O amigo comum, entre eu e o Janot (ininteligível)

JB - Mas então ele falou que passa?

RS - (ininteligível) É igual a eu quando batia punheta (ininteligível) O amigo comum da gente está nos ajudando. É amigo comum nosso? Ele falou, não. Meu, do Janot e dele.

JB - Ah, então ele falou.

RS - Falou.

JB - Caralho, você não falou...

RS - (ininteligível) para quem que ele passa.

JB - Não...

RS - O amigo comum deles.

JB - Você nunca me falou isso.

RS - O amigo comum...

JB - Então ele passa... Então é verdade que ele corre no banheiro e passa. Mas então pera aí. Me fala aí de novo. Isso só corrobora o que eu penso.

RS - (ininteligível) Prometo que não é... É um amigo comum nosso. Eu falei, comum nosso? Ele falou, não. Comum meu, dele e do Janot. Esse cara ta me ajudando. Esse cara faz parte do meu escritório. Ai eu falei assim, mas como faz parte do seu escritório? Não posso falar, depois eu te explico e tal. Ta, mas eu descobri que você passa pro Janot. (ininteligível) É o seguinte: o Janot não vai concorrer mais ao cargo. Ele faz parte do nosso escritório. Ele falou. O Janot vai sair e vai advogar com esse mesmo escritório. Mesmo escritório que ele está hoje. Você não sabe que ele está no escritório?

JB - Não. Tá me falando agora, ué.

RS - Que o Janot vai sair e vai ficar com o Marcelo no escritório do cara. É ué, o mesmo escritório.

JB - Mas então você tá confirmando a minha tese que eu sempre pensei, que eu te falei. Que ele vai no banheiro e conta para alguem.

RS - A gente achou que era o Janot, mas disse que não, que é um amigo comum.

JB - Que fala com Janot.

RS - É um amigo comum, que é dono desse escritório que o Janot vai trabalhar depois junto com o Marcelo. Eu entendi agora. O Marcelo saiu antes. Tem um outro saindo, um tal de Christian. E o Janot não vai concorrer, ele vai sair, e vai vir advogar junto com ele e esse Christian nesse escritório. Então o escritório vai ser ele, esse christian, ele e o Janot.

JB - Caralho, mas então voce ta me confirmando que tudo que nós estamos falando ele corre no banheiro e manda pro Janot. Ou para alguém que fala com o Janot.

RS - Porque o Janot vai trabalhar com ele.

JB - Lógico.

RS - Fala que vai voltar como Procurador da República é mentira. O Janot vai sair e vai para esse mesmo escritório que ele ta indo, o mesmo escritório (ininteligível). Ele, esse Christian...

JB - mas então ele confirmou que ele vai pro banheiro e conta para alguém.

RS - Ficou claramente. Hoje ele não vai no banheiro mais. Quando está só nos dois ele manda para o cara direto, na minha frente. Hoje le pediu para eu confirmar o numéro lá. Eu peguei no tre. Ai ele falou esse número eu tenho. Mas de boa, terça feira a gente conversa. Eles tão montando um puta escritório. E ai que a Fernanda ta com ciume dele. Ele contou. Que esse Christian (ininteligível) é criminalista. Ele, o Janot e tal. Não sabia que não tinha contato. Não contou para você ainda?

JB - Não, é.

RS - Tao fazendo um puta escritório, um puta escritório. Nada meia boca não. É que eu entendi que ele já foi para esse escritório, já largou porque o Janot já... Com esse Christian aí que diz que é um cara top, novinho. Eu acho que (ininteligível)

JB - Mas não ta não. Você não pode pensar isso porque não tá. Você vai estar partindo da premissa errada.

(3:34)

Falam sobre omissão dolosa.

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RS - Tudo que não precisar tocar no tipo de assunto... A gente preserva todos os nossos... como chama... consumidores... nosso mercado... nós preservamos todos os supermercados... compradores. Todos os nossos compradores. E a gente salva uns quatro ou cinco amigos. Andrea, Durval... Porque de outro jeito, não tem jeito de contar a história sem os caras... Eu acho que pelos mais fortes... (ininteligível) A questão é ter que jogar esses amigos tudo no fogo. Os governador, coitadinhos... Beto Richa... Pegou tudo em dinheiro no (ininteligível)... Foi eu aquele (ininteligível) entregar pro Beto... Beto Richa... Colombo... Fomos eu e o... entregar para o...

JB - Gavazoni.

RS - Gavazoni. (ininteligível) Eu fui lá umas quatro vezes e o Florisvaldo umas três. Até me chamou atenção... Quem não sabe que o Guanabara ajudava vocês... (ininteligível).

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Sábado, 18 de novembro de 2017

Postado às 08h30 | 05 Set 2017 | Redação O GLOBO divulga áudios dos diálogos que podem anular a delação dos executivos da JBS

Crédito da foto: Edilson Dantas/OGLOBO Empresário Joesley Batista na Suérintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo

O jornal O GLOBO  teve acesso aos áudios de diálogos que podem anulara delação premiadas dos executivos da JBS. Em sua plantaforma eletrônica, o jornal noticiou com exclusividade.

Leia:

Na conversa gravada involuntariamente com os advogados Francisco de Assis e Ricardo Saud, o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, orienta os dois subordinados a se aproximarem do então procurador Marcelo Miller para, a partir daí, chegarem ao procurador-geral, Rodrigo Janot.

A aproximação poderia abrir caminho para um futuro acordo de delação premiada, inclusive com a concessão de imunidade aos colaboradores.

No período, vários advogados vinham tentando negociar colaboração em nome de alguns clientes, mas sempre esbarravam na fila de interessados nos mesmos benefícios que se formava às portas do grupo de trabalho da Lava-Jato na PGR.

Na conversa, os três falam também sobre uma tentativa de gravar uma conversa com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para, a partir daí, obter confissões dele sobre supostas irregularidades relacionadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles acreditavam que, se tivessem munição contra ministros da mais alta Corte do país, também teriam mais chances de obter um acordo de delação mais vantajoso.

A ideia demonstrar interesse na contratação do ex-ministro e, em seguida, gravar a conversa. Mas a estratégia não deu resultados. Cardozo teria rejeitado o jogo de sedução.

OUÇA NA ÍNTEGRA OS DIÁLOGOS OBTIDOS PELO GLOBO.

TRECHOS TRANSCRITOS

Primeira parte

Joesley Batista: Você já imaginou se nós chama o Marcelo, assim Marcelo.... vc vai passar pelo... nós damo um papel pro Marcelo (compra um papel pra nós dar pro Marcelo) (parte inaudível) a eu, ricardo, (parte inaudível) hã?

Joesley Batista: não, não é (parte inaudível) ... não, nós tinha que dar o .... o Marcelo... o o de advogado... ó você vai ser o advogado que vai arrumar as notas... arrumar o esquema das notas tal... (parte inaudível) tem nota... ó nós vamo trazer aqui ó... o Marcelo que trabalha conosco... trabalha há muitos anos... meu amigo de infância... é da...

Ricardo Saud: (parte inaudível) Goiás

Joesley Batista: é... (parte inaudível) infância lá de Goiás... seguinte ó

Ricardo Saud: vamos fazer homenagem pro coiso, como é que ele chama... (parte inaudível) amigo nosso lá

Joesley Batista: é isso, Romaninho

Ricardo Saud: ele é o Romaninho

Joesley Batista: isso ... é o Romano ... amigo de infância de(parte inaudível) ... estudou comigo em Brasília e tal... ele é advogado... seguinte, queria dizer negócio de... ele infartava

Ricardo Saud: (parte inaudível) ué ele voa no cara.. (parte inaudível) .. ele sai ali (parte inaudível)

(parte inaudível)

Joesley Batista: agora cê

Ricardo Saud: vamo conversar com ele.. (parte inaudível) não é isso não... (parte inaudível) ô Marcelo

Joesley Batista: (parte inaudível) sabia o pai dele

Ricardo Saud: (parte inaudível) cê sabe né... (parte inaudível) ué.... (parte inaudível) vai já, deixa pra semana que vem (parte inaudível) vamos pegar os três (parte inaudível) ... tem que ser garçom pra convencer ele aqui

Joesley Batista: não, não... (parte inaudível) não pode... tem que ficar aqui, advogado... tem que ser

Ricardo Saud: tem que ser garçom pra convencer xxx ... pra mostrar que não tem nada aqu...i xxx garçom o tempo inteiro (parte sentir confortável, topa na hora)

Ricardo Saud: (parte inaudível) o governador, ele e o cara do Pimentel... (parte inaudível) motorista... tomaram um carro da mãe do Eduardo (parte inaudível) ele desceu abriu a porta do carro... (parte inaudível) Ministério Público... escolhe xxx um cara que parecia com o Eduardo... ele entrou

Joesley Batista: um bando de delinquente né..

Ricardo Saud: teste... garçom ou não xxxxxx aposto dez contra um c'ocê que ele aceita na hora... xxxx ganha xx nunca (parte inaudível)

Joesley Batista: não, não vamo fazer assim não, (parte inaudível) combinar com ele assim... Quando nós terminar nosso serviço, o último nós vamo te chamar ... ai se der merda ai....

Ricardo Saud: ai é covardia... oooo

Joesley Batista: O Renan, Ze Eduardo ... ele ficou enlouquecido com Ze Eduardo

Ricardo Saud: ele acha que o Ze Eduardo é o melhor caminho pra chegar no Supremo

Joesley Batista: ele te falou isso? que que ele te falou?

Ricardo Saud: não... nós con... eu contando lá do Ciro, das coisas e tal

Joesley Batista: que que cê falou pra ele?

Ricardo Saud: ai nós ouvimo a fita e tal

Joesley Batista: não, que que cê falou pra ele?

Ricardo Saud: não, eu falei pra ele ó... conversa lá foi assim, assim

Joesley Batista: assim o que, me fala

Ricardo Saud: não... como... nós chegamos lá, começamos conversar... o Joesley foi falando com ele... perguntamo as coisas, que que tinha feito... ele falou da lei e tal... (parte inaudível) você não tinha me falado da lei (parte inaudível) entendeu na hora da lei, falou que outubro foi aprovado uma lei assim assim negócio de narcotráfico ai... eu não sabia, mudaram a lei lá passou pra outra coisa.... ele (parte inaudível) lembrei que (parte inaudível) que em abril começou a Lava Jato... "ah ele falou dessa lei", mas essa lei (parte inaudível) filho da puta do Godoy... mas essa lei é narcotráfico, não é nada com Joesley não... falei ah eu não sei, ai Joesley tentou me explicar lá, eu não sei, eu vou ler depois, ah ai.. ai nós falamos... eu falei ó, inclusive lá nós conversamos, porra veio.... cara falou que tem cinco... cinco... Ministros do Supremo na mão dele... Inclusive muitos conversado e outros, não é só palavreado não, escrito tal... ele falou "cinco ele não tem não... ele tem... ah só se eles, só se eles contam Lewandowski até hoje"... ele falou, falei ah dai eu não sei, não deu nome não... Mas se contar Lewandowski pode ser sim... (parte inaudível) falou assim lá pra mim "mas ele tinha essa intimidade com a Dilma?"... "intimidade? eu vou te contar, eu achei que os três tavam fazendo suruba" ... porque ele falou da Carmen Lúcia, (parte inaudível) da Carmen Lúcia que vai lá falar do (parte inaudível) com a Dilma e tal, os três juntos, tal tal tal.... "ah então ele tem mesmo essa intimidade?"... (parte inaudível) os cara... falei não é mentira não.. foi tô falando (parte inaudível) contei pra ele, falamos do escritório, falamos da conta...

Joesley Batista: Que escritório? Que escritório?

Ricardo Saud: do Marco Aurélio.. (parte inaudível) falou do dinheiro?... não.. "não né Ricardo"... (parte inaudível) ... "mas e ai, que que a Dilma falou?" ... (parte inaudível) não, não (parte inaudível) nada disso.. ai se viu a Carmen Lúcia lá e tal... a última indicação e tal... ai eu contei pra ele, falei (parte inaudível)... ai mudou o assunto ... "falando sério? tá se falando disso?" ... suruba dos três e tal... "não, isso eu quero ouvir"... ai (parte inaudível) o trem ... nós falando de putaria ... "esse cara é louco..."

Joesley Batista: ai cê mostrou a fita?

Ricardo Saud: não... (parte inaudível) fomo mostrando (parte inaudível)...

Joesley Batista: isso

Ricardo Saud: ai ele falou "isso dá cadeia... eles prendem Ze Eduardo amanhã... eles prendem amanhã... melhor não... melhor não...".... (parte inaudível) eles prendem amanhã...

Joesley Batista: eles o Supremo...

Ricardo Saud: é (parte inaudível) ... ai ... deixa eu ver de novo... "ai ocê também... (parte inaudível) suruba ai... se não fala isso mais não... vou te orientar ocê não fala isso mais nunca... cê falar que a Presidente da República, Presidente do Supremo ele tá fazendo suuu... vc tem noção do que vc falou?" ... ele me deu uma dura tão grande... "vc tem noção do que vc falou? Presidente do Brasil, Presidente do Supremo e Ministro da Justiça fazendo suruba... (parte inaudível) bota lá, (parte inaudível) esse ai nós temos que tirar... temo que usar (parte inaudível) Ze Eduardo, (parte inaudível) pressionar o Ze Eduardo pra ele contar quem é o cara do Supremo..." ah meu Deus, depois disso tal... ficamo conversando... (parte inaudível) Joesley faz o que quiser aquele trem (parte inaudível) "então vamos esquecer aquele trem da briga do do Gilmar... e vamo nesses três Ministro do Supremo"...

Joesley Batista: como... esquecer a briga?

Ricardo Saud: o trem do Gilmar que virou briga lá entre ele e a... (parte inaudível) vamo esquecer isso e vamo pegar os três... eu falei (parte inaudível) Marcelo ocê é inteligente demais, vc tá largando um amigo quer três... "não, mas não é isso"... agora, ele (parte inaudível), ele tá ficando meu amigo e tal achando (parte inaudível) ... quando ele mandou eu digitar tudo lá pra ele (parte inaudível) trem e tal pá pá pá... (parte inaudível) pode escrever o que você quiser ai, que eu conserto depois ... eu tô metendo o cacete... escrevendo o que eu to pensando (parte inaudível)... eles são esperto... uma (parte inaudível)

Joesley Batista: isso... é .. ele faz assim.. (parte inaudível risada) ... (parte inaudível) Ze

Ricardo Saud: (parte inaudível) vc vai ver, ele vai pra cima docê na hora... vamos escutar terça feira (parte inaudível) ... ele vai pra cima docê na hora... na hora (parte inaudível)

Joesley Batista: (parte inaudível) ainda... tem da restituição... tem da restituição

Ricardo Saud: entregar esse do Ze Eduardo (parte inaudível) esse trem da putaria no Jornal Nacional

Joesley Batista: A Carmem Lúcia...

Ricardo Saud: tem que ouvir procê ver... o Ze não nega xxxxx

(parte inaudível)

Ricardo Saud: corrupção não veio... não é só corrupção não..

Joesley Batista: a sociedade... a sociedade...

(parte inaudível)

Ricardo Saud: (parte inaudível) Marco Aurélio (parte inaudível) ouvi a fita.... (parte inaudível) eu não lembrava o nome... (parte inaudível) bonita gostosa, não sei se era do Rio, de Brasília tal ... será que o Ze não comia essa mulher não... era uma advogada famosa... (parte inaudível) um ciúme desgraçado...começa a falar lá quem é essa, quem é

Joesley Batista: Cê tá falando... a Fernanda... isso... certeza o o Francisco... o Francisco já falava o seguinte... A Fernanda dá pro Ze...

Ricardo Saud: (parte inaudível) surtou (parte inaudível) demais

Joesley Batista: nããooo... surtou por causa do Ze, surtou por causa do Ze... não... surtou por causa do Ze e porque sabe que se nós entregar o Ze, nós entrega o Supremo... eu falei pro, eu falei pro Marcelo, falei Marcelo, cê quer pegar o Supremo? qué, pega o Ze... seguinte.. guarda o Ze, o Ze entrega o Supremo...

Ricardo Saud: O Ze não aguenta (parte inaudível)

Joesley Batista: não, que isso... não aguenta meia hora

Outros trechos da primeira parte

(01:30:00)

Ricardo: "J vc me deve um bônus do caralho...eu tava fechando um (inaudível) com Marcelo meu chefe".

JB corrige e fala que é "nosso chefe, não me deixe fora não".

Ricardo: "Ele (?) tava fazendo a soma sabendo que vc deu dinheiro para o PT" "Ele (?) escreveu lá 15mm para o PRB". Ricardo comenta que disseram que ele "ficava puto" de dar dinheiro para políticos "pq não sabia de nada" "nós fizemos uma conta lá de deu 170mm".

JB: "Se de repente der pra colocar vc como leniente, melhor ainda"

(01:34:00)

JB:"...igual esse negócio do SIF, ninguém queria falar, mas ainda bem que falamos". Ricardo: "Eu quis falar com o Marcelo por telefone, mas não falei não..." "Marquinhos amanhã quando (inaudível) chegar vc cuida dele...massagem, sauna (Marquinhos para ser o garçom, voz ao fundo).

(01:41:00)

JB: "Não tenho raiva do Cleto, o que ele disse é verdade"

(01:42:00)

JB: "Esse menino que tava aqui...eu vou tentar proteger ele o máximo que puder, se não dar ok" (pode ser Ciro, mas não tenho certeza).

(01:44:00)

Ricardo: "Marcelo tá me doutrinando tanto.. (trechos inaudíveis) q com a consciência mais tranquila".

(01:48:00)

JB: "Eles (MPF?) vão dissolver o Supremo...eu vou entregar o Executivo e você vai entregar o Zé, o Zé vai entregar um....(não fala)...vou ligar e chamar ele e falar...o Zé seguinte vc precisa trabalhar com a gente, nós precisamos organizar o Supremo, a única chance que a gente tem de sobreviver...vc tem quem? como é cada um? qual a influência que vc nesse? Como é que a gente grampeia? o Zé vai entregar tudo...a gente vai falar de 2 só, nós só vai entregar o Judiciário e o executivo, a ODB moeu o legislativo, nós vamos moer...

(01:50:00)

Ricardo: "Vai deixar pra cumprir depois" (parece falar sobre as condições impostas pelo acordo de colaboração)

JB: "Não, tem que se um tchau e não voltar aqui mais nunca...n tem negócio de vir depois...nós vamos fazer um serviço tão bem feito que não vai precisar chamar nóis...tá tdo gravado ai"

Ricardo: "Essa parte o Marcelo tá....(inaudível)...

JB: "Vamos ver, vamos devagar".

Ricardo: "A não ser que o Zé entregue o Supremo inteiro".

JB: "O Zé vai entregar... B é isso, o C é isso...por onde a gente chega, bota tudo na conta do Zé...nós só vamos precisar falar de duas coisas"

Ricardo:" entrega o Zé (inaudível)....Marco Aurélio..." JB: "e oh tchau..."

(01:52:40)

JB: "Por isso que eu quero nós dois 100% alinhado com o Marcelo...nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot...eu acho...é oq falei com a Fernanda...nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão...Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos o último...vai ser que vai bater o prego da tampa".

Ricardo: Ela tá entendo?

JB: "tá entendo"

JB: "Nós fomos intensos pra fazer, temos que intensos pra terminar".

Ricardo: "Falei com Francisco...essa briga da Fernanda com o Marcelo".

JB: "Não tem a briga.."

Ricardo: "Não tem?"

JB: "Não é que não tem...nós vamos...eu já falei para o Francisco. Francisco, tem que resolver isso...eu já dei o caminho das pedras para o Francisco..."

Ricardo: "...fazer tdo direitinho..entrar em divida"

JB: "De ordem objetiva, eu já falei: Francisco se tem até domingo que vem pra comer a Fernanda, se não eu vou comer..."

Ricardo: (inaudível)

JB: "Eu já falei...oh Francisco é trabalho..missão, vou te dar até domingo que vem, ou vc me libera que eu vou fazer o serviço e vou mesmo..."

Ricardo: Domingo agora?

JB: Não o outro, eu dei pra ele o outro. Francisco, eu te dou até o outro, porque é o seguinte...Ricardinho, tem que fazer...Francisco não é fetiche, é o seguinte...um de nós tem q botar ela na cama...eu já arrumei um viado pra dar pra quem vai precisar...sério..tem msm...eu já tenho contratado

Ricardo: Então eu vou falar pro Marcelo...quem vc tá querendo comer? Eu? ou dar pra um viado?

JB:(inaudível)...é o seguinte..ou vai no amor ou vai ná...é serviço rapaz

Ricardo: (inaudível)...eu acho que o Marcelo...(inaudível)...tem que ver o que nós tamos querendo"

JB: "Eu falei para o Francisco isso...Francisco vc não comeu ainda? não. Vc tem mais uma semana, ou eu resolvo isso.

Ricardo: (...inaudível)...Marcelo não nada...é diferente da Fernanda.

JB: "Ele só quer fazer o certo"...

Ricardo: "Ele quer (inaudível)...que ele tá saindo, talvez ele nem saia

JB: "E a Fernandinha nós vamos ajeitar e nós vamos ajeitar o Marcelo que vc tá ajeitando

Ricardo: "Marcelo tá ajeitando"

JB: "E é o seguinte...nós vamos conhecer o Janot e quem é que precisa do que

Ricardo: Os nossos valores da empresa num bate...(inaudível) eu falei com o Marcelo....(inaudível)

JB: Tá faltando o Francisco...eu falei o Francisco se vai comer ou não vai?

Ricardo: (inaudível)...mandei uma mensagem de propósito, só pra ver...(inaudível)...vamos marcar terça-feira, por causa disso..disso. Eu fiz 11 páginas...eu sozinho (inaudível). Agora a Fernanda, ela tem interesse....(inaudível). Sabe qual é o problema? O Marcelo é a primeira causa dele...é a única da vida dele. A Fernanda tem umas 3/4

JB: Alguém tem que ajeitar ela. Que é o que eu falei com o Francisco

Ricardo: (inaudível) por causa do Zé....

JB: Ela não tá falando que é o Zé, ela tá falando que é o Gilmar...q não sei quem...é porra nenhuma...eu já falei...Francisco, Ricardinho

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Ricardo: (inaudível)...ele até acha que o Francisco tá dando em cima da Fernanda, que ele gosta muito da Fernanda, mas o episódio da briga dele com a Fernanda...houve a briga dele com a Fernanda, vc não falou nada com ele aquele dia...(inaudível) ele ficou constrangido...

Segunda parte

(2:11:43)

JB - Eu acho que eu sei o que o Ministério Público tá fazendo, eu acho que eu sei o que o Anselmo tá fazendo. Ai o Anselmo faz as peripécias dele tudo, eu olho para ele e falo assim. Chefe, é o seguinte, eu to entendendo. Engraçado... Eu não to conseguindo me fazer entender.

RS - Então, tá.

JB - É o seguinte: nós não vamos ser presos. Ponto.

RS - Tá...(ininteligível)

JB - Nós não tamo sofrendo de nada. É o seguinte, eu to entendendo tudo.

RS - Não. Você entende pelo lado positivo que nós vamos chegar numa delação. Lógico que é. Isso tudo... (ininteligível) Vocês não deram conta de resolver o problema de vocês. Três anos... Eu tive que resolver meu problema e salvar minha empresa

JB - Eu acho que nada disso me supreende. Porque eu acho que eu estou entendo exatamente o que eles estão fazendo. E para mim está tudo normal.

RS - O que nós conversamos lá é exatamente o que nós conversamos... Eles não estão aproveitando lá...

JB - Aproveitou. Eu acho que aproveitou. Para mim, eu não acho. Eu tenho certeza. Eu, para mim, estou entendendo o jogo. Do dia que nós ligamos para o Anselmo, toda semana teve um BUM BUM BUM BUM...

RS - Quase...

JB - Que nós tamos, mas não tamos.

RS - Mais ou menos

JB - Mas não teve nada contra nós.

RS - Indireto, teve.

JB - Mas direto, não.

RS - Até a matéria eu fiquei feliz, porque a matéria...

JB - Mas não teve. Conosco não teve nada.

RS - Aí eu não concordo. Não concordo de jeito nenhum (ininteligível) Marcelo...

JB - Mas é necessário isso. Isso é bom. Isso faz parte... Construir a história... Mas não vai ser... É o subliminar... Eu posso estar totalmente enganado. E eu acho que eles podem nao estar fazendo isso orquestradamente. Agora, eu acho que eles tao fazendo isso achando que nós não estamos entendendo, mas eu to entendendo. Quem não está entendendo, tem pânico. Eu to entendendo. Nao tem pânico não. O Wesley nao entende isso. Ninguém entende isso. Eu, Joesley, posso estar completamente num lalaland, eu não.. Eu to vendo tudo e to em paz. Eu to achando que ta tudo certinho. Que é a reação...

RS - (ininteligível)

JB - Mas não é isso que eu to falando. Eu não to falando disso. Eu nao consigo me fazer entender. Seria a reação natural... Pensa você no lugar do Janot. Senta na cadeira do Janot.

RS - (ininteligível)

JB - O Janot sabe tudo. A turma já falou pro Janot.

RS - Você acha que o Marcelo já falou pro Janot?

JB - Não. Não é o Marcelo. O...

RS - Anselmo.

JB - Anselmo e o Anselmo falou pro Pellela, falou pro nao sei o que lá, que falou pro Janot. O Janot tá sabendo... Aí o Janot, espertão, que que o Janot falou? Bota pra fuder, bota pra fuder. Poe pressão neles, para eles entregarem tudo, mas não mexe com eles. Não vamo fude, bota pânico neles, mas nao mexe com eles.

RS - Se está combinado, por que não está combinado com a gente?

JB - Porque não pode ser combinado... Não pode ser combinado... Você não pode entender isso... Eu entendo. Eu não devia estar entendendo. Ninguém tá entendendo... Por isso que eu to dizendo... Eu tenho a pretensão, que eu posso estar completamente errado. Eu tenho a pretensao de achar que eu to entendendo. Eu acho que eu entendo o que as pessoas acham. Em condição normal de pressão e temperatura, eles estão fazendo o que é previsível deles fazerem. Pensa você no lugar deles. Eles são espertão. O que você faria? Toca pressão nesse povo! Mas não mexe com eles... Eu to falando assim...

RS - Não são eles... (ininteligível) Isso não serve para nada, mas eu te entendo (ininteligível). Você sabe onde você quer chegar... Os caras ajudaram a gente hoje. Por que eu vou passar pro Marcelo o que eu tenho...

JB - Não pode passar nada...

RS - Foi isso que eu fiz. Não passei porra nenhuma.

JB - Eu nao consegui me fazer entender ainda.

RS - Você passaria então pro Marcelo os números que eu levantei mais o Demilton hoje.

JB - De jeito nenhum. Só o oficial.

RS - Só o oficial. (ininteligível) mais o Demilton, mas passei o oficial para ele...

JB - Isso.

RS - Ele falou assim para mim: Ricardo, esses números eu tenho. Não precisava... Muito obrigado, eu entendi, tchau. É o que eu te falei hoje... Fiquei preocupado. Não deu nenhum ok, assim... Não sei se ele está me testando ou não... Eu quebrei (ininteligível) depois com ele.

JB - Eu tenho a pretensão de achar que eu sei o que as pessoas estão falando, e o que as pessoas estão pensando. Eu reajo muito mais pelo que eu acho que você está pensando do que o que você ta falando.

RS - Ta certo. Deixa eu falar uma coisa... O Marcelo deu uma (ininteligível) para nós... É isso? Ele falou pro Janot que nós temos muito mais para entregar?(ininteligível)

JB - Vamo lá. Vamo dar um passo atrás. Na minha cabeça. O Marcelo é do MPF. Ponto. O Marcelo tem linha direta com o Janot. Quando eu falo o Janot, é Janot, Pellela... Tudo a mesma coisa.

RS - Eu não te falei? Olha a mensagem?

JB - Janot, Pellela, qual o nome daquele outro? Que a...

RS - Eu sei... Janot, Pellela...

JB - E o outro lá. Ricardo, nós somos jóia da coroa deles. O Marcelo já descobriu e já falou com o Janot: Ô Janot, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos e ele ja entendeu isso. A Fernanda surtou por que? Porque a Fernanda entendeu que nós somos muito mais e nós podemos muito mais... Aí até a Fernanda perdeu o controle. Aí até a Fernanda falou, calma. Supremo, não. Calma. Vai fuder meus amigos, vai... Só para, Ricardinho, eu não vou conseguir te explicar... Ricardinho, confia nimim. É o seguinte, vamo conversando tudo. Nós vamos tocar esse negócio. Nós vamos sair lá na frente. Nós vamos sair amigos de todo mundo. E nós não vamos ser presos. Pronto. E nós vamos salvar a empresa.

RS - (ininteligível)

JB - Eu sei, mas... Eu não consegui te fazer entender...

RS - Eu nao consigo entender o seguinte: então por que, se nós somos a jóia da coroa, por que a Fernanda não acha isso?

JB - Calma. É porque...

RS - Não, sério. Profissionalmente... Só para fechar meu... Por que o Marcelo tá tão vidrado na gente? O cara me mandou escrever tudo hoje lá para ele. Quarta-feira vou entregar tudo, 100 %. Eu pergunto para si, por que a Fernanda não fecha com a gente?

JB - Ela fecha. Ela fecha. Ricardinho, a maior agonia de todo mundo é porque o seguinte, nós vamos chegar lá.

RS - Tem quatro semanas...(ininteligível)

JB - Ó, é legal...(ininteligível)

(2:42)

JB fala de Janot. Diz que "operação de hoje foi ridícula", que ele vai querer delação deles.

Marcelo Miller. Diz que encontrou com Marcelo há duas semanas. Diz que ligou para ele "jogando a toalha" (ou seja, querendo fazer delação). Miller ajudou RS a escrever anexos e prestou assessoria jurídica durante negociação do acordo de colaboração premiada.

Tranquiliza RS sobre operação deflagrada na data. Afirma que "faz 30 dias" que estão tentando fazer delação. "Não da para nós um dia chegar e contar trinta... vinte traquinagens nossas sem tomar um bombardeio". Diz que tinham dúvidas sobre se entregavam "o esquema de hoje" e diz que agora não tem mais dúvidas.

Dá a entender que já decidiram fazer acordo há algum tempo. Que estão segurando, apesar de ter decidido. Decisão de segurar foi tomada junto com Marcelo Miller.

(03:15)

RS - E a nossa ja (ininteligível) faz quatro semanas. Segunda feira faz um mês. E tá segurando. (ininteligível) Comer o cú do preso... não interessa se a cela vai estar cheia ou vai estar vazia... Vai comer de todo jeito. Não consigo entender essa tese sua. É melhor nóis foder logo os caras e arrebentar com tudo do que ficar com artifício para nóis delatar o caras. Eu não concordo com você...

JB - Como?

RS - Deixa eu te falar uma coisa: Nós estamos com tudo pronto para fuder os caras.

JB - Isso.

RS - (ininteligível) a empresa e nós vamos fuder os caras e pronto.

JB - Concordo.

RS - (ininteligível) eles estão dando para nós artifícios...

JB - Concordo. Não...

RS - Tem quatro semanas... Vai tomar no cu. É tudo bandido (ininteligível) (...) Se nós tivéssemos delatado a semana passada, com todo repeito... Em vez de dez ter caído hoje, tinha aumentado vinte. (ininteligível)

JB - Eu concordo 100% com você.

RS - Nós já não estamos decididos a fazer isso? (...) A estratégia é sua. Faz o que você quiser.

(3:18)

RS - Se nós tivéssemos feito delação lá atrás... Nós tínhamos delatado os fiscais (ininteligível) o Eduardo Cunha, aceito delação do Eduardo Cunha... O Marcelo falou que ele ta forçando que ele quer fazer.

JB - Ele não. O Lúcio.

RS - Eduardo Cunha. O Marcelo me contou que eles estão pressionando (ininteligível) vai fazer. Sai o Lucio, sai do Eduardo...(ininteligível) não sei o que a gente ganha, porque o desgaste se nós vamos fazer de todo jeito...

JB - É que não depende só da gente.

RS - Ô Joesley, depende de quem? Depende o caralho.Você consegue a hora que você quiser falar com o Janot. Tá certo que o Marcelo não consegue amanhã falar com o Janot (ininteligível) Que hora que ce falou isso pro Marcelo? Que horas que você falou pro Marcelo que você quer falar com o Janot?

JB - (ininteligível)

RS - (ininteligível) Você não falou para ele. (ininteligível) Você ta mentindo. Falou para a Fernanda. Você nunca falou para ele... (ininteligível) Você já falou isso para ele? Ô Marcelo, vem cá, vamos levar nós dois lá para falar com o Janot. Fala isso para ele terça feira para você ver.

(...)

RS - Sem mostrar essa nova que você fez com o Rodrigo, ele já tinha te levado você para o Janot. Só o Zé Eduardo... Porque a primeira que você tinha do (ininteligível) com o Rodrigo... (ininteligível) Não quer saber se Francisco, de ninguém. Eles não conversaram nada comigo. (ininteligível) Sabe? Ele se enquadrou. (ininteligível) Disse que faz parte. Eu acho que o caminho para chegar até o Janot não é ele.

JB - É ele.

RS - Mas você passa tudo pro Janot?

JB - Como é?

RS - Eu falei: você passa tudo pro Janot, né? Do que está acontecendo aqui.. Ele disse: Não, não. Não vou te mentir não. Não passou não. É um amigo meu comum. É um amigo meu comum.

JB - Um amigo?

RS - Meu comum. Comum do Janot. Eu falei, você passa tudo pro Janot? Ele falou, não. É um amigo meu comum.

JB - Ah, que ele passa?

RS - Ele passa pro Janot. O amigo comum...

JB - Ai passa.

RS - O amigo comum que está nos ajudando. O amigo comum, entre eu e o Janot (ininteligível)

JB - Mas então ele falou que passa?

RS - (ininteligível) É igual a eu quando batia punheta (ininteligível) O amigo comum da gente está nos ajudando. É amigo comum nosso? Ele falou, não. Meu, do Janot e dele.

JB - Ah, então ele falou.

RS - Falou.

JB - Caralho, você não falou...

RS - (ininteligível) para quem que ele passa.

JB - Não...

RS - O amigo comum deles.

JB - Você nunca me falou isso.

RS - O amigo comum...

JB - Então ele passa... Então é verdade que ele corre no banheiro e passa. Mas então pera aí. Me fala aí de novo. Isso só corrobora o que eu penso.

RS - (ininteligível) Prometo que não é... É um amigo comum nosso. Eu falei, comum nosso? Ele falou, não. Comum meu, dele e do Janot. Esse cara ta me ajudando. Esse cara faz parte do meu escritório. Ai eu falei assim, mas como faz parte do seu escritório? Não posso falar, depois eu te explico e tal. Ta, mas eu descobri que você passa pro Janot. (ininteligível) É o seguinte: o Janot não vai concorrer mais ao cargo. Ele faz parte do nosso escritório. Ele falou. O Janot vai sair e vai advogar com esse mesmo escritório. Mesmo escritório que ele está hoje. Você não sabe que ele está no escritório?

JB - Não. Tá me falando agora, ué.

RS - Que o Janot vai sair e vai ficar com o Marcelo no escritório do cara. É ué, o mesmo escritório.

JB - Mas então você tá confirmando a minha tese que eu sempre pensei, que eu te falei. Que ele vai no banheiro e conta para alguem.

RS - A gente achou que era o Janot, mas disse que não, que é um amigo comum.

JB - Que fala com Janot.

RS - É um amigo comum, que é dono desse escritório que o Janot vai trabalhar depois junto com o Marcelo. Eu entendi agora. O Marcelo saiu antes. Tem um outro saindo, um tal de Christian. E o Janot não vai concorrer, ele vai sair, e vai vir advogar junto com ele e esse Christian nesse escritório. Então o escritório vai ser ele, esse christian, ele e o Janot.

JB - Caralho, mas então voce ta me confirmando que tudo que nós estamos falando ele corre no banheiro e manda pro Janot. Ou para alguém que fala com o Janot.

RS - Porque o Janot vai trabalhar com ele.

JB - Lógico.

RS - Fala que vai voltar como Procurador da República é mentira. O Janot vai sair e vai para esse mesmo escritório que ele ta indo, o mesmo escritório (ininteligível). Ele, esse Christian...

JB - mas então ele confirmou que ele vai pro banheiro e conta para alguém.

RS - Ficou claramente. Hoje ele não vai no banheiro mais. Quando está só nos dois ele manda para o cara direto, na minha frente. Hoje le pediu para eu confirmar o numéro lá. Eu peguei no tre. Ai ele falou esse número eu tenho. Mas de boa, terça feira a gente conversa. Eles tão montando um puta escritório. E ai que a Fernanda ta com ciume dele. Ele contou. Que esse Christian (ininteligível) é criminalista. Ele, o Janot e tal. Não sabia que não tinha contato. Não contou para você ainda?

JB - Não, é.

RS - Tao fazendo um puta escritório, um puta escritório. Nada meia boca não. É que eu entendi que ele já foi para esse escritório, já largou porque o Janot já... Com esse Christian aí que diz que é um cara top, novinho. Eu acho que (ininteligível)

JB - Mas não ta não. Você não pode pensar isso porque não tá. Você vai estar partindo da premissa errada.

(3:34)

Falam sobre omissão dolosa.

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RS - Tudo que não precisar tocar no tipo de assunto... A gente preserva todos os nossos... como chama... consumidores... nosso mercado... nós preservamos todos os supermercados... compradores. Todos os nossos compradores. E a gente salva uns quatro ou cinco amigos. Andrea, Durval... Porque de outro jeito, não tem jeito de contar a história sem os caras... Eu acho que pelos mais fortes... (ininteligível) A questão é ter que jogar esses amigos tudo no fogo. Os governador, coitadinhos... Beto Richa... Pegou tudo em dinheiro no (ininteligível)... Foi eu aquele (ininteligível) entregar pro Beto... Beto Richa... Colombo... Fomos eu e o... entregar para o...

JB - Gavazoni.

RS - Gavazoni. (ininteligível) Eu fui lá umas quatro vezes e o Florisvaldo umas três. Até me chamou atenção... Quem não sabe que o Guanabara ajudava vocês... (ininteligível).

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