Quarta-Feira, 24 de abril de 2019

Postado às 09h00 | 13 Abr 2019 | Redação Governadora fala de "atoleiro financeiro", mas não apresenta medidas necessárias

Crédito da foto: Demis Roussos Governadora Fátima Bezerra prestou contas dos 100 dias de governo

Coluna César Santos/JORNAL DE FATO

Na coletiva à imprensa sobre os 100 dias de gestão, a governadora Fátima Bezerra (PT) gastou boa parte do tempo para reafirmar que pegou o Estado quebrado. Nas palavras dela, “um verdadeiro atoleiro do ponto de vista das contas públicas.” É verdade, Fátima, herança maldita do ex-governador Robinson Faria (PSD), sob todos os aspectos, mas, principalmente na área fiscal e financeira.

Fátima encontrou o Estado com quatro folhas salariais em aberto, dívidas acumuladas com prestadores de serviços e fornecedores, estrutura da máquina pública completamente avariada, e o governo gastando mais do que a arrecadação.

O “rombo” nas contas públicas, em 1º de janeiro deste ano, quando a atual governadora tomou posse, era de R$ 4,6 bilhões. Só com salários atrasados e “restos a pagar” a conta chegava a R$ 2,3 bilhões.

Esse cenário tornou-se público, com números revelados pela equipe de transição, e respaldou a decisão da governadora de decretar calamidade financeira do Estado. Por consequência, reforçou o discurso de que medidas urgentes seriam aplicadas para iniciar o processo de reequilíbrio das contas públicas.

Pois bem.

100 dias se passaram e a situação do Rio Grande do Norte é a mesma. Na prestação de contas, a governadora não apresentou as contas. Afirmou que as medidas surtiram efeito positivo, mas não exibiu os números, oferecendo apenas a palavra como prova.

O que chama a atenção é que as medidas, ressaltadas da forma genérica pela governadora, não se encaixam à necessidade do Estado. Diria que foram medidas de economia de bodega, como redução da conta de energia, de consumo de combustível, e outras despesas do gabinete. Claro que isso não resolve, e nem precisa ser especialista em economia para saber que a redução dessas despesas não cobre o rombo bilionário.

Fátima, até aqui, se nega a tomar medidas austeras, como a crise exige. Por exemplo: evita mudar o sistema previdenciário estadual para não bater de frente com os servidores públicos. O Ipern queixa-se de um déficit mensal de R$ 130 milhões, logo, ao rombo nas contas públicas serão acrescentados R$ 1,56 bilhão no final de 2019. Somando-se à dívida já acumulada, teremos algo em torno de R$ 6 bilhões.

O cenário sugere, e não há outra alternativa de que a saída para a crise só com a mão amiga da União. Para isso, o Estado terá que fazer a sua parte, como o enxugamento da máquina, redução de cargos, venda de ativos, privatização de estatais, e outras medidas que apontem para o equilíbrio das contas públicas. Até aqui, a governadora não acena para essa disponibilidade.

De resto, Fátima anunciou o edital do pregão eletrônico para vender a receita antecipada de royalties de petróleo e gás, como se fosse um grande feito, e não como uma conta cujo recibo chegará no tempo próximo.

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