Domingo, 18 de novembro de 2018

Postado às 13h30 | 15 Out 2018 | Da Redação Quase 140 professores sofrem atentado no RN e mais de 530 são alvos de ameaças

Crédito da foto: Ilustração Estudo mais recente sobre o assunto detalha cenário de 2015 nas escolas do país

Fábio Vale/Jornal De Fato

A violência que assola o país também ronda os estabelecimentos educacionais. Unidades de ensino em todo o território brasileiro são atingidas por problemas ligados à segurança pública nacional. No Rio Grande do Norte, o cenário é preocupante. Recente pesquisa nacional sobre o tema mostrou que no estado, 136 professores e diretores de escolas sofreram atentado à vida em 2015.

A reportagem considerou importante retomar a discussão em torno do assunto diante do fato de se estar na véspera do Dia do Professor. A data é comemorada nesta segunda-feira (15) e remonta ao dia 15 de outubro de 1827, quando o imperador dom Pedro I instituiu um decreto que criou o ensino elementar no Brasil, com a instituição das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país; e a 1963, quando o então presidente João Goulart assinou um decreto oficializando a data.

De lá para cá, a violência segue rondando as escolas. O assustador quadro atual foi confirmado mais recentemente pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017. O relatório de 108 páginas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública traz uma seção sobre violência nas escolas e aponta a situação preocupante verificada em todo o país.

Divulgada em outubro do ano passado, a 11ª edição da publicação aponta que dos pouco mais de 5.400 entrevistados no Rio Grande do Norte, 136 (2,5%) disseram ter sido alvo de atentado à vida. O questionário tratou da vitimização de diretores e professores na escola em que trabalharam no ano de 2015.

Mais de 530 profissionais no RN disseram já ter sido ameaçados por algum aluno

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017 também revelou outra estatística preocupante. Em nível de Rio Grande do Norte, 537 diretores e professores disseram já ter sido ameaçados por algum aluno. O número absoluto corresponde a um índice de 9,9%.

A pesquisa também avaliou a percepção de diretores e professores sobre a ocorrência de situações de violência na escola quanto à agressão verbal ou física de alunos contra professores ou contra funcionários. Em âmbito nacional, 50,2% confirmaram a ocorrência desse tipo de situação; e 70% para agressão verbal ou física de alunos contra outros colegas de sala.

Em nível estadual, 50% confirmaram registros de agressão verbal ou física de alunos a professores ou funcionários da escola e 75,4% deram conta de agressão verbal ou física de alunos a colegas de sala. No estado, apenas 5,4% confirmaram ter presenciado alunos frequentando a escola sob efeito de bebida alcoólica.

Ainda na percepção de diretores e professores sobre a ocorrência de situações de violência na escola potiguar, somente 12,5% confirmaram alunos frequentando a escola sob efeito de drogas ilícitas e 8,3% registraram alunos frequentando a escola portando arma branca, como facas e canivetes, e 1,6% confirmaram alunos frequentando a escola portando arma de fogo.

Quanto a ser vítima de furto em escolas potiguares (sem uso de violência), 5,7% (308) dizem ter sido alvos e 1,7% (92) vítima de roubo (com uso de violência). A reportagem encaminhou e-mails à Secretaria Estadual de Educação, ao sindicato que representa os trabalhadores do setor no estado e à Secretaria de Segurança Pública para obter uma posição sobre o assunto, mas, até o fechamento desta edição na tarde da última quinta-feira (11), não houve retorno.

Profissionais apontam problemas no controle de acesso nas escolas e no policiamento

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017 detalhou, ainda, outros problemas ligados à segurança pública nas escolas do país. Na percepção dos avaliadores da Prova Brasil com relação à segurança da escola e dos alunos em 2015,  77,6% dos entrevistados em todo o país consideravam como “Bom” o “Controle de entrada de pessoas estranhas na escola”.

No Rio Grande do Norte, esse percentual cai para 73,5; enquanto que 20,4% consideravam “Regular”; 3,6% “Ruim”; e 1,7% dos profissionais ouvidos pelo estudo no estado classificaram como “Inexistente” o controle de entrada de pessoas estranhas na escola. Em nível nacional, o estado de São Paulo (89,3%) foi onde esse controle foi mais elogiado e o Pará teve o menor índice (63,6%).

Quando questionados sobre “Esquema de policiamento para inibição de furtos, roubos e outras formas de violência”, apenas 35,4% dos entrevistados no país classificaram o quesito como “Bom”. No RN, a categoria “Inexistente” liderou com 44,9%; seguida de “Bom” (29,6%); “Regular” (15,5%); e “Ruim” (7,7). Acerca do “Esquema de policiamento para inibição de tráfico de tóxicos/drogas dentro da escola”, a classificação Inexistente liderou a média nacional com 42,9%

No estado potiguar, esse índice subiu para 53,4%; seguido da classificação “Regular” (19,4%). Quanto ao “Esquema de policiamento para inibição de tráfico de tóxicos/drogas nas imediações da escola”, “Inexistente” também liderou no país com 50,3%. No RN, esse percentual saltou para 60,4; seguido da classificação “Regular” (15,4%).

Aspectos estruturais também foram avaliados pela pesquisa como ligados à segurança. Sobre a “Iluminação do lado de fora da escola”, a tendência de “Inexistente” se manteve na liderança com 37,7% em todo o país. No estado potiguar, essa avaliação negativa quase dobrou: 67,6%. E diante da pergunta se a escola adotava alguma medida de segurança para proteger os alunos nas imediações do estabelecimento, 82% dos entrevistados no país responderam que “Sim” e no RN esse percentual foi de 90%.

Matéria publicada na edição impressa impressa deste domingo (14) do JORNAL DE FATO.

 

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Violência
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