Por Lauro Jardim/GLOBO
O ex-executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho afirmou ontem, em depoimento no TSE, que Lúcio Funaro não teve nada ver com a entrega de dinheiro da empreiteira para Eliseu Padilha (foto) em 2014. O entregador do dinheiro teria sido o doleiro Álvaro José Galliez Novis, de apelidos Paulistinha e Carioquinha, da Hoya Corretora, e preso atualmente em Bangu 8, no Rio de Janeiro, por envolvimento na organização criminosa supostamente chefiada por Sérgio Cabral.
Questionado pelo advogado de defesa do PT, Flávio Caetano, José Filho afirmou textualmente que Funaro, ex-doleiro preso em Brasília e, segundo a Lava-Jato, comparsa de Eduardo Cunha em diversos esquemas ilegais, não foi quem repassou ou pegou o dinheiro para Eliseu Padilha, conforme disse José Yunes, ex-assessor e amigo pessoal de Michel Temer.
José Carvalho Filho explicou como se deu a entrega de dinheiro para Padilha.
Segundo ele, foi mais de uma entrega, mas ele não sabe precisar quantas por que o sistema de propinas da Odebrecht não registrou todas. De acordo com o ex-executivo, que era auxiliar do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho, era ele quem pegava com Eliseu Padilha os endereços de entrega de dinheiro.
Em seguida, Carvalho Filho repassava para Maria Lúcia Tavares, secretária do Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propina do grupo. Maria Lúcia era quem dava a Novis as coordenadas para a entrega.
Em delação, Cláudio Melo, ex-executivo da Odebrecht, afirmou que Yunes recebeu em seu escritório, em dinheiro vivo, R$ 4 milhões que seriam parte de um repasse de R$ 10 milhões. Yunes pediu demissão do cargo de assessor especial da Presidência em dezembro, após a delação vir à tona.
Há duas semanas, em entrevista à coluna, Yunes afirmou que foi usado como mula involuntária de Eliseu Padilha, para supostamente repassar o que ele acredita ser dinheiro para Lúcio Funaro. Yunes diz que, desde 2014, Michel Temer sabia disso.
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César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.