Quarta-Feira, 06 de May de 2026

Postado às 06h45 | 23 Sep 2018 | Coluna César Santos - 23 de setembro

Crédito da foto: Ilustração Retórica na campanha eleitoral

O QUE HÁ DE TÃO PERIGOSO?

Mas, o que há, enfim, de tão perigoso no fato de as pessoas falar e de seus discursos proliferar indefinidamente? Onde, afinal, está o perigo?

Aassim falou Michel Foucault em uma aula inaugural no Collège de France, em 2 de dezembro de 1970, que deu origem ao livro “A ordem do discurso”.
Proferida há quase cinco décadas; todavia, atemporal.

O ato de discursar, seja através das palavras, gestos, imagens ou até pelo próprio silêncio, é uma atividade inerente ao “estar vivo”. Ao nascer, discursar é a primeira coisa que fazemos: choramos. E se não choramos, somos forçados a isso.

Cotidianamente, empregamos os nossos corpos e mentes na realização de infinitos discursos, desde aqueles que têm como escopo o atendimento de necessidades básicas até os que visam à irrupção de opiniões.

O discurso é também uma forma de exercer/defender o poder; para tanto, munindo-se das mais diversas artimanhas: popularidade, inverdades fantasiosas, recursos gráficos, aparato financeiro etc..

“[...] o que está em jogo senão o desejo e o poder?”, disse Foucault.

Será, por esse motivo, tão perigoso o discurso?

Em tempos como estes, de campanha eleitoral – digo, em que os mais diversos discursos tomam formas –, os sujeitos inseridos acabam utilizando variados mecanismos de comunicação para defender o que é seu: a sua opinião e “opiniões”.

Todavia, aquele que fala, especialmente o que tem o poder da fala (ou do discurso) em relação a um grande número de pessoas, possui também o dever com a verdade, a obrigação da honestidade com aquele que lê e escuta. A verdade não pode, nesse caso, atender ao “desejo” daquilo que se quer ter como verdadeiro, mas à realidade.

É nesse ponto que esbarramos com a dualidade existente dentro da liberdade de expressão: verdade versus mentira.
Até onde a defesa de uma opinião não ultrapassa os limites, rompendo com a verdade? Até onde se pode utilizar de princípios constitucionais distorcidos para a defesa da manutenção de um poder? Até onde se pode falar? O que se pode falar?

Essas questões deveriam ser pauta obrigatória para aqueles que se debruçam nas teclas de um objeto de comunicação e proferem discursos violadores da boa-fé, pois se esquecem que todo direito dado pelo ordenamento jurídico vem conjugado com um dever. E o dever é a responsabilidade de falar o fato real, exatamente como ele é.

A consciência, nesse caso, não deve atingir apenas a moral individual, de estar traindo a si próprio, mas sim coletiva, pois os discursos, como enfatiza Foucault, se proliferam indefinidamente e sujeitam pessoas, lares e opiniões.

Vale lembrar, como disse o multidisciplinar: “É sempre possível dizer o verdadeiro no espaço de uma exterioridade selvagem”.

(BRENA SANTOS – Advogada)

 

FRASE

"...nazista filho da puta que nós vamos derrotar.”

CIRO GOMES - Candidato a presidente, referindo-se a Bolsonaro, em mais um destempero.

 

CORRUPÇÃO

O Movimento Articulado de Combate à Corrupção (Marcco/RN) lança nesta segunda-feira, 24, a campanha “Unidos Contra a Corrupção”, em parceria com a ONG Transparência Internacional Brasil. Uma série de atividades será realizada em Natal, com apresentação dos 12 blocos de medidas de combate à corrupção. O momento eleitoral é oportuno, considera o Marcco.

 

CORREDOR CULTURAL

A Estação das Artes Elizeu Ventania completa 19 anos nesta segunda-feira, como um dos principais equipamentos da cultura de Mossoró. Foi inaugurado em 24 de setembro de 1999, na segunda gestão da prefeita Rosalba Ciarlini, dando início ao projeto do Corredor Cultural ao longo da Avenida Rio Branco. A antiga Estação do Trem é um marco da força cultural da cidade.

 

CURVA ASCENDENTE

Vai ter segundo turno nas eleições para governador do RN, segundo a pesquisa Ibope/InterTV Cabugi. Fátima Bezerra (PT) e Carlos Eduardo (PDT) passarão de fase. A petista já está consolidada. O pedetista pegou curva ascendente na reta final da campanha. Já Robinson Faria (PSD) está sem fôlego.

 

BOTA DE FERRO

Segundo a pesquisa Ibope, 52% dos eleitores não votariam de jeito nenhum em Robinson Faria. Outros 72% desaprovam o seu governo. Com índices tão negativos, Robinson não tem como se livrar das botas de ferro.

 

VOTO A VOTO

Não é possível, neste momento, cravar os dois eleitos para o Senado da República. A pesquisa Ibope mostra disputa acirrada, com quatro nomes no páreo: Styvenson Valentim, 27%; Zenaide Maia, 25%; Garibaldi Filho, 21%; e Geraldo Melo, 20%. Vai ser voto a voto.

 

CANASTRA REAL

Os presos da operação Canastra Real vão ficar mais cinco dias atrás das grades. A Justiça prorrogou a prisão, a pedido do Ministério Público (MPRN). Mais cinco dias, quem sabe, a turma fantasma não entrega os seus chefes? Quem sabe?

 

É NOTÍCIA

1 - O ex-ministro José Dirceu  faz campanha para Fernando Haddad (PT) em Natal nesta segunda-feira, 24. Aproveita para lançar o livro "Zé Dirceu Memória", no Bar Cultural Acabou Chorare.  

2 - Será aberta nesta segunda-feira, 24, a temporada do espetáculo Auto da Liberdade no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, às 20h. A entrada custa apenas 1 quilo de alimento não perecível. O Auto é parte da Festa da Liberdade de Mossoró.

3 - Começa amanhã a Festa de São Francisco no conjunto Abolição III. Neste ano, com o tema "A exemplo de Francisco, leigos e leigas são chamados a ser sal da terra e luz do mundo.

4 - Hoje, tem a terceira rodada de pesquisa Fiern/Certus para governador e senador do RN. Será divulgada no site da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, às 10h.   

5 - O desembargador cearense que vendia sentenças pelo WhatsApp foi punido com aposentadoria compulsória. A manchete provocou um companheiro de Redação: "Fala sério, Brasil!"

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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