(*) João Paulo Jales dos Santos
Garibaldi, Agripino, Geraldo Melo, a família Rosado, a lista de políticos e oligarquias tradicionais do estado que sofreram derrota nas urnas no 7 de outubro é extensa. O fenômeno nacional de derrotas de lideranças da política tradicional, também se refletiu no RN. Agripino, na cena política desde o fim da década de 70, deslocou sua candidatura para à Câmara Federal para conseguir continuar com mandato legislativo, mas mesmo assim não teve jeito, foi derrotado. Garibaldi, liderança de renome da política potiguar, ficou com cerca de 13% dos votos válidos, amargando uma 4ª colocação, atrás de Geraldo Melo, nome que estava sem mandato eletivo desde que não conseguira reeleição para o Senado em 2002.
A oligarquia Rosado, fica tanto sem o mandato federal de Beto Rosado quanto sem o mandato estadual de Larissa Rosado. Oligarquia que outrora conseguia eleger 2 deputados federais e 2 nomes para à Assembleia estadual, o clã se encontra em crise política-eleitoral, tendo seu poder de mando ameaçado em seu próprio feudo, Mossoró.
De certo, a derrota da política tradicional é um momento histórico. No entanto, é por demais avexado, como se diz no linguajar coloquial, prever de antemão os túmulos políticos destas lideranças. O RN pode estar se encaminhando para uma renovação das suas elites políticas, mas tal fenômeno só será de fato possível, se as lideranças que emergiram das urnas no 7 de outubro, conseguirem dar respostas concretas aos anseios da população. Afinal, a política tradicional foi fragorosamente derrotada porque não mais conseguiu solucionar os mais variados problemas que assolam a sociedade. Os nomes que derrotaram Garibaldi, Agripino e companhia, só terão vida política e administrativa renovadas nos próximos anos, se conseguirem responder as demandas da população.
Há tempos que nomes de peso da classe política potiguar não vinham realizando um trabalho legislativo-parlamentar de qualidade. Enquanto estados vizinhos como Ceará e Paraíba conseguiram avanços econômicos, o RN viu seu potencial econômico ser tão somente um potencial, numa acepção puramente linguística, sem conseguir obter resultados práticos. Nem mesmo quando as velhas lideranças assumiram comandos de casas legislativas nacional e ministérios do gabinete presidencial, o Rio Grande aqui do Norte, viu melhoras em seus indicadores econômicos e sociais. A profunda crise econômica e social que assola o país, juntamente com o descrédito da população para com sua classe política, atingiu o Brasil e também o estado.
As urnas do dia 7 não deixaram dúvidas de que até mesmo em um estado com histórico político conservador como o RN, a população não se furtou de tirar de cena aqueles que há décadas tinham poder de mando sobre o território norte rio-grandense. É aguardar se os novos eleitos que sucederão a Alves, Maias e Rosados nos legislativos estadual e nacional, darão conta de reagir as demandas da sociedade.
Enquanto isso, na disputa do 2º turno para o governo do Estado, Fátima Bezerra colocou diferença de quase 14% dos votos sobre Carlos Eduardo. Aguardar as próximas pesquisas para verificar se o favoritismo de Fátima seguirá na campanha do 2º turno. A petista se saiu bem no interior do estado, teve um entrave eleitoral em Natal, onde perdeu para Carlos Eduardo por uma diferença de 18,6%. Sendo eleita governadora, a petista conseguirá um feito e tanto na política do estado. Advinda de bases sociais e sindicais, Fátima construiu uma carreira relativamente exitosa num estado da federação onde o PT possui debilidade eleitoral. A senadora conseguiu alargar sua base política-eleitoral para além da esquerda, tendo sido a deputada federal mais votada em 2010, e eleita para o Senado Federal quatro anos depois. Se vence no dia 28, a comemoração da militância petista pode ir se dissolvendo ao longo do tempo, quando o partido estiver à frente do comando da máquina administrativa estadual e tiver que solucionar os transtornos que assolam o estado. Sem o apoio político e administrativo do governo central, Fátima corre o risco de vencer e ver naufragar sua carreira eletiva. Como explicar para sua própria base sindical os atrasos que tomarão de conta da folha de pagamento? Como explicar para sua própria base social uma reforma administrativa que vise diminuir a quantidade de secretarias para uma militância que encara enxugamento da máquina pública como sinônimo de liberalismo radical? Terá Fátima situação complicadíssima caso vença para o governo e não tenha o apoio administrativo do governo central para ao menos pagar em dia o funcionalismo público.
Já Carlos Eduardo, possui sob sua batuta uma coligação que junta as 3 principais oligarquias do estado, só faltou o sobrenome Faria na aliança para as 4 principais famílias da política estadual marcharem juntas numa mesma coligação. A vitória da candidatura de Carlos representa um suspiro nas derrotas das lideranças tradicionais. E que ironia, logo Carlos Eduardo, que em vários momentos rompeu com seus próprios primos, Henrique e Garibaldi, pode ser a figura que represente uma sobrevida para os clãs que estão ao redor da sua empreitada neste 2018. Vestindo o uniforme do antipetismo neste 2º turno, Carlos assumirá um governo com caos administrativo-financeiro, terá que colocar de fato em prática sua ‘fama’ de gestor, tão propagada na capital, Natal, mesmo Carlos tendo atrasado folha de pagamento e a infraestrutura da cidade estando em condição irregular.
Vença Fátima ou Carlos, o próximo governante precisará equilibrar a máquina administrativa, sanear as finanças, melhorar os indicadores sociais, solucionar a violência que toma de conta do estado e amedronta a população, ter capacidade gerencial para realizar obras de portes médio e grande de infraestrutura, atrair investimentos, melhorar o clima econômico e a confiança do empresariado para gerar empregabilidade. Terá Fátima ou Carlos capacidade para tanto? Ou quem vencer dará continuidade a incompetência administrativa dos outros governos? O RN já esperou demais, está na hora do governante que assumir a partir de janeiro de 2019, arrume a casa e faça do Rio Grande que fica por essas bandas do Nordeste, um Estado eficiente e gerador de riqueza econômica e bem-estar de vida para sua população.
(*) João Paulo Jales dos Santos. Estudante do curso de Ciências Sociais da UERN.
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César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.