Quarta-Feira, 26 de fevereiro de 2025

Postado às 09h00 | 14 Out 2018 | Coluna César Santos - 14 de outubro

Crédito da foto: Ilustração Brasil está dividido nas ruas

ELEIÇÃO TOMADA PELO ÓDIO

O segundo turno das eleições começou no rádio e na televisão com os programas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) bem agressivos. Um tentando desconstruir o outro. Corrupção e homofobia foram as faixas de destaque – negativo – no conteúdo levado ao ar na sexta-feira, 12. Os dois lados sequer respeitaram a data que os brasileiros prestam homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Assim deve caminhar a disputa presidencial porque não há, de lado a lado, nenhum sinal de que as armas – sujas – serão retiradas da campanha. Pelo contrário. A previsão é de agravamento do confronto. Quem está atrás, tenta aniquilar o adversário, visto e tratado como inimigo de morte, e quem está na liderança, usa as armas letais para não deixar o inimigo se aproximar.

O acirramento marginal das eleições faz lembrar a primeira disputa presidencial pós-redemocratização, em 1989, entre Lula e Fernando Collor. Os dois insultaram-se em rede nacional, transformando os programas que deveriam ser de propostas em agressões de toda ordem. Quem não se lembra de Lula acusando Collor de ser filho de uma família que “mata trabalhador rural”; e Collor acusando Lula de planejar “luta armada”, inspirado em “Hitler e Khomeini”?

Hoje, três décadas depois, Bolsonaro trata Haddad como um “filho” da corrupção, doutrinado do Foro de São Paulo, que fará do Brasil uma Cuba ou uma Venezuela. Haddad responde que Bolsonaro mergulhará o país na barbárie.

Até as igrejas de todos os santos, mas que têm só um Deus, são peças de joguetes no campo da batalha eleitoral. No feriado da padroeira do Brasil, Haddad acusou um “eleitor de Bolsonaro” de chamar a Igreja Católica de “comunista” e de igreja “gay”. Bolsonaro rebateu, afirmando que “O PT agora tenta jogar católicos e evangélicos uns contra os outros.” Essa estratégia é tão agressiva quanto idiota: em um país laico, como o nosso, envolver igrejas na campanha eleitoral é completamente inapropriado, não rende absolutamente nada em termos de simpatia e voto.

O discurso de ódio levado ao ar pelo postulante verde-oliva e pelo candidato petista é refletido nas redes sociais e nas ruas. Segundo levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a violência por motivação política gera 2,7 milhões de postagens desde que o segundo turno começou, contra 1,1 milhão nos 30 dias anteriores à eleição.

Nas ruas, eleitores de lado a lado sofrem agressões verbais e físicas e ameaças de morte. Um capoeirista eleitor do PT foi morto por um eleitor do Bolsonaro, embora o assassino confesso tenha negado motivação política; e o próprio Bolsonaro sofreu uma facada deferida por um militante político, que confessou ter tido motivação política para enfiar a faca na barriga no candidato do PSL.

Diante de tal cenário, que supera a batalha chula e violenta entre Collor x Lula de 1989, deve ser dito, de forma bem preocupante, que Bolsonaro e Haddad, incentivando a intolerância política em seus programas de rádio e televisão, criaram uma atmosfera tóxica sem precedente e ameaçadora. O país está em risco. A massa gente precisa ser protegida. São os candidatos que têm essa responsabilidade. Bolsonaro e Haddad precisam ser enfáticos contra a violência.

Chega de intolerância, chega de violência, chega da divisão, chega de guerra. Escolher os governantes, através da decisão livre pelo voto, é um exercício de democracia; e as eleições são o meio em que o povo reflete sobre o estado do país e escolhe pacificamente o futuro que quer.

É inaceitável que saia das urnas um presidente eleito que tenha transformado a campanha eleitoral em campo de guerra. E nesse jogo sujo, não há inocente. Nem Bolsonaro nem Haddad.

 

FRASE

"Vou ser fiel ao recado das urnas que no momento quis me afastar do processo."

GARIBALDI FILHO – Senador, que não foi reeleito, afirmando que não participará do 2º turno.

 

CONTA

 A gestão Robinson Faria tem o desafio de pagar quatro folhas salariais (outubro, novembro, dezembro e o décimo terceiro de 2018) em dois meses e meio. Estamos a 78 dias do fim do ano, sem qualquer garantia de que os salários serão honrados. Lembrando que resta quitar o décimo de 2017. As notícias que escapam da equipe econômica de Robinson não são animadoras.

 

INSEGURANÇA

 As propostas para a segurança pública apresentadas por Fátima Bezerra (PT) e Carlos Eduardo (PDT) são apenas genéricas. Não passam confiança ao cidadão potiguar, que sofre com a escalada da violência. O Rio Grande do Norte vive crise na história, com índices absurdos. Mossoró sofre junto e neste ano já contou mais de 200 assassinatos. Vai bater novo recorde.

 

VAI

 O senador José Agripino Maia (DEM), que ficou só na segunda suplência de deputado federal, não abriu mão do segundo turno das eleições. O democrata está pedindo o eleitor que vote no candidato Carlos Eduardo (PDT) para governador.

 

NÃO VAI

 Já o senador Garibaldi Filho (MDB) não digeriu, ainda, a derrota nas urnas. O emedebista, que é primo de Carlos Eduardo, decidiu não participar do segundo turno. Justifica que será fiel ao recado das urnas, que quis afastá-lo do processo. Garibaldi encerra a carreira com quatro mandatos de deputado estadual, dois de governador e quatro de senador.

 

PESQUISAS

 A semana começa com a primeira rodada de pesquisas Fiern/Certus sobre o 2° turno para governador. Será divulgada nesta segunda-feira, 15. Na quinta-feira, 18, será a vez da pesquisa Ibope na InterTV Cabugi.

 

DEBATE

 Fátima Bezerra (PT) e Carlos Eduardo (PDT) devem se enfrentar em apenas um debate no segundo turno, organizado pela InterTV Cabugi, afiliada da Globo no RN. Será no dia 25, três dias antes das eleições.

 

 É NOTÍCIA

1 - Hoje, completa seis anos da morte de dona Odete Rosado, viúva de Dix-neuf Rosado. Tinha 95 anos. Entre os 11 filhos, estão a ex-prefeita Fafá, Gustavo, Tasso, Noguchi e Edmur Rosado.

2 - Os bancos estão obrigados a receber boletos vencidos com valor a partir de R$ 100,00. Com uma ressalva: a medida se aplica somente aos documentos que estiverem cadastrados na nova plataforma de cobrança. Está valendo desde ontem.

3 - Nesta segunda-feira, 15, completa 102 anos que entrava em circulação em Mossoró o jornal "O Nordeste", do jornalista José Martins de Vasconcelos. Circulou até fevereiro de 1934.

4 - Amanhã, completa 40 anos da eleição do último presidente do regime militar, general João Batista de Figueiredo. Superou o general Euler Benes, no colégio eleitoral: 355 a 226 votos.

5 - A Diocese de Mossoró marcou para o próximo domingo, 21, a XXII Romaria da Juventude no Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, em Patu. São esperados 10 mil jovens.

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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