Terça-Feira, 05 de May de 2026

Postado às 09h00 | 15 Jun 2019 | Coluna César Santos - 15 de junho

Crédito da foto: Reprodução Governadora Fátima Bezerra

ALÉM DA PIPOCA BOKUS

A decisão do governo Fátima Bezerra (PT) de colocar uma pedra em cima das “contas a pagar” no valor de R$ 2,4 bilhões, referentes até 31 de dezembro de 2018, tem diagnóstico simples: o Estado só tem recursos para honrar as despesas de 2019.

Fornecedores e prestadores de serviços não vão receber tão cedo ou, talvez, não recebam nunca. Judicializar a cobrança pode ser uma esperança. Já o servidor público que não recebeu as folhas de novembro, dezembro e 13º salário de 2018 deve se preparar para o pior ou continuar acalentado pela promessa do Governo de que colocará a folha em dia quando entrar “dinheiro novo”, com a venda da receita antecipada dos royalties de petróleo e gás.

Ao oficializar o calote de R$ 2,4 bilhões, o Governo confirma o que esta coluna havia previsto, ou seja, que a gestão Fátima Bezerra não tinha, como de fato não tem, nenhum plano para solucionar, ou mesmo amenizar, o grave desequilíbrio fiscal e financeiro. Até aqui, o Governo não adotou nenhuma medida austera de economia (exceto a moratória que pegou de surpresa fornecedores e prestadores de serviço), muito menos sinalizou um plano capaz de recuperar as contas públicas do Estado.

A governadora tem esperança que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) possa socorrer os Estados falidos, através do “Plano Mansueto”. Porém, não faz a sua parte. A Secretaria do Tesouro Nacional encaminhou a todos os governadores uma cartilha recomendando uma dezena de medidas que os Estados devem adotar, como a venda de passivo, enxugamento da folha de pessoal, redução de incentivos fiscais, privatização de estatais como empresas de água e esgotos (Caern). Fátima ignorou, até aqui.

Outro ponto importante é o apoio à reforma da Previdência. O Governo Federal condiciona a ajuda aos Estados à aprovação da reforma e tem repetido, à exaustão, que sem reforma a União não terá recursos para socorrer os Estados em crise. Fátima optou pela contramão e tem feito discursos contra a reforma da Previdência, por uma questão política ordenada pelo PT. Se contra por ser contra; oposição pela oposição.

Pois bem.

À porta de entrada do segundo semestre do ano, sem algo palpável para sustentar o voto de confiança dos potiguares, o governo Fátima parece sustentado no último suspiro de esperança. Tem ao lado a benevolência das entidades de servidores públicos, que revelam paciência camarada que não tiveram com governos anteriores.

No entanto, tudo tem prazo de validade. Daqui a pouco, os sindicatos não terão como segurar seus filiados, se o governo não achar uma solução para a dívida de mais de R$ 900 milhões de salários atrasados. Inclusive, as entidades que fazem parte da roda de amizade da governadora dão sinais que vão explodir daqui a pouco.

Fátima Bezerra precisa enxergar o Rio Grande do Norte além da pipoca Bokus.

 

FRASE

"Se aprovarem a reforma do relator, abortam a reforma da Previdência."

PAULO GUEDES – Ministro da Economia, reclamando dos cortes do texto original da reforma da Previdência.

 

CIDADE JUNINA

 A terceira noite de shows do Mossoró Cidade Junina, hoje, foi reservada para o forró das antigas, com destaque para a banda Mastruz com Leite. Os dois palcos receberão Toca do Vale, Geraldo Jr. Mozão e Bruno Martir, a partir das 22h. Já no adro da capela de São Vicente se apresenta o cantor e poeta Marcos Lucena, às 20h, antes do espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró. A Cidadela Junina tem shows com artistas da terra, às 21h.

 

TEMPORÁRIOS

 O Governo do Estado prorrogará, até o encerramento do ano letivo de 2019, as contratações temporárias de professores. A medida é necessária para a implementação da educação profissional nas escolas técnicas estaduais. Como o prazo de vigência desses contratos está se encerrando, a governadora Fátima Bezerra pediu autorização da Assembleia Legislativa para esticar o prazo.

 

NOSSO BOLSO

 A Assembleia Legislativa do RN liberou quase R$ 4 mil para a viagem do deputado Alysson Bezerra (Solidariedade) a Brasília (DF). Na justificativa, o parlamentar disse que iria resolver assuntos do interesse do povo potiguar, sem citar que assuntos são esses, e ignorou os legítimos representantes do povo em Brasília, no caso senadores e deputados federais.

 

CONSIGNADOS

 A Caixa Econômica e o Banco Pan-americano estão cobrando uma dívida de R$ 5,3 milhões da Prefeitura de Mossoró. Os valores são referentes a empréstimos consignados, recolhidos e não repassados. O Ministério Público recomenda que o Município encontre solução para quitar o enorme débito.

 

CACHAÇA

 Entrevistado direto da prisão, Lula disse que a facada sofrida por Bolsonaro foi "estranha" porque não saiu sangue, sugerindo que foi mentira. Bolsonaro brincou com o conhecimento "clínico" do ex-presidente e respondeu: "Se fosse a barriga de Lula, sairia muita cachaça."

 

SEGUE

 Na concepção de Lula, Bolsonaro simulou uma facada; usou bolsa de colostomia de fantasia para brincar carnaval e transformou os renomados médicos do Hospital Albert Einstein em pilantras.

 

 É NOTÍCIA

1 - Depois da manifestação "Fora, Túlio Lemos!", o prefeito de Macau exonerou todos os detentores de cargos comissionados. Para deixar a máquina leve, diz o desgastado prefeito.

2 - O Governo Federal liberou quase R$ 2 milhões para a operação Carro-Pipa no Rio Grande do Norte. A ação vai socorrer pelo menos 21 mil pessoas nas cidades de Paraná, Pilões e São Miguel, na região do Alto Oeste potiguar.

3 - A Magazine Luíza está comprando a varejista virtual Netshoes. Um negócio de R$ 445 milhões. A proposta superou a concorrente Centauro, que tinha prioridade da Netshoes.

4 - Morreu o jornalista Clóvis Rossil, aos 76 anos, referência da Folha de S.Paulo desde 1980. Ensinou a todos nós com o livro “O Que é Jornalismo”. Vai fazer muito falta.

5 - Acontece hoje a segunda edição da Corrida de Pedestrianismo Mossoró Cidade Junina, com largada da capela de São Vicente, às 16h. Mais de 300 corredores vão encarar os 10 quilômetros de prova.

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Coluna César Santos
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Mossoró
Rio Grande do Norte

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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