QUEM FEZ FÁTIMA RECUAR?
A governadora Fátima Bezerra (PT) decidiu recuar e suspendeu a fração do plano de reabertura das atividades econômicas do Rio Grande do Norte. Segundo ela, a taxa de ocupação de leitos de UTI e críticos está em 92%, quando o razoável seria 80% para manter o plano de retomada da economia, por isso, a decisão de manter fechados os segmentos contemplados na segunda fase do plano, como bares e restaurantes de até 300 metros quadrados.
A justificativa, porém, não justifica. Pelo contrário. Revela contradição de um governo comprovadamente incapaz de cumprir as suas próprias decisões, e que desde o primeiro momento mostra-se incompetente no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.
Vamos a um breve relato para mostrar a flacidez da palavra e das ações do governo Fátima Bezerra:
No final de junho, a taxa de ocupação de leitos críticos e de UTI no Rio Grande do Norte estava oscilando entre 87% e 95%, segundo boletins epidemiológicos diários da Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP/RN). Naquele momento, a governadora dizia que só autorizaria a reabertura das atividades econômicas mediante taxa de 70% de ocupação dos leitos. Essa condição havia feito o governo retardar a reabertura do comércio por duas vezes.
Só que, no dia 30 de junho, Fátima anunciou o início do plano de retomada da economia a partir do dia seguinte, 1º de julho. Naquele momento, a taxa de ocupação de leitos era de 87%, bem acima dos 70% exigidos anteriormente e dos 80% citados pela governadora no momento do anúncio da reabertura. Esses números, por si só, revelam a contradição da governadora. Se a condição era taxa de 80% por que autorizou a reabertura das atividades com 87% de ocupação dos leitos?
O recuo anunciado nesta terça-feira, 7, é mais estranho ainda, uma vez que o próprio governo havia anunciado, na segunda-feira, 6, que pela primeira vez o Estado havia equilibrado os números da fila de espera com oferta de leitos. Logo, a situação de hoje é bem mais tranquila do que era quando o governo autorizou a retomada das atividades econômicas.
E o que fez a governadora recuar?
A pressão do Ministério Público (MPRN, MPF/RN e MPT/RN) pode indicar uma explicação. Os promotores emitiram nota contra a reabertura da economia e afirmam que iriam adotar medidas. Fátima Bezerra pode ter, digamos, optado por não contrariar o Ministério Público, para preservar o bom relacionamento.
Mas, a governadora foi eleita para governar, não pode ser tutelada por nenhuma outra instituição. Fátima Bezerra tem a responsabilidade de decidir. Então, há uma desconfiança que ganhou corpo nos bastidores: o medo que a governadora tem do Ministério Público.
O fato é que o recuo da governadora não se justifica, ou não tem explicações nos números do boletim epidemiológico do próprio governo.
Pior para a população, que vai pagar mais essa conta, cara.
Pior para o Rio Grande do Norte, que vê a sua economia se desmanchando nas mãos de um governo completamente incapaz.
FRASE
A decisão (do governo do estado) é um misto de surpresa e decepção.
ENTIDADES DO SETOR PRODUTIVO - Sobre o recuo da governadora Fátima Bezerra na reabertura das atividades econômicas do RN
IMPOSTO SINDICAL
O imposto sindical está celebrando 80 anos nesta quarta-feira, 8. Foi criado pelo governo Vargas para sustentar os sindicatos atrelados ao Estado, regulamentado pelo decreto lei 2.377. Em 1943, quando foi publicada a CLT, o imposto foi incorporado ao conjunto de leis, com recolhimento obrigatório. Em 2017, a reforma trabalhista acabou com a obrigatoriedade do recolhimento.
REITORIA
O Conselho Universitário da Ufersa encaminhou a lista tríplice para Reitoria à Presidência da República, formada pelos três primeiros colocados na consulta acadêmica: Rodrigo Codes (37,75%), Jean Berg (24,48%) e Ludimilla Oliveira (18,33%). O presidente Bolsonaro tem até o dia 28 de agosto para nomear o futuro reitor (a), data em que se encerra o mandato do atual reitor José Arimatea Matos.
VIDA LOCAL
Mossoró e Natal vão continuar com os seus planos de retomada das atividades econômicas. Decisão da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e do prefeito Álvaro Dias (PSDB) deixam a governadora Fátima Bezerra (PT) de saia curta e exposta ao descontentamento da população.
NÃO FOI COVID
Testou negativo o exame feito no colunista Paulo Macedo, que faleceu no último fim de semana, em Natal, em consequência de um acidente doméstico. Macedo se recuperava de uma cirurgia para corrigir fratura do fêmur. A idade avançada foi um complicador a mais.
DESGASTE
Os segmentos produtivos do RN consideram uma "decepção" o recuo da governadora Fátima Bezerra (PT) no plano de reabertura da economia. De sorte, as duas maiores cidades do estado, Natal e Mossoró, não acompanharam a decisão do governo. A relação da governadora com os empresários está bem desgastada.
RETORNO
O vereador João Gentil (Rede) reassumiu o mandato na Câmara de Mossoró, depois da passagem vapt-vupt na Secretaria de Esportes de Natal. Gentil volta inelegível. Já Naldo Feitosa (PSC) volta à primeira suplência, apto para ser candidato.
É NOTÍCIA
1 - Dessa vez, o teste para Covid-19 do presidente Bolsonaro foi vapt-vupt. Testou positivo e tornou público. Na vez anterior, rendeu o lenga-lenga se foi positivo ou negativo, com teste escondido.
2 - Uma operação do MPRN e da polícia prende um cabo PM acusado de tentar contra a vida do blogueiro João Marcolino, da cidade de Caraúbas. Agora, a Operação Reino da Dinamarca investiga se houve mandantes. Foram deixados rastros.
3 - Fake news circula sobre o homem que teria morrido e ressuscitado na UPA do bairro Belo Horizonte. O mesmo conteúdo que circulou em outras cidades brasileiras. Coisa de gente desqualificada.
4 - Mossoró entra hoje na segunda fase do plano de retomada da economia, podendo voltar a funcionar lojas de até 600 m² com "porta para rua", bares e restaurantes, seguindo, claro, orientações de prevenção ao contágio do novo coronavírus.
5 - Os municípios receberam a última parcela extra do FPM e vão dividir quase meio bilhão de reais de socorro do Governo Federal. Mesmo assim, a Femurn diz que se o governo não mandar mais dinheiro as prefeituras não vão pagar salários. É sério.
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César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.