Terça-Feira, 17 de março de 2026

Postado às 08h45 | 16 Jul 2025 | Tarifaço de Trump ameaça 4 mil empregos na indústria salineira do RN

Crédito da foto: Codern Indústria salneira na região de Mossoró

Por Edinaldo Moreno / Jornal de Fato

O Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Estado do Rio Grande do Norte (SIESAL-RN) teme colapso do setor salineiro no estado após a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre a importação de produtos brasileiros. Segundo estimativa da entidade que representa os salineiros potiguares, o tarifaço coloca em risco milhares de empregos diretos.

Segundo a entidade, a taxação colocará em risco 4 mil empregos diretos instalados em municípios do Semiárido Potiguar, além de postos de trabalho nas cadeias subjacentes, como venda, distribuição, frete rodoviário e frete marítimo.

O estado é responsável por produzir 98% do sal brasileiro e deve, portanto, sofrer grandes consequências com a medida e, segundo nota divulgada pelo SIESAL/RN, a medida do governo americano “vai excluir o sal nacional do mapa de negócios com as empresas americanas”.

O presidente do SIESAL-RN, Airton Torres, destaca ainda que os EUA respondem por 47% de todos os negócios que a indústria salineira tem com o exterior, segundo dados dos últimos seis anos levantados pelo sindicato. “Os Estados Unidos são, notadamente, o maior importador de sal do mercado atingível pelo produto sal brasileiro, com participação de 27% dos embarques”, informa.

Torres aponta que os Estados Unidos consomem cerca de 16 milhões de toneladas de sal importado e têm um consumo total de aproximadamente 50 milhões de toneladas anuais, valor expressivamente superior ao consumo interno. “A título de informação, o mercado brasileiro consome por ano cerca de 7 milhões de toneladas.”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o aumento de tarifas a produtos importados do Brasil para 50%, na noite da última quarta-feira (9). O país, até então, havia ficado com a sobretaxa mais baixa, de 10%, nas chamadas tarifas recíprocas, anunciadas pelo presidente estadunidense em 2 de abril.

A posição dos Estados Unidos foi formalizada em uma carta endereçada nominalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o comunicado, as tarifas serão cobradas a partir de 1º de agosto. Por meio de nota, Lula criticou o aumento das tarifas e afirmou que a medida será respondida com base na Lei de Reciprocidade Econômica.

RETRANCA

Perda de receita inviabilizará operação do Porto Ilha

A nota divulgada pelo Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Estado do Rio Grande do Norte (SIESAL-RN) destaca também que 58% do sal embarcado pelo Terminal Salineiro de Areia Branca, o Porto Ilha-Intersal, destina-se ao exterior, e que 27% dos embarques totais são exportados para os Estados Unidos, gerando uma média de vendas de 530 mil toneladas de sal por ano.

A perda dessa fonte de receita inviabiliza também a operação da concessão portuária do Terminal Salineiro Intersal, o Porto Ilha, que movimenta exclusivamente sal, aponta a nota. “O sal é estratégico e a derrocada da indústria salineira jogará o Brasil na dependência da importação”, afirma o documento.

O sindicato aponta que a desvantagem competitiva do produto brasileiro se acentua à medida que todos os competidores estrangeiros, como Chile, Egito, Namíbia e México, são taxados pelo governo americano com tarifas inferiores.

Sobre a busca por possíveis novos mercados, o presidente Airton Torres afirma, em nota, que a possibilidade de exportar para outros destinos, como o mercado asiático, torna-se inviável devido aos altos custos logísticos. Outros mercados, como o europeu, que possui produção própria e importa seu déficit do Norte da África e do Oriente Médio, também são considerados fechados para a produção potiguar.

“Trata-se, pois, de produto com vendas regionalizadas e não globais, como é o caso de outras commodities. Logo, não há alternativas que possam receber o volume de sal brasileiro que deixará de ser enviado aos Estados Unidos”, afirma Torres.

 

EMBARQUE MARÍTIMO – TERMINAL SALINEIRO

2019 (volume/toneladas)

Exportação para os EUA: 880.356

Embarque total: 2.163.098

Exportação total: 1.492.956

Percentual Exportação aos EUA/Embarque total: 41%

Percentual Exportação aos EUA/Exportação total: 59%

2020 (volume/toneladas)

Exportação para os EUA: 414.149

Embarque total: 1.908.007

Exportação total: 1.046.349

Percentual Exportação aos EUA/Embarque total: 22%

Percentual Exportação aos EUA/Exportação total: 40%

2021 (volume/toneladas)

Exportação para os EUA: 538.431

Embarque total: 1.953.790

Exportação total: 937.105

Percentual Exportação aos EUA/Embarque total: 28%

Percentual Exportação aos EUA/Exportação total: 57%

2022 (volume/toneladas)

Exportação para os EUA: 750.873

Embarque total: 2.138.131

Exportação total: 1.442.745

Percentual Exportação aos EUA/Embarque total: 35%

Percentual Exportação aos EUA/Exportação total: 52%

2023 (volume/toneladas)

Exportação para os EUA: 481.853

Embarque total: 1.946.317

Exportação total: 1.143.974

Percentual Exportação aos EUA/Embarque total: 25%

Percentual Exportação aos EUA/Exportação total: 42%

2024 (volume/toneladas)

Exportação para os EUA: 196.265

Embarque total: 1.623.712

Exportação total: 832.231

Percentual Exportação aos EUA/Embarque total: 12%

Percentual Exportação aos EUA/Exportação total: 24%

2025 (volume/toneladas)*

Exportação para os EUA: 175.408

Embarque total: 861.238

Exportação total: 415.636

Percentual Exportação aos EUA/Embarque total: 20%

Percentual Exportação aos EUA/Exportação total: 42%

TOTAL (volume/toneladas)

Exportação para os EUA: 3.437.335

Embarque total: 12.594.284

Exportação total: 7.310.996

Percentual Exportação aos EUA/Embarque total: 27%

Percentual Exportação aos EUA/Exportação total: 47%

* os números de 2025 se referem aos meses de janeiro a junho

Fonte: SIESAL/RN

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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