Sexta-Feira, 23 de outubro de 2026

Postado às 10h15 | 17 ago 2026 | Com dívida de R$ 17,3 bilhões, Grupo Casas Bahia pede recuperação judicial

Crédito da foto: Ilustrativa Casas Bahia acumula dívida bilionária

O Grupo Casas Bahia protocolou, na noite deste domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, um pedido de recuperação judicial com dívidas declaradas que somam R$ 17,3 bilhões. O processo ocorre após o agravamento da crise financeira da varejista, que reportou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.

O pedido de proteção judicial abrange dez empresas integrantes da holding, englobando as operações de varejo físico das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o canal de comércio eletrônico, a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de tecnologia e logística. Do montante total de passivos informados à Justiça, R$ 16,4 bilhões referem-se a credores sem garantia, R$ 754 milhões correspondem a obrigações de natureza trabalhista e R$ 154 milhões a débitos com micro e pequenas empresas.

Atividades comerciais serão mantidas

A companhia assegurou que o início do processo de recuperação judicial não resultará na interrupção de suas atividades comerciais. Os canais de vendas físicas e digitais e os serviços de atendimento ao consumidor continuarão operando de forma regular enquanto durarem as negociações de reestruturação do endividamento.

Como justificativa para a crise de caixa, a varejista apontou o cenário macroeconômico, caracterizado por um período prolongado de juros elevados no país, restrição de crédito no mercado financeiro e aumento expressivo das despesas financeiras. O grupo informou que as tratativas paralelas para captação de novos recursos externos não foram concretizadas.

Fechamento de lojas e prejuízos acumulados

Como parte de uma fase anterior do plano de reestruturação para conter a crise, o Grupo Casas Bahia realizou o fechamento de 298 lojas físicas e efetuou cortes em seu quadro de colaboradores nos últimos meses. A estratégia visa focar o capital de giro em operações e filiais mais lucrativas, com ênfase na geração de caixa no comércio digital.

O resultado desfavorável do segundo trimestre deste ano — prejuízo de R$ 10,1 bilhões contra uma perda de R$ 555 milhões no mesmo período de 2025 — assinala o oitavo trimestre seguido de perdas para a marca. De acordo com o balanço, R$ 9,1 bilhões da perda recente decorrem de impactos contábeis não recorrentes, como baixas de ativos, revisões contratuais e renegociações de contratos. Desconsiderando esses efeitos, o prejuízo ajustado foi de R$ 978 milhões.

Com os resultados acumulados, o patrimônio líquido da companhia atingiu um saldo negativo de R$ 8,1 bilhões. A varejista busca agora alongar o perfil de suas dívidas e readequar sua estrutura de capital.

Fonte: NOVO

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AUTOR

César Santos é jornalista desde 1982. Nasceu em Janduís (RN), em 1964. Trabalhou nas rádios AM Difusora e Libertadora (repórter esportivo e de economia), jornais O Mossoroense (editor de política no final dos anos 1980) e Gazeta do Oeste (editor-chefe e diretor de redação entre os anos 1991 e 2000) e Jornal de Fato (apartir dos anos 2000), além de comentarista da Rádio FM Santa Clara - 105,1 (de 2003 a 2011). É fundador e diretor presidente da Santos Editora de Jornais Ltda., do Jornal de Fato, Revista Contexto e do portal www.defato.com.

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