Sexta-Feira, 07 de agosto de 2026

Postado às 13h45 | 07 ago 2026 | redação Sobretaxa dos Estados Unidos pode impactar 36% do volume de exportações do Nordeste

A sobretaxa de 37,5% imposta aos produtos brasileiros deve atingir oito dos 15 principais itens de exportação do Nordeste. São produtos que, somente no primeiro semestre de 2026, responderam por mais de 450 milhões de dólares em vendas da região

Crédito da foto: Fernando Cavalcante Produtores de mel natural podem ser prejudicados com sobretaxa imposta ao Brasil

A sobretaxa de 37,5% imposta pelo governo dos Estados Unidos (EUA) aos produtos brasileiros deve atingir oito dos 15 principais itens de exportação do Nordeste para o mercado americano. São produtos que, somente no primeiro semestre de 2026, responderam por mais de 450 milhões de dólares em vendas da região para os EUA - equivalente a 36% do total. O impacto foi calculado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área de pesquisa do Banco do Nordeste (BNB).

Os Estados Unidos anunciaram a aplicação de novas tarifas de importação sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho. As medidas preveem a incidência de uma tarifa de 25% sobre determinados itens exportados pelo Brasil. Além disso, foi estabelecida uma cobrança adicional de 12,5% para alguns produtos, com base em critérios relacionados às políticas norte-americanas de combate ao trabalho forçado. Somadas, as tarifas podem alcançar até 37,5%, a depender da classificação do produto.

Segundo o economista-chefe do BNB, Rogério Sobreira, o setor que mais deve sentir os efeitos das medidas americanas é a indústria. "As empresas desse setor no Nordeste enfrentarão maiores desafios já que importantes produtos como os semimanufaturados de ferro e aço estão sendo taxados”, cita.

Já o agronegócio da Região sofrerá impacto direto na exportação de itens como celulose solúvel, açúcar e álcool, mel natural, certos tipos de pescados, calçados de couro e cordéis de sisal. Ficaram isentos os produtos celulose convencional, manteiga e óleo de cacau, manga, castanha de caju, água de coco, cacau em pó, café em grão e partes de frutas.

De acordo com o economista, a solução é diversificar mercados. "Precisamos lembrar que os americanos não são os únicos consumidores dos nossos produtos. Os Estados Unidos responderam por cerca de 12% de todas as exportações nordestinas em 2025. Outra medida é acessar crédito mais adequado para enfrentar as dificuldades. O próprio Banco do Nordeste é uma fonte de financiamento com condições muito favoráveis para as exportações, por utilizar recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE", explica.

 

Brasil

Ao todo, houve sobretaxa para 639 produtos brasileiros. Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), tendo como base o comércio bilateral de 2024, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos atingem 23,1% das exportações brasileiras. Considerando a sobretaxa aplicada ao aço e alumínio, anunciada em junho do ano passado pelo governo norte-americano, este percentual pode atingir até 47,3%.

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