Por Juscelino Filho — ge
Desde que chegou ao Fortaleza, Vojvoda já quebrou incontáveis tabus. Na estreia da Libertadores, viu desmoronar um castelo que ele próprio ajudara a erguer. Se nunca havia perdido para um time argentino em casa, o Tricolor do Pici foi completamente dominado pelo Racing, que fez 3 a 0 - e poderia ter feito mais. Uma estreia que terminou com vaias e cobranças de uma torcida que nunca abandonou o time, mas que anseia por ver novamente aquele que já lhe deu tantas alegrias.
Primeiro tempo de desatenções
Vojvoda mandou a campo o Fortaleza em um 3-5-2. O esquema tático que deu certo contra o Fluminense se repetiu - e quase a escalação também. A diferença ficou por David Luiz na vaga de Tinga (este no DM). O esquema, aparentemente defensivo, deveria facilitar a saída de bola do Fortaleza e pontas mais abertos no ataque. Não foi o que aconteceu.
Quem chegou primeiro foi o Racing. Num lance de desatenção da defesa, Maravilla Martinez chutou, a bola ficou viva na área e David Luiz deu um outro chutão para afastar. A marcação argentina era muito forte. E a pressão ofensiva também. Rojas viu espaço e desferiu um chute para difícil defesa de João Ricardo.
E de tanto chegar, o Racing acabou abrindo o placar. Em cobrança de escanteio, a defesa do Tricolor não conseguiu afastar o perigo. A bola sobrou para Salas, que num chute cruzado, balançou as redes no Castelão.
O Laion sentiu o baque. Não conseguia criar jogadas, tinha dificuldade de sair jogando e, num vacilo, quase levou o segundo no último lance do primeiro tempo. Num vacilo, Lucas Sasha tentou tirar a bola de Martirena, mas o lateral argentino foi mais esperto e, por pouco, não fez o segundo. Vojvoda tinha muito para resolver no intervalo.
Racing domina, e Leão escapa de goleada
Mal a bola rolou, mais um gol do Racing. Almendra precisou de três tentativas para balançar as redes. Vojvoda não hesitou e fez mais duas mudanças. Além de Pochettino, que já havia entrado no intervalo, entraram em campo Mancuso e Moisés.
O camisa 21, inclusive, teve quatro oportunidades de arremate, mas não conseguiu o chute com precisão. Na beira do gramado, Vojvoda gesticulava, irritado, talvez até incrédulo com o que via em campo. Um time que tentava se organizar a todo custo, mas sucumbia ante à solidez defensiva do adversário.
Ate que a torcida pediu: “Deyvinho! Deyvinho!”. Vojvoda atendeu e sacou Marinho. A torcida não gostou. Vaiou a substituição. O clima não era bom. E ficou ainda pior aos 38. O Racing chegou ao terceiro gol em jogada aérea e finalização de Sosa. O 3 a 0 no placar fez com que muitos torcedores deixassem a Arena Castelão antes do apito final.
No duelo contra o adversário mais forte do grupo, em casa, o Fortaleza foi mal. Em nenhum momento ameaçou o rival, errou mais do que acertou e começa com o pé esquerdo a Libertadores. Menos mal que ainda há tempo. Mas agora a pressão aumenta. E infelizmente para o Tricolor, aumenta cedo demais na competição internacional.
Agenda tricolor
Agora o Fortaleza volta a campo no fim de semana. No domingo, visita o Mirassol pelo Brasileirão.
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