Por Marcos Santos – Jornal de Fato
O Baraúnas retomou os trabalhos da base com a categoria Sub-15, que já está disputando o Campeonato Estadual, e também iniciou a avaliação para a formação da equipe Sub-17. Ao todo, o projeto leonino envolve 80 jovens atletas, sendo 90% deles de Mossoró. Este projeto é financiado por parceiros do clube, sem nenhum apoio do Poder Executivo local.
“Mesmo sem investimento nenhum do poder público, estamos tocando esse projeto junto com os parceiros, porque é uma necessidade da cidade, uma necessidade social”, disse ele durante entrevista concedida ao repórter Jota Nobre, da RPC.
A falta de incentivo gerou críticas do presidente do Baraúnas, Lima Neto, à ausência da Prefeitura em apoiar uma causa tão importante, pois o esporte tem o poder de transformar vidas de diversas maneiras, como na melhora da saúde física e mental, disciplina e sociabilidade.
O dirigente também destacou que, como reflexo da falta de investimento social, a praça da Igreja da Catedral tem sido ocupada por homens e mulheres em situação de rua, de idades variadas.
“Mossoró prova que é carente socialmente, veja a situação que está se formando ali no entorno da Catedral de Santa Luzia, que vem se transformando em uma verdadeira ‘cracolândia’. O esporte é saúde, afasta os garotos das drogas, não deixa que a juventude chegue a esse ponto”, ressaltou.
Mesmo sem apoio do Poder Executivo, o dirigente leonino disse que o Baraúnas faz sua parte, graças a parcerias com alguns empresários.
“Temos o nosso dever moral e ético de contribuir com o esporte, não só o clube como todas as empresas da cidade e, algumas já o fazem. Mas o poder público está devendo e muito, e ele tem que começar a mudar essa mentalidade, porque da maneira como está, não vai para frente; só vai para trás”, disse.
AUSÊNCIA DA SECRETARIA DE ESPORTE
O presidente do Baraúnas também lamentou a ausência da Secretaria de Esportes em projetos com o clube, destacando a falta de apoio institucional que poderia potencializar ainda mais os resultados da base e o impacto positivo na comunidade.
“A secretaria de esporte (de Mossoró) nunca teve uma ação para o esporte junto com o clube, principalmente em se tratando de base. Nunca foi assistir a um treino da base do Baraúnas e, obviamente, não quero refletir ao poder público como um todo. Alguns vereadores já visitaram e parabenizaram pela estrutura e pelo trabalho realizado”, censurou o dirigente, que encontra fora de Mossoró o devido apoio que não tem na sua cidade de origem.
“Em Serra do Mel encontramos esse apoio junto à secretaria de lá. Temos vários atletas de Serra do Mel participando da base. Atualmente, temos mais parceria com a secretaria de esporte de Serra do Mel do que com a de Mossoró”, disse.
“Lembrando que o Baraúnas não se restringe às fronteiras de Mossoró, é um clube de nível estadual e por que não dizer de nível nacional, porque é um clube que o Brasil conhece”.
SEM ESTÁDIO
Além de negar apoio aos clubes e ao esporte de base, a Prefeitura de Mossoró demonstra pouco interesse pela causa do Nogueirão. O estádio foi municipalizado há mais de 4 anos, mas, até agora, não trouxe resultados concretos.
Há mais de um ano, o Nogueirão se encontra fechado por decisão judicial, após a gestão municipal descumprir o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), ao não realizar uma simples obra de acessibilidade.
O prefeito Allyson Bezerra já fez várias promessas de construir um novo estádio por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), mas o projeto está emperrado e sem avanços.
“A prefeitura municipalizou o estádio com o compromisso de mantê-lo operacional, mas mudou a ideia para fazer uma PPP (permuta para construção de novo estádio), que assim seja, mas que ela possa demonstrar capacidade de executar isso aí, e não se comprova capacidade perdendo os prazos”, observou o presidente do Baraúnas em tom de crítica.
“Ainda aguardamos uma resposta da Prefeitura, porque o clube não cobra nada de novo a não ser um direito do clube de mandar os seus jogos na cidade de origem e, do torcedor, de poder assistir a uma prática esportiva dentro de sua cidade”, concluiu.
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