Quarta-Feira, 11 de março de 2026

Postado às 08h45 | 11 Mar 2026 | REDAÇÃO Eliminação do Botafogo é reflexo de caos fora de campo sob comando de Textor

Crédito da foto: Reprodução John Textor é dono da SAF do Botafogo

Por Letícia Marques — ge

O Botafogo não cumpriu o primeiro (e principal) objetivo do ano e foi eliminado na pré-Libertadores. A má atuação na derrota para o Barcelona de Guayaquil por 1 a 0, teve uma parcela de culpa na equação, mas o cenário fora de campo é o ponto determinante para o Alvinegro ficar fora da fase de grupos.

A declaração de Alex Telles ao fim da partida é um retrato de que a responsabilidade não é só dos jogadores. A verdade é que o calendário do Botafogo na temporada foi colocado em xeque com a falta de planejamento da diretoria, comandada por John Textor, o dono da SAF.

O transfer ban sabido internamente desde outubro foi resolvido apenas no dia 6 de fevereiro. O fato impossibilitou Anselmi de ter um elenco maior e mais qualificado. Medina, o principal reforço, sequer pôde ser inscrito nesta fase, assim como Edenílson, Júnior Santos e Ferraresi que chegaram depois.

Há a necessidade de contratar peças que encaixem no estilo de Anselmi, que tenta implementar o sistema com três zagueiros, mas sofre com a falta de opção no elenco. Mateo Ponte e Newton são frequentemente improvisados na zaga, como aconteceu nesta terça-feira. Diante da má fase de Léo Linck e Neto, e a falta de oportunidade para Raul, contratação de um goleiro deve ser avaliada.

Mas a punição da Fifa passou longe de ser o único problema extracampo do Botafogo neste início de ano. O atraso no pagamento de parte dos salários gerou uma insatisfação no elenco e quase custou a permanência de Danilo. Além disso, é o 69º dia do ano e não há qualquer perspectiva de resolução para a briga envolvendo Textor, Ares e Eagle.

E é justamente neste período que Textor vive o momento mais conturbado no Botafogo. O americano é alvo de críticas da torcida, sofre certa resistência interna principalmente após o empréstimo que pegou para pagar o transfer ban, e viu Thairo Arruda, o seu então maior aliado deixar o clube.

 

O caos externo respingou dentro de campo

O gol de Matheus Martins em Guayaquil deixou o Botafogo vivo e confiante na classificação. Mas a falha de Léo Linck logo aos sete minutos no Nilton Santos veio como um balde de água fria. Depois, a pressão era nítida diante da afobação dos atletas que mal controlavam a ansiedade.

Anselmi escalou como está acostumado: Léo Linck, Vitinho, Ponte, Bastos, Barboza, Alex Telles, Newton, Montoro Barrera e Matheus Martins. Mas, pela primeira vez, praticamente abriu mão da formação com três zagueiros. No fim do jogo, Barboza e Newton formavam a zaga.

Anselmi orienta vitinho em Botafogo x Barcelona-EQU — Foto: REUTERS/Pilar Olivares

Anselmi orienta vitinho em Botafogo x Barcelona-EQU — Foto: REUTERS/Pilar Olivares

A mudança já começou aos 33 do primeiro tempo quando Mateo Ponte deixou o gramado para a entrada de Joaquín Correa. Ponte cumprimentou os jogadores no banco de reservas, mas seguiu para o vestiário. O gol cedo fez o Botafogo correr atrás do resultado, mas fez um primeiro tempo com mais posse, mais finalização e pouca eficiência.

Anselmi voltou para o segundo tempo com Arthur Cabral no lugar de Bastos. A falta de Alex Telles para grande defesa do goleiro Contreras poderia ter mudado a partida logo aos dois minutos. O Botafogo protagonizou fez a etapa final de muitas tentativas e pouca eficiência. Aos oito, Arthur Cabral teve uma boa cabeçada e, aos 27, Vittinho teve uma boa chance em chute.

No geral, foi um Botafogo pobre de inspiração em uma noite apagada de Montoro que saiu vaiado quando foi substituído. Faltou repertório e sobrou cruzamento a qualquer custo na área.

Virada a página da eliminação, a atuação do Botafogo gera expectativa do que esperar do clube para o restante da temporada. Há a disputa do Brasileirão, da Copa do Brasil e da Sul-Americana.

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