Bola aérea do Vasco foi uma dor de cabeça para o Flamengo
Por Thiago Lima — ge
O desafio do Flamengo de encontrar uma solução para jogar sem meias foi resolvido com sucesso. O problema no clássico contra o Vasco foi outro: não achar uma saída quando a perna pesou contra um rival mais inteiro fisicamente. Depois de abrir 2 a 0, a equipe rubro-negra cedeu o empate para o rival nos minutos finais e perdeu a chance de se aproximar da liderança do Brasileirão após o tropeço do Palmeiras.
O que funcionou no clássico? Com Arrascaeta, Paquetá e Carrascal fora de combate, Leonardo Jardim fez a melhor escolha possível. Centralizou Plata, que já jogou assim na seleção do Equador, e deixou para Luiz Araújo o corredor direito, onde o camisa 7 rende mais. Não é o mesmo que jogar com um meia de criação, mas a movimentação e a intensidade do equatoriano criaram problemas para o Vasco.
Plata se entendeu com o trio de atacantes e apareceu bastante na área. Foi assim que participou do primeiro gol, aos sete minutos, ao disputar a bola que em seguida foi dominada por Pedro. Criou outra chance aos 25, ao cobrar lateral rápido para Luiz Araújo, que serviu Pedro. Quatro minutos depois, também iniciou o ataque pela esquerda que terminou em chute de Luiz Araújo para fora.
Ele ainda apareceu em duas ótimas finalizações defendidas por Léo Jardim: uma no cantinho, aos 30 do primeiro tempo, e outra aos 31 da etapa final, quando já tinha voltado para a ponta direita, após a saída de Luiz Araújo, e rabiscou dois na entrada da área antes de soltar a bomba. Àquela altura, o Flamengo já tinha feito 2 a 0, com Jorginho cobrando pênalti, e criado o suficiente para vencer, apesar de não ser brilhante.
Agora, o que deu errado? A partida começou a sair das mãos rubro-negras logo depois desse chutaço de Plata. Muitos jogadores deram sinais de cansaço, e Jardim começou a mexer. Enquanto Renato Gaúcho guardou a cavalaria de seu ataque para o segundo tempo, quem saiu do banco do Flamengo não deu a mesma rotação. E o Vasco, que não tinha até então chances claras, criou três e fez dois gols. A sensação foi de que conseguiria a virada se tivesse mais cinco minutos.
O cansaço fez os jogadores em campo tomarem decisões equivocadas, como por exemplo tentar fazer a linha de impedimento no último lance do jogo em vez de atacar a bola. Jardim assumiu a culpa pelo empate amargo porque as substituições não conseguiram dar fôlego ao time. Talvez o maior erro do treinador tenha sido ficar com uma alteração não utilizada, vendo seu time extenuado em campo. E ter optado por colocar Wallace Yan para tentar bloquear os cruzamentos, enquanto poderia ter lançado Danilo ou Vitão para reforçar a bola aérea diante dos perigosos chuveirinhos vascaínos.
Com o empate do Palmeiras com o Santos, no sábado, o Flamengo tinha a chance de diminuir a diferença de seis para quarto pontos (e como tem um jogo a menos, a distância potencial seria de um ponto). Agora, os rubro-negros terão que esperar outro tropeço do líder para tentar encostar antes do confronto direto, no fim do mês.
Os jogadores se reapresentam no Ninho do Urubu na manhã desta segunda e iniciam a preparação para enfrentar o Independiente Medellín, na Colômbia, na quinta-feira, às 21h30 (de Brasília), no estádio Atanasio Girardot, pela quarta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores.
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