Segunda-Feira, 04 de May de 2026

Postado às 17h30 | 04 May 2026 | Redação Ministério Público de São Paulo pede intervenção judicial no Corinthians

Crédito da foto: Reprodução Arena do Corinthians

Por Bruno Cassucci — ge

O Ministério Público de São Paulo voltou a pedir intervenção judicial no Corinthians. Desta vez, o promotor Cássio Conserino alegou nulidade na aprovação das contas de 2025 e gestão temerária por causa dos números apresentados no balanço financeiro do ano passado. 

No documento enviado à Justiça, o promotor Conserino elenca uma série de acontecimentos para corroborar sua tese. O primeiro deles é a presença de Haroldo Dantas na reunião do Conselho Fiscal que recomendou a aprovação com ressalvas das contas de 2025. 

Advogado das empresas do presidente Osmar Stabile, Dantas estava afastado de suas funções como presidente do Conselho Fiscal do Corinthians por conflitos de interesses.

No entanto, mesmo impedido de participar dos encontros do Conselho Fiscal, o dirigente esteve presente na reunião do grupo no Parque São Jorge e assinou a ata do encontro que sugeriu aos conselheiros a aprovação das contas da gestão.  

Na sequência, o promotor alega que o CORI (Conselho de Orientação) agiu com falha de governança ao não constatar a ilegalidade da participação de Haroldo Dantas, nem identificar quais foram as ressalvas apontadas no documento, muito menos propor sanções ou correções. 

Por fim, Conserino diz que o Conselho Deliberativo ignorou as recomendações internas e externas ao aprovar as contas de Osmar Stabile com um déficit de R$ 143 milhões em 2025 e um endividamento de mais de R$ 2,7 bilhões. O promotor à Justiça pede que os conselheiros presentes na votação também sejam responsabilizados. 

– Iniludivelmente estamos assistindo uma ineficácia sistêmica e institucionalizada dos órgãos de controle do Corinthians que demanda urgente intervenção judicial. Houve uma violação direta da governança exigida pela Lei Geral do Esporte. Enfim, um cenário administrativo caótico e que piora em progressão geométrica.  

– A bem da verdade o arremedo de controle feito na aprovação com “ressalvas” das contas, em nenhum momento, enfrentou a tormentosa questão envolvendo a impossibilidade de continuidade operacional do clube, não examinou como será liquidada a dívida monstruosa que beira os R$ 3 bilhões, não teceu qualquer comentário sobre o aprofundamento da resolução destas importantes ressalvas, não teceu qualquer comentário propositivo sobre como sanar o déficit de R$ 143,4 milhões do último ano – escreveu o promotor na peça encaminhada à Justiça. 

Agora, a petição será juntada a outros documentos já enviados ao sistema judiciário para análise. 

Vale ressaltar que em dezembro do ano passado, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social do Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para avaliar a possibilidade de intervenção judicial no Corinthians. Naquela ocasião, no entanto, o pedido foi motivado pelo mau uso dos cartões corporativos do clube. 

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