Domingo, 10 de May de 2026

Postado às 08h45 | 10 May 2026 | Redação Fluminense desmorona após erro e tropeça no vitória pelo Brasileirão

Crédito da foto: André Durão Luis Zubeldía em Fluminense x Vitória

Por Marcello Neves — ge

O gol de Serna nos acréscimos do empate em 2 a 2 com o Vitória, neste sábado, não pode mascarar um fato: serviu para que o Fluminense não sofresse uma derrota caótica no Maracanã. No início da sequência de jogos em casa, a equipe tricolor teve tudo para começar a recuperar a confiança de seu torcedor antes das decisões que virão na Copa do Brasil e na Libertadores. O recado dado, no entanto, foi o contrário: a arquibancada viu um time que desmoronou em campo e não espanta a crise que vive.

O pior é que a equipe tricolor não fez um jogo ruim em sua totalidade. Na verdade, tinha a vantagem no placar e dominava o adversário até os 18 minutos do segundo tempo, quando um erro quase colocou tudo por água abaixo — o pênalti de Alisson. O Vitória crescer após empatar é natural, mas o Fluminense desmoronar a ponto de sofrer a virada e entrar no "modo desespero" é um sinal de como a confiança do elenco está derretendo.

Dentro deste cenário, a crise do Fluminense tem um sintoma atípico. Ao mesmo tempo em que tem o segundo melhor ataque do Brasileirão, também vive um péssimo momento defensivo. Nos últimos 12 jogos, foi vazado em 10 deles — e quando segurou a meta, não venceu (os 0 a 0 com La Guaira e Operário). No recorte mais recente, são sete bolas na rede nos últimos quatro jogos. Número muito alto, que Zubeldía reconheceu.

— Estamos tendo um número mais alto em relação às bolas paradas, mas é a equipe em geral, não apenas a defesa. A equipe em geral não está tendo a segurança que precisa ter. Você tem duas formas de ter segurança: com a bola e sem a bola. Sem a bola pode ter erros pontuais, mas o que mais se destaca são as porcentagens de gols de bola parada. E acho que aí estão os gols que estamos levando.

A questão agora parece saber até onde vai esse momento ruim. Enquanto a boa colocação no Brasileirão sustenta o trabalho, há uma luz no fim do túnel. Mas as decisões nas Copas do Brasil e Conmebol Libertadores parecem serem divisores de água nesta conta. A ver o que acontecerá.

De positivo, John Kennedy é o artilheiro disparado do Fluminense nesta temporada, com 11 gols marcados. Falta apenas um para ele igualar a sua melhor marca defendendo a equipe tricolor — os 12, anotados em 2023. Ao mesmo tempo, é o vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro, com sete bolas na rede. Está apenas um atrás de Viveros e Pedro, líderes do quesito.

John Kennedy também tem conseguido converter a esperança que há sobre si em gols — antes, era só crença, com baixo desempenho em campo. Desta vez, ele se coloca como a principal esperança de construir uma classificação heroica na Conmebol Libertadores, ou da vaga na Copa do Brasil. Muito porque é um dos poucos que não tem sentido o momento ruim.

O jogo

Zubeldía pode ser contestado por vários fatores do desempenho atual do Fluminense, mas não pode ser criticado por não estar tentando buscar soluções dentro do elenco. Por questões físicas ou não, o treinador trocou peças e deu oportunidades para quem tem feito por merecer dentro de campo — ao menos na parte ofensiva. A escolha de escalar John Kennedy e Soteldo ao lado de Lucho Acosta e Savarino, por exemplo, deu certo. Neste momento, parece ser o quarteto titular por merecimento.

Ao final da primeira etapa, a conclusão foi de um Fluminense superior. O responsável por levar essa vantagem para o placar foi John Kennedy, que abriu o placar após cobrança de escanteio para fazer justiça ao que estava sendo visto dentro de campo. Até ali, melhor para o lado que teve um ataque em melhor forma na noite deste sábado.

Não à toa, o Fluminense apresentou boas movimentações no ataque. Numa delas, Lucho Acosta reclamou de um pênalti não marcado. A jogada nasce de uma tabelinha rápida com Soteldo e John Kennedy. Não que a atuação tricolor tenha sido exemplar nos primeiros 45 minutos, mas a conexão do quarteto foi um ponto positivo a ser destacado.

O problema é que bastou um erro para tudo ruir. O Fluminense continuou melhor até os 18 minutos do segundo tempo e teve chances para ampliar. Soteldo parou em Lucas Arcanjo, John Kennedy tentou de letra, Lucho Acosta viu seu chute passar perto da trave. A punição veio no pênalti cometido por Alisson, que virou o ambiente no Maracanã.

Quando Renato Kayzer empatou, o Fluminense desmoronou. Mesmo com muito jogo pela frente, o time empilhou erros técnicos e táticos como se já estivesse desesperado. O Vitória aproveitou para virar com Renê. Aqui, nova falha da defesa do Fluminense, com Renê (o da equipe tricolor) perdendo a bola no meio-campo, Millán sendo facilmente superado e Ignácio pouco combatendo o atacante adversário.

Dali para frente, nada fluiu. O Fluminense entrou numa espiral de problemas e o Maracanã virou um caldeirão. Alisson foi vaiado, Zubeldía foi chamado de "burro" e nada do que acontecia em campo funcionava. Até John Kennedy achar um belo passe para Serna encobrir Lucas Arcanjo e empatar.

O ponto dá sobrevida, mas a falta de confiança segue visível.

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