Zico atendeu a imprensa em coletiva antes do Masterclass
Por Marcos Santos / Jornal de Fato
O retorno de Zico a Mossoró, 41 anos depois de sua primeira passagem pela cidade, foi também uma oportunidade para revisitar histórias que ficaram marcadas em sua memória. Entre elas, o amistoso contra o Baraúnas em 1985, o desentendimento em campo com um atleta adversário, Gelson, e uma curiosa lembrança das piscinas do Thermas.
A visita, desta vez a convite do Sebrae/RN, também serviu para o ex-jogador transformar experiências acumuladas ao longo de uma carreira vitoriosa em ensinamentos para empreendedores e líderes locais.
Naquela partida contra o Baraúnas, Zico marcou um dos gols da vitória por 3x2, mas acabou expulso após um desentendimento com o meia Gelson, que também recebeu cartão vermelho. O episódio, longe de apagar a lembrança da partida, tornou-se parte da história que o craque guarda da cidade.
“Muitos anos atrás eu estive aqui, a gente jogou contra o Baraúnas em jogo amistoso, mas de amistoso não teve muita coisa, não”, brincou Zico, ao recordar o confronto durante a coletiva de imprensa.
O ex-jogador também destacou a presença do público naquele dia e classificou a partida como uma grande apresentação.
“O torcedor lotou o estádio. É o maior público até hoje de jogos que aconteceram aqui. A gente fica feliz por isso, mesmo eu tendo sido expulso pelo juiz, mas ele também foi expulso, a torcida expulsou ele”, contou, arrancando risos.
Na verdade, o juiz Francisco Freire reconsiderou a decisão e deixou Zico permanecer em campo. No entanto, Gelson, atleta do Baraúnas, precisou ser substituído por Zácone.
LEMBRANÇA ATRAVESSOU O JAPÃO
A passagem por Mossoró também deixou em Zico uma lembrança curiosa relacionada às águas termais. Por consequência do amistoso, a delegação rubro-negra ficou hospedada no Thermas, mas os jogadores foram orientados a não entrar nas piscinas antes da partida.
A justificativa era evitar que a água quente deixasse o corpo relaxado demais para o jogo. Mesmo sem aproveitar a piscina, Zico conta que ficou admirado com o local.
“No hotel, a gente não pôde entrar no dia do jogo porque a água quente amolece demais o corpo, mas ficamos admirados com as piscinas todas. Pensei um dia poder voltar, mas não foi possível”, lembrou.
Anos mais tarde, quando já estava no Japão, Zico conheceu os tradicionais onsen, os banhos de águas termais japoneses. Foi então que a experiência em Mossoró voltou à memória.
“Depois de anos com a minha presença lá no Japão eu vim saber o que era onsen, aqui é o Thermas. Então eu lembrei e lembro de Mossoró sempre por causa disso”, afirmou.
DISCIPLINA ANTES DO TALENTO
Ao falar sobre sua trajetória, Zico destacou que o sucesso não depende apenas de talento. Para ele, disciplina, responsabilidade e comprometimento são fundamentais para transformar capacidade individual em resultado coletivo.
“O objetivo do jogador de futebol são as conquistas, e as conquistas te levam a você a outras muitas coisas. Não é só você que é o importante; são seus amigos, sua família, torcida, são milhões de coisas que ficam felizes quando você consegue atingir o objetivo final”, disse ele que, desde cedo aprendeu que deveria fazer o melhor pelo time e ajudar os companheiros.
“Hoje, a gente vê uma situação muito mais voltada ao individualismo do que propriamente da parte coletiva. Eu sempre fui contra o individualismo. Aprendi desde os meus 13 e 14 anos a importância de jogar para a equipe, fazer o melhor para o seu time, ajudar seus colegas”, ressaltou.
Para ele, a liderança também é construída pelo exemplo.
“Eu dizia sempre que a minha presença dentro do time era mais fora do campo do que dentro do campo, porque fora do campo era minha conduta ser a grande referência do time. Eu tinha hora para chegar, mas não tinha hora para sair”.
COLETIVIDADE PARA AS CONQUISTAS
A experiência no Flamengo serviu como principal exemplo para Zico mostrar que grandes resultados dependem da capacidade de uma equipe trabalhar em sintonia. Ele lembrou o período de maior sucesso do clube, quando uma geração formada, em grande parte, nas categorias de base conseguiu conquistar os principais títulos disponíveis.
“Em seis anos ganhamos mais títulos do que o Flamengo havia conquistado em toda sua história. Todos os títulos que eram possíveis ganhar, nós ganhamos porque era um grupo que entendeu”, lembrou.
“Jamais vai acontecer isso. Por isso, a gente caminha hoje e passa essas informações e momentos para que possa servir, quem sabe, às futuras gerações e futuras atividades”, concluiu.
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