Quinta-Feira, 17 de setembro de 2026

Postado às 13h00 | 17 set 2026 | redação Técnico Tite é apresentado no Botafogo e projeta estilo de jogo

Crédito da foto: Botafogo / divulgação Botafogo apresenta o técnico Tite

Por Bárbara Mendonça e Letícia Marques — ge

O técnico Tite foi apresentado oficialmente pelo Botafogo na manhã desta quinta-feira (17), no Nilton Santos. Entre os muitos assuntos da entrevista longa, Tite explicou que planeja montar o time com base nas características encontradas no elenco. O novo comandante afirmou que a equipe terá "a cara do Botafogo".

— Eu brinco que a assinatura de um quadro não pode ser maior que o próprio quadro. Quero dizer que os protagonistas são os atletas. A minha adaptação será às características dos atletas. Tu faz ajustes. O ajuste que posso sintetizar é uma equipe equilibrada, que saiba trabalhar em transição, com posse ou em velocidade. Sem bola, que ela possa compactar, sendo 4-1-4-1 no primeiro tempo, no 4-4-2 ou no 5-3-2, como aconteceu ontem. Peguei as três variações de ontem.

— E nesse trabalho junto com o Bellão também vai acintar (envolver, amarrar) esse processo todo. A cara é do Botafogo, não a minha cara.

Tite também garantiu estar mais adaptado à rotina de clubes após longo período na Seleção, mas trabalhos recentes em Flamengo e Cruzeiro. O treinador foi apresentado ao lado do presidente do Botafogo Social, João Paulo Magalhães Lins, e do diretor de futebol do clube, Léo Coelho.

— Futebol é minha vida, com diferentes etapas, com diferentes momentos, com diferentes circunstâncias. Na Seleção, foram sete anos, até demorei para me adaptar. Terça, domingo, sábado... Agora, não. Eu acho que estou um pouquinho mais calejado, já readaptado — resumiu seu momento.

O contrato do treinador é válido até dezembro de 2028. Ele será a cara do projeto da GDA, a nova investidora da SAF alvinegra. A nova comissão técnica também será formada pelo auxiliar Matheus Bachi (filho do treinador) e pelo preparador físico Fábio Mahseredjian. Além deles, Rodrigo Bellão será o novo integrante da comissão técnica permanente do clube, ao lado do auxiliar Marcelo Fera e do preparador físico Ronaldo Torres.

O Botafogo terá 17 dias sem jogos em função da paralisação da Data Fifa. Esse período é considerado decisivo pela diretoria para que o novo comandante conheça bem o elenco.

 

Veja todas as respostas do treinador:

Presença no jogo e torcida

— Eu te confesso que o camarote, para mim, é mais difícil do que na beira do campo. A tensão, o nervosismo, a expectativa, ela gera. Mas eu brinquei em relação ao Léo ter falado, mas o grande trabalho que foi feito pelos atletas, que foi feito pela direção, que foi feito pelo Bellão, o Bellão ganhou do outro lado, e aí tem o enfrentamento de dois campeões mundiais. Fica aqui o reconhecimento do grande trabalho dele e da gente ter vibrado junto.

O que fez tomar a decisão de aceitar o projeto do Botafogo desta vez?

— Série de aspectos são importantes. Primeiro, essa relação da conversa foi fundamental, com João Paulo, com o Léo. Foi fundamental. Daquilo que é o projeto do Botafogo, a reformatação, ambição e o crescimento ao longo do tempo. Da história do Botafogo recente e passada, do sentido do acolhimento que eu tive. Fui apresentado ao grupo de funcionários e chega a ser comovente. Ontem, com o Montenegro me dando um abraço, as pessoas, me sentindo verdadeiramente incorporado. Essa relação e a possibilidade de desenvolver um trabalho a médio e longo prazo me traz, enquanto profissional, uma possibilidade do que eu imagino e entendo do futebol, porque ele tem processos a serem desenvolvidos para que no final se possa ter as glórias.

Expectativas:

— Quando eu estava fazendo a pergunta, a primeira coisa que eu fiz foi na reunião. O João Paulo colocou assim para mim. Eu disse: eu fui chão de fábrica. E aquilo ali me sintonizou também. Uma trajetória no futebol até chegar na Seleção Brasileira, de passagem por um sem número de clubes. E o que me orgulha é que os trabalhos desenvolvidos, a grande maioria deles, foi a médio prazo. Então, se eu pegar todos os trabalhos da minha carreira, eu olho para trás e tenho orgulho dela. Poucos são aqueles que eu trabalhei em pouco tempo. Então, essa possibilidade de desenvolvimento do trabalho dentro do Botafogo também me trouxe, até pelo know-how passado, uma expectativa de poder fazer um trabalho a médio prazo.

Reestruturação em nova SAF e como enxerga o Botafogo

— O Botafogo é muito grande, são milhões de torcedores. O Léo me perguntou como estava a minha família, eu disse que radiante. Eles estavam me recebendo com sorriso e me abraçando. Uma coisa que não abro, e essa é inegociável, de conduta pessoal. Ela é com o clube e antes ela é comigo e com as pessoas com quem eu trabalho. Tomara que a competência pessoal me conduza a ficar esse tempo todo, mas ela só vem junto com os resultados, mas a grandeza do clube, e quiçá no meu passado eu pudesse imaginar que eu seria técnico do Botafogo. Talvez eu seja privilegiado, e que o Botafogo esteja abrindo as portas para mim para fazer um trabalho, tomara, de sucesso.

Sala de entrevistas do Botafogo repleta de jornalistas para a apresentação de Tite — Foto: Vitor Silva / Botafogo

Sala de entrevistas do Botafogo repleta de jornalistas para a apresentação de Tite — Foto: Vitor Silva / Botafogo

Primeiras impressões e contato com o elenco

— A busca, a partir do momento que nós tivemos essa possibilidade de vir para cá, claro que ela foi integrada. Nós buscamos o maior número de informações possíveis, eticamente não abordando, não conversando com os analistas, não conversando com os técnicos, porque não havia firmado, mas nos preparando para tal. É minha função, não estou fazendo mais nada, porque o respeito e a conduta profissional traz. E a partir daí, sim, seguramente, estando com todo o departamento de análise, com os profissionais da área, onde nós tivemos a condição de conversar, mas ela é muito rápida, fica com o envolvimento da emoção do jogo. E claro que analisando os jogos, o jogo que fez contra o Palmeiras, o jogo que fez contra o Flamengo, e outros jogos que teve, quando você olha aqui, no jogo do Cienciano, com vinte minutos era para estar com um placar mais dilatado, enfim, você começa a ter um esboço, mas a profundidade desse trabalho vai estar nessa relação com a comissão técnica que deva permanecer.

— E nós conversamos, o Léo está olhando para ele, porque eu falei: os bons profissionais que aqui estão devem permanecer. Eu não quero, e já passei de ter a pretensão de pegar a minha equipe, botar, e quem tiver eu vou sobrepor aqui. Isso não faz parte de mim. Quem olha para a minha história sabe o que tem, potencializa a equipe que está, se tem uma necessidade, traz. Então vem eu, Flavio, Matheus, e aí a gente integra. Eu não sei se o convite feito ao Bellão vai permanecer, porque é uma peça importantíssima no momento de transição, isso não é dito agora com a oportunidade da vitória que teve, isso foi colocado antes, ontem, o Léo pode falar a respeito. Então, agregar forças ao trabalho do Botafogo, esse também é o meu objetivo.

Estará à beira do gramado no próximo jogo

— Eu te confesso que estar na beira do gramado é mais sereno, mais de observação, do que ter assistido. Eu até falei para nós que estávamos juntos, eu não seria diretor nunca de uma equipe. O meu chão é estar mais ali embaixo, é o meu chão, aquilo que eu, ao longo da vida, por ser professor de educação física, por começar uma carreira de técnico com vinte e oito anos, extremamente precoce, porque parei, estourei meus dois joelhos, enfim, quem tem um pouquinho da minha história já sabe, me formei em educação física, busquei cursos, busquei evolução para olhar para trás e fazer a trajetória que fiz. Então, tenho uma alegria e um prazer muito grande. Agora está integrado e está dentro do trabalho.

Motivação diferente depois dos últimos trabalhos?

— Estou muito feliz, motivado. O futebol faz parte da minha vida. E não vou entrar no detalhe dos últimos trabalhos. O Cruzeiro, em três meses, fomos campeões mineiros. Não teve um bom início de Brasileiro porque não dá para ganhar tudo, é inevitável, considerando todas as variáveis da coisa, mas mantendo a saúde. O Flamengo nós fomos campeões cariocas e saímos na Libertadores com três jogadores machucados. Mas são etapas e cada clube tem o seu próprio projeto, suas próprias ambições, decisões. Isso faz parte. O que eu quero ter aqui, e esse é o mais significativo, é a possibilidade de competência profissional e de agregar uma equipe toda de trabalho. Tomara que tenha sucesso a médio prazo, mas com consciência de que o resultado precisa estar junto.

Reformulação e montagem no elenco; hierarquia em relação ao filho e Bellão

— Sempre, em todos os processos, a decisão é dura e solitária do técnico. Intransferível e inegociável. O que tem é uma equipe de trabalho e que te municia de informações. Por exemplo: o Bellão fez um modelo no primeiro tempo, no segundo mudou, e no transcurso foi outro. A conversa era constante com o auxiliar Marcelo. Isso faz parte de um contexto, isso é trabalho em equipe. E não há autonomia de técnico para a contratação de qualquer atleta. Ela tem é coparticipação, trabalho de equipe e tem que ser bom para o Botafogo, não para mim. Não tenho essa pretensão e já tenho idade o suficiente (para saber isso). O que eu não tinha antes.

— Então ela tem que ser de forma conjunta, estrutural. Seria muito fácil pedir um jogador e ele não vir, usar isso de escudo depois: "não ganhei porque lá no início eu falei...". Não é, é coparticipação para uma decisão final e isso a gente vai fazer. Deixando bem claro e quem me conhece sabe: é um trabalho de equipe, e a decisão final é minha.

Sobre momento do clube

— Eu penso que a grandeza do Botafogo, ela te permite a ambição, a busca de títulos. O que há também é um momento em que todas as equipes que não atingiram ainda uma pontuação suficiente para sair de uma zona de perigo, elas vivem ainda nesse embate, nessa competição. Ela tem, na minha opinião, o Campeonato Brasileiro, ele achatou. O nível de todos os clubes, eles são muito parecidos, eles são muito parecidos, exceção de investimentos, dois da frente, que eles se trazem um pouco mais. Quem estava um pouco abaixo cresceu bastante, a ponto de tu encontrar resultados, por exemplo, da Chapecoense, que é o último, que tem vencido jogos extremamente importantes contra equipes importantes. Só para exemplificar.

— Então, um primeiro momento, ele é dessa pontuação, e depois a ambição, ela é de ambicionar outras situações que elas possam acontecer, o quanto mais rápido possível, atingir essa pontuação, sim. Pego para exemplificar que, sete rodadas do Campeonato Brasileiro no Corinthians, campeão da Libertadores, nós estávamos na zona de rebaixamento, e eu coloquei a exemplo, nós só vamos buscar uma preparação para Mundial e buscar Mundial, só para exemplificar, eu consigo ilustrar, no momento que nós chegarmos com 45 pontos, aí tu ambiciona e prepara. Então, esse momento, esse próximo passo, ele é o mais importante. Essa primeira trajetória é para ampliar o horizonte, para abrir possibilidades maiores.

Pragmatismo no trabalho

— Respeito as opiniões diferentes, absolutamente. Nós vivemos num país democrático que tem a liberdade de externar. Aí eu me remeto à história: 5-3-2 no Grêmio, 4-4-2 no Internacional, Caxias campeão 4-4-2, só para dar exemplo, Corinthians campeão em 2011 com uma equipe mais reativa, Corinthians campeão em 2015 com uma equipe com uma criatividade absurda, Seleção Brasileira de 2018 jogando bonito demais, chegando no ápice de uma condição. Só aí eu exemplifiquei. Se isso é pragmatismo, então vai continuar com esse pragmatismo.

O que fez aceitar o convite?

— É fundamentalmente um trabalho desenvolvido a médio prazo. Eu não acredito que tenha varinha mágica. Eu sei da necessidade do resultado, eu não sou nenhum ingênuo em relação a isso, mas quando a premissa de fazer um trabalho a médio prazo te traz algum componente estruturado, dizendo assim: a gente sabe a noção exata das pressões do futebol, da necessidade, mas também respeita para se consolidar um tempo para que isso aconteça. Talvez isso tenha sido mais significativo.

Reencontro com o Alex Telles depois desse tempo todo

— Difícil individualizar. Alex é uma grande pessoa, de um grande caráter, uma referência, capitão da equipe. Conduta pessoal e profissional do mais alto nível. Conheço ele e Edenílson, e esteve presente na história que contei do título mundial. Ele, o Allan, o Cabral, na Seleção. Uma série de jogadores importantes. Mas volto a dizer que o trabalho em equipe é extremamente importante.

O que dizer para o torcedor que está desconfiado?

— O torcedor é essencial, é o objetivo maior da grandeza do clube. Tenho todo o respeito em qualquer que seja a opinião e faço de uma maneira muito serena porque entendo futebol e vivencio ele nas diferentes áreas, dentro de campo, fora e até na imprensa. Passei um ano invicto sendo comentarista. Tenho expertise nas diferentes áreas para entender as opiniões diferentes, que não são ofensas e faz parte do jogo. Compete a nós fazer um bom trabalho e o Botafogo está acima de qualquer coisa.

Sistema defensivo do Botafogo, que é um problema crônico

— Tenho ideia pré-concebida de equipe equilibrada. Não posso ser propositivo se eu não tiver a posse de bola. Eu tendo posse, ou ela é em transição em velocidade ou com jogo apoiado, mas com Montoro, ela não vai ser em velocidade, mas com bola no pé. Com Huguinho será de bola no pé, Danilo também. Pode ser de profundidade com Matheus Martins, com Cabral. Com Vitinho, em ultrapassagem como no primeiro gol. Estou te dando exemplos de fatores de ponto de equilíbrio para a equipe. O Telles é mais construtor. Zagueiros com muita velocidade para correr para trás. E aí faz uma composição nas características de contratações que o Botafogo fez.

Qual análise sobre o atual elenco?

— Eu não vou ser leviano, eu não tenho a profundidade do conhecimento. O dia a dia vai proporcionar isso. Queria poder ser muito simpático e colocar características pessoais. Difícil, né. O momento da adversidade da equipe, como ela se comporta, no momento do torcedor querendo, manter o nível de concentração alto... isso tudo o tempo vai proporcionar. Por isso eu falo que a ideia inicial que me trouxe é poder realizar um trabalho. Sou um construtor de equipe.

Peso do Ziyech e como imagina ele no time

— A gente vai se integrando com os jogadores de quem não tem a devida profundidade. Monzón, o zagueiro de ontem que fez sua estreia (Arthur Chaves), que fez um belo jogo, com muita velocidade e enfrentamento. Na hora que fui cumprimentar, vi que ele estava concentrado, dei só um abraço de bom jogo. Não queria atrapalhar, queria só fazer o meu registro de que estava junto com a equipe.

— Falei desses jogadores. Claro que o Ziyech é muito mais conhecido, perna esquerda de muita qualidade, de finalização de média distância, tem uma série de requisitos técnicos importantes. Na sua condição física boa, vai agregar em termos de qualidade à equipe. Cada um tem seu background.

Construção do meio

— O técnico tem que ter a capacidade, e aí eu coloquei diferentes sistemas, para que possa potencializar uma equipe que tem as características desses jogadores. Jogo apoiado, e aí é trazer, daqui a pouco, uma possibilidade mais vertical com alguns, e aí sim esse ponto de equilíbrio para que dê também velocidade. Mas é esse ponto de equilíbrio que eu busco, que tu colocaste e observaste de forma correta.

O Botafogo pode conquistar títulos ou se tem outros objetivos em mente?

— A médio e longo prazo é inevitável a ambição de títulos. Eu coloquei do momento anterior, mas a história e trabalho a médio é de conquistas e de ambição. É uma das características daquelas sete mensagens/palavras para ser técnico, atleta, dirigente. A médio prazo é inevitável.

Momento como treinador

— Amplia esse retrovisor com a carreira toda, ela vai trazendo o que traz um técnico que tem toda essa história, tem todas essas experiências em diferentes etapas. Eu digo que o momento da minha carreira, não quero colocar deliberadamente que seja subir uma montanha para depois descer a montanha, mas sim uma linha de tempo mais horizontal. Que eu tenha talvez mais quantos anos, cinco, seis, sete, sei lá, também não me preocupo com isso, mas de ter sim essa busca, essa inquietude da evolução, do acompanhamento, da compreensão da posição, função, seja ela de ponta, seja ela de uma linguagem mais didática ou de uma linguagem mais professoral, mas entender o que antes era ponta, o que faz agora, o que é a flutuação, o que é jogar entre linhas e essa busca constante de evolução e de leitura. E eu tenho comigo, futebol é minha vida, com diferentes etapas, com diferentes momentos, com diferentes circunstâncias. Antes eu coloquei, na Seleção foram sete anos, até demorei para me adaptar, terça, domingo, sábado, mas agora não, eu acho que estou um pouquinho mais calejado, agora também já readaptado. E nessa situação, todos os trabalhos desenvolvidos, a análise disso aí é com vocês.

Trabalho de longo prazo

— É o desafio, o meu objetivo. Não imaginei ficar seis anos e meio na Seleção, quase sete, mas não fiquei na Seleção porque sou bonito ou simpático, foi porque ganhei. Campeão da Copa América, vice da outra, duas Eliminatórias incontestes. Ficou nas quartas de final? Ficou. Mas a Copa do Mundo é muito difícil. Tomara que eu tenha a possibilidade para ter essa ideia de médio, longo prazo, mas isso está associado a vencer.

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