Sexta-Feira, 25 de setembro de 2026

Postado às 20h00 | 25 set 2026 | redação Bets colocam mais de R$ 1 bilhão em patrocínio na Série A, e 14 clubes serão afetados com proibição

Crédito da foto: Reprodução Clubes brasileiros fizeram manifesto a favor das bets

Por Redação do GLOBO

Com o anúncio, nesta sexta-feira, da medida provisória do Governo Federal que proíbe as atividades das bets, os clubes brasileiros já tentam calcular o tamanho do prejuízo financeiro. Dos 20 representantes da Série A, 14 têm contratos de patrocínio master com empresas do setor, que podem ser rompidos quando a proibição entrar em vigor.

O mercado de apostas movimentará cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026, mesmo patamar da última temporada. Em 2024, 18 dos 20 times da primeira divisão tinham marcas do segmento estampadas nos uniformes, em um mercado que movimentou cerca de R$ 523 milhões naquele ano. Além disso, casas de apostas passaram a ocupar os naming rights dos principais campeonatos nacionais.

O crescimento das bets no futebol brasileiro — Foto: Editoria de Arte

O crescimento das bets no futebol brasileiro — Foto: Editoria de Arte

*Grêmio fechou recentemente contrato com a Pitaco (R$ 43 milhões por ano)

Por outro lado, levantamento do GLOBO mostra que nenhum contrato envolvendo bets representa mais do que 13% de algum orçamento de participante do campeonato. E os clubes da Série A têm apenas cerca de 7% das receitas oriundas de patrocínio de bets.

Para chegar aos dados a seguir, foram levados em conta as receitas brutas apresentadas pelos clubes em seus orçamentos de 2025, e os valores fixos pagos acertados pelas bets com os mesmos, sem levar em considerações bônus contratuais.

Corinthians (10,6%) e São Paulo (10,5%) são os únicos outros dois clubes que veem esta faixa de representatividade acima dos 10% de seus orçamentos brutos. Os paulistas também estão no clube quase exclusivo daqueles que ganham acima de nove dígitos: a Superbet paga R$ 113 milhões fixos por ano ao tricolor, e a Esportes da Sorte paga R$ 103 milhões ao alvinegro.

A instituição que mais "depende" da sua patrocinadora máster é o Flamengo, mas que também é o dono do maior contrato da História do futebol brasileiro — a Betano paga R$ 268,5 milhões por temporada — e do maior faturamento já registrado no país — foram R$ 2,08 bilhões de receita bruta em 2025. Assim, a fatia representa 12,85% do último orçamento.

Orçamento bruto x Valor fixo do contrato com bet (2025)

Clube Empresa Fatia do orçamento Receita bruta total Valor fixo pago por bet
Flamengo Betano 12,85% R$ 2,089 bilhões R$ 268,5 milhões
Corinthians Esportes da Sorte 10,6% R$ 971,1 milhões R$ 103 milhões
São Paulo Superbet 10,5% R$ 1,074 bilhões R$ 113 milhões
Atlético-MG H2bet 7,8% R$ 768 milhões R$ 60 milhões
Santos Blaze/7K* 7,7% R$ 678,5 milhões R$ 52,5 milhões
Bahia Viva Sorte Bet** 7,1% R$ 562,2 milhões R$ 40 milhões
Vasco Betfair* 6,8% R$ 683 milhões R$ 47 milhões
Grêmio Alfa** 6,7% R$ 736,8 milhões R$ 50 milhões
Internacional Alfa** 6,4% R$ 775,7 milhões R$ 50 milhões
Vitória 7K 6,1% R$ 259 milhões R$ 16 milhões
Cruzeiro Betfair* 5,9% R$ 677,2 milhões R$ 40 milhões
Palmeiras Sportingbet 5,6% R$ 1,783 bilhão R$ 100 milhões
Fluminense Superbet 5% R$ 1,022 bilhão R$ 52 milhões
Botafogo Vbet 3,8% R$ 1,44 bilhão R$ 55 milhões
Remo ObaBet* 3,6% R$ 82,9 milhões R$ 3 milhões
Athletico-PR Viva Sorte Bet**   R$ 512,6 milhões Valor não informado
Coritiba Reals**   R$ 138,9 milhões Valor não informado
Chapecoense Zero Um   R$ 79,9 milhões Valor não informado
Bragantino Betfast**   R$ 554,2 milhões Valor não informado
Mirassol 7K**   R$ 180 milhões Valor não informado

* Trocaram de patrocínio em 2026: Santos (Novibet), Vasco (Sportingbet), Cruzeiro (Betnacional), Remo (VaideBet) ** Cancelaram o patrocínio em 2026

Porém, no caso do Palmeiras, que fatura R$ 100 milhões fixos por ano com a Sportingbet, a dependência do contrato despenca para apenas 5,6% do orçamento. Afinal, o alviverde teve a segunda maior receita bruta do futebol brasileiro em 2025: R$ 1,78 bilhão.

Com exceção de Flamengo, Corinthians e São Paulo, nenhum clube do futebol brasileiro teve o contrato de bet representando mais que 8% de sua receita bruta em 2025. Entre aqueles que têm acordos com casas de apostas, Botafogo (3,8%) e Remo (3,6%) são os que menos dependem atualmente.

Neste ano, clubes como Bahia, Grêmio e Internacional ainda perderam estas receitas por terem rompido com as antigas patrocinadoras máster. O tricolor gaúcho, porém, fechou contrato recente com a Pitaco (R$ 43 milhões por ano). Athletico-PR e Coritiba também deixaram de ser patrocinados pelas casas de apostas que o acompanharam na Série B em 2025. Já Bragantino e Mirassol são exemplos de equipes que estampas empresas de bebidas em suas camisas

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