Dia dos Povos Indígenas, o mês de abril é dedicado à visibilidade
Por Rosalba Moreira / Especial Uern
Em alusão ao dia 19 de abril - Dia dos Povos Indígenas, o mês de abril é dedicado à visibilidade, valorização e fortalecimento das lutas dos povos originários no Brasil. É uma forma de celebrar a diversidade cultural, promover reflexão sobre direitos e preservação de saberes ancestrais, além de combater o preconceito.
Pensando nisso, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), por meio da Diretoria de Ações Afirmativas e Diversidade (Diaad), realiza uma programação especial no período de 27 a 29 de abril, com o tema “Povos Indígenas: a resposta do nosso futuro”.
“Durante muito tempo, sustentou-se a ideia de que não existiam mais indígenas no nosso Estado. Promover ações nesse sentido ajuda a desconstruir essa ideia, dando voz e rosto aos nossos povos indígenas, permitindo que a gente conheça suas culturas, lutas cotidianas pelo reconhecimento de seus territórios e de suas identidades”, declarou a diretora da Diaad, Eliane Anselmo.
A abertura da programação será na segunda-feira, 27, às 19h, com o “Grande Toré: a Uern é terra indígena”, no Pátio da Faculdade de Educação (FE), no Campus Mossoró. O momento contará com a participação de lideranças indígenas do Rio Grande do Norte, como o Cacique Luiz Katu – Cacique Geral dos povos indígenas do RN e Professor Honoris Causa da Uern; Paié Abá Pyrang – Rafael Potiguara Mendonça; Cacica Lucia Payacu Tabajara; Aidamo Warao Librando Rattia e Douglas Guyráuna Potiguara.
Na terça-feira, 28, às 8h30, terá a roda de conversa “Saberes Indígenas”, no Centro de Convivência do Campus Mossoró. Na ocasião, também terá uma Feira de artesanato indígena e pintura corporal de Grafismo. A atividade terá a presença do Cacique Luiz Katu, Paié Abá Pyrang – Rafael Potiguara Mendonça; Cacique Lucia Payacu Tabajara; Suzana Almeida – Liderança Caboclos do Assú (presença de membros da comunidade Caboclos do Assú); Aidamo Warao Librando Rattia (presença de membros da comunidade Warao Mossoró), Douglas Guyráuna (Povo Potiguara Mossoró) e Sheila Mbo’ia (Povo Potiguara Paraíba).
No período da tarde, a partir das 14h, será exibido o Cineabi: Mostra de Filmes Indígenas, no auditório da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (Fafic/Uern). E na noite da terça-feira, 28, terá uma palestra virtual com o tema “Educação Indígena: A Resposta Somos Nós”, transmitida pelo Canal da Uern no Youtube.
A palestra terá como convidados Seribi Tukano, da União Plurinacional dos Estudantes Indígenas (UPEI) e Dioclécio Mendonça - Cacique do Território Mendonça e Representante do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI). A mediação será da titular da Diaad, Eliane Anselmo.
O encerramento do Abril Indígena será na quarta-feira, 28, com uma atividade do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi/Uern), no CRAS Barrocas.
Eliane Anselmo comenta a importância dessa programação para colocar em pauta a questão indígena. “Destacamos a necessidade urgente de uma mudança de perspectiva na nossa sociedade, onde os povos indígenas deixem de ser tratados como figuras do passado ou obstáculos ao progresso, para posicioná-los como protagonistas, detentores das soluções para as crises globais atuais”.
Uern homenageou liderança indígena
Em reconhecimento à relevância histórica e cultural dos povos indígenas, e reafirmando seu compromisso com a valorização da diversidade e das lutas originárias, a Uern homenageou, em 2024, o cacique Luiz Katu durante a Assembleia Universitária comemorativa pelos 56 anos da instituição.
Na ocasião, ele recebeu o título honorífico de Professor Honoris Causa, em um momento histórico para o movimento indígena, bem como para o povo potiguara Katu. “A gente ser agraciado com o título de Professor Honoris Causa é um reconhecimento da luta milenar dos povos indígenas, do conhecimento tradicional que é passado de geração em geração”, relata o professor.
Luiz Katu foi a primeira personalidade indígena a ser homenageada com título pela Uern. Katu é uma liderança indígena potiguar de forte atuação, e encabeçou a luta pela implantação de uma escola indígena na comunidade de Canguaretama. Na Uern, o cacique tem atuado em forte parceria com o Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (Neabi) e com a Diaad.
“Estamos agora na defesa do nome de Lúcia Payacu para o próximo título de Professor Honoris Causa, no reconhecimento de uma liderança indígena, mulher e aqui de nossa região”, informou Eliane Anselmo.
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