Tecnologia auxilia no controle de ocupação, na automação de iluminação e temperatura e na segurança
Por Wilson Galvão / Especial – UFRN
A possibilidade de estimar automaticamente quantas pessoas estão em um ambiente, sem câmeras, sem sensores invasivos e sem a necessidade de circulação diante de dispositivos de leitura, é a base de uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
A tecnologia funciona utilizando sinais simples de radiofrequência (RF) para estimar quantos indivíduos estão presentes em um determinado ambiente. A ferramenta é formada por um subsistema de transmissão e outro de recepção e processamento, instalados no espaço monitorado.
Diferentemente de sensores tradicionais, que dependem da passagem das pessoas por portas ou corredores específicos, o sistema desenvolvido pelos pesquisadores funciona independentemente do movimento dos indivíduos. Além disso, consegue operar mesmo quando o local já está ocupado antes de ser ativado. “Outro diferencial é o baixo custo de implementação, já que a solução utiliza hardware simples e sinais de frequência única, tornando-se mais acessível que alternativas baseadas em câmeras, sensores ópticos, Wi-Fi, telefonia celular ou radares”, lista um dos inventores envolvidos, o professor Vicente Sousa.
O sistema pode beneficiar desde estabelecimentos comerciais e auditórios até restaurantes, escritórios e espaços públicos, auxiliando no controle de ocupação, na automação de iluminação e temperatura e até na segurança em locais com limite máximo de pessoas permitido por lei. A inovação recebeu a concessão definitiva da carta patente em dezembro de 2025 e corresponde ao “Sistema Automático de Contagem do Número de Pessoas”.
Segundo Vicente Sousa, a tecnologia também se destaca pelo caráter não invasivo. “O processo é silencioso e preserva a privacidade dos usuários, já que não depende da captura de imagens e nem de identificação individual”, afirma. O pesquisador explica ainda que o sistema pode ser integrado a plataformas de monitoramento e automação predial, permitindo respostas automáticas conforme a quantidade de pessoas detectadas em uma área.
Em ambientes internos e espaços abertos delimitados, como salas comerciais, escritórios, auditórios, restaurantes, ginásios e empresas, o equipamento pode ser instalado em paredes, tetos ou colunas, enviando as informações coletadas para sistemas de controle. Entre os exemplos de uso estão o ajuste automático de iluminação e climatização conforme a ocupação do espaço e mecanismos de alerta para evitar superlotação.
Impacto da formação acadêmica na geração de inovação tecnológica
A patente também simboliza o impacto da formação acadêmica na geração de inovação tecnológica. O desenvolvimento esteve ligado ao Programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica e de Computação (PPgEEC) da UFRN, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Os estudantes participaram de todas as etapas do projeto, desde a concepção da ideia até os testes em laboratório e em campo, além da produção científica e do processo de patenteamento.
O projeto avançou além do campo teórico e chegou à fase de prova de conceito, com testes de versões aperfeiçoadas do sistema. Os resultados foram publicados em veículos científicos de destaque internacional, entre eles a revista IEEE Antennas and Wireless Propagation Letters. O depósito da patente ocorreu em 2020, período em que os pesquisadores já apresentavam os primeiros resultados da tecnologia em estudos relacionados à inteligência artificial e telecomunicações em reportagem anterior no Portal da UFRN.
Atualmente, os autores seguem desenvolvendo pesquisas em áreas de ponta, como redes OpenRAN e tecnologias 5G e 6G, por meio do grupo de pesquisa GppCom e do Laboratório Lance, da UFRN. Parte dos inventores também atua em empresas globais, como Samsung e Apple, além de setores ligados à energia e à segurança das comunicações. De acordo com Vicente Sousa, a base tecnológica construída no desenvolvimento da patente continua sendo aplicada em novas soluções envolvendo sistemas embarcados, inteligência artificial e telecomunicações avançadas.
Solução portátil, precisa e de implementação simplificada
A relevância da invenção está justamente em superar limitações dos métodos convencionais de contagem de pessoas. Enquanto sensores de distância apenas registram entradas e saídas e sistemas baseados em câmeras que exigem processamento complexo de imagens, o novo dispositivo utiliza aprendizado de máquina para identificar alterações nas ondas de rádio causadas pela presença humana.
“A combinação entre processamento de sinais e inteligência artificial permitiu criar uma solução portátil, precisa e de implementação simplificada”, destaca Millena Campos, na época, estudante de mestrado.
A pesquisadora teve a invenção como objeto central de sua dissertação de mestrado, focada na classificação do número de pessoas por meio de sinais de radiofrequência. Já Vicente Sousa e Álvaro Medeiros atuaram na liderança e coordenação da pesquisa.
O trabalho contou ainda com a participação dos pesquisadores Tarciana Guerra, Pedro Maia, Thiago Scher e Mateus Mattos.
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