Tayres Braga, mãe de Lucas, criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista, desistiu de Mossoró e teve que morar no município de Serra do Mel onde o seu filho tem acesso a educação inclusiva. A mãe atípica afirma que fala sobre a sua luta
Por Amina Costa - Jornal de Fato
Neste dia 2 de abril é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, data que tem o objetivo de disseminar a conscientização sobre o tema e ampliar as discussões sobre a importância de garantir atendimento especializado para as pessoas com autismo. Entidades e associações reforçam que esta é uma luta diária, já que os setores públicos nem sempre conseguem garantir o atendimento básico.
Tayres Braga, mãe de Lucas, criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), informou durante sua participação no programa Jota Nobre da Rádio RPC, que precisou sair de Mossoró para garantir atendimento educacional e terapêutico para o filho. Hoje ela reside em Serra do Mel, distante cerca de 40 quilômetros de Mossoró, e afirma que além de ter professores auxiliares na escola, o filho também consegue fazer todas as terapias essenciais para o desenvolvimento da criança.
A mãe atípica informou que, antes de se mudar para Serra do Mel, o filho perdeu um ano na escola por falta de vagas para crianças com autismo. Ela disse que sempre que informada que o filho é autista, as escolas da rede municipal afirmavam que não tinham vagas disponíveis. “Esse caso foi para a justiça, que reconheceu que não tinha prejuízo para a criança passar um ano sem estudar. A promotoria recorreu e nós conseguimos, depois de um bom tempo, o direito à escola, mas não aos atendimentos. Eu abandonei o meu canto, a minha casa, para que meu filho tenha o direito que era para ser dado em Mossoró”, disse.
Além de não ter conseguido atendimento gratuito pelo Centro Especializado em Reabilitação (CER) para o filho, Tayres Braga informou que também tinha problemas com o transporte. “Quando a gente conseguia transporte, não tinha nos horários das terapias. E sair do Alto de São Manoel para a Abolição tinha um custo muito alto”, disse.
Hoje, morando em Serra do Mel, o filho de Tayres Braga tem acesso a tratamentos com psicólogo, psicomotricidade, neuropediatra, fonoaudiólogo, tem professor auxiliar na sala de aula e, ainda, disponibilidade de um transporte, cedido pela Prefeitura de Serra do Mel, para levá-lo para a APAE, em Mossoró.
“A gente está morando em Serra do Mel porque foi melhor pra gente. Conseguimos os atendimentos aqui e está sendo bem melhor tanto para Lucas quanto para mim. Está sendo melhor em relação à educação, à saúde, em relação aos medicamentos, que hoje conseguimos tudo gratuito e com mais facilidade. Tive que vir morar em Serra do Mel por conta do descaso que é a educação e a saúde para as crianças com deficiência de Mossoró”.
A mãe atípica questiona ainda os vereadores do município que, ao invés de lutar pelos direitos das pessoas com deficiência, aprovam projetos que vão contra esses direitos. “Eu falo isso não em relação à política, mas sim em relação aos direitos, à exclusão das nossas crianças. Quem era para lutar por a gente, quem diz que luta por nós são os próprios vereadores que não cobram nada, não falam nada e não vão contra algumas coisas que são aprovadas e representam uma exclusão para essas crianças com deficiência”, concluiu.
Associação AMOR inaugura hoje sala de exposição no Partage Shopping
Hoje, a partir das 18h, será inaugura pela Associação de Pais e Amigos dos Autistas e TDAH de Mossoró e Região (Associação AMOR) a sala de exposições no Partage Shopping Mossoró, abrindo a programação preparada pela Associação para celebrar o Mês de Conscientização do Autismo.
Durante todo o mês, o local sediará palestras e campanhas de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Dessa forma, as pessoas que querem saber mais sobre TEA e TDAH poderão se dirigir ao local e participar das palestras.
Esta e outras ações vão ocorrer durante todo o mês de abril, com o objetivo de ampliar e disseminar informações sobre o TEA. A Associação entende que é necessário ampliar o conhecimento das pessoas e reduzir os preconceitos sofridos por pessoas com autismo e TDAH.
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