Sábado, 16 de May de 2026

Postado às 08h30 | 16 May 2026 | redação Cesta básica em Mossoró registra alta de mais de 16% em 2026

Crédito da foto: Reprodução Itens da cesta básica

Por Edinaldo Moreno / Jornal de Fato

O Laboratório de Engenharia Econômica, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Lecon/Ufersa) divulgou o mais recente Boletim Índice Cesta Básica Essencial (Boletim/ICEBE), relativo ao mês de abril. O documento nº 45 destaca que a cesta básica em Mossoró registra alta de aproximadamente 20% nos primeiros quatro meses de 2026.

Segundo o ICBE, no acumulado do ano, a Capital do Oeste registra variação positiva de 16,8%. Em abril, a cesta chegou a R$ 609,99, pressionada por uma alta de 6,3% em relação ao mês anterior. Em março, o ICBE registrou alta de 3,6% e em fevereiro o percentual foi maior (+7,). Somente em janeiro, o índice foi negativo (-0,8%).

No mês passado, o tomate liderou as altas com disparada de 17,1%, seguido pelo leite (9,9%) e pelo pão francês (7,4%). Café em pó e margarina ofereceram algum alívio, com recuos de 3,4% e 0,4%, respectivamente, enquanto o açúcar permaneceu estável.

No acumulado anual, o tomate segue como o produto mais impactante, com alta de 75,3%, ao passo que arroz e café em pó foram os que mais contribuíram para segurar o orçamento, com quedas de 26,9% e 11,3%.

ENTRESSAFRA

O ICBE de abril registrou alta média de 4,2%, com elevação de custos em Caraúbas, Mossoró e Pau dos Ferros. Angicos foi a única cidade a registrar recuo. Na média das quatro cidades, o tomate liderou as pressões de alta, com avanço de 19,2%, seguido pelo arroz (15%) e pelo leite (10,6%). O açúcar e o óleo de soja também contribuíram para o encarecimento da cesta, enquanto banana, feijão, farinha e margarina recuaram, oferecendo algum alívio ao orçamento familiar.

O cenário regional segue o mesmo padrão: a maioria das cidades nordestinas registrou alta em abril, com capitais e grandes centros mantendo os custos mais elevados. Municípios do interior, apesar de variações expressivas em alguns casos, ainda apresentam preços mais acessíveis. O quadro reforça a tendência de encarecimento da alimentação básica, impactando especialmente as famílias de menor renda.

Em âmbito nacional, o DIEESE aponta que as variações de abril foram determinadas, sobretudo por fatores sazonais. Tomate, batata e leite sofreram com a entressafra, enquanto o feijão teve seus preços sustentados pela demanda aquecida. O arroz, mesmo com a colheita em curso, teve volume comercializado reduzido pela retenção dos produtores à espera de melhores preços.

A carne bovina seguiu pressionada pela demanda externa aquecida e pela oferta restrita. Na contramão, o café em pó registrou queda na maioria das capitais, influenciado pela proximidade da safra e pelo menor volume exportado.

OUTROS MUNICÍPIOS

Angicos foi o único município a registrar queda mensal, com a cesta recuando 0,8%, de R$ 559,84 para R$ 555,11 — ainda que o acumulado do ano siga positivo em 6,4%. O pão francês foi o destaque negativo, saltando 26,8% no mês, acompanhado pelo arroz (23,9%) e pelo leite (20,5%). Carne, margarina e farinha ajudaram a conter o avanço da cesta, com quedas de 4,2%, 5,9% e 0,4%, respectivamente.

Em Caraúbas, a situação foi mais severa: a cesta atingiu R$ 615,00, a mais cara entre as quatro cidades, com alta de 6,7% no mês e 14,5% no ano. O tomate foi o grande responsável pela pressão, avançando 37,7% no mês e acumulando impressionantes 114,1% no ano — o maior índice registrado entre todos os itens e municípios analisados. Leite, óleo de soja e açúcar também contribuíram para o aumento, enquanto feijão (-25,6%), farinha (-25,3%) e margarina (-12,6%) foram os principais alívios.

Por fim, em Pau dos Ferros, a cesta somou R$ 587,27, com alta de 5,9% frente ao mês anterior e 13,9% no ano. Assim como nas demais cidades, o tomate liderou as pressões de alta, subindo 12,4% no mês e acumulando 71,7% no ano. Carne e farinha também pressionaram, com altas de 8,1% e 8,2%, respectivamente. No campo positivo, margarina (-10,4%), café em pó (-4,5%) e feijão (-0,9%) ajudaram a conter uma elevação ainda maior, proporcionando algum fôlego ao consumidor da região.

 

ÍNDICE CESTA BÁSICA ESSENCIAL (%)

Abril: +6,3%

Março: +3,6%

Fevereiro: +7,0%

Janeiro: -0,8%

VALOR DA CESTA BÁSICA ESSENCIAL INDIVIDUAL (R$)

Abril: R$ 609,99

Março: R$ 573,77

Fevereiro: R$ 553,97

Janeiro: R$ 517,96

 

CARNE (kg)

Variação mensal: +3,5%

Variação anual: +8,3%

Variação em 12 meses: +9,9%

LEITE (l)

Variação mensal: +9,9%

Variação anual: +9,9%

Variação em 12 meses: +15,3%

FEIJÃO (kg)

Variação mensal: +0,5%

Variação anual: +30,8%

Variação em 12 meses: +33,9%

ARROZ (kg)

Variação mensal: +2,5%

Variação anual: +0,5%

Variação em 12 meses: -26,5%

FARINHA (kg)

Variação mensal: +0,4%

Variação anual: +8,1%

Variação em 12 meses: -2,0%

TOMATE (kg)

Variação mensal: +17,1%

Variação anual: +75,3%

Variação em 12 meses: +19,6%

PÃO FRANCÊS (kg)

Variação mensal: +7,4%

Variação anual: +6,5%

Variação em 12 meses: +3,6%

CAFÉ EM PÓ (250g)

Variação mensal: -3,4%

Variação anual: -7,1%

Variação em 12 meses: -11,3%

BANANA (kg)

Variação mensal: +5,7%

Variação anual: +11,6%

Variação em 12 meses: -7,1%

AÇÚCAR (kg)

Variação mensal: 0%

Variação anual: -6,9%

Variação em 12 meses: -15,4%

ÓLEO DE SOJA (900l)

Variação mensal: +2,6%

Variação anual: -5,8%

Variação em 12 meses: +4,1%

MARGARINA (500g)

Variação mensal: -0,4%

Variação anual: +11,0%

Variação em 12 meses: +13,8%

Fonte: Boletim ICBE, n. 45 - abril de 2026

 

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