Sábado, 13 de June de 2026

Postado às 10h30 | 13 Jun 2026 | redação Professor da Uern analisa crescimento das bets em meio à Copa do Mundo

Crédito da foto: Reprodução Pesquisa aponta crescimento de 500% nos gastos com apostas esportivas nos últimos anos

Por Rosalba Moreira / Especial - Uern

A estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, neste sábado, 13, promete mobilizar milhões de torcedores diante das telas em bares, residências e espaços públicos espalhados pelo país.

Mas além da tradicional expectativa pelos resultados em campo, o início do Mundial também reacende um fenômeno que ganhou força nos últimos anos e passou a fazer parte da experiência de muitos brasileiros com o futebol: as apostas esportivas on-line.

Presentes nas transmissões televisivas, nos uniformes dos clubes, nas redes sociais e na publicidade digital, as chamadas “bets” se consolidaram como um dos mercados que mais crescem no país. Ao mesmo tempo, especialistas alertam para os impactos desse avanço, especialmente em relação ao endividamento.

O professor de Economia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Francisco Soares, ressalta que os jogos de apostas sempre fizeram parte do dia a dia do brasileiro, seja por meio do jogo do bicho, da loteria esportiva ou de outras modalidades semelhantes.

Um dos diferenciais das bets, no entanto, tem sido a facilidade para realizar apostas, já que todo o processo pode ser feito diretamente pelo celular. “Antes, para apostar na Loto, por exemplo, a pessoa tinha que enfrentar uma fila e tinha dias específicos para se fazer essas apostas. Hoje as pessoas conseguem apostar usando o próprio celular. Então ficou muito mais cômodo, reduzindo o custo em tempo, em deslocamento, em espera e em esforço”, destacou.

Essa facilidade de acesso ajuda a explicar a rápida expansão do setor nos últimos anos. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os gastos das famílias brasileiras com apostas esportivas cresceram 500% entre maio de 2023 e março de 2026, passando de praticamente zero para mais de R$ 30 bilhões mensais no período.

O levantamento também estima que o avanço das bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista entre janeiro de 2023 e março de 2026. De acordo com a entidade, o valor corresponde a todo o volume de vendas registrado nos períodos de Natal de 2024 e 2025.

Embora os números reforcem as preocupações em torno do crescimento das apostas esportivas, a atividade é atualmente regulamentada no Brasil e opera sob regras estabelecidas pelo governo federal.

Para Francisco Soares, os dados devem ser analisados dentro de um contexto econômico mais amplo. Segundo ele, enquanto permanecer regulamentada, a atividade deve ser compreendida como uma forma de consumo, assim como outros serviços de lazer e entretenimento.

“Se as apostas estão legalizadas, então elas funcionam como qualquer outro tipo de entretenimento, como ir ao cinema, assistir a um show ou a uma partida de futebol”, afirmou.

Nesse sentido, Soares avalia que eventuais medidas voltadas apenas para restringir as apostas não seriam suficientes para resolver o problema da inadimplência. “Sem alterar questões fundamentais da economia brasileira, como taxas de juros e inflação, não será combatendo um determinado serviço, seja ele uma bet ou qualquer outro tipo de entretenimento, que vamos resolver a situação do endividamento das famílias”, concluiu.

Com a Copa do Mundo movimentando a paixão dos brasileiros pelo futebol, as apostas esportivas tendem a ganhar ainda mais impulso nas próximas semanas. A recomendação de especialistas, portanto, é se ater ao uso responsável dessas plataformas de apostas, de modo que o entretenimento não se converta em dificuldades financeiras para os apostadores e suas famílias.

 

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