Terça-Feira, 21 de julho de 2026

Postado às 10h45 | 20 jul 2026 | redação Nova taxação anunciada pelos Estado Unidos Estados ameaça indústria salineira potiguar

Indústria salineira potiguar, responsável por 98% da produção nacional de sal, passa enfrentar severas dificuldades econômicas, a partir do tarifaço americano que entrará em vigor nesta terça, 21. Moageiros alertam para os impactos no setor econômico

Crédito da foto: Reçprodução A indústria salineira potiguar é responsável por 98% da produção nacional de sal

Da Redação do Jornal de Fato

O Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Estado do Rio Grande do Norte (SIESAL-RN), em nota técnica, alertou para os impactos do aumento da tarifa de importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos. A indústria salineira potiguar, responsável por 98% da produção nacional de sal, passa enfrentar severas dificuldades econômicas, a partir do tarifaço americano que entrará em vigor na próxima terça-feira, 21.

De acordo com a nota técnica, a taxação anunciada por Washington pode inviabilizar as exportações para os Estados Unidos, principal mercado externo do setor, comprometendo uma importante fonte de receita da economia potiguar.

Os moageiros da região de Mossoró, onde se concentra a indústria salineira potiguar, afirmam que a medida ameaça cerca de 4 mil empregos diretos, além de afetar trabalhadores ligados ao transporte rodoviário e marítimo, distribuição e comercialização do produto.

A nota do SIESAL-RN também alerta que o impacto poderá atingir diversos municípios do Semiárido potiguar, onde a atividade salineira tem forte presença.

O presidente da entidade, Airton Torres, observa que os Estados Unidos representam 47% de todos os negócios internacionais da indústria salineira potiguar, considerando os últimos seis anos. O país também responde por aproximadamente 27% dos embarques totais de sal produzidos no Rio Grande do Norte, o equivalente a uma média anual de 530 mil toneladas exportadas.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, afirma que após a redução da tarifa aplicada ao setor pesqueiro, a principal preocupação da indústria potiguar passou a ser o segmento salineiro. Segundo ele, a logística de exportação limita a busca por novos mercados e torna os Estados Unidos um destino estratégico para o produto.

"O sal tem uma complicação logística. Ele consegue chegar competitivo nos Estados Unidos, no oeste americano e no leste africano. Desde o primeiro momento ficamos ao lado dos dois setores mais impactados. O sal conta com um consultor em Washington e também acompanhamos esse cenário por meio da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O nosso trabalho continuará sendo buscar um ambiente mais favorável para o setor", declarou em entrevista ao jornalista Jussier Lucas, do portal bnewsrn.com.br.

Existe a preocupação de que a eventual perda do mercado norte-americano poderá comprometer a operação do Terminal Salineiro de Areia Branca (Porto Ilha/Intersal), estrutura utilizada exclusivamente para o escoamento da produção de sal.

 

Indústria salineira tem poucas alternativas para substituir o mercado americano

Reportagem do jornalista Jussier Lucas, com base na avaliação do SIESAL-RN, mostra que a taxação coloca o sal potiguar em desvantagem competitiva em relação a outros países exportadores, como Chile, Egito, Namíbia e México, que enfrentam tarifas menores para vender aos Estados Unidos.

O presidente da entidade, Airton Torres, afirma que redirecionar a produção para outros mercados também é uma tarefa difícil. Segundo o sindicato, os altos custos logísticos inviabilizam a exportação para países asiáticos, enquanto o mercado europeu é abastecido principalmente por produtores do Norte da África e do Oriente Médio.

O aumento da tarifa foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e deverá apresentar impacto a partir de agosto. O governo brasileiro informou que pretende responder à medida com base na Lei da Reciprocidade Econômica, mantendo as negociações diplomáticas e comerciais.

Para o setor salineiro, entretanto, a preocupação permanece. Caso a tarifa seja mantida, o Rio Grande do Norte poderá enfrentar perdas expressivas na atividade econômica, afetando empregos, arrecadação e uma cadeia produtiva considerada estratégica para o estado.

 

Indústria concentrada na região da Costa Branca

A indústria salineira do Rio Grande do Norte é hegemônica no Brasil, responsável por cerca de 98% da produção nacional de sal marinho. Concentrada na região da Costa Branca (principalmente em Mossoró, Macau, Areia Branca e Grossos), o setor aproveita o clima semiárido, o sol forte e os ventos constantes para a evaporação.

O sucesso dessa atividade depende da forte incidência solar e do regime de ventos para evaporar a água do mar e cristalizar o sal em grandes extensões de salinas a céu aberto. A produção potiguar abastece não apenas o consumo doméstico e a indústria alimentícia, mas também setores cruciais como o químico, farmacêutico e de tratamento de água.

Empresas de destaque, como a Cimsal e a Socel Indústria Salineira, atuam no processamento, refino e comercialização do produto, gerando dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos na região.

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