A solenidade ocorreu no auditório da Facs
Com a presença de docentes e estudantes da Faculdade de Ciências da Saúde (Facs), egressos, profissionais e gestores da área da saúde, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) celebrou na manhã desta quarta-feira, 28, os 15 anos de existência do Ambulatório de Doença de Chagas (ADOC). A solenidade ocorreu no auditório da Facs.
O ADOC começou através de uma pesquisa de doutorado do professor Cléber Mesquita, que é também o coordenador do ambulatório, e se transformou em um ambiente de integração entre assistência, ensino, pesquisa e extensão. “O meu doutorado foi trabalhando pacientes com doença de chagas, da mesorregião do Oeste Potiguar, e abrimos o ambulatório para poder acolher e prestar assistência a esses pacientes. Inicialmente a gente começou com 127 pacientes e hoje nós estamos com cerca de 600”, revela.
Atualmente, o ADOC atende pacientes de Mossoró e regiões circunvizinhas (Caraúbas, Baraúnas, Governador Dix-Sept Rosado, Janduís, Pendências, Maísa, Melancias, entre outros), com as diferentes formas clínicas da doença de chagas: cardíaca, digestiva, cardiodigestiva e indeterminada, recebendo tratamento especializado e com dignidade. São ofertados exames de sangue, eletrocardiograma (ECG), MAPA 24h, Holter e consultas com cardiologista.
Em um discurso emocionado, Cléber Mesquita destacou que a atuação do ADOC ultrapassa os muros da Universidade. “Por trás de cada paciente, tem uma história de vida, que conhecemos através dos serviços do ambulatório. Para além uma ação integrada de ensino, pesquisa e extensão, o Ambulatório oferece aos estudantes muito mais do que a formação profissional, oferece uma oportunidade de fazer a diferença na vida de alguém”, declara o coordenador.
A estudante Marina Mota, do sexto período de Medicina, vivencia esse cuidar do outro em sua experiência no ADOC. “Uma das coisas mais marcantes do ambulatório é poder viver a medicina em sua universalidade e integralidade. Para mim, os pacientes não são apenas pacientes, são pessoas, cada um com sua história. A gente sabe o nome, do que gosta, para qual time torce, e isso é muito enriquecedor. No ambulatório, aprendemos que na medicina não basta saber a técnica, precisamos saber acolher e cuidar dos pacientes”, relata.
Para o médico Aglagilson Fernandes, um dos primeiros estudantes a fazer parte do Adoc, a experiência no ambulatório foi bastante enriquecedora. “Na época que o professor Cléber criou o ambulatório, ele convidou alguns alunos para contribuir e eu fui um desses estudantes”, relembra. Aglagilson enfatiza que o ambulatório foi um divisor de águas na formação. “A gente aprendeu muito no cuidado com o outro. E hoje poder voltar à Uern para celebrar os 15 anos do ADOC é uma alegria imensa”, diz.
A enfermeira Grináuria de Sousa, que também atuou no ADOC, destacou que o ambulatório foi fundamental para sua formação. “Pude compreender melhor o quanto a pesquisa é importante e aplicar os conhecimentos que aprendi ao longo do tempo que passei no ADOC em várias fases da minha vida profissional”.
O vice-reitor da Uern, Chico Dantas, parabenizou a todos os envolvidos com o Ambulatório pela trajetória. “São 15 anos de um bonito trabalho voltado para a sociedade. Agradeço a Prefeitura de Mossoró e os demais parceiros que possibilitaram o desenvolvimento desta importante iniciativa. O ADOC representa a ciência sendo transformada em benefício para a população”, frisa.
A Secretária Municipal de Saúde de Mossoró, Morgana Dantas, externou que é uma alegria poder fazer parte do ambulatório, uma ação que faz a diferença para a comunidade.
A diretora da Facs, Allyssandra Rodrigues, enfatiza que é uma felicidade celebrar 15 anos do ADOC. “O ambulatório é um espaço de acolhimento para o paciente com Doença de Chagas, uma enfermidade que é historicamente negligenciada, mas que é presente em nossa realidade. O ADOC oferece escuta, tratamento e cuidado para esses pacientes”, afirma a diretora.
Cléber Mesquita ressalta que além das ações do ambulatório, a Uern vem trabalhado o combate à doença de chagas em diferentes vertentes, como trabalhos de PIBIC, pesquisa de mestrado, doutorado de pós-doutorado. Ele avalia a necessidade de somar os esforços da Uern junto com outros setores da saúde pública para o combate à doença.
A doença de chagas é uma doença silenciosa e mata cerca de 15 mil pessoas por ano na América Latina. “A grande maioria dos pacientes não sabe que tem a doença, e repentinamente é surpreendido com problemas cardíacos ou a morte súbita. Por isso, a importância do trabalho da Uern e a necessidade de criar outros centros especializados em doença de Chagas na região”, declara Mesquita.
O ADOC funciona sob a supervisão do médico Cleber Mesquita e da enfermeira Ellany Gurgel, ambos docentes da Uern. Os atendimentos são realizados nas três primeiras quartas-feiras de cada mês e funcionam por agendamento. O interessado deve entrar em contato pelo contato de WhatsApp: (84) 99620-4215.
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