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Postado às 10h00 | 14 Fev 2021 | Redação Excesso de informação pode afetar a saúde mental, aponta estudo

Crédito da foto: Repridução O excesso de informação nos dias atuais pode afetar a saúde mental das pessoas

Por Edinaldo Moreno - Repórter do JORNAL DE FATO

O excesso de informação nos dias atuais pode afetar a saúde mental das pessoas que buscam exageradamente notícias de diversos assuntos, principalmente sobre o novo coronavírus. A pandemia é o termo utilizado para explicar uma doença infecciosa, em estágio epidêmico, que se espalha entre a população de uma grande região geográfica. Seguindo essa definição, infodemia seria a propagação de uma grande quantidade de informações por todo o mundo.

Na era da informação, esse fenômeno é amplificado pelas redes sociais e se alastra mais rapidamente, como um vírus. A Organização Mundial de Saúde (OMS) batizou esse fenômeno como “uma superabundância de informações (algumas precisas e outras, não) que dificultam que as pessoas encontrem fontes e orientações confiáveis quando precisam delas”.

A principal fonte de notícias das pessoas tem sido a internet, onde as informações podem circular em redes sociais sem passar por filtros de profissionais do jornalismo e da saúde, além de fontes oficiais do governo. As fake news podem colocar vidas em risco e levar ao colapso do sistema de saúde com a disseminação de informações falsas.

A psiquiatra da Hapvida, médica Célia Almeida de Moura Prestes explica quais são as possíveis consequências psicológicas para aqueles que abusam do consumo de notícias em excesso na internet. As notícias falsas procuram acionar a memória emocional para desviar a atenção dos fatos e provocar na mente uma sensação de veracidade.

“O segredo para viver bem é exatamente o equilíbrio. Com o consumo de notícias em excesso, sejam elas falsas ou verdadeiras, ocorre, com frequência, alterações no humor, como sintomas ansiosos e/ou depressivos. Muitas vezes as pessoas se tornam mais confusas e até psicóticas”.

A pandemia do Coronavírus tornou visível a quantidade imensa de conteúdos questionáveis circulando na internet, alguns criados com base na realidade, mas distorcidos, outros de caráter completamente absurdo.

Com a internet, esse tipo de veiculação torna-se ainda mais rápida e prática, o que acende um alerta sobre a veracidade das informações e até que ponto é saudável acompanhar o que é divulgado a todo o momento, já que a projeção da realidade, por meio da internet, pode afetar a visão de determinadas pessoas sobre o que acontece ao redor do mundo. Pensando nesse excesso de informação, especialistas orientam sobre os cuidados que devem ser adotados ao consumir notícias no cotidiano.

A profissional destaca ainda que algumas pessoas podem ser mais afetadas do que outras por determinadas notícias. Por esse motivo, Prestes orienta sobre a importância de se tratar cada caso de forma individual.

“Algumas pessoas são mais sensíveis e, por isso, não devem se informar sobre algumas notícias, pois podem exacerbar suas consequências, distorcer e assim temer. Este temor pode levar aos mais variados transtornos psiquiátricos”, pontua.

Manter os cuidados com a saúde mental não significa estar alheio às informações. Esta explicação é apresentada pela própria especialista, que finaliza suas orientações reforçando a importância da busca pelo equilíbrio.

“Devemos estar sempre bem informados, porém nunca substituir os afazeres do dia a dia pela necessidade de estar a par de tudo. Percebemos ainda uma competição pela informação, e isto faz com que as pessoas passem longas horas a procura destas, deixando para trás novas construções na sua vida”.

Os especialistas no tema enfatizam que para se imunizar contra a infodemia é preciso priorizar a qualidade da informação em vez da quantidade. A OMS recomenda escolher uma hora do dia para se atualizar com notícias sobre o novo coronavírus em fontes confiáveis. E, ao compartilhar uma notícia, assegurar a veracidade dela.

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