Um dia após sofrer derrotar na Câmara Municipal de Mossoró, prefeito Allyson Bezerra determina a aprovação do projeto que prevê a contratação de estagiários voluntários, sem especialização, para auxiliar estudantes com deficiência em sala de aula
Um dia após sofrer derrota na Câmara Municipal de Mossoró, o prefeito Allyson Bezerra (União) determinou que a sua bancada aprovasse, sem debate, o projeto que cria o “Programa Incluir”, mesmo sob protesto de mães atípicas, ativistas e entidades da Causa da Pessoa com Deficiência.
Nesta quarta-feira, 2, o presidente da Câmara, governista Genilson Alves (União), colocou o Projeto de Lei Ordinária do Executivo nº 115/2025 em votação e foi aprovado por 17 votos a 2. Apenas as vereadoras Marleide Cunha (PT) e Plúvia Oliveira (PT) se posicionaram contra a proposta.
Antes de o projeto ser colocado em votação, Allyson Bezerra mandou recado para a sua bancada, afirmando que não iria tolerar ser desafiado e que a aprovação teria que acontecer hoje, por ser o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e para evitar a audiência pública aprovada pela oposição para debater o tema.
Todos os vereadores governistas acataram a ordem, inclusive, Petras Vinícius (PSD) que foi eleito com a bandeira da causa das pessoas com deficiência. Chamou a atenção o voto a favor do vereador Dr. Cubano (PSDB), que ocupa o cargo de líder da oposição, e do vereador Jailson Nogueira (PL), um crítico ferrenho da gestão Allyson Bezerra.
Antes de mandar a sua bancada aprovar o “Programa Incluir”, o prefeito publicou vídeo em suas redes sociais para afirmar que o projeto “é bom” para os estudantes com deficiência ou autismo. No vídeo, aparece dirigentes de entidades escolhidas pelo Palácio da Resistência para passar a mensagem de apoio, em detrimento das mães atípicas.
O Programa Incluir virou polêmica, isso porque a proposta prevê a contratação de 800 estagiários voluntários, sem exigir especialização, para auxiliar estudantes com deficiência ou autismo nas escolas da rede municipal de Mossoró. Mães atípicas afirmam que o projeto não respeita os princípios da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e da Lei Berenice Piana, que estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
O influencer e ativista da causa da pessoa com deficiência Ivan Baron, que tem mais de 500 mil seguidores em uma de suas redes sociais, foi o primeiro a criticar o “Programa Incluir” do prefeito Allyson Bezerra. Em vídeo, ele sugeriu que o projeto é oportunista e que serve apenas para “cabide de emprego” em ano que antecede um ano eleitoral.
Os vereadores que votaram a favor do projeto foram João Marcelo (PSD), Kayo Freire (PSD), Vladimir (PSD), Cabo Deyvison (MDB), Dr. Cubano (PSDB), John Kenneth (Solidariedade), Lucas das Malhas (União Brasil), Ozaniel Mesquita (União Brasil), Petras (PSD), Raério Araújo (União Brasil), Ricardo de Dodoca (União Brasil), Thiago Marques (Solidariedade), Tony Cabelos (União Brasil), Jailson Nogueira (PL), Alex do Frango (PSD) Wiginis do Gás e Vavá (REDE).
As vereadoras Marleide Cunha (PT) e Plúvia Oliveira (PT) votaram contra a proposta.
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