Segundo a Polícia Federal, entre os anos de 2021 e 2025, que compreende os cinco anos da gestão de Allyson Bezerra, as empresas investigadas receberam pagamentos superiores a R$ 13,5 milhões. A Polícia Federal aponta pagamento de propina ao prefeito
Prefeito Allyson Bezerra, alvo de operação da Polícia Federal e do CGU
Da Redação do Jornal de Fato
A investigação da Polícia Federal, com base em dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), descobriu um grande volume de pagamentos feitos pela Prefeitura de Mossoró às empresas envolvidas no esquema criminoso de desvios de dinheiro público.
Segundo a PF, entre os anos de 2021 e 2025, que compreende os cinco anos da gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), essas empresas receberam pagamentos superiores a R$ 13,5 milhões.
Mossoró foi a principal remetente de recursos à empresa no Rio Grande do Norte. “O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal", citou a decisão do desembargador federal Rogério Fialho Moreira.
O desembargador reforçou que tal suspeita é reforçada pela proximidade política entre Allyson Bezerra e um dos sócios da empresa, que têm fotos juntos nas redes sociais.
Esquema em sigilo
A transcrição captada pela Polícia Federal cita que um dos empresários diz que o prefeito de Mossoró tenta manter o esquema em sigilo no âmbito municipal. Segundo a decisão, ele chega a debochar do gestor.
“O problema porque é o seguinte: os cara... [inaudível]...se eu fosse prefeito, meus funcionários por exemplo... 'ah, esse prefeito é ladrão, quem rouba é ele, pode falar, não me importa não!' Aí os cara é um cuidado, não porque ninguém pode saber não...." [sic], diz um dos empresários.
Na decisão, o juiz cita que, "além do contexto geral do diálogo fazer referência à participação de Allysson Bezerra nos esquemas de corrupção, a assertiva revela o cuidado que este demonstra para se manter oculto nos esquemas de corrupção".
O nome do prefeito e do vice-prefeito Marcos Bezerra são citados ainda em diálogos referentes ao planejamento para futuro favorecimento de uma possível campanha do vice para concorrer à prefeitura de Mossoró. Nos diálogos, segundo a decisão, "o grupo arquiteta a divisão de valores de propina, a fim de que sejam acumulados para eventual financiamento de campanha".
A decisão cita que um dos sócios da empresa investigada tem relação direta com o vice-prefeito de Mossoró, o que foi constatado através da troca de mensagens e ligações.
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