Sede da DisMed Distribuidora está fechada desde a operação da Polícia Federal e do CGU
Da Redação do Jornal de Fato
Antes de a gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) ser alcançada pela Operação Mederi, a DisMed Distribuidora e a Drogaria Mais Saúde haviam ganhado nova licitação na Prefeitura de Mossoró para fornecimento de medicamentos. Eram mais de meio milhão de reais que a gestão Allyson oxigenaria os cofres das duas empresas investigadas pela Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (OGU).
As investigações descobriram um esquema criminoso de desvio de recursos da saúde pública de Mossoró. Em um dos contratos, no valor de R$ 400 mil, apenas 130 mil seriam aplicados na compra de medicamentos, enquanto R$ 270 mil seriam desviados. Em um dos áudios interceptados pela Polícia Federal, um dos sódios da DisMed diz que 15% do valor do contrato seria a “propina” do prefeito Allyson Bezerra.
Em razão da Operação Mederi, detonada na terça-feira, 27, a gestão Allyson decidiu desclassificar as empresas investigadas de um pregão eletrônico em Mossoró. A decisão foi tomada por recomendação do procurador-geral do município, Tales Pinheiro Belém, com base nos riscos jurídicos e operacionais que a manutenção dos contratos poderia representar.
A reportagem do Jornal de Fato apurou que a DisMed e a Drogaria Mais Saúde haviam vencido lotes do Registro de Preços Eletrônico nº 16/2025, com propostas nos valores de R$ 490.932,40 e R$ 82.104,00, respectivamente. O total previsto do edital ultrapassava R$ 1,48 milhão.
A recomendação de desclassificação foi enviada às secretarias de Saúde, Administração e Governo, antes da homologação do certame, datada de 30 de janeiro de 2026, três dias após a Polícia Federal e a CGU realizarem busca e apreensão nas residências do prefeito Allyson, do vice-prefeito Marcos Bezerra (PSD), da secretária de Saúde do município, Morgana Dantas, e dos sócios da DisMed, Oseas Monthalggan e Moabe Soares, além de outros envolvidos no esquema criminoso. Na casa de Allyson, a PF e a CGU apreenderam um celular, um computador e dois HDs. No endereço de um dos sócios da DisMed, foram apreendidos R$ 291 mil em espécie guardados em caixa de isopor, além de estoques de medicamentos.
Segundo a Polícia Federal, o esquema criminoso envolvia toda uma estrutura para facilitar que as empresas investigadas ganhassem os contratos para fornecimento de medicamentos, que não eram entregues ou que tinham valores superfaturados. Entre 2023 a 2025, as empresas investigadas faturaram quase R$ 15 milhões da gestão Allyson Bezerra.
Empresas investigadas estão com bens e valores bloqueados pela Justiça
O procurador-geral do município de Mossoró, Tales Belém, argumentou em ofício que pede a desclassificação da DisMed Distribuidora e a Drogaria Mais Saúde, que é “irrealista esperar que empresas cujos principais dirigentes estão proibidos de gerir seus negócios e de acessar suas próprias instalações possam cumprir integralmente” contratos tão delicados quanto o fornecimento contínuo de medicamentos.
As duas empresas e seus sócios estão com bens e valores bloqueados em um total que supera R$ 13,3 milhões, conforme determinações judiciais da Operação Mederi, assinada pelo desembargador federal Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), com sede em Recife (PE).
O ofício assinado por Belém afirma que diante dos indícios apurados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, manter a DisMed e a Drogaria Mais Saúde como fornecedoras da Prefeitura de Mossoró poderia configurar ato de improbidade administrativa, nos termos da Lei nº 8.429/92.
Tales Belém ainda observou que a presença de empresas investigadas por crimes contra a administração pública “macula a confiabilidade do ente público municipal” e gera “dúvidas intransponíveis quanto à moralidade dos contratos firmados”.
Tags: