Sexta-Feira, 06 de março de 2026

Postado às 09h30 | 27 Fev 2026 | redação Defesa nega vínculo de Allyson com servidores que receberam dinheiro da DisMed

Crédito da foto: Reprodução Operação Mederi desmentalou esquema de desvio de recursos na saúde de Mossoró

Da redação do Jornal de Fato

O prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), por meio de sua assessoria jurídica, rebate informações da Polícia Federal, contidas nos documentos da Operação Mederi, de que as servidoras que receberam mais de meio milhão de reais da empresa investigada DisMed Distribuidora sejam auxiliares de gabinete do chefe do Executivo mossoroense.

Em documento enviado ao Jornal de Fato, assinado pelo advogado Caio Vitor, do escritório Ribeiro Barbosa Advogados, a defesa de Allyson afirma que Clívia Corina Lima Lobo Maia e Inez Martins de Medeiros Viana são servidoras do quadro efetivo da Educação, aprovadas em concurso público e nomeadas em 2000 e 2001, na gestão da ex-prefeita Rosalba Ciarlini.

A defesa de Allyson não entra no mérito da investigação em si, limitando-se a afirmar que Clívia Corina e Inez Martins “não exercem cargos comissionados, função de confiança ou qualquer vínculo de natureza política” com o prefeito de Mossoró.

O Jornal de Fato publicou reportagem, assinada pelo jornalista Dinarte Assunção, do Blog do Dina, mostrando que a Polícia Federal incluiu duas servidoras da Prefeitura em sua análise financeira após detectar transferências que somam R$ 530 mil. Os valores partiram diretamente da empresa DisMed Distribuidora e de uma conta pessoal usada para lavagem de dinheiro, segundo as investigações.

No cruzamento de dados de pessoas que receberam dinheiro da empresa investigada DisMed, surgiram os nomes de Inez e Clívia. O Blog do Dina procurou as duas servidoras para que pudessem apresentar suas versões dos fatos. Uma confirmou uma transação imobiliária, a outra negou ter recebido dinheiro. As citadas não aparecem como investigadas especificamente na Operação Mederi, que segue em andamento.

Sobre Clívia Corina, a PF a identificou como a segunda maior destinatária de recursos da conta de uma filha menor de idade de Oseas Monthalggan, sócio da DisMed, que, segundo os investigadores, era usada para lavagem de dinheiro. Clívia recebeu R$ 430.000,00 em quatro transferências entre 11 e 17 de março de 2022.

Em contato telefônico com o Blog, Clívia afirmou que o valor se refere à venda de um imóvel para Oseas. No entanto, um documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) anexado ao inquérito mostra uma outra realidade:

- O que foi vendido: Um terreno urbano de 360 m², não uma casa.

- Valor declarado: A operação foi registrada em cartório com o valor de R$ 100.000,00.

- Data do registro em cartório: 18 de março de 2022.

- Compradores: Oseas Monthalggan e sua esposa, Roberta Ferreira Praxedes Costa.

Confrontada com a divergência de R$ 330 mil entre o valor recebido e o valor declarado, e com o fato de o dinheiro ter vindo da conta da filha de Oseas, Clívia inicialmente se prontificou a apresentar os documentos que comprovariam a legalidade da transação de R$ 430 mil.

Horas depois, em novo contato, a servidora mudou de postura. Disse que possuía toda a documentação, mas que só a apresentaria se fosse intimada pela Polícia Federal, recusando-se a mostrá-la à reportagem para esclarecer os fatos. O Blog do Dina insistiu em dispor da documentação para descartá-la da reportagem e não expor seu nome, mas entendeu que o interesse público da divergência de recursos não comprovados sobrepõe à preservação de sua identidade.

 

Outra servidora citada é aposentada na rede pública de Mossoró

Quanto à servidora Inez Martins de Medeiros Viana, a análise financeira da Polícia Federal aponta que ela recebeu uma transferência de R$ 100 mil da empresa DisMed em 23 de junho de 2023. A PF a lista como uma das “destinatárias de transferências que não aparentam ser parceiros/fornecedores” da empresa investigada.

O relatório da Operação Mederi aponta que Inez possui vínculos empregatícios com o gabinete de Allyson Bezerra, o que é rebatido pela defesa do prefeito.

Procurada pelo Blog do Dina, via WhatsApp, Inez Martins inicialmente perguntou sobre o teor da matéria. Ao ser informada sobre a transferência de R$ 100 mil da DisMed, respondeu:

“Eu??? Acho q você pegou a pessoa errada”

Após a resposta, o jornalista insistiu, confirmando o nome e perguntando se a conta dela poderia ter sido usada sem seu conhecimento. Após esse último contato as mensagens enviadas pelo Blog do Dina não foram mais recebidas.

Inez também é servidora da educação tanto no Estado, onde tem remuneração líquida em torno de R$ 5 mil, quanto aposentada da rede pública de Mossoró, com remuneração de R$ 8,7 mil.

 

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